Filha de Persephone

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"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

7 de março de 2010

textos e frases de PAGU


“ Sou a única atriz.
É difícil para uma mulher
interpretar uma peça toda.
A peça é a minha vida,
meu ato solo”.

*****

“Quando eu morrer não quero que chorem a minha morte/ Deixarei meu corpo pra vocês...”

*****

" dentro da lei...nha..."


*****

“...o homem nascido no Brasil, em Cuba, na China ou na Rússia, nestes tempos, não tem necessidade de nenhum ‘pai dos pobres’, de ‘paizinho’, quer se chamem Getúlio Vargas ou José Stálin”. Que as massas atirassem fora a “humildade”, pois era sobre esta que se estendia “a asa negra dos diversos ‘pais’ que a si mesmo se nomearam, como se os povos fossem formados de órfãos e bastardos...”.

*****

"Esse crime, o crime sagrado de ser divergente, nós o cometeremos sempre"

*****

"Se eu ainda tivesse unhas, enterraria meus dedos nesse espaço em branco que ainda resta"

*****

"Tenho várias cicatrizes, mas estou viva. Abram a janela. Desabotoem minha blusa. Eu quero respirar

*****

"A liberdade e a prisão
Ter um barco que percorra
Distâncias incríveis
Saber remendar um sapato
Encontrar um amor
Amor de verdade
Ser vento, fogo ou carvão
Tudo, tudo, tudo
Menos esta ratoeira"

*****

"O apito da chaminé gigante, libertando uma humanidade inteira que se escoa para as ruas da miséria."
Parque Industrial

*****

“O grito possante da chaminé envolve o bairro. Os retardatários voam, beirando a parede da fábrica, granulada, longa, coroada de bicos. Resfolegam como cães cansados, para não perder o dia. Uma chinelinha vermelha é largada sem contraforte na sarjeta. Um pé descalço se fere nos cacos de uma garrafa de leite. Uma garota parda vai pulando e chorando alcançar a porta negra.
O último pontapé na bola de meia

*****

"O que você está falando, menina?
Estou falando que.
Que o quê?
Que.
Vamos dizer que a menina, minha amiga
Pretenderia o quê?
Que."

*****

"Um peixe

Um pedaço de trapo que fosse
Atirado numa estrada
Em que todos pisam
Um pouco de brisa
Uma gota de chuva
Uma lágrima
Um pedaço de livro
Uma letra ou um número
Um nada, pelo menos
Desesperadamente nada."

*****

“HOMEM que me ouves, sai da tua prisão! ROMPE os grilhões que, mais do que escravizar-te, te cretinizam, enfrenta os imbecis camuflados de duce, esses führes de todos os teus minutos, esses improvisados condutores de superscitiosas ‘cadeias de felicidade’, vendedores de bananas – quer se chamem Plínio Salgado, Luiz Carlos Prestes, Adhemares, Borgis, Caio & Cia., turbas de pestidigitadores!”

*****

“Venha comigo por esta Paulicéia sem desvario nenhum, onde se esganam os meninos de ontem que, afinal – que diabo – tinham um visto no passaporte e era você, Mário, que displicentemente tinha feito este mal, carimbando a folha branca do prefácio com a firma reconhecida das tuas elegias, porque, afinal, você ia embora, que os tais se danassem. Mas eu, de braço dado com você agora, por esta ladeira do Piques, que diabo, isso não era honesto”.

*****

O ataque final a Mario de Andrade

“Eu lhe acuso, meu poeta e professor, pelo melado de engodo em você, que podia condenar e corrigir, e varrer a chicote os vendedores ambulantes dos degraus daquela nossa casa, casa velha, arruinada, com inflação, eu lhe acuso – você é o principal responsável por esta massa falida. Se não era líder, por que dançou?”.

*****

De um país tão rico e importante, fizeram um país de sobremesas. Açúcar, café, bananas.
Que pelo menos nós sobrem as bananas!

*****

Maltus Alem

Excluida a grande maioria de pequenas burguesas, cuja instrução é feita nos livrinhos de beleza, nas palavras estudadas dos meninos de baratinha, nos gestos das artistas de cinema mais em voga, ou no ambiente semi-familiar dos cocktails modernos - temos a atrapalhar o movimento revolucionário do Brasil uma elitezinha de "João Pessoa" que sustentada pelo nome de vanguardistas e feministas, berra a favor da liberdade sexual, da maternidade consciente, do direito do voto para "mulheres cultas", achando que a orientação do velho Maltus resolve todos os problemas do mundo.
Estas feministas de elite que negam o voto aos operários e trabalhadores sem instrução, porque não lhes sobra tempo do trabalho forçado a que se tem que entregar para a manutenção dos seus filhos, se esquece que a limitação de natalidade quase que já existe mesmo nas classes mais pobres e que os problemas todos da vida economica e social ainda estão para ser resolvidos. Seria muito engraçado que a ilustre poetisa D. Maria Lacerda de Moura fosse ensinar a lei de Maltus ao sr. Briand, para que ele evitasse a guerra mundial atirando à boca ávida dos imperialistas gananciosos, um punhado de livros sobre maternidade consciente. Marx já passou um sabão no celibatário Maltus, que desviava o sentido da revolução para um detalhe que a Russia, por exemplo, já resolveu. O materialismo solucionando problemas maiores faz com que esse problema desapareça por si.
O batalhão '' João Pessoa" do feminismo ideológico tem em D Maria Lacerda de Moura um simples sargento reformista que precisa extender a sua visão para horizontes mais vastos a fim de melhor atuar no próximo Congresso de Sexo.

Pagu, O Homem do Povo, n. 1, sexta-feira, 27 de março de 1931.

*****

Normalinhas

As garotas tradicionais que todo mundo gosta de ver em São Paulo, risonhas, pintadas, de saias de cor e boinas vivas. Essa gente que tem uma probabilidade excepcional de reagir como moças contra a mentalidade decadente, estraga tudo e são as maiores e mais abomináveis burguesas velhas.
Com um entusiasmo de fogo e uma vibração revolucionária poderiam se quisessem, virar o Brasil e botar o Oiapoque perto do Uruguai. Mas D.Burguesia habita nelas e as transforma em centenas de inimigas da sinceridade. E não raro se zangam e descem do bonde, se sobe nele uma mulher do povo, escura de trabalho.
A gente que as ve em um bandinho risonho pensa que estão forjando algumas coisa sensacional, assim como entrarem em grupo na Igreja de S. Bento, derrubar altar, padre estoia, sacristia...Nada disso. Ou comentam um tango idiota numa fita imbecil ou deturpam os fatos escandalosos, de uma guria mais sincera, em luta corporal com o controle cristão. Agrupam-se para abandoná-la. A camarada tem de andar sozinha...É uma imoralidade...Ao menos se fizesse escondido...
É isso mesmo o que elas fazem.Eu que sempre tive a reprovação delas todas; eu que não mentia, com as minhas atitudes, com as minhas palavras, e com a minha convicção; eu que era uma revolucionária constante no meio delas, eu que as aborrecia e as abandonava voluntariamente enojada de sua hipocrisia, as via muitíssimas vezes protestar com violencia contra uma verdade, as via também com o rosto enfiado na bolsa escolar e pernas reconhecíveis e tremulas subirem a baratas impassíveis para uma garçoniére vulgar.
Ignorantes da vida e do nosso tempo! Pobres garotas encurraladas em matinés oscilantes, semi-aventuras, e clubes cretinos.

A variadas umas pelas outras, amedrontadas com a opinião, azoinando preconceitos e corvejando disparates, se recalcam as formadoras de homens numa senda inteiramente incompatível com os nossos dias. E vão estragar com os ensinamentos falsos e moralistas a nova geraÇão que se prepara. É caso de polícia! O governo como bom revolucionário que se diz, devia intervir com uma dezena de grilos numas visitinhas pela casa corruptora.
Com uma dúzia de palmadas elas se integrariam no verdadeiro caminho.

Acho bom voces se modificarem pois que no dia da reivindicação social que virá, voces servirão de lenha para a fogueira transformadora.
Se voces, em vez de livros deturpados que leem, e dos beijos sifilíticos de meninotes desclassificados, voltassem um pouco os olhos para a avalanche revolucionária que se forma em todo o mundo e estudassem, mas estudassem de fato, para compreender o que se passa no momento, poderiam com uma convicção de verdadeiras proletárias, que não querem ser, passar uma rasteira nas velharias enferrujadas que resistem e ficar na frente de uma mentalidade atual como autenticas pioneiras do tempo novo.

Voces também querem que nem os seus coleguinhas de Direito, trocar bofetões comigo?

Pagu, O Homem do Povo, número 8, segunda-feira, 13 de abril de 1931

******

O álbum de Pagu - Nascimento, vida, Paixão e morte.

Nascimento...

Além...muito além do Martinelli...
martinellamente escancara as cento e cinquenta e quatro guelas...

Era filha da lua...
Era filha do sol...

Da lua que aparece serena e suave no céu , amamentando eternamente o Cavaleiro de S. Jorge...Barrigudinha

Do pai sol, amado D. decorador de quadros futuristas...
O pai dela gosta de bolinar nos outros...
E Pagu nasceu...

de olhos terrivelmente molengos
e boca de cheramy...

E o guerreiro cantou.
E Freud desejou...

Mandioca braba faz mal.
Pagu era selvagem
Inteligente
E besta...

Comeu da mandioca braba...
E fez mal.

Pagu / 1929

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