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"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

9 de outubro de 2009

como vinho...

Casablanca faz 63 anos e, assim como um bom vinho, está cada vez melhor

¨Afinal, que magia tem Casablanca? O filme, rodado em 1943, continua apaixonando cinéfilos de todas as idades há seis décadas. Alguns atribuem tamanha longevidade ao carisma dos astros Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. Outros, ao inesquecível tema "As Time Goes By", capaz de provocar imediata nostalgia e evocar amores perdidos em qualquer um. Ou seria a equilibrada mistura de romance e drama político que tanto nos encanta? Não importa. Casablanca é daqueles clássicos eternos que sempre terão destaque em qualquer lista que se faça. Não é à toa que foi o campeão do levantamento da AFI – American Film Institute – dos 100 maiores filmes de amor. Até mesmo o sarcástico Woody Allen se rendeu ao charme do filme em seu projeto conjunto com Herbert Ross, Sonhos de um Sedutor, onde recebia conselhos do fantasma de Bogart. Bryan Singer foi outro a homenagear o clássico, batizando seu longa de estréia de "The Usual Suspects" (em português, apenas Os Suspeitos) em referência a uma famosa frase do filme, quando o inspetor de polícia diz "arrest the usual suspects" (prendam os suspeitos habituais). A verdade é que diferentes gerações já se renderam a essa excepcional história que conjuga amor, drama, ironia, patriotismo, suspense, mas sobretudo magia… muita magia! Parada obrigatória para qualquer um que se julgue amante da sétima arte.
A trama quase todo mundo já conhece: durante a Segunda Guerra, Casablanca, no Marrocos, torna-se o principal entreposto na rota de fuga de toda a Europa. Em Casablanca é possível embarcar para Lisboa e, de lá, num navio para a América. O problema é que muitas pessoas vagam anos pela cidade atrás de um visto. O cínico americano Rick, que "não arrisca seu pescoço por ninguém", dirige o bar mais famoso e bem frequentado da cidade. Sua famosa imparcialidade é ameaçada com a chegada de Ilsa, seu grande e único amor que o abandonou no passado. Ela chega em companhia de Victor Laszlo, herói da resistência. Eles precisam de vistos para fugir. Rick pode ajudar mas, obviamente, reluta em fazê-lo. Na famosa seqüência que entrou para a história como "a cena do aeroporto", um corajoso Rick convence uma chorosa Ilsa a partir em companhia de Laszlo que, a essa altura, já se sabe ser o marido dela.
Muitas gerações debateram a pergunta que não quer calar: por que Rick deixou Ilsa partir, assim perdendo a mulher que amava pela segunda vez? Alguns engraçadinhos argumentam que "só em filme alguém deixaria Ingrid Bergman ir embora". Outros sugerem indícios de homossexualidade entre Rick e o chefe de polícia, por conta da última fala do filme ("Louie, acho esse é o início de uma bela amizade"). Brincadeiras à parte, todo cinéfilo parece ter uma teoria para o desenlace de Casablanca.
Na minha opinião, Rick sente-se tão envergonhado e diminuto diante de seu rival que não tem coragem de tirar-lhe a esposa. E talvez essa seja a grande ousadia de Casablanca, no final das contas: o herói do filme não é Rick e sim, Victor Laszlo. Não vamos confundir herói com protagonista. Rick é cínico, amargurado e, em certa medida, tornou-se um covarde após sua desilusão amorosa. Sem contar que ele trata as mulheres como lixo, castigando tolamente o mundo pelo mal que ele acha que Ilsa lhe causou. Já Laszlo é a personificação da integridade: corajoso, inteligente e, como se não bastasse, profundamente apaixonado pela esposa. Inesquecível a bela cena em que ele se levanta e, desafiando os abusados oficiais nazistas, insufla os freqüentadores do bar a cantarem a Marselhesa (hino francês) com ele.
Rick, no fundo de seu coração, compreende que se Ilsa ficar com ele um dia virá a comparação. E que ele não é páreo para um herói. Preocupação que ele deixa transparecer no final, quando diz à amada que ela se arrependeria "talvez não hoje, nem amanhã, mas logo e pelo resto de sua vida". Compreender este fato acaba sendo a salvação de Rick, que finalmente toma consciência de que o mundo vai além de seu próprio umbigo.
Embora seja sem dúvida um belo filme de amor, Casablanca fala, acima de tudo, de redenção. De um homem e uma mulher que enfrentam seus fantasmas e têm coragem de seguir em frente. De fazer o que é preciso. O encontro com Ilsa "salva" Rick e retira-o de sua confortável e tediosa condição de espectador da vida. Ele acorda. Se envolve, se compromete. Enfim, volta a ser uma peça no tabuleiro.
Casablanca ganhou três Oscars: filme, roteiro adaptado e direção. Também tornou célebre a frase "Play it again, Sam" (Toque de novo, Sam) que, na verdade, nunca foi dita no filme. O mais perto que há disso é a cena em que Ingrid Bergman pede, sedutora: "Play, Sam. Play As time Goes By" (Toque, Sam. Toque As Time Goes By). E ele toca a música. Quem ousaria decepcionar Ingrid e milhões de espectadores?¨

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