Filha de Persephone

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"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

15 de setembro de 2009

Você tem sede de que ?


MEMÓRIAS DE ÁGUAS E DE SEDES

by Jacqueline Bulos Aisenman

Entre um gole e outro deixo o copo sobre a mesa. Observo. A água parece estranha. Mais azul. Bebo mais um gole da água e o sabor continua o mesmo: sem sabor. Num gesto impulsivo me levanto e vou até a cozinha, despejo o que sobrou na pia e vejo os pingos escoarem. Abro a torneira, espero. Mais um pouco. Encho novamente o copo de água bem fresca.
Sentada, olho novamente e não vejo azul algum. Bebo um gole. Percebo que é só a cabeça cansada que colore o líquido. Quase que instantaneamente o zunido começa. Maldita caixa de som dentro dos ouvidos! Pego o copo, despejo dentro da boca todo o restante da água, me levanto e saio furiosa.
Fecho uma porta. A segunda porta. Retiro do interior todos os sons exteriores. Nem mais uma surpresa em meu cardápio.
Dou passos para lá e para cá, a sede ainda está na garganta e o barulho infame nos ouvidos. Palavras passadas, esquecidas, enterradas; pessoas enterradas, passadas, esquecidas; fatos passados, enterrados, esquecidos. Muita história. Muita história. Incômoda história.
Pouco a pouco o que era para ser simples se complica e de pequeno torna-se sem medidas. Água. tudo gira em torno da água. Vou buscar mais. Uma garrafa, azul, de água.
Enquanto na garganta nós se formam e na língua outros se desatam, o que poderia ser utopia mostra que não é. E também não mente. E nem se esconde. Apenas vai sugerindo caminhos, como num conto infantil, como se tivessem que reapreender aos pulmões a arte da respiração.
Entre ter memória, usar a memória, guardar na memória e todos os etecéteras, a única diferença sempre está na palavra que vem antes. Na vontade que vem antes.
Sento. Estou cansada, com sede. É mesmo a água que abre as portas. Todas. E desmancha também os labirintos!

Um comentário:

Tónia disse...

LINDO! Obrigada por me apresentar esta outra Jaqueline!

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