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"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

8 de agosto de 2009

MARLY DE OLIVEIRA - in memorian

Fui apresentada à poeta Marly de Olveira pela sua amiga e assessora de imprensa ,
a jornalista e escritora Farida Issa.
Foi amor à primeira vista, ao ler seus livros e compartilhar da
sensibilidade e sutileza de suas palavras.
Fazia parte deste grupo na época a gravadora Maria bonomi,
as escritoras Lígia Fagundes Telles , Nélida Pinõn e Clarice Lispector.
Mulheres poderosas que fazem a diferença.
Agora deixo que Marly se apresente ... nada melhor que um AUTO-RETRATO...


" Sou filha de Cecília Meireles, Drummond, Bandeira, Augusto Meyer. Irmã de Clarice, Nélida Piñon, José Guilherme Merquior. Devo muito a Jão Cabral e, de uma certa forma que só agora começo a compreender, a Ruth Maria Chaves.

Sou mãe de Mônica, de onze anos, e de Patrícia, com quatro.

Estudei na PUC, no Rio, depois em Roma. Minha paixão pela Itália sempre ultrapassou todo entendimento."

" Nesse intuito é que convido
para o Banquete maior
todo aquele que deseje

conseguir algo melhor
que o simples comer à mesa.
E já fica declarado
nesta oportunidade
que os ânimos que se renderem

à tentação do convite
tenham sim, outras prebendas
além das que se oferecem
gratuitas, à vista, apenas..."

(do livro de Marly de Oliveira,"O Banquete")

" Gosto de De Sica, Fellini, Antonioni, Visconti, Robbe Grillet, Glauber Rocha, Bach, Beethoven, Mozart, Corelli, Albinoni. Acho que o mundo seria diferente se não tivesse um Heráclito, um Platão, um Dante, um Cervantes, um Shakespeare, um Fernando Pessoa, um Freud. Sinto que a palavra modifica a realidade , mas não sei bem de que forma.Tenho, obviamente, entre meus livros essenciais, um dicionário e uma Bíblia."

" Sou solitária de nascença, como outros são cegos ou mudos. Não me vanglorio disso, nem me entristeço: registro.Fracasso sempre, nisto talvez resida minha força: sou devolvida a mim toda vez que ensaio uma deserção. Algumas vezes pensei que não fosse resistir. Agora sei como se renasce."

" Acho que o conhecimento sóo não separa quando há maturidade-e isto é buscar agulha num palheiro."

" Quando chego a desconfiar de alguém já fui mordida: vem daí minhas cicatrizes. Até prova em contrário, acredito em mim, no amor e em sua intrínseca nostalgia de união perfeita, na cólera sem vileza, no silêncio repleto de intenções, e na palavra."

"Morei em Roma, como estudante, em Buenos Aires e Genebra como mulher de diplomata.Brasília, com o esplendor de sua arquitetura, me ensinou o que significa atravessar um deserto sem água e sem pão. Agora estou livre para contemplar este lago, diante de minha janela: já não tenho nada a perder."


A Poeta Marly de Oliveira e sua extensa obra serão lembradas neste mês com 3 recitais que marcam o lançamento do CD de poesia e música Marly de Oliveira interpretada por Lauro Moreira . As Apresentações acontecem no dias 14 na Academia Brasileira de Letras (ABL) no Rio de Janeiro, 18 no SESC Ribeirão Preto e 19 no SESC Vila Mariana em São Paulo.

Lauro Moreira, atualmente Embaixador do Brasil junto à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), interpretará uma série de poemas da autora falecida em 2007. Os Recitais contarão com uma trilha especialmente composta pelo músico Pedro Braga, e com a participações do trio formado por Braga (violão), Luiz Chaffin (violão) e Iura Ranevsky (violoncelo)

A obra de “Marly de Oliveira, um dos mais importantes poetas do Brasil e da própria língua portuguesa”, na opinião de ninguém menos que Antonio Houaiss.

“E Marly de Oliveira – poetas por ora de poetas – será poeta de todos nós, que a leremos emocionados e gratos pela coragem e beleza que esparziu no nosso mundo”

Inscrição


Eu. E diante da vida,

com meu azul intacto.

Um esbatido de pássaros.

Alto no vento. Grato.

A sensação de ser

só, uno, um, completo.

No redondo das horas,

Pleno ,lúcido, cego.

O que de mim salvando

se vai a cada instante,

nesse morrer diário

e sucessivo: um canto.


(Cerco da Primavera , primeiro livro, ganhador

do Prêmio Alphonsus de Guimaraens em 1958)


" Sobretudo sou pretensiosa: acho que um dia não vou ter medo de morrer."




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