Filha de Persephone

Minha foto
Brasília, DF, Brazil
"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

10 de dezembro de 2009

Poetas Cariocas - parte 4


MARINA COLASANTI

Ao largo

Um homem nada

em mar aberto.
Metade do seu corpo nada
em água
metade do seu corpo nada
em céu
e ele todo em azul nada
e mais nada.

Um homem quando nada
não é barco
é casco e passageiro ao mesmo tempo
é moinho de vento
em movimento.

Um homem não tem vela
que o impulsione
tem a esteira de espuma
que o acompanha
e o hélice dos pés que adiante
o leva.

Um homem nada

em mar aberto
linha reta traçada
sempre em frente
como se houvesse meta
em seu percurso
ou porto adiante
ou terra.

E adiante é mar somente
e mar às costas
sem ponto de chegada
Que se veja
e sem medida outra
que não seja
a braçada.

De caça a caçador

Para alcançar palavras que nos fogem
preciso é acarpetar as passos
velar de espesso véu nosso desejo
e espera-Ias
caiados
de tocaia.
Sempre haverá um momento
de descuido
em que a palavra
recolhidas asas
pousará sobre a língua
e será nossa.

Entrementes
há que tomar cuidado.
Assim como as caçamos
palavras há também
em cada esquina
prontas
com unha e dente
a nos saltar em cima.



AFFONSO ROMANO DE SANT´ANNA


ARTE FINAL



Não basta um grande amor

para fazer poemas.

E o amor dos artistas, não se enganem,

não é mais belo

que o amor da gente.



O grande amante é aquele que silente

se aplica a escrever com o corpo

o que seu corpo deseja e sente.



Uma coisa é a letra,

e outra o ato,

- quem toma uma por outra

confunde e mente.



ANA CRISTINA CEZAR

O nome do gato assegura minha vigília

e morde meu pulso distraído

finjo escrever gato, digo: pupilas, focinhos

e patas emergentes. Mas onde repousa



o nome, ataque e fingimento,

estou ameaçada e repetida

e antecipada pela espreita meio adormecida

do gato que riscaste por te preceder e



perder em traços a visão contígua

de coisa que surge aos saltos

no tempo, ameaçando de morte

a própria forma ameaçada do desenho

e o gato transcrito que antes era

marca do meu rosto, garra no meu seio.



ALDIR BLANC

DESENCONTRO MARCADO

Da série “Árias para Folha de Ficus” – I

É, não vem,
não vou.
Deixa pra lá,
depois se vê.
Você queima
e eu não ponho
a mão no fogo por você.


DUAS EM UMA

na boca,
a tua ambigüidade:

arpejos de asas
clara revoada

espelhos cobertos
face a trovoada.


POESMÍSCUO

Faz escuro mas eu cancro.
Vou-me embora de Pasárgada.
Lá, me funiquei com o Rei:
chutei uma drag queen,
sobre o peixe vomitei.
Que as belas sirvam a Vinicius
pra fazer letra com o Tom.
Cu de empregada é que é bom.


CLIMA-X

Quando, agonizantes, gozamos,

transcendemos

essa história de ser mulher
ou ser marido:

É como se você fosse terra
e eu tivesse chovido.

Nenhum comentário:

quem visita Persephone

______________________________________________________________________________________

______________________________________________________________________________________

______________________________________________________________________________________

Link-me !

Link- Me

Link- Me

Persephone faz TRADUÇÕES !

Persephone faz TRADUÇÕES !
camposdejaque@gmail.com

Siga PERSEPHONE ! Follow ME !