Filha de Persephone

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"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

12 de dezembro de 2010

DIÁRIO DE UMA PAIXÃO (filme)

título original: (The Notebook)

lançamento: 2004 (EUA)

direção:Nick Cassavetes

atores:James Garner, Gena Rowlands (Allie Hamilton) Rachel McAdams, Ryan Gosling, Heather Wahlquist.

duração: 121 min

gênero: Romance




Sinopse

Numa clínica geriátrica, Duke, um dos internos que relativamente está bem, lê para uma interna (com um quadro mais grave) a história de Allie Hamilton (Rachel McAdams) e Noah Calhoun (Ryan Gosling), dois jovens enamorados que em 1940 se conheceram num parque de diversões. Eles foram separados pelos pais dela, que nunca aprovaram o namoro, pois Noah era um trabalhador braçal e oriundo de uma família sem recursos financeiros. Para evitar qualquer aproximação, os pais de Alie a mandam para longe. Por um ano Noah escreveu para Allie todos os dias mas não obteve resposta, pois a mãe (Joan Allen) dela interceptava as cartas de Noah para a filha. Crendo que Allie não estava mais interessada nele, Noah escreveu uma carta de despedida e tentou se conformar. Alie esperava notícias de Noah, mas após 7 anos desistiu de esperar ao conhecer um charmoso oficial, Lon Hammond Jr. (James Marsden), que serviu na 2ª Grande Guerra (assim como Noah) e pertencia a uma família muito rica. Ele pede a mão de Allie, que aceita, mas o destino a faria se reencontrar com Noah. Como seu amor por ele ainda existia e era recíproco, ela precisa escolher entre o noivo e seu primeiro amor.

10 de dezembro de 2010

PAIXÃO ALÉM DAS PALAVRAS, sobre Sylvia Plath e Ted Hughes (filme)

São duas almas perdidas que finalmente se encontram . É Sylvia quem ajuda Ted, ainda quando são estudantes, a publicar seus primeiros poemas e ganhar prêmios. Como por trás de todo grande homem, há uma grande mulher, a futura poetisa sacrifica tanto sua vida pessoal quanto profissional em prol do marido, que está ficando famoso. Ela abandona seus sonhos de escrever e começa a dar aulas.

Isso, porém, faz com que ela passe a viver à sombra do marido, sofrendo com suas traições e sempre diminuída, por ele ser, como ela mesma diz, "o poeta da casa". Mesmo isolados numa casa de campo, Sylvia não consegue fazer que Ted seja um homem fiel, e esse amor doentio os vai consumindo aos poucos, até o trágico desfecho.




Sylvia, Paixão Além das Palavras


Cinebiografia da escritora Sylvia Plath, um dos grandes
nomes da poesia norte-americana. Com Gwyneth Paltrow.

Formato:
Diretor: Christine Jeffs
Elenco: Gwyneth Paltrow, Daniel Craig e Michael Gambon
Nome Original: Sylvia
Ano: 2003
País: ING


EDITORIAL

Sylvia Plath (Gwyneth Paltrow) pode ser considerada uma das grandes escritoras norte-americanas de todos os tempos. Seus livros de poemas ainda são muito populares nos Estados Unidos, e o que lhe deu fama foi Ariel, publicado depois de seu suicídio, em 1963. Mas o caminho que levou Sylvia a uma atitude tão radical começou muito tempo antes. Ela já havia tentado se matar antes de conhecer Ted Hughes (Daniel Craig), quando estudava em Cambridge. Os dois desenvolveram um relacionamento baseado mais em paixão que em amor, e se casaram quando Hughes se tornou famoso ao vencer um concurso.

O casal se muda para os Estados Unidos, e Sylvia passa a dar aulas para sustentar a casa - mas não consegue achar nem tempo nem inspiração para escrever. Ao mesmo tempo, começa a desenvolver ciúmes obsessivos de Ted, que poderia (ou não) estar tendo um caso com alguma aluna de Sylvia, e toma algumas atitudes extremas. Para aliviar a situação, Ted sugere que eles voltem para Londres, mas isso não vai melhorar a vida de Sylvia, pois ela descobrirá que suas suspeitas não eram de todo infundadas. Mesmo com dois filhos para criar, a escritora deixará suas tendências falarem mais alto.

A impressão que fica de Sylvia, Paixão Além das Palavras é a de que a escritora passou por tanta coisa na vida que sua biografia é grande demais para 110 minutos de filme - daí o ritmo apressado do longa: Sylvia e Ted se conhecem, dez segundos depois vão para a cama (e Christine Jeffs esquece a sutileza nessas cenas), logo depois se casam, um minuto depois brigam, pouco tempo depois já têm filhos... nessa velocidade é difícil criar empatia com os personagens.

Quando Sylvia estava sendo produzido, a filha de Ted e Sylvia, a escritora Frieda Hughes, publicou um protesto numa revista britânica e proibiu que fossem utilizados poemas de seus pais no filme. Certamente isso afetou a obra, pois enquanto em diversos momentos se diz que a poesia deles é forte, contundente e ótima, não se tem nenhuma chance de ouvi-la declamada pelos escritores. Uma pena, pois isso certamente daria mais força ao roteiro. Afinal, a obra de Sylvia está estritamente ligada à sua existência. Por exemplo, em seu único romance, A Redoma de Vidro (publicado postumamente em 1963), Plath já desiludida escreve: "Eu me interessava por um homem que, de longe, parecia maravilhoso, mas assim que ele se aproximava, via que não valia a pena". Fica clara a visão que ela tinha dos homens depois que Ted passou por sua vida.

Na década de 90, poucos anos antes de morrer, Ted, que editara e publicara toda a obra de Plath, escreveu um livro chamado Cartas de Aniversário, e esta foi a única vez em que se manifestou sobre a poetisa. Durante anos ele foi condenado pelo suicídio da mulher e se manteve calado. Nesse ponto, o filme é esclarecedor, pois antes de mais nada é um delicado e preciso retrato de uma pessoa que sofreu dos males da depressão durante toda vida e que, mais cedo ou mais tarde, iria sucumbir, como sua própria mãe, Aurélia Plath (Blythe Danner, mãe de Gwyneth), uma vez confidenciou ao genro.

9 de dezembro de 2010

AVASSALADORA



Avassaladora (Gonzaguinha)

Avassaladora senta no seu colo
lambe o pescoço
morde a orelha
enfia a língua
por entre seus dentes
tomando toda a sua boca
ela é louca
muito louca e,
ele adora sua mão
apertando o que deseja
com calor e com carinho
ensinando o caminho da loucura
e acabando com
seu medo de não poder
e o macho se solta
se larga, se acaba na
mão da rainha com todo prazer
e o macho desmonta
num grito de gozo
na mão da rainha
e desmaia
de tanto prazer

8 de dezembro de 2010

PAIXÃO AVASSALADORA


Paixão avassaladora age como
analgésico no cérebro humano

Pensar na pessoa amada dá sensação de prazer e diminui a dor

As áreas do cérebro ativadas pelo amor intenso
são as mesmas ativadas por drogas que reduzem a dor

A intensidade da paixão é capaz de proporcionar alívio para dor de forma tão eficaz quanto analgésicos ou mesmo drogas ilícitas, como a cocaína. Esse é o resultado de um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

Segundo os pesquisadores, quando as pessoas estão apaixonadas, há alterações significativas em seu humor que interferem na experiência de sentir dor. Um deles, Arthur Aron, professor de psicologia, afirma que o cérebro mostra essa relação.

- As áreas do cérebro ativadas pelo amor intenso são as mesmas ativadas por drogas que reduzem a dor. Ao pensar na pessoa amada, há intensa ativação na área de recompensa do cérebro - a mesma ativada quando se usa cocaína, ou quando se ganha muito dinheiro.

Para se chegar a esse diagnóstico, Aron se juntou ao chefe da Divisão de Tratamento da Dor da universidade, Sean Mackey, que concluiu que a paixão pode ser estudada como uma espécie de vício, já que as mesmas partes do cérebro são ativadas.

- Talvez isto envolva sistemas similares do cérebro como aqueles envolvidos em vícios, que são fortemente relacionados com a dopamina. A dopamina é o neurotransmissor no cérebro que está intimamente envolvido com bons sentimentos.

Para se chegar a esse resultado, os pesquisadores recrutaram 15 estudantes universitários (oito mulheres e sete homens) para o estudo. Cada um foi convidado a trazer as fotos das pessoas pelas quais estão apaixonadas e fotos de um conhecido igualmente atraente.

Os pesquisadores, então, sucessivamente mostravam as fotos, enquanto um estimulador controlado por computador e colocado na palma de suas mãos causavam uma leve dor. Durante esse processo, seus cérebros foram escaneados em uma máquina de ressonância magnética funcional.

Ao mesmo tempo, os participantes ouviam frases sem contexto, com a intenção de distraí-los . Isso porque estudos científicos anteriores já haviam demonstrado que a distração serve de alívio para a dor. Por isso, os pesquisadores queriam ter certeza se a paixão também atuava nesta questão ou se isso era papel exclusivo da distração.

http://noticias.r7.com/saude/noticias/paixao-avassaladora-age-como-analgesico-no-cerebro-humano-20101015.html

7 de dezembro de 2010

A PAIXÃO de Kleiton e Kleidir

PAIXÃO PLATÔNICA


platônico
adjectivo

1. relativo a Platão, filósofo grego (428-348 a. C.), ou à sua filosofia;
2. figurado alheio a interesses ou prazeres materiais; casto; ideal; puro;
substantivo masculino
1. indivíduo adepto do platonismo;
2. figurado aquele que é alheio a interesses ou prazeres materiais;
amor platónico amor à distância, muitas vezes não confessado, e desprovido de sensualismo;
(Do gr. platonikós, «id.», pelo lat. platonìcu-, «id.»)
_________________________________
paixão

substantivo feminino

1. sentimento intenso e geralmente violento (de afecto, ódio, alegria, etc.) que dificulta o exercício de uma lógica imparcial;
2. objecto desse sentimento;
3. grande predilecção;
4. parcialidade;
5. grande desgosto; sofrimento intenso;
6. RELIGIÃO martírio que precedeu a morte de Cristo (com maiúscula);
7. RELIGIÃO parte do Evangelho onde se descreve o martírio de Cristo (com maiúscula);
8. MÚSICA composição musical cujo motivo é o martírio de Cristo (com maiúscula);
Semana da Paixão a semana que precede imediatamente o Domingo de Páscoa;

A paixão platônica todo romântico conhece: é aquela paixão unilateral, em que se idealiza o par perfeito e o romance ideal. Quem nunca foi apaixonado por um professor da escola, um artista da tevê ou até mesmo por outra pessoa já comprometida? Muitas pessoas passam, ou já passaram por essa difícil e sofredora sensação de amar alguém que não corresponde a esse amor. É comum na adolescência, ou entre jovens adultos, acometendo principalmente pessoas mais tímidas e introvertidas.
Para entender um pouco melhor, o termo “platônico” vem da teoria do filósofo grego Platão — que diz que esse amor é um sentimento de devoção por outra pessoa que não é realizado. É aquela idolatria ao ser amado em que o sentimento não é correspondido e que por isso se torna uma paixão que não existe no plano real da sua vida.
Há quem diga que a paixão platônica mostra uma dose de imaturidade emocional, à medida em que nunca experimenta os limites e as frustações de uma relação concreta.

Mas tudo tem o seu lado positivo, e nesse tipo de paixão é estimulada a reflexão sobre os motivos que impedem a pessoa de viver uma relação madura consigo mesma e com o outro.

O amor e a paixão são sentimentos que podem florescer em qualquer pessoa. E como todo sentimento, positivo ou negativo, agradável ou penoso, precisa de um estimulo para continuar intenso, vivo e existente. Senão, morre. O estímulo está em nossas cabeças e cabe a nós saber até onde isso nos faz bem.

Os poetas dizem que a paixão é uma doença do amor. E eles têm razão. Apesar de ser um sentimento extremamente positivo, a paixão também causa dores ao coração.

http://www.mulherfeliz.com.br/2007/11/10/paixao-platonica/#ixzz17RRti0kG


Paixão Platônica (Daniela Strieder)


É tão difícil esconder
o que eu sinto por você
Uma coisa assim tão forte,
não dá pra evitar.

Eu sei que você tem outro e vive nele a pensar
Mas o meu coração e não pude controlar
Já está mais forte que simples paixão de verão
Já não sei o que fazer com essa emoção

Eu vejo em seus olhos ao tocar minhas mãos
que você também me tem no coração
Mas você tem medo e não pode se entregar
eu daria tudo para você me amar

Eu só te queria um dia, só um dia pra saciar minha vontade
É desejo de verdade
Eu te quero à todo instante
mas é só uma paixão platônica passageira
e isso é o mais importante

6 de dezembro de 2010

FISIOLOGIA DA PAIXÃO

O ENCÉFALO, OS NEUROTRANSMISSORES E A PAIXÃO

O chamado diencéfalo ou cérebro primitivo, comum a todos os mamíferos, intervém, através do hipotálamo, no desejo, no interesse sexual e também recolhe as informações que chegam do exterior e dos hormônios, controlando-os e dando as respostas da excitação sexual, ejaculação, sensações de prazer e regulando as respostas emocionais e afetivas no comportamento sexual.

O sistema límbico discrimina e seleciona os estímulos, reconhecendo os sinais de saciedade (estar satisfeito) e inibindo o comportamento sexual.

A nossa sexualidade apresenta-se não apenas em nível dos estímulos (visuais,fantasias ,etc) ,como também na participação muito importante da emoção e sobretudo na aprendizagem. Algumas partes do nosso cérebro relacionam o ambiente e a cultura às nossas respostas sexuais. O resultado pode ter maior ou menor eficácia dando aos parceiros, maior ou menor prazer.

Razão, fantasia, emoção e aprendizagem se misturam em nosso cérebro dando respostas curiosas no dia a dia sexual do ser humano.

Os neurotransmissores cumprem uma função indispensável na ativação do impulso sexual, como por exemplo, quando as carícias e beijos levam a lubrificação vaginal e à ereção peniana.

Os cientistas conhecem a feniletilamina (um dos mais simples neurotransmissores) há cerca de 100 anos, mas só recentemente começaram a associá-la à paixão. Ela é uma molécula natural semelhante à anfetamina e suspeita-se que sua produção no cérebro possa ser desencadeada por eventos tão simples como uma troca de olhares ou um aperto de mãos.

O “affair” da feniletilamina com a paixão teve início com uma teoria proposta pelos médicos Donald F. Klein e Michael Lebowitz, do Instituto Psiquiátrico Estadual de Nova Iorque. Eles sugeriram que o cérebro de uma pessoa apaixonada continha grandes quantidades de feniletilamina, e que esta substância poderia responder, em grande parte, pelas sensações e modificações fisiológicas que experimentamos quando estamos apaixonados.

PAIXÃO X TEMPO

Existe um limite de tempo para homens e mulheres sentirem os arroubos da paixão? Segundo a professora Cindy Hazan, da Universidade Cornell de Nova Iorque, sim. Ela diz: "seres humanos são biologicamente programados para se sentirem apaixonados durante 18 a 30 meses". Ela entrevistou e testou 5.000 pessoas de 37 culturas diferentes e descobriu que a paixão possui um "tempo de vida" longo o suficiente para que o casal se conheça, copule e produza uma criança.

A pesquisadora identificou algumas substâncias responsáveis pelo amor-paixão: dopamina, feniletilamina e ocitocina. Estes produtos químicos são todos relativamente comuns no corpo humano, mas são encontrados juntos apenas durante as fases iniciais do flerte. Ainda assim, com o tempo, o organismo vai se tornando resistente aos seus efeitos - e toda a "loucura" da paixão desvanece gradualmente - a fase de atração não dura para sempre. O casal, então, se vê frente a uma dicotomia: ou se separa ou habitua-se a manifestações mais brandas de amor - companheirismo, afeto e tolerância, e permanece junto. "Isto é especialmente verdadeiro quando filhos estão envolvidos na relação", diz a Dra. Hazan.

Os homens parecem ser mais susceptíveis à ação dessas substâncias. Eles se apaixonam mais rápida e facilmente que as mulheres. E a Dra. Hazan é categórica quanto ao que leva um casal a se apaixonar e reproduzir: "graças à intensidade da ilusão romanceada, achamos que escolhemos nossos parceiros; mas a verdade é conhecida até mesmo pelos zeladores dos zoológicos: a maneira mais confiável de se fazer com que um casal de qualquer espécie reproduza é mantê-los em um mesmo espaço durante algum tempo".

Com base em outras pesquisas desenvolvidas pela Dra. Helen Fisher, antropologista da Universidade Rutgers e autora do livro The Anatomy of Love, pode-se fazer um quadro com as várias manifestações e fases do amor e suas relações com diferentes substâncias químicas no corpo:

Manifestação
Conceito
Substância mais associada

Luxúria
Desejo ardente por sexo
Testosterona (aumento da libido – desejo sexual)

Atração
Amor no estágio de euforia, envolvimento emocional e romance
Altos níveis de dopamina e norepinefrina (noradrenalina): ligadas à inconstância, exaltação, euforia, e a falta de sono e de apetite.

Baixos níveis de serotonina: tendo em vista a ação da serotonina na diminuição de fatores liberadores de gonadotrofinas pela hipófise, quanto mais serotonina menos hormônio sexual.

Ligação
Atração que evolui para uma relação calma, duradoura e segura.
Ocitocina (associada ao aumento do desejo sexual, orgasmo e bem-estar geral) e vasopressina (ADH), associada à regulação cardiovascular, atuando no controle da pressão sangüínea.


OS SENTIDOS E A PAIXÃO



VISÃO

A visão é, provavelmente, a fonte de estimulação sexual mais importante que existe.

No homem, existem numerosos estímulos visuais envolvidos na atração sexual, que vão muito além da visão dos genitais do sexo oposto. A forma de mover-se, um olhar, um gesto, inclusive a forma de vestir-se, são estímulos que, enquanto potencializam a capacidade de imaginação do ser humano, podem resultar mais atraentes que a contemplação pura e simples de um corpo nu.

Segundo o neurobiólogo James Old, o amor entra pelos olhos.



Imaginemos duas pessoas que não se conhecem e se encontram em uma festa:


è Ambos se olham e imediatamente se avaliam, o que ativa neocórtex, especializado em selecionar e avaliar.

è O primeiro nível de avaliação de ambos será o biológico (tem orelhas, duas pernas etc) e enfim, geneticamente saudável.

è Depois a análise continua por padrões baseados na experiência de cada um: tipos físicos reforçados como positivos pelos pais, amigos e meios de comunicação.

è Simultaneamente se avaliam dentro de seu tempo e cultura: numa sociedade propensa a sucumbir a pragas e escassez de alimentos, mulheres mais cheinhas eram sinônimo de saúde e fortaleza.

Elas são mais seletivas

O neurobiólogo aponta que no caso feminino também existe um fator adicional e mais abstrato: o poder (também ocorrem mudanças com o tempo e cultura)

Segundo o pesquisador, como as mulheres geneticamente têm menos oportunidades para procriar (o número de gametas femininos é menor do que o de espermatozóides), elas buscam no selecionado a capacidade de prover e proteger seus filhos.

AUDIÇÃO

No homem, a aparição da linguagem representa um passo muito mais avançado como meio de solicitação sexual. Em praticamente todas as sociedades humanas, o uso de frases e canções amorosas constitui uma das preliminares mais habituais. Libertado o cérebro da carga social, uma frase erótica, sussurrada ao ouvido, pode resultar tão incitadora quanto um bramido de elefante na imensidão da selva.

De acordo com investigações do Krasnow Institute for Advanced Study of George Mason University, não só as primeiras palavras, mas também os tons de voz deverão responder aos padrões de saúde e genética desejados na escolha do(a) parceiro(a).

TATO: a pele com a qual amamos

A superfície do corpo humano, com aproximadamente dois metros quadrados de extensão é, poderíamos dizer, o maior órgão sexual do homem. Mais do que simplesmente um dos sentidos, o tato é a resultante de muitos ingredientes: sensibilidades superficiais (epidérmicas e dérmicas), profundas - como a proprioceptiva, ligada a movimento -, vontade de explorar e atividade motora, emoções, memória, imaginação.

Existem cerca de cinco milhões de receptores do tato na pele - as pontas dos dedos tem uns 3.000 que enviam impulsos nervosos ao cérebro através da medula. O tato é provavelmente o mais primitivo dos sentidos. É a mais elementar, talvez a mais predominante experiência do ser humano, mesmo naquele que ainda não chegou a nascer. O bebê explora o mundo pelo tato. Assim, descobre onde termina seu corpo e onde começa o mundo exterior. Esse sentido é seu primeiro guia.



Imagem: BEAR, M.F., CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A. Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. Porto Alegre 2ª ed, Artmed Editora, 2002.

O sentido do tato proporciona um contato imediato com os objetos percebidos e, na relação humana, é uma experiência inevitavelmente recíproca: pele contra a pele provoca imediatamente um nível de conhecimento mútuo. Na relação com o outro, não é possível experimentá-la.



Imagem: BEAR, M.F., CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A. Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. Porto Alegre 2ª ed, Artmed Editora, 2002.

Encontramos homens com problemas sexuais que não beijam, não abraçam e nem acariciam sua parceira. Para quê? Pensam eles. Este modelo de comportamento impede que muitos casais desfrutem do prazer que pode proporcionar o simples fato de dar e receber carícias.

A estimulação tátil é uma necessidade básica, tão importante para o desenvolvimento como os alimentos, as roupas, etc.. O contato físico é a forma de comunicação mais íntima e intensa dos seres humanos, segundo alguns estudos, até os mais insignificantes contatos físicos tem notáveis efeitos.

Nós realmente "sentimos com o olho da mente" - Uma região do cérebro envolvida no processamento do sentido da visão é também necessária para o sentido do tato. Resultados da Universidade de Emory, que confirmam o papel do córtex visual na percepção táctil (toque), foram publicados na edição da revista Nature de 06/10/1999.

As conclusões do estudo são relevantes para o entendimento de não apenas como o cérebro normalmente processa a informação sensorial, "mas também como o processamento é alterado em condições como cegueira, surdez ou torpor e, principalmente, para melhoria dos métodos de comunicação em indivíduos que sofrem de tais desordens", de acordo com Krishnankutty Sathian, Ph.D.

Até recentemente, cientistas acreditavam que regiões separadas do cérebro processavam a informação advinda de vários sentidos. Essa idéia está sendo, agora, desafiada. As descobertas recentes de que o córtex visual de deficientes visuais é ativado durante a leitura em Braille não são tão surpreendentes se apreciadas por este contexto. Os resultados obtidos pelo grupo de pesquisa demonstram que uma região do córtex cerebral, associada à visão, é ativada quando os humanos tentam distinguir a orientação através do tato.

Juntamente aos depoimentos subjetivos da imagem visual e a ativação cortical parieto-occiptal associada, as descobertas levam a crer que o processamento visual facilita a discriminação tátil normal de orientação. Isso, provavelmente, está relacionado ao fato de que geralmente confiamos no sistema visual para nos orientarmos.

PALADAR

Desde muito cedo, a boca é a primeira fonte de prazer. Com 16 semanas de vida, além de fazer caretas, levantar as sobrancelhas e coçar a cabeça, as papilas gustativas já estão desenvolvidas. A experiência tem demonstrado que o feto faz careta e para de engolir quando uma gota de substância amarga é colocada no líquido amniótico. Por outro lado, uma substância doce provoca a aceleração dos movimentos de sucção e deglutição.

Aliás, o prazer do paladar continua na fase em que o bebê se amamenta através do mamilo da sua mãe. Daí para frente, o paladar fica cada vez mais apurado.

A boca é uma das partes que compõem o rosto de qualquer pessoa. Quanto a isto, não restam margem para dúvidas. Mas o que se calhar não sabe, é que a zona bocal é a última parte a adquirir todas as formas e recortes finais, embora seja a primeira a sentir as emoções iniciais da vivência.

A língua é a base de todo o paladar e a boca é uma das partes mais sensíveis do corpo e mais versáteis. Um beijo combina os três sentidos de tato, paladar e olfato. Favorece o aparelho circulatório, aumenta de 70 para 150 os batimentos do coração e beneficia a oxigenação do sangue. Sem esquecer que o beijo estimula a liberação de hormônios que causam bem-estar. Detalhe: na troca de saliva, a boca é invadida por cerca de 250 bactérias, 9 miligramas de água, 18 de substâncias orgânicas, 7 decigramas de albumina, 711 miligramas de materiais gordurosos e 45 miligramas de sais minerais. As terminações nervosas reagem ao estímulo erótico e promovem uma reação em cadeia. Ao mesmo tempo, as células olfativas do nariz – mais próximas da boca – permitem tocar, cheirar e degustar o outro.

OLFATO

O amor não começa quando os olhares se encontram, mas sim um pouco mais embaixo, no nariz. "Há circuitos que vão do olfato até o cérebro e levam uma mensagem muito clara: sexo", explica Maria Rosa García Medina, especialista em sentidos químicos do Laboratório de Pesquisas Sensoriais do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet), da Argentina.

Alguns pesquisadores afirmam que exalamos continuamente, pelos bilhões de poros na pele e até mesmo pelo hálito, produtos químicos voláteis chamados ferormônios.

Estudos têm demonstrado que a maior parte das espécies de vertebrados tem um órgão situado na cavidade nasal denominado órgão vomeronasal (OVN). A finalidade do OVN parece ser exclusivamente a de detectar sinais químicos – os ferormônios - envolvidos no comportamento sexual e de marcação de território.

Atualmente, existem evidências intrigantes e controvertidas de que os seres humanos podem se comunicar com sinais bioquímicos inconscientes. Os que defendem a existência dos ferormônios baseiam-se em evidências mostrando a presença e a utilização de ferormônios por espécies tão diversas como borboletas, formigas, lobos, elefantes e pequenos símios. Os ferormônios podem sinalizar interesses sexuais, situações de perigo e outros.

Os defensores da Teoria dos Ferormônios vão ainda mais longe: dizem que o "amor à primeira vista" é a maior prova da existência destas substâncias controvertidas. Os ferormônios – atestam – produzem reações químicas que resultam em sensações prazerosas. À medida em que vamos nos tornando dependentes, a cada ausência mais prolongada nos dizemos "apaixonados" – a ansiedade da paixão, então, seria o sintoma mais pertinente da Síndrome de Abstinência de Ferormônios.

Com ou sem ferormônios, é fato que a sensação de "amor à primeira vista" relaciona-se significativamente a grandes quantidades de feniletilamina, dopamina e norepinefrina no organismo. E voltamos à questão inicial: até que ponto a paixão é simplesmente uma reação química?

Um tradicional exemplo do estreito vínculo entre olfato e desejo é a síndrome de Kalman, um quadro genético de alteração hormonal que prejudica a puberdade e que está acompanhado por uma ausência congênita do olfato. Com a ajuda de tratamento, esses pacientes chegam a ter níveis normais de hormônios, mas não recuperam o olfato e isso têm efeitos diretos em sua vida afetiva.

O laboratório canadense Pheromone Sciences Corp. isolou e caracterizou os diversos ferormônios extraídos do suor. Uma primeira pesquisa revelou que o composto pode estimular a libido em homens e mulheres. Os pesquisadores esperam que, em um futuro não muito distante, esse derivado de ferormônios possa servir como tratamento efetivo e seguro para determinadas disfunções sexuais. Inclusive como complemento de remédios como o Viagra.

"Alguns derivados dos ferormônios já são usados para casos de frigidez feminina e ajudam na primeira etapa da sexualidade, que é o desejo", afirma García Medina. "Isso pode ter um grande potencial em outros tipos de disfunções sexuais, mas ao mesmo tempo, reacende questões éticas: É lícito interferir dessa forma no comportamento de uma pessoa?"

Não há duas pessoas que possuam exatamente o mesmo cheiro, embora haja algumas semelhanças entre membros de uma mesma etnia. O odor corporal é fortemente influenciado pelo tipo de alimentação e influencia nossas preferências por certos aromas. Pessoas que gostam de comidas muito temperadas também preferem fragrâncias fortes e penetrantes, como as que contêm patchuli, sândalo ou gengibre. Aquelas que consomem mais laticínios preferem fragrâncias florais, como lavanda e néroli (flor de laranjeira). A alimentação branda porém saudável dos japoneses, baseada principalmente em peixes, verduras e arroz, em conjunto com os banhos freqüentes e meticulosos, é uma das razões pelas quais seu odor corporal é praticamente inexistente, ao menos para o olfato de outras etnias. Os japoneses são atraídos por fragrâncias delicadas. E, enquanto os esquimós são tidos como tendo cheiro de peixe e os africanos cheiro de amoníaco, o resto do mundo concorda que o cheiro azedo dos europeus é o mais nauseante (neste caso não seria pela conhecida carência de banho?).

Há duas décadas atrás, cientistas europeus conseguiram reproduzir os ferormônios em laboratório. Alguns anos mais tarde, empresários americanos compraram a fórmula, fabricaram o produto em quantidades industriais e o engarrafaram em belos vidrinhos. Agora, os tais ferormônios estão à venda na Internet. O representante brasileiro do perfume americano The Scent promete: "É garantido! Você vai conquistar a mulher dos seus sonhos pelo cheiro". No site da empresa, o extrato de ferormônios é promovido como um "afrodisíaco natural", uma "química revolucionária", um "grande segredo vindo da natureza"; em síntese: "um estimulante sexual da mulher", que foi "inteligentemente mascarado como uma colônia masculina". Segundo seus fabricantes, este produto mágico age diretamente no subconsciente da mulher, despertando seu desejo sexual sem que ela saiba o porquê de se sentir loucamente atraída pelo galã perfumado. Mesmo sem explicações válidas, o site jura que "ela ficará totalmente a sua mercê". Ficou curioso? As belas promessas continuam: "você usa, é invisível, não tem cheiro, ninguém ficará sabendo, só você. É a ciência médica interferindo na nossa vida sexual, uma arma que ajudará nas suas conquistas". Segundo os responsáveis pelo produto, o sujeito que utilizar a poderosa colônia atrairá todos os olhares femininos, gerando "mais contatos imediatos e, sem dúvida, uma vida sexual mais ativa do que poderia um dia imaginar, não importa a sua aparência, não importa o nível social. Onde quer que você esteja, passará a chamar muita atenção, como um imã". Mas será que funcionam mesmo? Como você já deve ter percebido, o mesmo perfume ou loção após a barba, exala diversos cheiros em diferentes pessoas, especialmente naquelas do sexo oposto. À medida que a fragrância vaporiza e interage com nossa química própria, várias mudanças do aroma tornam-se perceptíveis.

Finalizando

Apesar de todas as pesquisas e descobertas, existe no ar uma sensação de que a evolução, por algum motivo, deu-se no sentido de que o amor não-associado à procriação surgisse – calcula-se que isto se deu há aproximadamente 10.000 anos. Os homens passaram realmente a amar as mulheres, e algumas destas passaram a olhar os homens como algo mais além de máquinas de proteção.

A despeito de todos os tubos de ensaio de sofisticados laboratórios e reações químicas e moléculas citoplasmáticas, afinal, deve haver algo mais entre o céu e a terra...

De qualquer forma, quando decidimos que temos química com alguém, o mais provável é que estejamos literalmente certos.

http://www.afh.bio.br/especial/paixao.asp
Profa.Ana Luisa Miranda Vilela

20 de novembro de 2010

ACONTECIMENTOS Antonio Cícero/Marina Lima



Eu espero uns acontecimentos
Só que quando anoitece
É festa no outro apartamento
Todo amor vale enquanto brilha, aí e o meu brilhava
Brilho de jóia e de fantasia
Que há com nós?
O que que há com nós dois amor?
Me responda depois...
Me diz por onde você me prende por onde foge
E o que pretende de mim
Era fácil nem dá pra esquecer. Aí, e eu nem sabia
Como era feliz de ter você
Como pode queimar nosso filme?
Um longe do outro morrendo de tédio e de ciúme.
O que é que há com nós?
O que é que há com nós dois amor?
Me responda depois...
Me diz por onde você me prende, por onde foge
E o que pretende de mim.
Eu espero...
Como pode queimar nosso filme?

http://www.vagalume.com.br/marina-lima/acontecimentos.html#ixzz15p8CWtXs


Antonio Cícero: o filósofo e o poeta


Por Jean Oliveira
Quarta-feira - 18/08/2010

Antônio Cícero é o compositor de 'Fullgaz' e 'À francesa', sucessos na voz da irmã Marina Lima

Araçatuba - Antônio Cícero é um homem que trafega diariamente entre dois mundos, o da ideia e o do sentimento. Tendo a poesia e a filosofia como profissões, o escritor possui a inquietude sempre à flor da pele. Sua força de expressão é tão grande que seu talento extrapolou o papel e foi parar nas canções da irmã, a cantora Marina Lima. São de sua autoria sucessos como "Fullgaz" e "À francesa". Ainda na música, ele teve como parceiros expoentes Lulu Santos, Adriana Calcanhoto, Orlando Moraes e João Bosco.

Nesta entrevista à Folha da Região, que faz parte da série "Folha e Grandes Autores", ele fala sobre este equilíbrio entre a razão e o sentimento, e comenta algumas de suas obras. Cícero participou, nesta segunda-feira (16), da 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Falou ao público sobre "Literatura Plural".

A Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o terceiro maior evento do mundo nesta área, foi a inspiração para a série, que antes do entrevistado de hoje ouviu Tatiana Belinky (Folha da Região, D1, 17/08/2010), Raimundo Carrero (15), Ana Maria Machado (14), Ignácio de Loyola Brandão (13), Renato Janine Ribeiro (12)e Zuenir Ventura (11), todos autores que estão participando do evento em São Paulo.

REALIZAÇÕES

Em 1996, Antônio Cícero reuniu seus próprios poemas prediletos no livro "Guardar" (Editora Record), vencedor do Prêmio Nestlé de Literatura na categoria Estreante. Em 1997, lançou o disco Antônio Cícero por Antônio Cícero (Editora Luz da Cidade), em que recita poemas de sua autoria.

Antes, em 1994, junto com Waly Salomão, organizou o livro "O Relativismo Enquanto Visão do Mundo" (Editora Francisco Alves) onde reuniu as contribuições filosóficas referentes ao assunto.
No ano de 2000, foi publicado o seu ensaio "Poesia e Paisagens Urbanas", na coletânea "Mais Poesia Hoje", organizada por Célia Pedrosa (Editora 7 Letras).

Confira a entrevista:

O senhor é filósofo e poeta. Como conviver diariamente entre a razão e o sentimento?
Todos nós convivemos diariamente com a razão e o sentimento. Mas, entre a filosofia e a poesia há, realmente, uma diferença grande. Costumo dizer que a filosofia pensa sobre o mundo, mas a poesia pensa o mundo. Ela não se separa do mundo para pensá-lo, como a filosofia, mas mergulha nele. Se eu estiver escrevendo um poema e começar a pensar com conceitos filosóficos, ele se perde. Se eu estiver pensando com conceitos filosóficos, posso escrever um ensaio, mas não um poema.

Como a arte do pensar acaba influenciando sua forma de expressar o que sente?
Acho que tudo o que a gente sabe entra em jogo quando faz um poema. A filosofia também entra, mas apenas como mais um elemento. Ela não é necessariamente mais importante do que as outras coisas que a gente sabe ou intui, ou sonha, ou sofre, ou lembra, ou lê.

Qual seu filósofo e seu poeta preferidos? Tem como traçar um paralelo entre eles?
O filósofo mais importante, para mim é Kant. São muitos os poetas que amo. Um deles é, por exemplo, o romano Horácio. Mas acho que ele e Kant não têm nada em comum. Para mim, a poesia é mais importante do que a filosofia. Uma das coisas que peço à filosofia é que me dê elementos ou armas conceituais para defender o lugar e a autonomia da arte, logo, da poesia. Kant faz isso.

Qual a sensação que o senhor tem ao ouvir alguém cantando ou se referindo a uma música que compôs? Tem preferência em ter um trabalho cantado ou declamado?
É um grande prazer. É bom saber que uma coisa que a gente faz é apreciada. Gosto muito de ouvir as minhas letras cantadas. Gosto também que leiam os poemas que faço para serem lidos, mas não faço questão de ouvi-los sendo declamados. É que faço as letras para que sejam cantadas e ouvidas, porém não faço os poemas para serem declamados, mas apenas lidos.

O senhor mantém a produção de letras de música?
Sim, embora bem menos do que alguns anos atrás. Tenho me concentrado mais em escrever poemas e ensaios.

Já há algum tempo, a poesia que é praticada no Brasil não está sintonizada com nenhum movimento literário. Cada um faz a sua poesia em seu canto. Como leitor, você enxerga alguma característica marcante nesta produção? Seria ela mais lírica?
Na verdade, acho que há de tudo. O tempo dos manifestos ou movimentos de vanguarda já passou. Cada qual faz o que quer. Não tem mais sentido um poeta ou um grupo de poetas querer dizer aos outros como é que devem fazer poesia. Contudo, isso não significa que tudo se equivalha. Não. Como sempre, há poemas maravilhosos, poemas bons, poemas razoáveis e poemas ruins. Só que é preciso considerar cada poema ou cada poeta individualmente, caso a caso.

19 de novembro de 2010

ALGUNS VERSOS - Antonio Cícero


As letras brancas de alguns versos me espreitam
em pé no fundo azul de uma tela atrás
da qual luz natural adentra a janela
por onde ao levantar quase nada o olhar
vejo o sol aberto amarelar as folhas
da acácia em alvoroço: Marcelo está
para chegar. E de repente, de fora
do presente, pareço apenas lembrar
disso tudo como de algo que não há de
retornar jamais e em lágrimas exulto
de sentir falta justamente da tarde
que me banha e escorre rumo ao mar sem margens
de cujo fundo veio para ser mundo
e se acendeu feito um fósforo, e é tarde.


A seguir, tradução para o espanhol do poema Alguns Versos


ALGUNOS VERSOS

Las letras blancas de algunos versos me acechan
de pie en el fondo azul de una pantalla detrás
de la cual la luz natural penetra la ventana
por donde al levantar la mirada casi nada
veo el sol abierto amarillar las hojas
de la acacia en alborozo: Marcelo está
a punto de llegar. Y de repente, de fuera
del presente, sólo me parece recordar
todo esto como algo que no ha de volver
jamás y en lágrimas exulto
de sentir falta precisamente de la tarde
que me baña y escurre rumbo al mar sin orillas
de cuyo fondo vino para ser mundo
y se encendió hecho un fósforo, y es tarde.

(Versión española de Adolfo Montejo Navas)

18 de novembro de 2010

ÁGUA PERRIER - Antonio Cícero



Não quero mudar você
nem mostrar novos mundos
pois eu, meu amor, acho graça até mesmo em clichês.

Adoro esse olhar blasé
que não só já viu quase tudo
mas acha tudo tão déjà vu mesmo antes de ver.

Só proponho
alimentar seu tédio.
Para tanto, exponho
a minha admiração.
Você em troca cede o
seu olhar sem sonhos
à minha contemplação:

Adoro, sei lá por que,
esse olhar
meio escudo
que em vez de meu álcool forte pede água Perrier.


A seguir, tradução para o alemão do poema Água Perrier, publicado originalmente numa revista chamada LAB, JAHRBUCH 1998 FÜR KÜNSTE UND APPARATE


EIN PERRIER

Ich will dich nicht verändern
noch dir neue Welten zeigen
denn mich, mein Schatz, belustigen sogar Clichés.

Ich liebe diesen blasierten Blick,
der nicht nur schon fast alles gesehen hat
sondern alles, bevor es gesehen wird, bereits für schon gesehen hält.,

Ich möchte nur
deine Langeweile unterhalten.
Daher breite ich
meine Bewunderung aus:
Du weichst dafür
mit deinem Blick ohne Träume
meiner Betrachtung aus:

Ich liebe, wer weiß warum,
diesen Blick,
der halb abwehrend
anstelle meines starken Alkohols ein Perrier erbittet.

(Übersetzung aus dem brasilianischen Portugiesisch von Maralde Meyer-Minnemann)

17 de novembro de 2010

INVERNO - Antonio Cícero


No dia em que fui mais feliz
eu vi um avião
se espelhar no seu olhar até sumir

de lá pra cá não sei
caminho ao longo do canal
faço longas cartas pra ninguém
e o inverno no Leblon é quase glacial.

Há algo que jamais se esclareceu:
onde foi exatamente que larguei
naquele dia mesmo o leão que sempre cavalguei?

Lá mesmo esqueci
que o destino
sempre me quis só
no deserto sem saudades, sem remorsos, só
sem amarras, barco embriagado ao mar

Não sei o que em mim
só quer me lembrar
que um dia o céu
reuniu-se à terra um instante por nós dois
pouco antes do ocidente se assombrar

(a Suzana Morais)

Antônio Cícero: música e poesia por PEDRO MACIEL

O poema é feito de palavras, medida e ritmo. O ritmo é o núcleo do poema. Os poetas verdadeiros são necessariamente músicos de primeira ordem. A poesia da letra de música é uma escrita cadenciada, sonora. Soneto, em italiano, é "sonzinho". "Um soneto não é um poema mas uma forma literária, exceto quando esse mecanismo retórico - estrofes, metros e rimas - foi tocado pela poesia. Há máquinas de rimar, mas não de poetizar...", anotou o poeta mexicano Octávio Paz. Talvez a Música Popular Brasileira seja a alta cultura do país, apesar de, nos últimos tempos, a música vir sendo forjada por uma máquina de rimar, azeitada no mais ingênuo romantismo.

As antologias compiladas pelos críticos mandarins não incluem nenhuma letra como exemplo de poema. Vinícius de Morais, Caetano Veloso ou Chico Buarque são considerados pelos mandarins como poetas de segunda categoria. Estes e outros escreveram letras e canções de tamanha estatura poética que é difícil achar paralelos na poesia escrita no mesmo período. Mas o poeta José Gino Grunewald redimiu o espírito da poesia brasileira com o lançamento do Livro Pedras de toque da poesia brasileira (Ed. Nova Fronteira), seleção dos melhores poemas em antologia e que inclui de Castro Alves a Noel Rosa, de Carlos Drummond a Caetano Veloso.

Antônio Cícero poderia ter sido incluído nesta coletânea. Cícero é parceiro de Marina Lima, uma das revelações da música dos anos 80, tradução pop de Rita Lee e Tom Jobim. Erza Pound advertia que a poesia não evolui, quando se afasta muito tempo da música, sua origem e destino. Cícero é uma das boas surpresas da poesia brasileira. Guardar (Ed. Record) foi o seu primeiro livro, mas não se trata de um estreante, já que lançou um livro de filosofia.

A maioria de seus poemas apresenta os traços sonoros típicos do trovador, do cantador popular. Guardar é um livro musical. Há poemas em verso livre, poemas de fala irônica, sonetos quebrados, versos curtos e dissonantes, como em "Voz"; "Orelha, ouvido, labirinto:/ perdida em mim a voz de outro ecoa./ Minto:/ perversamente sou-a." Indagação filosófica, sem pendantismo acadêmico. O autor evoca temas gregos clássicos em poemas como "Narciso": "Narciso é filho de uma flor aquática/ e de um rio meândrico. É líquido/ cristalizado de forma precária/ e preciosa, trazendo o sigilo/ de sua origem no semblante vívido/ conquanto reflexivo..."

Cícero faz poesia lírica, erótica: "Qualquer poema bom provém do amor/ narcíseo..."; e rumina em torno de questões existenciais como no poema "Dilema": "O que muito me confunde/ é que no fundo de mim estou eu / e no fundo de mim estou eu./ No fundo/ sei que não sou sem fim/ e sou feito de um mundo imenso/ imerso num universo/ que não é feito de mim./ Mas mesmo isso é controverso/ se nos versos de um poema / perverso sai o reverso./ Disperso num tal dilema/ o certo é reconhecer:/ no fundo de mim / sou sem fundo."

Guardar nos apresenta o mundo do som, do sentido, da lógica, da sintaxe, da física, da metafísica. O poeta conhece sua instrumentação. Maneja a língua com maestria. Cícero utiliza a linguagem comum das ruas, e recupera uma voz ideal, capaz de alçar o universo poético. Ainda hoje pergunta-se qual o sentido da poesia. O sentido da poesia é a própria poesia. A poesia explica-se a si mesma. Talvez a arte poética nos conduza a uma tentativa de salvação do meio existencial. A poesia é revelação de um mundo sagrado, maldito, real, imaginário. Alcança a todos e ninguém. Inventa o próprio homem para que este se revela a si mesmo.

16 de novembro de 2010

GUARDAR - Antonio Cícero


Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

14 de novembro de 2010

O RETORNO NA MÚSICA - A volta do boêmio


A Volta do Boêmio
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A Volta do Boêmio é uma canção composta por Adelino Moreira.

A canção permaneceu inédita por quatro anos e vendeu mais de um milhão de discos vendidos quando lançada em 1956 por Nelson Gonçalves, chegando depois a dois milhões de discos, tornando-se uma das suas principais obras gravadas.

A letra da música trata de um homem que pede permissão para retornar a sua antiga vida boêmia, a qual havia anteriormente abandonado pelo amor de uma mulher. É dito também na letra que é a pedido da própria mulher que o personagem faz tal retorno.

Esta canção teve diversas outras regravações de artistas como Cauby Peixoto, Agnaldo Rayol, Agnaldo Timóteo, Sidney Magal, Teixeirinha, Pery Ribeiro, Danilo Caymmi, Núbia Lafayette, Joanna, Carlos Alberto, Antônio Marcos, Moreira da Silva, Adilson Ramos, Pato Fu (no álbum Gol de Quem?), entre outros.


A Volta Do Boêmio

Boemia, aqui me tens de regresso
e suplicante te peço
a minha nova inscrição

Voltei, pra rever os amigos que um dia
eu deixei a chorar de alegria,
me acompanha o meu violão

Boemia, sabendo que andei distante
sei que essa gente falante
vai agora ironizar

Ele voltou, o boêmio voltou novamente
partiu daqui tão contente
por que razão quer voltar?

Acontece, que a mulher que floriu meu caminho
de ternura, meiguice e carinho,
sendo a vida do meu coração

Compreendeu, e abraçou-me dizendo a sorrir:
meu amor você pode partir,
não esqueça o seu violão

Vá rever, os seus rios, seus montes, cascatas,
vá sonhar em novas serenatas
e abraçar seus amigos leais

Vá embora, pois me resta o consolo e a alegria
de saber que depois da boemia
é de mim que você gosta mais


http://www.vagalume.com.br/nelson-goncalves/a-volta-do-boemio-2.html#ixzz15G9EKSjY


13 de novembro de 2010

sobre BATMAN,MULHER-GATO, PINGUIM e o retorno



Um bebê deformado é jogado por seus pais nas águas do rio que passa por Gotham City. Trinta anos mais tarde, a criança, que recebeu o nome de Oswald Cobblepot, transformou-se no terrível Pinguim. Sua gangue sequestra o milionário Max Schreck e, sabendo do envolvimento de Schreck em diversos crimes, Pinguim o chantageia, obrigando-o a ajudá-lo na descoberta da identidade de seus pais. Por sua vez, tentando dominar a cidade, Max Schreck planeja transformar Pinguim em prefeito de Gotham City.

Paralelamente, Max Schreck arremessa sua secretária, Selina Kyle, do prédio de sua empresa, quando ela descobre seus planos ilegais. Selina é ressuscitada por gatos e planeja vingança, criando uma roupa especial e atendendo por nova identidade: Mulher-Gato.

O incansável Batman retorna,com tudo que um retorno tem direito.
Com o Pinguim e com uma Mulher-Gato linda,sedutora,bonita,gostosa, felina, traiçoeira e com dupla personalidade.O destino acaba cruzando os caminhos de Mulher-Gato e Pinguim, que unem forças para destruir Batman.
Ambos se tornam verdadeiros pesadelos.


“Batman – O Retorno” traz algumas cenas que sempre me ficaram na
memória, como a sabotagem do Batmóvel (aliás, um dos melhores modelos
de toda sua história), o Pingüim mordendo o nariz de um engraçadinho
que ousou fazer piadinha com ele, e a linguada de Mulher-Gato no
Batman no topo do prédio.



A PERSONALIDADE DE BATMAN

O que faz Batman ser um herói tão fácil do público se identificar, é o fato de que ele é plenamente possível. Ele não veio de outro planeta, não é fruto de uma mutação genética, não tem superpoderes. Batman é um homem normal, um homem que tinha todos os motivos para sequer se importar com os problemas do mundo, mas que decide usar sua inteligência e dinheiro, em busca de justiça.

Quem é o verdadeiro homem? Batman ou Bruce Wayne? Qual a identidade, a personalidade real? Não seria o bilionário playboy o verdadeiro disfarce de Bruce Wayne?

“Os inimigos definem o herói. Quanto maior a ameaça, maior o herói.”

(Dan Di Dio)

Se Batman não tem nenhum superpoder, como pode ser considerado um herói? Na verdade o que distingüe e singulariza o personagem Bruce Wayne, e conseqüentemente seu alter-ego justiceiro, são duas qualidades que não são compartilhadas pela maioria das pessoas: auto-controle e auto-disciplina. O que faz Bruce ser um herói de verdade é o fato de não se permitir perder o controle frente aos piores desafios, o não se deixar levar por sentimentos de ódio e vingança. Por pior que seja o inimigo, Batman não o mata. Ele cria maneiras de capturar os criminosos e levá-los frente à justiça, permitindo que sejam formalmente acusados, processados e punidos pelos seus crimes. A auto-disciplina rigorosa do personagem também permite que ele pareça ser sobre-humano. Bruce vai mais longe do que qualquer homem ou mulher comum e enfrenta seus medos. Literalmente.A cena em “Batman Begins” que melhor demonstra o auto-controle e auto-disciplina do bilionário, é quando Bruce volta ao poço onde havia caído quando criança, e enfrenta os morcegos, que haviam se tornado uma fobia intensa desde sua infância, encarando-os de frente e ficando de pé, enquanto voam ao seu redor. Quantas pessoas conhecemos (e nisso devemos nos incluir) que são capazes de exporem suas fragilidades, seus piores medos e de enfrentá-los olhando-os de frente, sem hesitar, tudo em nome de um ideal ou objetivo maior, seja pessoal ou coletivo?

QUEM TEM CORAGEM DE RETORNAR ?

12 de novembro de 2010

O AMARGO REGRESSO

Quando penso em RETORNO, sempre me lembro do filme O AMARGO REGRESSO, ou COMING HOME
(1978).Não sei porque mas o AMARGO do REGRESSO me perseguiu por vários anos...como se o retorno estivesse colado no ruim.

O filme é um brilhante retrato sobre as dores trazidas por uma guerra. Só que aqui não temos cenas de batalhas e corpo voando para todos os lados, mas sim uma história sobre as conseqüências da Guerra do Vietnã. Os efeitos que essa guerra causou para as pessoas.O filme conta a história de Sally Hyde (Jane Fonda), uma mulher que acaba de se despedir do marido, que está indo para a Guerra do Vietnã. Sem ter um rumo certo na vida, ela acaba resolvendo ir trabalhar como voluntária em um hospital junto com a amiga Viola (Penelope Milford), que trabalha lá por causa do irmão. Lá ela conhece Luke Martin (Jon Voight), um homem que voltou da Guerra paraplégico e com quem ela chegou a estudar no passado.A trama se desenvolve até que, quando a verdade é revelada, as conseqüências se tornam dramáticas para todos os envolvidos.
O regresso do marido traz "perdas e danos", mas aí já são outros 500...


11 de novembro de 2010

o ETERNO RETORNO de Nietzche



O Ouroboros é um signo para a eternidade


Eterno retorno é um conceito filosófico formulado por Friedrich Nietzsche. Em alemão o termo é Ewige Wiederkunft. Uma síntese dessa teoria é encontrada em A Gaia Ciência:

2"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?"

O Eterno Retorno é um conceito não acabado em vida pelo próprio Nietzche, trabalhado em vários de seus textos (No "Assim falou Zaratustra"; aforismo 341 do "A gaia ciência"; aforismo 56 do "Além do bem e do mal"; e trechos dos fragmentos póstumos, que podem ser encontrados no livro "Nietzsche" da coleção "Os Pensadores", da Abril Cultural). Ele mesmo considerava como seu pensamento mais profundo e amedrontador, que lhe veio à mente durante uma caminhada, ao contemplar uma formação rochosa.

Um dos aspectos do Eterno Retorno diz respeito aos ciclos repetitivos da vida: estamos sempre presos a um número limitado de fatos, fatos estes que se repetiram no passado, ocorrem no presente, e se repetirão no futuro, como por exemplo, guerras, epidemias, etc.

O que é indispensável notar é que esta teoria, que parece insensata e totalmente inverossímil a muitos, não é uma forma de percepção do tempo: o Eterno Retorno não é um ciclo temporal que se repete indefinidamente ao longo da eternidade.

Quando no texto, acima transcrito, de A Gaia Ciência, o filósofo sugere a aparição do demônio portador da reveleção do ciclo inexorável de repetições, ele não afirmou que aquilo seria exatamente o Eterno Retorno. Nos textos de Nietzsche sobre a História, vemos que sua noção do Tempo não é cíclica.

Com o Eterno Retorno Nietzsche questiona da ordem das coisas. Indica um mundo não feito de pólos opostos e inconciliáveis, mas de faces complementares de uma mesma—múltipla, mas única—realidade. Logo, bem e mal, angústia e prazer, são instâncias complementares da realidade - instâncias que se alternam eternamente. Como a realidade não tem objetivo, ou finalidade (pois se tivesse já a teria alcançado), a alternância nunca finda. Ou seja, considerando-se o tempo infinito e as combinações de forças em conflito que formam cada instante finitas, em algum momento futuro tudo se repetirá infinitas vezes. Assim, vemos sempre os mesmos fatos retornarem indefinidamente.

Outras observações importantes a respeito do Eterno Retorno são suas relações com o Amor fati e a vontade de potência. Detenhamo-nos ligeiramente no Amor fati -- Amor ao destino.

O conceito do Eterno Retorno leva a uma indagação sobre a vida: amamos ou não amamos a vida? Se tudo retorna - o prazer, a dor, a angústia, a guerra, a paz, a grandeza, a pequenez—se tudo torna, isto é um dom divino ou uma maldição? Amamos a vida a tal ponto de a querermos, mesmo que tivéssemos que vivê-la infinitas vezes sem fim? Sofrendo e gozando da mesma forma e com a mesma intensidade? Seríamos capazes de amar a vida que temos - a única vida que temos - a ponto de querer vivê-la tal e qual ela é, sem a menor alteração, infinitas vezes ao longo da eternidade? Temos tal amor ao nosso destino? - Eis a grande indagação que é o Eterno Retorno.

O RETORNO De SATURNO...




O Retorno De Saturno/Detonautas Roque Clube

Visão do espaço estamos tão distantes
se acelero os passos sigo a voz do meu coração.
Ontem eu fui dormir mais tarde um pouco.

E tudo vai indo bem...

Venço o cansaço e o medo do futuro.
No teu abraço é que encontro a cura do mal
Hoje eu acordei e te quis por perto.

Você não sai do meu pensamento
e eu me questiono aqui se isso é normal.
Não precisa ser de novo assim tudo igual.

Entre o retorno de Saturno e o seu,
busco uma resposta que acalme o meu coração.
Do amanhã não sei o que posso esperar.

Você não sai do meu pensamento
e eu me questiono aqui se isso é normal.
Não precisa ser de novo assim tudo igual.
Você não sai do meu pensamento
e eu me pergunto aqui, se o natural
vai dizer que o amor chegou no final.
Não precisa ser de novo assim tudo igual.

http://www.vagalume.com.br/detonautas-roque-clube/o-retorno-de-saturno.html#ixzz14zn2jNJj

SOBRE O RETORNO DE SATURNO...

O retorno de Saturno - 28 anos
Márcia Mattos - Astróloga

Entre os 28 e 30 anos de idade, ocorre o primeiro retorno de Saturno, ou seja, o planeta em trânsito se posicionará no mesmo local em que ele estava no momento de nascimento da pessoa e iniciará uma nova volta em torno do zodíaco.

Novamente, como em todo trânsito de Saturno, ocorre um doloroso rito de passagem, envolvendo responsabilidades, desta vez maiores do que nunca. A partir deste período, muitas coisas que antes eram parte de uma gama de opções se tornam definitivas. É o momento de determinar o que vai dar impulso aos próximos 28 anos e tudo o que é decidido tem sua repercussão e conseqüência.

Este período representa também o fechamento sobre todo o passado de dependência familiar, uma liberação final de tudo que ligava às servidões da infância e da adolescência, uma aquisição definitiva de autonomia. É o ponto final do caminho de relaxamento de responsabilidades dos pais sobre os filhos.

Aos 28 anos, as pessoas começam a se preparar para inverter os papéis. Nesta época, surge a necessidade crescente de se fundar um lar, ter filhos, educá-los e progredir profissionalmente. É a chegada definitiva da certeza da sua responsabilidade em relação aos outros, em que se procura gerar confiança em que os cerca e se começa a pensar seriamente no futuro. É o primeiro contato com a sensação de que o tempo passa e que a velhice não tarda a chegar, por isso a intensificação das cobranças internas. Não é mais tempo para ilusões e sim para definições.

Nesta época, as pessoas começam a adquirir um senso de responsabilidade não apenas para si próprios, mas também para aqueles que o cercam. Começa-se a perceber que as suas decisões terão influência na vida daqueles que amam. Agora, e cada vez mais, são os pais que passam a ser seus dependentes, o que aguça o sentido de cumprir sem falhas a sua missão, que é uma tarefa solitária e de extrema importância para toda a família. Mas, ao mesmo tempo, Saturno que é sempre associado a processos de diferenciação, individualização e separatividade, leva os indivíduos a procurarem dar a seus filhos uma educação diferente da que receberam. Paradoxalmente, com a nova aproximação dos pais, as pessoas se deparam tomando decisões surpreendentemente parecidas às deles.

Nessa época, as pessoas que ainda não se definiram na vida passam a se sentir muito angustiadas, porque o fantasma do fracasso começa a ameaçar. Freqüentemente, aos 28 anos as pessoas retomam os estudos, procuram caminhos profissionais definitivos e não mais bicos e trabalhos esporádicos. A crise provocada por Saturno sempre é complicada, já que mexe com assuntos como o tempo e a idade, fracasso, frustração ou sucesso. Todos estes aspectos são muito angustiantes porque abalam a auto estima de cada um.

O ciclo dos 28 anos de Saturno é completado quando se pode tomar nas mãos com segurança as rédeas e o controle da própria existência. Desligar-se do passado para apenas conservar dele as bases mais sólidas sobre as quais deve ser projetado e construído o futuro.


Trecho da apostila "Ciclos Planetários", da astróloga carioca Márcia Mattos.
Para adquirir esta apostila, informe-se pelo telefone (0xx21) 274-8156 ou escreva para Márcia Mattos.

25 de setembro de 2010

A MULHER MADURA Affonso Romano de Sant'Anna

O rosto da mulher madura entrou na moldura de meus olhos.

De repente, a surpreendo num banco olhando de soslaio, aguardando sua vez no balcão. Outras vezes ela passa por mim na rua entre os camelôs. Vezes outras a entrevejo no espelho de uma joalheria. A mulher madura, com seu rosto denso esculpido como o de uma atriz grega, tem qualquer coisa de Melina Mercouri ou de Anouke Aimé.

Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente. A adolescente não sabe ainda os limites de seu corpo e vai florescendo estabanada. É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados. Enfim, desborda.

A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe. O silêncio em torno de seus gestos tem algo do repouso da garça sobre o lago. Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência. Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente. Sabem a distância entre seu corpo e o mundo.

A mulher madura é assim: tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.

A adolescente, com o brilho de seus cabelos, com essa irradiação que vem dos dentes e dos olhos, nos extasia. Mas a mulher madura tem um som de adágio em suas formas. E até no gozo ela soa com a profundidade de um violoncelo e a sutileza de um oboé sobre a campina do leito.

A boca da mulher madura tem uma indizível sabedoria. Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto. Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos. Por isto as suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de setembro e abril.

O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história. Inscrições se fizeram em sua superfície. Seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade. Ela conhece seus mecanismos, apalpa suas mensagens, decodifica as ameaças numa intimidade respeitosa.

Sei que falo de uma certa mulher madura localizada numa classe social, e os mais politizados têm que ter condescendência e me entender. A maturidade também vem à mulher pobre, mas vem com tal violência que o verde se perverte e sobre os casebres e corpos tudo se reveste de uma marrom tristeza.

Na verdade, talvez a mulher madura não se saiba assim inteira ante seu olho interior. Talvez a sua aura se inscreva melhor no olho exterior, que a maturidade é também algo que o outro nos confere, complementarmente. Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos revelador.

Cada idade tem seu esplendor. É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo. Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo.

A mulher madura está pronta para algo definitivo.

Merece, por exemplo, sentar-se naquela praça de Siena à tarde acompanhando com o complacente olhar o vôo das andorinhas e as crianças a brincar. A mulher madura tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia. Descolou-se da superfície das coisas. Merece profundidades. Por isto, pode-se dizer que a mulher madura não ostenta jóias. As jóias brotaram de seu tronco, incorporaram-se naturalmente ao seu rosto, como se fossem prendas do tempo.

A mulher madura é um ser luminoso é repousante às quatro horas da tarde, quando as sereias se banham e saem discretamente perfumadas com seus filhos pelos parques do dia. Pena que seu marido não note, perdido que está nos escritórios e mesquinhas ações nos múltiplos mercados dos gestos. Ele não sabe, mas deveria voltar para casa tão maduro quanto Yves Montand e Paul Newman, quando nos seus filmes.

Sobretudo, o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não esperá-la madurar. Ali está uma mulher madura, mais que nunca pronta para quem a souber amar.



O texto acima foi extraído do livro "A Mulher Madura", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1986, pág. 09.

24 de setembro de 2010

ANTES QUE ELAS CRESÇAM Affonso Romano de Sant'anna

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

É que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.

Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.

Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.

Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?

Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.

Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.

Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.

Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.

Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.

No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.

O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.

Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.

23 de setembro de 2010

ESTELA AMOROSA Affonso Romano de Sant'anna




Posso fingir que nada aconteceu
após esse telefonema?

Olho pela janela, a montanha, os prédios.
Posso sair, comprar roupa nova,
ir ao cinema, ao bar, concerto,
respirar fundo, dizer, tinha que acontecer,
dizer, amei-a muito, pensar
que o passado já começou.

O telefonema em mim ressoa.
Sobre um sentimento assim não se põe uma pedra
e se segue em frente
Mesmo que eu siga, sem olhar pra trás
a pedra
florescerá
secretamente

22 de setembro de 2010

SEPARAÇÃO Affonso Romano de Sant'anna






Desmontar a casa
e o amor. Despregar
os sentimentos das paredes e lençóis.
Recolher as cortinas
após a tempestade
das conversas.
O amor não resistiu
às balas, pragas, flores
e corpos de intermeio.

Empilhar livros, quadros,
discos e remorsos.
Esperar o infernal
juizo final do desamor.

Vizinhos se assustam de manhã
ante os destroços junto à porta:
-pareciam se amar tanto!

Houve um tempo:
uma casa de campo,
fotos em Veneza,
um tempo em que sorridente
o amor aglutinava festas e jantares.

Amou-se um certo modo de despir-se
de pentear-se.
Amou-se um sorriso e um certo
modo de botar a mesa. Amou-se
um certo modo de amar.

No entanto, o amor bate em retirada
com suas roupas amassadas, tropas de insultos
malas desesperadas, soluços embargados.

Faltou amor no amor?
Gastou-se o amor no amor?
Fartou-se o amor?

No quarto dos filhos
outra derrota à vista:
bonecos e brinquedos pendem
numa colagem de afetos natimortos.

O amor ruiu e tem pressa de ir embora
envergonhado.

Erguerá outra casa, o amor?
Escolherá objetos, morará na praia?
Viajará na neve e na neblina?

Tonto, perplexo, sem rumo
um corpo sai porta afora
com pedaços de passado na cabeça
e um impreciso futuro.
No peito o coração pesa
mais que uma mala de chumbo.

SILÊNCIO AMOROSO 2 Affonso Romano de Sant'anna


Preciso do teu silêncio
cúmplice
sobre minhas falhas.
Não fale.
Um sopro, a menor vogal
pode me desamparar.
E se eu abrir a boca
minha alma vai rachar.
O silêncio, aprendo,
pode construir. É um modo
denso/tenso
- de coexistir.
Calar, às vezes,
é fina forma de amar.

21 de setembro de 2010

SILÊNCIO AMOROSO Affonso Romano de Sant'anna

Deixa que eu te ame em silêncio.

Não pergunte, não se explique, deixe

que nossas línguas se toquem, e as bocas

e a pele

falem seus líquidos desejos.
Deixa que eu te ame sem palavras

a não ser aquelas que na lembrança ficarão

pulsando para sempre

como se amor e vida

fossem um discurso

de impronunciáveis emoções.

ARTE-FINAL Affonso Romano de Sant'anna



Não basta um grande amor
para fazer poemas.
E o amor dos artistas, não se enganem,
não é mais belo
que o amor da gente.

O grande amante é aquele que silente
se aplica a escrever com o corpo
o que seu corpo deseja e sente.

Uma coisa é a letra,
e outra o ato,

– quem toma uma por outra
confunde e mente.

INTERVALO AMOROSO Affonso Romano de Sant'anna

aquarela de Jaqueline Campos


O que fazer entre um orgasmo e outro,
quando se abre um intervalo
sem teu corpo?

Onde estou, quando não estou
no teu gozo incluído?
Sou todo exílio?

Que imperfeita forma de ser é essa
quando de ti sou apartado?

Que neutra forma toco
quando não toco teus seios, coxas
e não recolho o sopro da vida de tua boca?

O que fazer entre um poema e outro
olhando a cama, a folha fria?

20 de setembro de 2010

POESIA

aquarela de Jaqueline Campos


Limites do Amor
Affonso Romano de Sant'anna

Condenado estou a te amar
nos meus limites
até que exausta e mais querendo
um amor total, livre das cercas,
te despeça de mim, sofrida,
na direção de outro amor
que pensas ser total e total será
nos seus limites da vida.

O amor não se mede
pela liberdade de se expor nas praças
e bares, em empecilho.
É claro que isto é bom e, às vezes,
sublime.
Mas se ama também de outra forma, incerta,
e este o mistério:

- ilimitado o amor às vezes se limita,
proibido é que o amor às vezes se liberta.

Contemporâneo Affonso Romano de Sant'anna

Contemporâneo, Affonso Romano de Sant'anna é um dos mais legítimos representantes da literatura brasileira do nosso tempo, integrado em problemas e perplexidades atuais, Affonso Romano é poeta, ensaísta, cronista e professor. Nasceu em Belo Horizonte, 27 de março de 1937. É casado com a escritora Marina Colasanti.
Affonso Romano participou dos grupos de vanguardas dos anos 50 e 60 que transformaram a poesia brasileira e exerceu forte influência na opinião pública do país. Como jornalista trabalhou em importantes jornais e revistas: Jornal do Brasil, O Globo, Isto é, Veja. Atualmente escreve no Estado de Minas Gerais e no Correio Braziliense.
Muitos trabalhos seus viraram peças teatrais além de serem objetos de teses de mestrados e doutorado no Brasil e no exterior. Affonso é crítico de algumas produções contemporâneas, tendo escrito vários livros sobre o assunto. Segundo Affonso Romano,

"Há um tipo de artista contemporâneo que é cínico. Ele não faz arte e se beneficia da arte. Ele fala mal do sistema e fatura o sistema o tempo todo".

http://bethccruz.blogspot.com/2009/05/contemporaneo-affonso-romano-de.html

CASAPOEMA www.casapoema.com.br

14 de setembro de 2010

Recordando...

Portifólio do jornalista e editor André Cardoso. Comercial de 30" filmado em 35 mm para o Jornal do Brasil. Atuam: Márcia Peltier e Hildegard Angel.




COLUNA JB HILDEGARD ANGEL
http://hildegardangel.wordpress.com/category/coluna-hilde/


Réquiem para uma coluna pelos seus leitores
Publicado em 31 Agosto 2010 por Hildegard Angel


Prometi hoje, em minha última coluna no último Jornal do Brasil impresso, que publicaria manifestações de leitores sobre a coluna às vésperas do fim do JB-papel. Como houve uma orientação dada pelo atual editor de não se mencionar nada a respeito do fim do jornal, disciplinadamente guardei o material, que já estava há vários dias formatado, para postar hoje aqui neste blog – e só para vocês, queridos.

Estas são algumas das mensagens. Houve muitas outras, às quais já me havia referido na coluna do jornal, e chegaram outras tantas muitas, que depois “postarei” aqui com os devidos agradecimentos.

E AÍ VÃO vários dos muitos carinhos e elogios que a colunista recebeu, ultimamente, que eu estendo na íntegra à equipe que me cercou na coluna, boa, competente e, sobretudo, amiga. À Mary Carvalho, precisa e firme, comigo há mais de 20 anos (se somarmos as fases várias), à brava repórter Andréa Cardoso, super espirituosa, ao meu “agente externo” José Ronaldo, fofíssimo e antenado, à Andréa Dutra, minha sub aos Domingos, um toque de cultura e contracultura, com sua inteligência moderna e ao superfotógrafo Sebastião Marinho, o mais bem vestido dos repórteres fotográficos do país e detentor do segredo da luz que mais favorece e embeleza os fotografados…
COM A PALAVRA, meus leitores amados, salve, salve… DE BELITA TAMOYO: “Hilde, você não pode parar. Você é móveis e utensílios do Rio”… A CANTORA Ithamara Koorax diz: “Lamento o final da versão impressa do JB. Mas tenho certeza de que você e outros queridos amigos que tenho aí no JB continuarão brilhando de uma forma ou de outra”… O PRESIDENTE da Academia Brasileira de Letras, Marcos Vilaça, envia a gravação da sessão dos imortais do último dia 15, na ABL: “Foi um dos mais vivos testemunhos de apreço, de toda admiração, ao belo jornalismo feito ao longo de décadas pelo JB. Falaram muitos acadêmicos”… A ACADÊMICA Nélida Piñon observa em seu e-mail à colunista: “A perda do JB nos empobrece para sempre”…
O LÍDER comunitário Joel Nonato, presidente da Amorabse, escreve: “O fim do Jornal do Brasil impresso é uma perda para a inteligência carioca. Somos leitores de sua coluna rica em informações”… DE TANIT GALDEANO: “Tenho acompanhado a preocupação dos amigos, tipo “como vamos ficar sem ler a Hilde?”. Conhecendo vc, sua experiência, sua inteligência, nem por um momento imagino que vc nao tenha um projeto, um plano B. Então, querida, estou aguardando ordens, ou seja, onde vou ler sua coluna. Tenha certa minha admiração pela pessoa que vc é e pela profissional imbatível”…
O CARINHO da linda modelo Georgia Wortmann e do oftalmologista Almir Ghiaroni: “Há muitos anos, você faz parte da nossa vida. Foi com tristeza que recebemos a notícia da interrupção da edição impressa do JB”… SERGIO FELIPE Coutinho: “Demorei a me manifestar porque não acreditei que seria possível (o fim do Jornal do Brasil impresso) e lendo sua coluna diariamente com as cartas dos amigos e conhecidos, aí sim “caiu a ficha””…
A CERIMONIALISTA Amarilis Vianna se manifesta: “No mesmo dia em que você começou no JB, meu marido Manoel de Barros passou a assinar o jornal. Estamos tristes!”… DA ESCRITORA May Mac Dowell “O Jornal do Brasil sempre à espera da família, todo dia, dobrado à mesa do café da manhã ou na hora da volta à casa depois de um dia estafante de trabalho. E um dia chegou você com sua coluna social. O mundo de elegância e sofisticação, dias de festas, dias de lágrimas, apelos por generosidade, crítica, paixão, defesa, denúncia. O Jornal do Brasil jamais morrerá!”…
ZAIDA E Tonico Araujo fazem poesia: “Como dizia o poeta, para onde você for, seguiremos teus passos”… DE TERESA Mascarenhas, produtora cultural: “Continuarei lendo o JB enquanto ele existir (…). E você sempre!”… SUZANA GALDEANO: “Estou muito triste com o fim do JB. Não consigo imaginar meu dia sem ler sua coluna nem meu domingo sem a Revista de Domingo. É uma tradição desde pequena”… JANE ROSE Klarnet escreve bonito… NININHA MAGALHÃES Lins expressa seu afeto com uma carta daquelas pra se guardar e flores… LAJA, DA Sarah Joias, diz que sentirá saudades… MARIA GEYER dá aquele efusivo abraço…
SANDRA E Dudu Garcia: “Grande veículo e motivo de orgulho para nós, cariocas, fica um vazio ao pensar em não recebê-lo mais em casa todas as manhãs”… DO CLÃ Araujo — Helenita, Gilson, Dara e Gilsinho — “Acostumados, há muitos anos, a folhear o respeitado JB, com maravilhosos articulistas e colunistas, temos certeza que a sua querida coluna terá seu lugar de destaque na mídia, como sempre, respeitadíssima”… DOS ARQUITETOS e decoradores Nando Grabowsky e Pedro Guimarães: “A Revista de Domingo e, em especial, o Caderno B vão fazer muita falta, e sua coluna então nem se fala. Estaremos com você onde quer que esteja, com seu jornalismo inteligente e suas opiniões sobre tudo e todos!”…
O ATOR Marco Nanini, o advogado tributarista João Maurício de Araújo Pinho, a viúva de Adolpho Bloch, Anna Bentes Bloch, o jornalista mineiro José Eduardo Gonçalves, o promoter da noite e do dia Sydney Pereira e as Magalhães, mãe e filha, ambas Ruth… BEM COMO Conceição Bueno Brandão, a família Caravello – Ermê, Vicente, Bruno, Flávia, todos dizem que sentirão saudades do JB impresso…
O MESMO FAZEM, em seus cartões, Mario Ribenboim, Priscila Szafir e Benjamin Katz — “O Rio de Janeiro e nós, cidadãos cariocas, perdemos muito com isso!… POR EMAIL, Vera Tostes, juntamente com a equipe do Museu Histórico Nacional, que ela dirige, diz: “No momento em que o Jornal do Brasil não circulará mais nas bancas da cidade, não poderíamos deixar de agradecer a você e a toda a sua equipe pelo enorme apoio que sempre nos deram! Graças à sua coluna, as novidades e os destaques do Museu Histórico Nacional foram amplamente divulgados ao longo desses últimos anos”…
DE NOVA York, Ana Lucia Opitz diz que reza na St. Patrick por novos desafios em minha carreira… SYLVINHA BRACONNOT, assessora de imprensa, sugere que a colunista lance uma revista… O AMÁVEL email de Nestor Rolim Lacerda, secretário-geral da Associação Comercial do Rio de Janeiro: “Nunca passou pela minha mente que o querido Jornal do Brasil um dia deixasse de existir. Pensei ser notícia plantada pela concorrência. Lamento especialmente pela sua eclética coluna com sabor de Brasil, dando voz a todos, famosos ou não.”…
DO JORNALISTA Vicente Limongi Netto: “Querida, o JB é eterno. Sou do tempo em que a condessa Pereira Carneiro era viva e atuante. Portanto, tenho muito tempo de janela. Vida nova, sem esmorecer”… REGINA FERRAZ, a viúva do armador Paulinho Ferraz: “Lamentável o encerramento do JB. Consequentemente da sua brilhante coluna que deixará para todos imensa lacuna”…
A LEITORA Marilda T. Monnerat Witte: “Também vou sentir muita falta do nosso tradicional JB — sou assinante há mais de 30 anos — bem como da obrigatória leitura diária de sua coluna, com notícias esclarecedoras ou divertidas. Espero poder continuar acompanhando suas corajosas opiniões!”… DE ANTÔNIO Azeredo e a escultora Mazeredo: “A mídia impressa fica desfalcada, mas certamente você continuará informando seu público com a mesma competência de grande jornalista”…
MARIA ALICE Halfin lembra que a primeira coisa que seu falecido marido, José Halfin, o criador do Prêmio Molière, fazia ao acordar “era ler sua coluna e me chamar para comentar. Minhas manhãs não serão mais as mesmas, pois ficará um grande vazio”… EDUARDO KAISER diz: “Já estou com angústia em saber que meu café da manhã vai ficar incompleto. Todos os dias quando me sento à mesa, lá estão os jornais; e não preciso te dizer que a primeira coisa que faço é abrir o JB e ir direto para a sua coluna. Continuarei sempre te seguindo pois acho seu jornalismo honesto, inteligente e, como você mesma diz, “de opinião” com a qual, devo dizer sempre me identifico”…
O JORNALISTA de São Paulo Renato Fernandes sugere que eu faça um curso sobre colunismo social: “Venho correndo”. E mais: “Talvez seja a hora, de um livro: sua biografia, ou a realidade da sociedade carioca pela colunista que mais a conhece”… DOS ADVOGADOS Lilian e Sergio Reynaldo Allevato: “Foi com pesar que soubemos que o meu, o seu, o nosso JB encerraria suas atividades na publicação do jornal”…
DE JORGE Renato Thomaz, dono do Garden Restaurante: “Sua coluna marca a graça carioca como ninguém mais o faz. Espero que nosso JB, um dia, volte a ser o topo do topo da elite pensante do Rio”… DO EMBAIXADOR Stelio Marcos Amarante, coordenador de Relações Internacionais da Prefeitura do Rio de Janeiro: “Estamos desolados com a perspectiva de encerramento de atividades do Jornal do Brasil. (…) Se pensarmos que, no passado, quando a cidade tinha pouco mais de um milhão de habitantes, circulavam, simultaneamente ao Jornal do Brasil, o Correio da Manhã, O Globo, o Diário de Notícias, o Jornal do Commercio, O Jornal, O Dia, Ultima Hora, Tribuna da Imprensa e talvez outros mais (…)”…
ALAYDE ROCHA Neves e Olívia Barradas: “Desejamos que você continue a brilhar com as bênçãos de Deus”… THEREZINHA AMORIM envia pelo seu BlackBerry: “com muita pena soubemos do fechamento do nosso Jornal do Brasil. Creia, estaremos sempre juntos a você com as suas informacoes e seu jornalismo verdadeiro”… OS LEITORES Ricardo e Helena Curado de Miranda: “Assinantes há 30 anos e leitores assíduos da sua grande coluna, estamos muito tristes com o fechamento do JB!”…
ANTONIO CARLOS Poerner, professor da Fundação Getúlio Vargas, nos cursos de pós-graduação de 1968 a 1990, reporta-se à carta do Vice-Presidente da República, José Alencar, sobre o fim do JB, publicada neste jornal no último dia 24: “Foi um “chamado” feito com a simplicidade que a todos nos toca. Disse-nos, o querido José Alencar, com um repto, que o fim da edição impressa do JB “representa esvaziamento significativo para a mídia carioca”. No final de sua bela carta de solidariedade, publicada como um artigo, lançou-nos um segundo repto: “Alguma coisa deveria ser feita para que o Jornal do Brasil continuasse existindo”, numa convocação geral a quem puder contribuir efetivamente para tirar o JB dessa situação difícil”…
A FAMÍLIA SAUER, da joalheria Amsterdam Sauer, se manifesta em peso (Jules, Zilda, Debora, Marina, Alexia, Stephanie, Silvio): “É realmente uma pena que o JB irá deixar de circular com sua coluna ímpar! Somos fãs da coluna da Hilde de carteirinha! Conhecendo o seu jeito, temos certeza de que buscará outra mídia, à sua altura, para dar continuidade ao seu jornalismo de que tanto gostamos. Só não pode parar!”… OUTRA QUE nos escreve é a jornalista Maria Cláudia Bomfim: “Quero lhe agradecer pelos momentos de alegria, de satisfação cívica, de conhecimento que você me proporcionou com sua coluna no JB, que infelizmente termina. Desejo que em novos caminhos continue a jornalista vivaz, íntegra, interessada e generosa que sempre foi”…
O ARQUITETO Gilmar Peres: “Tenho certeza de que nós leitores não ficaremos orfãos por muito tempo”… O CASAL Anna Thereza e Paulinho Vianna se manifesta junto: “Acompanhamos diariamente sua coluna! A coragem de uma jornalista, suas batalhas e verdades, opinião sobre política, cultura, as fotos que divertem, o comentário que gera curiosidade, a sutileza da nota, a descrição de uma festa, jantar e lugar – sem igual!!! Sentiremos saudades do manuseio diário da sua coluna”…
PATRÍCIA MAYER, da Casa Cor, fala: “Ainda me perguntando como vou fazer após dia 1º de setembro no meu hábito diário de abrir o jornal na sua página assim que chego na mesa do café. Vc vai para a Internet? Seus leitores querem saber. Bem, onde vc estiver, estarei lá, fiel leitora”… O IMORTAL Arnaldo Niskier: “A sua bonita carreira permitiu que você vivesse, gloriosamente, os tempos de Bloch a Blog…”… EDGARD Octavio deixa sua manifestação de tristeza. Christiana Medeiros lamenta muito o término do JB e da coluna. Helena Pedrosa, voltando de dois meses fora, diz que ficou estarrecida com a notícia do término do JB e da coluna…
PAULO BARRAGAT é enfático: “Eu a seguirei sim, no seu Twitter e no Blog! Gosto da “coluna de opinião” mesmo quando não é a minha — é inteligente, coerente, sincera e generosa”… DO COLUNISTA goiano Jota Mape: “Curto demais suas crônicas, a maneira correta e completa como vc escreve, seu estilo de vida, seu comportamento. Vc é uma Deusa do colunismo. Portanto não nos abandone com o impresso — nada como o “papel”, que é documento. Tenho aqui crônicas lindas suas arquivadas da primeira e segunda fase do “O Globo”, da “Última Hora”, do “caderno H”, da revista “Domingo” etc. Portanto nossa eterna Musa não nos abandone”…

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