Filha de Persephone

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Brasília, DF, Brazil
"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

11 de agosto de 2009

Semana Marly de Oliveira

Foto de Marli de Oliveira encontrada dentro de encontrada dentro de um dos livros da biblioteca da autora doada pela

Foto de Marly de Oliveira encontrada dentro de
um dos livros da biblioteca da autora doada pela
família à Biblioteca Nacional de Brasília.


POEMA

I

Somos nós a verdade do que existe,

somos nós, meu amor,

A nossa vida breve ampara a vida

das coisas, que persiste.

De que valem os vértices dourados

dos montes, se os não virmos?

Águas, campos e verdes sossegados

que a fina brisa alisa?

II

Estes montes, que nunca vestiu neve

ampla sombra derramam pelo campo,

onde andam sossegados sobre a relva

que não existe na paisagem calma,

rebanhos silenciosos que eu só vejo,

mergulhada no sonho de existir.

Mas que sei de viver e de existir?

Uma luta entre o fogo e a fria neve,

entre aquilo que vejo e o que não vejo,

o debruçar-me sobre qualquer campo,

se a noite vem e vem com ela a calma

do que nem sei se existe sobre a relva.

A verde, frouxa e tão mais fria relva,

que cobre, sombra e sonho, esse existir

por trás do que aparenta apenas calma,

e é lento fogo transformado em neve,

arder de estio sob o frio campo,

que só eu mesma posso ver e vejo.

E sinto com meu corpo, mais que vejo,

deitada sobre inexistente relva

de um real, silencioso e verde campo,

sobre o qual as janelas do existir

se abrem de manso como pousa a neve

sobre o alto cimo da montanha calma.

E cai de mim a mim a sombra calma

de alguma coisa que não sei se vejo

e se confunde com estoutra neve

que livre deixa o monte e a fresca relva,

e nem por isso acaba de existir

em mim que me contento olhando o campo;

que aspiro a suavidade que há no campo,

aquela paz sem fim, aquela calma

que não dói nem assusta de existir,

e afundo na umidade do que vejo,

apoiada no sonho dessa relva

que nem existe sob a fria neve.

III

Hoje não vou colher

nem laranjas, nem flores, nem amoras.

Vou ver crescer o dia

no redondo das frutas,

e ouvir sem pressa o canto destas aves.

Serão as mesmas de ontem?

Um dia a mais que fez de mim, que faz?

E as aves que cantavam,

se não são estas, onde

estão? O canto apenas se repete?

Aquela que ontem via

o que ora vejo} não é mais em mim?

Então eu me renovo

como as águas e as plantas?

Sou outra} ou me acrescento ao que já sou?

No entanto, é tudo igual,

embora eu saiba que só na aparência;

e meu prazer me vem

de estar sentada aqui,

detendo um tempo que se não detém...

Um comentário:

Fernanda disse...

Só o gato sabe a verdadeira paixão da lua!
Apaixonar-se é uma arte...
e você... é a artista!
Parabéns...
A semana está genial!
Carinho e admiração minha!
Fernanda

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