Filha de Persephone

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"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

14 de novembro de 2009

Sobre HENRY e JUNE

Henry & June - Delírios Eróticos
titulo original: (Henry & June)
lançamento: 1990 (EUA)

direção: Philip Kaufman

atores: Fred Ward , Uma Thurman , Maria de Medeiros , Richard E. Grant , Kevin Spacey

duração: 134 min

gênero: Drama

¨June é a personagem deslumbrante da Uma Thurman neste filme, ou será que é a personagem da Uma Thurman deslumbrante? Sei lá, essas coisas que aporrinham o juízo da gente em filmes "baseado em histórias verídicas", neste caso, através dos diários da escritora Anais Nin, interpretada pela portuguesa Maria de Medeiros (delírio quando ela diz um dito popular de portugal em português com todo aquele sotaque!), cujo personagem, a princípio tímido frente a June e o escritor Henry Miller (Fred Ward), vai crescendo em força e "levando o filme no bolso".
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É um filme para falar do Vênus astrológico, no que há de mais desnudo nesse conjunto simbólico: busca do prazer, sedução, deleite. E quanto deleite e sedução há nas imagens de Philip Kaufman nessa película, nos olhos de Maria Medeiros e em tudo ali na Uma Thurman! O ritmo do filme não tem arroubos, é quase contínuo, como um sussurro libidinoso no ouvido.
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June é Vênus exacerbado e compulsivo, incapaz de não carregar qualquer olhar, gesto ou palavra de uma intenção velada ou declarada de seduzir, uma arma às vezes doce, quase sempre irresístivel, outras vezes desesperada e vulnerável. Por isso eu imagino aqui este Vênus quando em aspectos aflitivos pelo planeta Netuno, planeta cujo conjunto simbólico fala de encanto, de iluminação, de perda de fronteiras, de ilusão, de mentira, de afogamento, de anestesia ou elevação dos sentidos, de auto-negação, de messianismo, de inspiração e amor despersonalizado. Em June há este "canto de sereia", um jogo difícil de discernir entre o encanto e a mentira.
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Sereia... mito de mulheres irresistivelmente sedutoras (Vênus) que habitam o mar (os domínios do deus grego Netuno). Versão de água doce: a Iara do folclore brasileiro, cuja contraparte masculina é o mito amazônico do boto-cor-de-rosa, que se transforma num moço sedutor cujos desejos é fonte infalível de perdição das donzelas escolhidas. Valei-me... um boto cor-de-rosa? Um peixe (sic), uma coisa longilínea e deslizante, mergulhante por assim dizer, de pele lisa e rosada? Dá pra dispensar o Freud né? Só para terminar essas histórias, diz o mito que Afrodite (Vênus para os romanos) teria nascido das espumas do mar (Netuno outra vez) fecundado pelo esperma do deus Urano que fora desmembrado e tivera assim seu poder usurpado pelo seu filho Saturno.
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Então, de volta à astrologia e em seguida ao filme. Numa leitura ligeira Urano é um mito e arquétipo astrológico que simboliza criatividade ilimitada, antitético à Saturno que representa limites, forma, disciplina. O Vênus que vemos crescer lindamente em Anais Nin, poderia-se dizer que também nasce como um ato violento que é o confronto das personalidades de Henri Miller, uraniano proscrito cujos livros não podem ser aceitos pelo seu tempo, e a personalidade do promissor homem de negócios (Saturno) Hugo, seu marido. Ao preço de descobertas desestabilizadoras (Urano) e restrições ou castrações (Saturno), Anais Nin parece emergir nas espumas do mar com Vênus potencializada, porém em equilíbrio.
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Mas no caso de June... se podemos dizer que Netuno é a oitava superior de Vênus, capaz de transformar o amor pessoal em amor universal e desapegado ou elevar o sexo à pratica espiritual pelo êxtase como no tantrismo, o encontro dissonante desses dois planetas aponta para um complexo pantanoso onde sedução se alia à mentira (daquelas mentiras boas, onde o mentiroso até acredita na própria mentira), onde o êxtase se encontra deturpado na embriaguez dissoluta, decadente, onde a busca do prazer é corrompida no anseio de não existir. A personagem de Uma Thurman vai declinando entre bebedeiras e um grito desesperado para se reconhecer, para encontrar a própria imagem, nos escritos de seus dois amantes, nos esforços desiludidos de ser atriz, enfim, todo um escopo da sombra netuniana envenenando a taça, sim, deslumbrante de Vênus. ¨

Hugo Leonardo
do blog : http://astrologiaecinema.blogspot.com/


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