Filha de Persephone

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Brasília, DF, Brazil
"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

30 de abril de 2010

ANÁLISE


Tão abstrata é a idéia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.


Fernando Pessoa, 12-1911

"o rio corre, bem ou mal, sem edição original..."

29 de abril de 2010

Fernando Pessoa e seus heterônimos

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa



Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis.

A questão da heteronímia resulta de características pessoais referentes à personalidade de Fernando Pessoa: o desdobramento do “eu”, a multiplicação de identidades e a sinceridade do fingimento, uma condição que patenteou sua criação literária e que deu origem ao poema que segue:

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração

Pessoa, Fernando. Lírica e dramática, In: Obras de Fernando Pessoa

No que se refere aos heterônimos:

Alberto Caeiro

É uma poesia aparentemente simples, mas que na verdade esconde uma imensa complexidade filosófica, a qual aborda a questão da percepção do mundo e da tendência do homem em transformar aquilo que vê em símbolos, sendo incapaz de compreender o seu verdadeiro significado.

A Criança

A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
Age como um deus doente, mas como um deus.
Porque embora afirme que existe o que não existe
Sabe como é que as cousas existem, que é existindo,
Sabe que existir existe e não se explica,
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
Sabe que ser é estar em um ponto
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.

Ricardo Reis

O médico Ricardo Reis é o heterônimo “clássico” de Fernando Pessoa, pois observa-se em toda sua obra a influência dos clássicos gregos e latinos baseada na ideologia do “Carpe Diem”, diante da brevidade da vida e da necessidade de aproveitar o momento.

Anjos ou Deuses

Anjos ou deuses, sempre nós tivemos,
A visão perturbada de que acima
De nos e compelindo-nos
Agem outras presenças.
Como acima dos gados que há nos campos
O nosso esforço, que eles não compreendem,
Os coage e obriga
E eles não nos percebem,
Nossa vontade e o nosso pensamento
São as mãos pelas quais outros nos guiam
Para onde eles querem E nós não desejamos.

Álvaro de Campos

Heterônimo futurista de Fernando Pessoa, também é conhecido pela expressão de uma angústia intensa, que sucedeu seu entusiasmo com as conquistas da modernidade.
Na fase amargurada, o poeta escreveu longos poemas em que revela um grande desencanto existencial.


Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada. (...).

28 de abril de 2010

Pedras no caminho ?...

Galets
by Laurent Pinsard

Posso ter defeitos, viver ansioso
e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida
é a maior empresa do mundo,
e posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis
no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica,
mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

Fernando Pessoa

Quando eu não te tinha - Alberto Caeiro

Solitary Tree
Dennis Frates

Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima ...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor —
Tu não me tiraste a Natureza ...
Tu mudaste a Natureza ...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.

27 de abril de 2010

"Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu."




TABACARIA
Álvaro de Campos


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos, 15-1-1928

26 de abril de 2010

cartas de amor

CARTAS DE AMOR (Fernando Pessoa)

Todas as cartas de amor
são ridículas.

Não seriam cartas de amor
se não fossem ridículas.

Também escrevi, no meu tempo,

cartas de amor como as outras,
ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
têm de ser ridículas .

Quem me dera o tempo,
em que eu escrevia
sem dar por isso, cartas de amor ,
ridículas.

Afinal,só as criaturas
que nunca escreveram Cartas de amor
É que são ridículas...

"Uma vida que é vivida e a outra que é pensada "



Tenho Tanto Sentimento
Fernando Pessoa

Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa

24 de abril de 2010

A vida é mesmo assim



Gravadora Polydor
Interprete Angela Roro
Nome ou Ano do Disco A vida é mesmo assim... 1984
Musicas do LP
1. A Vida É Mesmo Assim
(Ângela Roro)
2. Fogueira
(Ângela Roro)
3. Você Não Sabe Amar
(Dorival Caymmi / Carlos Guinle / Hugo Lima)
4. Nenhum Lugar
(Sueli Costa / Tite de Lemos)
5. Opus 2
(Antônio Carlos Marques / Jocafi)
6. Sucesso Sexual
(Léo Jaime / Leandro)
7. Librear
(Ângela Roro)
8. Hot Dog (Hound Dog)
(Leiber / Stoller / Vrs. Léo Jaime)
9. Gata Moleque Ninfa
(Ângela Roro)
10. Isso É Para a Dor
(Ângela Roro)
11. Hino
(Ângela Roro / Antônio Adolfo)



A Vida É Mesmo Assim
Angela Rô Rô
Não sei, a vida é mesmo assim
Você feliz longe de mim
Passeia toda emperiquitada
Alheia a que eu fique abandonada
Talvez seja provocação
Ou então você nem pensa em mim
Eu sei devo saltar de banda
Cadê o meu boné e a tanga
Não sei como sair daqui
Cilada, to be ou só to be
Quero agradecer melada
O belo e azedo abacaxi, tô nem aí
Não sei
Talvez seja provocação
Ou então você nem pensa em mim, melhor assim
Eu sei devo saltar de banda
Cadê o meu boné e a tanga
Não sei como sair daqui
Cilada, to be ou só to be
Eu quero agradecer melada
O belo e azedo abacaxi
Não sei, não sei

23 de abril de 2010

SIMPLES CARINHO... amor sem espinhos...



Simples Carinho
Angela Rô Rô
Composição: João Donato / Abel Silva

Amar e sofrer, eu vou te dizer
Mas vou duvidar
Querendo ou não
O meu coração já quer se entregar
Não falta lembrança, aviso, cobrança
Você vai por mim
Mas feito criança
Lá vou na esperança
Eu sou mesmo assim
Quem sabe até meu destino
Amor sem espinhos
Sou mel da sua boca, calor dos abraços
E tantos beijinhos
Se o sonho acabou, não sei meu amor
Nem quero saber
Só sei que ontem à noite
Sorrindo acordada
Sonhei com você
Às vezes até na vida é melhor
Ficar bem sozinho
Pra gente sentir qual é o valor
De um simples carinho
Te sinto no ar, na brisa do mar
Eu quero te ver
Pois ontem à noite
Sonhando acordada
Dormi com você




SIMPLES CARINHO
Ângela Rô Rô (1983)
1983
Polydor
2451 196

Faixas

1 Simples carinho
(Abel Silva, João Donato)
2 Quem me quiser
(Jésus Rocha, Antônio Adolfo)
3 Demais
(Tom Jobim, Aloysio de Oliveira)
4 Pecado nada original
(Naila Skorpio, Ezequiel Neves, Guto Graça Mello)
5 Bandeyra
(Ângela RoRo)
6 Querem nos matar
(Sergio Bandeira, Ângela RoRo)
7 Se você voltar
(Ângela RoRo, Antônio Adolfo)
8 Cambalache
(E. S. Discepolo)
9 Camisa de força
(Ângela RoRo)
10 Mestre Luz
(Ângela RoRo)
11 Sistema
(Ângela RoRo, Mário de Oliveira)

22 de abril de 2010

Ângela Rô Rô - A DIVA CONTINUA MALDITA



ENTREVISTA
Por Rodrigo de Araujo



"Desde que comecei a carreira pensei em ser o que sou desde pequena: uma pessoa franca. E uma pessoa franca deveria ser tratada como semideus"

Ângela Ro Ro celebra esse ano 58 verões intensamente vividos e oito anos afastada das bebidas e das drogas que, para alguns, foi responsável por uma carreira cheia de, digamos, irregularidades. Para outros, entretanto, sua postura irreverente e polêmica sempre foi seu grande charme, rendendo-lhe lugar de honra no hall das divas "malditas" da MPB. A fama surgiu logo no início de sua carreira, em 1979, quando chamou atenção pelo vozeirão grave, letras e postura assumidamente gays, e foi consolidada com folclóricos escândalos divulgados pela mídia, incluindo declarações íntimas sobre relacionamentos com outras celebridades femininas da nossa música.

A virada do milênio, entretanto, mudou Ângela. Após ficar sete anos sem gravar nos anos 90, ressurgiu em 2000 com o álbum Acertei no Milênio e com quase 40 kg a menos (pesava 105 kg). E continuou perdendo peso. Hoje, esbelta, recalchutada e em plena atividade, parece estar esbanjando saúde e vivacidade.

Flertando com o rock e o blues ao longo de sua carreira e criando discípulos importantes como Cazuza e Cássia Eller, ela passou o ano de 2007 divulgando seu CD Compasso, que lhe garantiu o prêmio de melhor show do ano passado pelos críticos da revista Bravo. E também seu primeiro DVD, uma coletânea das músicas mais dramáticas e conhecidas do repertório como Escândalo, Ne Me Quitte Pás, Fogueira, Amor Meu Grande Amor, Simples Carinho e Só Nos Resta Viver. O DVD inclui também duos "que deram muito certo", como diz, como com Frejat em
A Mim E A Mais Ninguém, seu primeiro rock, com Alcione em Joana Francesa, de Chico Buarque, e com Luis Melodia em Tola Foi Você.

Na nossa conversa com Ângela, ela demonstra que mudou sim, está cheia de vida e planos para o futuro, mas que nem de longe virou uma mulher "boazinha"...

Na música O Meu Mal é a Birita você disse que só pararia de beber a partir do momento que começasse a se amar mais. Foi isso que aconteceu?

Hahaha, que gracinha..... Será que Jaguar não se ama? Será que grande parte do mundo não se ama? Ou por que se ama demais? Ou se ama errado? Ou será que bebe porque gosta de beber? Ou apanhou da polícia e para esquecer se afogou nas drogas ou álcool? Ou por que tem vergonha de pertencer à raça humana? Ou para apenas abrir o apetite antes do jantar? Não sei... Não tenho a menor idéia.... E outra: não se baseie em letras de rock!

Você vê os anos 2000 como nova fase de sua vida, uma etapa mais "saudável"?

Não tem isso de nova fase, não. Eu sou a mesma pessoa. Continuo indigesta para quem é indigesto. Para quem não é digerível, também não sou! Mas para quem é legal, fácil, eu fluo como uma pena macia e leve. Sempre fui assim: indigesta para situações indigestas e sem perdão para as pessoas que não prestam, agressivas, autoridades ilegítimas e arbitrárias.

Como quem?

Como a segurança pública. Com eles vou ser indigesta como carniça. Já levei surra e fui espancada diversas vezes e nunca cometi um crime, um delito. E mesmo que houvesse algum crime e que eu tivesse sido presa, não justificaria ter sido espancada do jeito que fui.

Quem exatamente a agrediu?

Fui espancada cinco vezes, uma vez pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e as outras quatro pela Militar. Espancada como se fosse um fantoche em dia de Judas. Fui uma vítima de algo que só agora algumas famílias estão compreendendo, porque acontece com qualquer um, qualquer filho, qualquer criancinha de colo. Porque a polícia é nojenta, não serve para nada. É uma polícia corrompida e altamente corruptora. Mas há uns vinte anos a sociedade era hipócrita e virava as costas para a Ângela Ro Ro espancada.

Mas ninguém falava por que a estavam espancando?

Só posso recorrer como justificativa para tamanhos crimes contra o meu corpo e minha moral, e que estragaram a minha vida, uma discriminação feroz contra minha lesbianidade e minha sexualidade. Porque essa gente é psicopata. Antes de se dar arma ou algum poder a qualquer policial ou detetive, deviam passá-los por exames psicotécnicos muito profundos e aguçados.

Você continua umas das poucas artistas a se assumir para o grande público. Por que é tão difícil para os outros?

Ninguém é obrigado a assumir sua homossexualidade. A minha veio assumida num pacote, quando lancei meu primeiro disco, em 1979. Desde que comecei a carreira, pensei em ser o que sou desde pequena: uma pessoa franca. E franqueza não tem preço. Uma pessoa franca deveria ser tratada como semideus, porque é uma ligação da realidade com a realidade. E as pessoas que vivem hipocritamente não fazem o percurso do real com o real, elas se perdem num patamar de divisão dimensional da mentira, da falsidade, da farsa. Eu me considero uma pessoa direta, franca, verdadeira e sincera. Então, resolvi iniciar minha carreira assumindo minha posição sócio, antropológico, política, artística e sexual. Veio num pacote só, entendeu?

Então, você acredita que muitos artistas vivem uma farsa para seu público...

Não, não estou dizendo que os artistas vivem numa farsa. A sociedade fabrica farsas a serem seguidas e muitos artistas, muitos profissionais liberais, seguem essa cartilha para serem respeitados, para não perderem seus empregos e não serem espancados. Eu não estou indo contra os artistas, mas sim contra a sociedade e as regrinhas nojentas que ela faz.

Você sempre foi muito explícita nas suas paixões, inclusive nas letras de suas músicas. Você está amando hoje?

As minhas músicas nem sempre são biográficas, muitas vezes são. Cabe ao público desvendar. Viver é sempre um ato de amor. Mesmo que seja um ato de amor solitário, é um ato de amor. Pelo menos eu amo muito a minha vida, a vida alheia, a vida de estranhos, a vida do planeta, da natureza, dos cosmos. Mesmo que eu esteja isolada e solitária, eu estarei amando sempre. Agora, nada é mais gostoso que um amor a dois e do amor de bons amigos e colegas. Isso é uma beleza, né? O amor para mim é a mola que me impulsiona para tudo. Não existo sem amor.

Mudando de assunto, como foi conhecer sua ídola Janis Joplin?

Tivemos um encontro muito fugaz, pequenininho, mas foi genial. Um amigo meu estava recebendo a Janis Joplin aqui. Mas antes de ficar hospedada na casa dele, ela ficou no Copacabana Palace. Eles me chamaram para um café da manhã. Quando cheguei, ela estava boiando na piscina. Quando a vi, pensei: "Meu deus! Ela não é bonita como esperava, tem uma pele feia e toda despojada com um biquíni de cada cor (risos). Uma coisa toda bagunçada, sabe? Quando saiu da piscina, olhou bem para mim, segurou o meu queixo e falou: 'Prety baby Face!'. Fiquei tão apavorada! Saí correndo!! E pensei: Meu Deus do céu, será esse o meu destino? (risos)".

Ela tinha vindo ao Brasil para tentar se livrar das drogas…

Janis Joplin foi tão brasileira num país tão mesquinho! Uma artista do tamanho dela que vendia um milhão de cópias de discos, tinha uma coleção de Porshes na garagem, tentando deixar as drogas num país tropical, porque ela achava que encontrando a natureza e pessoas simpáticas, podia se livrar das drogas. Mas, infelizmente, o que ela encontrou foi a polícia carioca e a hipocrisia e cretinice brasileira, que a fez ficar muito deprimida. A ditadura militar, para variar, resolveu embargar um show que ela queria dar de graça na Praça General Osório. Ou seja, cortaram a onda e a proibiram de cantar no Brasil. Ela ficou revoltada porque estava tentando deixar as drogas e o álcool e, depois de uma repreensão policial como essa, é claro que a pessoa perde o ânimo. Foi, infelizmente, a visita ao Brasil que a fez cair nas drogas de novo. Quando ela voltou aos Estados Unidos, declarou: "Eu conheci um país tão lindo nas mãos de pessoas tão feias...".

No palco, percebe-se seu timing para comédia. Considera um dom?

O que acontece é que me descobri como ótima diretora de cena e uma cômica em potencial no meu primeiro show no Rio, em 1979, no Teatro Ipanema. Era apenas eu cantando e tocando piano e o teatro lotado, uma loucura. Estava muito nervosa e ansiosa. Meus joelhos tremiam nos pedais do piano. Então comecei a falar sobre a história da minha vida e das músicas, aí as pessoas começaram a rir. Eu pensei: Jesus, eu estou contando aqui as histórias da minha vida amorosa e as pessoas se urinando de tanto rir! Aí, passou o nervoso, porque com aquele riso coletivo eu tinha ganhado a platéia. Desde então decidi me auto-dirigir, descobrindo que definitivamente eu era uma palhaça no bom sentido da palavra.

Você era muito próxima a Glauber Rocha. Nunca pensou em virar atriz durante o Cinema Novo?

Eu tive a aventura de ser grande amiga de Glauber Rocha. Conheci Glauber na Bahia, no início da década de 70, éramos um bando de hippies cariocas e estávamos acampando em Itaparica. Carregamos o Glauber de mascote. E depois me tornei mascote do Cinema Novo através do Glauber. Eu o acompanhei até Roma. Ele era uma pessoa maravilhosa, polêmica apenas para quem não entende o que é vida, pois era uma pessoa inteligentíssima, com uma riqueza de idéias e de produções. Glauber Rocha era uma idéia viva e continua sendo. Eu tenho muita honra de ter sido discípula dele. Mas nunca fiz nenhuma participação em seus filmes, apesar dele ter insistido em mim como atriz. Só que eu insisti em mim como errante. Eu preferi ficar a década de 70 na Europa errando, ou seja, errando de emprego. Fui garçonete, lavadora de latrina, faxineira de hospital. Até atinar que eu era artista e que eu valia alguma coisa como isso, fiz muito trabalho braçal.


Você ia a muitas festas?

Festas? Eu sempre trabalhei e muito!

Mas você conviveu muito com Cazuza, não eram de sair juntos para uma boa ferveção?

Aiii, Cazuza! Quem não é amigo de Cazuza? Na verdade, esse negócio de sair junto é uma coisa meio careta, né? A gente se encontrava pelas ruas, bares, shows. Tanto ele como os meninos do Barão (Vermelho) eram meus fãs. Frejat me contou que a reunião do Barão se deu especialmente pelos gostos musicais em comum. E uma das coisas em comum entre Frejat e Cazuza, sou eu! Genial, não? Vivi muitas coisas com Cazuza. Ele, por exemplo, não podia ver a Arlete Salles. Toda vez que ele a encontrava, se jogava no chão, lambia os pés dela, a calçada que ela pisava. Eu também adoro a Arlete, só não me jogo no chão e lambo os pés dela cada vez que a vejo. Acho um pouco constrangedor (risos). Mas não tinha uma vez que o Cazuza visse a Arlete que não fizesse tudo isso. Às vezes, eu o segurava pela cintura do jeans e falava: "Ai, Cazuza, deixa Arlete quieta. Ela tá vindo da peça dela, da Globo, tá cansada, deixa a mulher em paz!" Mas ele corria desabalado, desnorteado em direção aos pés dela.

Cássia Eller também era sua fã assumida. Como foi o contato entre vocês?

Com a Cássia eu só tive um encontro, quando fui lançar o CD Acertei no Milênio, já em 2001, no teatro Rival, e ela estava na platéia. Ela subiu no palco e cantamos juntas Malandragem. Eu mal sabia a letra. (A música Malandragem foi composta por Cazuza e Frejat para Ângela Ro Ro, que se recusou a gravá-la por achar, segundo a própria , uma "merda"). Eu até tenho foto desse encontro. Depois nem conversamos, nem saímos, foi uma pena, porque, infelizmente, no final daquele ano ela veio a falecer. Hoje, em homenagem a ela, eu incluo, em alguns shows, Malandragem no repertório.

Projetos para o futuro?

Eu quero trabalhar muito em 2008. Ainda vou divulgar meu CD Compasso e meu DVD ao vivo, que para mim é ainda muito recente. O DVD foi uma chance de arquivar e de mostrar como estou em forma no palco, com um público muito vivo em pleno Circo Voador e uma ótima banda me acompanhando. Eu tenho também diversos convites para cargos e funções que nunca ocupei antes, tais como produzir, dirigir em cena, produzir CDs, DVDs de outros artistas. Já produzi três discos meus. Quero produzir outras pessoas porque deve ser muito mais fácil do que me produzir, porque eu sou muito rígida comigo mesma. E tô afim de escrever. Tenho um blog dentro do meu site (www.angelaroro.com.br). Mas eu não quero trabalhar por trabalhar, não!
Eu quero ganhar dinheiro. Quero ter uma terceira idade sadia e útil.

Nunca pensou em registrar a sua vida em um livro?

Eu penso em escrever, sim. E vários, vários livros. Quando eu começar ninguém me pára mais.

ESCÂNDALO !



Terceiro álbum da cantora e compositora carioca Angela Ro Ro.
Escândalo! (Polydor, 1981) é uma alusão à exposição da cantora na mídia pela acusação de agressão a então sua namorada, a cantora Zizi Possi. Neste trabalho Angela Ro Ro, no auge, interpreta músicas como "Perdoai-Os Pai", "Came e Case", "Escândalo" - composição de Caetano Veloso, a excelente "Tão Besta Tão À Toa", o blues "Na Cama" e se dá ao luxo e quebra tudo no samba "Fraca e Abusada". Com a participação de ótimos músicos como Antonio Adolfo, Oberdan Magalhães, Dino 7 Cordas e Rick Ferreira, vale a audição deste disco de um grande talento, que ficou muito tempo perdido pelo abuso do álcool, prejudicando sua carreira, mas que foi retomada há alguns anos



Escândalo
Angela Rô Rô
Composição: Caetano Veloso


Mas, doce irmã, o que você quer mais
Eu já arranhei minha garganta toda atrás de alguma paz
Agora nada de machado e sândalo
Eu já estou sã da loucura que havia em sermos nós
Também sou fã da lua sobre o mar
Todas as coisas lindas dessa vida eu sempre soube amar
Não quero quebrar os bares como um vândalo
Você que traz o escândalo irmã luz
Eu marquei demais, tô sabendo
Aprontei de mais, só vendo
Mas agora faz um frio aqui
Me responda, tô sofrendo
Rompe a manhã da luz em fúria arder
Dou gargalhada, dou dentada na maçã da luxúria, pra quê?
Se ninguém tem dó, ninguém entende nada
O grande escândalo sou eu aqui só
Mamãe, eu já marquei demais, tô sabendo
Aprontei de mais, só vendo
Mas agora faz um frio aqui
Me responda, tô sofrendo
Rompe a manhã da luz em fúria arder
Dou gargalhada, dou dentada na maçã da luxúria, pra quê?
Se ninguém tem dó, ninguém entende nada
O grande escândalo sou eu
Aqui só

21 de abril de 2010

Só nos resta viver ...

Só Nos Resta Viver
Angela Rô Rô
Composição: Angela Rô Rô


DÓI EM MIM SABER

QUE A SOLIDÃO EXISTE
E INSISTE
NO TEU CORAÇÃO

DÓI EM MIM SENTIR

QUE A LUZ QUE GUIA
O MEU DIA
NÃO TE GUIA NÃO

QUEM DERA PUDESSE
A DOR QUE ENTRISTECE

FAZER COMPREENDER

OS FRACOS DE ALMA

SEM PAZ E SEM CALMA

AJUDASSE A VER

QUE A VIDA É BELA
SÓ NOS RESTA VIVER



Só Nos Resta Viver - ANGELA RORO


Lançado originalmente em 80, este álbum da cantora e compositora Angela Ro Ro destaca as faixas "Meu Mal É A Birita", "Bárbara", além da faixa-título.

Faixas

1. Renúncia
2. Só Nos Resta Viver
3. Bárbara
4. Vai Embora !
5. My Sweet ...
6. Devoção
7. Preciso Tanto !!
8. Fica Comigo Esta Noite
9. Blues Do Arranco
10. Bobagem
11. meu Mal É A Birita
12. Tango Da Bronquite


20 de abril de 2010

lá no começo... "AGITO E USO" !


Ângela Rô Rô (álbum)

Seu primeiro álbum foi lançado em 1979. Trazendo sucessos como "Amor, Meu Grande Amor", "Tola Foi Você", e "Agito E Uso". O Álbum ficou marcado pelo estilo romântico, e um clima bluseiro, algo incomum na época.

Faixas

Cheirando A Amor (Ângela Rô Rô)
Gota De Sangue (Ângela Rô Rô)
Tola Foi Você (Ângela Rô Rô)
Não Há Cabeça (Ângela Rô Rô)
Amor, Meu Grande Amor (Ana Terra/Ângela Rô Rô)
Me Acalmo Danando (Ângela Rô Rô)
Agito E Uso (Ângela Rô Rô)
Mares Da Espanha (Ângela Rô Rô)
Minha Mãezinha (Ângela Rô Rô)
Balada Da Arrasada (Ângela Rô Rô)
Amim E Mais Ninguem (Sergio Bandeira/Ângela Rô Rô)
Abre O Coração (Ângela Rô Rô)


Com mais de trinta

26/09/2009 07H34 Vilmar Bittencourt em Coluna do Vilmar

Em recente entrevista à Rádio Cultura Brasil, Zélia Duncan focalizou a geração de cancionistas da qual faz parte. Duncan destacou três de seus colegas que, como ela, estrearam em discos-solos por volta ou depois dos trinta anos de idade. Para cantora e compositora, Lenine, Chico César e Zeca Baleiro chegaram ao primeiro disco convictos dos caminhos a percorrer na carreira discográfica iniciada, em termos, tardiamente. Ao ser lembrada que havia um caso parecido e que se tratava de Angela Ro Ro, Zélia comentou: “Esta estreou lindamente, que disco lindo!”. A comprovação do apreço que Zélia Duncan tem por Angela Ro Ro, álbum lançado em 1979, está no fato de ter gravado, ao vivo, junto de Simone um dos temas confessionais que RoRo lançou há 30 anos, quando ela própria estava por entrar numa nova década de sua vida: o rock “Agito e Uso”.

No álbum Angela Ro Ro, “Agito e Uso” era a primeira do lado B, face do LP dedicada às faixas mais agitadas em forma de rock, balada e blues. Com arranjos elaborados por Angela e Antônio Adolfo, o repertório do primeiro disco da cantora baseava-se nas experiências de vida da compositora que até seus 29 anos já tinha agitado e muito. Carioca de Ipanema, Ângela Maria Diniz Gonsalves estudou piano clássico até os 15 anos, encerrou a vida escolar no terceiro colegial e caiu de boca numa vida ‘on the road’ no Brasil e na Europa. Depois de passar curta temporada em fazenda comunitária na Bélgica, Angela mudou-se para Londres onde cantou e tocou em ‘pubs’ e conheceu Caetano Veloso, que enfrentava o exílio e preparava o álbum Transa. Caetano ouviu Ro Ro tocar uma gaitinha ‘blue’ numa festa e a convidou para soprá-la no dueto vocal dele com Gal Costa na faixa “Nostalgia”. Segundo Angela Ro Ro, a participação caiu do céu pois rendeu-lhe algumas semanas do aluguel e duas calças de veludo.

Do ‘Swinging London’ no começo dos anos setenta até o final daquela década, Angela Ro Ro criou fama local na Zona Sul carioca tocando seu piano, cantando suas baladas e metendo-se em confusões. Alguns dos entreveros viraram música: “Agito e Uso” foi escrita depois da compositora ter brigado com uma garota e empurrado seu carro deixando-o atravessado numa esquina da Visconde de Pirajá; “Balada da Arrasada” foi composta para uma namorada freqüentadora da Galeria Alaska, e “Mares da Espanha”, antes de ser canção dá nome a um motel.

Curtido em ‘uísque e vergonha’, o repertório do primeiro álbum de Angela Ro Ro é baseado em fatos reais, lances da vida de uma moça talentosa que metia medo em muitas gravadoras. Em 1979, incentivada pela onda de novas cantoras-autoras – na qual despontaram Marina Lima, Joana e Fátima Guedes –, a Phonogram comprou a briga e lançou por seu selo Polydor o LP Angela Ro Ro. Reeditado em CD em 2002, esse primeiro item da sua reduzida discografia traz ainda canções como “Amor, Meu Grande Amor”, “Tola Foi Você”, “A Mim e a Mais Ninguém”, “Não Há Cabeça” e “Gota de Sangue”, que encantou Maria Bethânia a ponto de a baiana gravá-la em seu LP Mel, de 1979. Para a sessão de gravação, Bethânia convidou Angela para acompanhá-la, ao piano. O duo trouxe-lhe prestígio. De acordo com Angela Ro Ro, aquela era a segunda vez que a família Veloso a salvava. Outras demonstrações de carinho e reconhecimento por parte de Caetano e Bethânia aconteceram: em 1981, Caetano Veloso escreveu “Escândalo” para Angela; em 1983, Maria Bethânia, em seu álbum Ciclo, lançou e levou ao sucesso a canção “Fogueira”, um dos clássicos daquela que já escreveu “se gosta do medo, não venha comigo / não gosto de quem nunca corre perigo”.

AGITO E USO(Angela RÔ RÔ)

Sou uma moça sem recato
Desacato a autoridade e me dou mal
Sou o que resta da cidade
Respirando liberdade por igual
Viro, reviro, quebro e tusso
Apronto até ficar bem russo
Meu medo é minha coragem
De viver além da margem e não parar
De dar bandeira a vida inteira
Segurando meu cabresto sem frear
Por dentro eu penso em quase tudo
Será que mudo ou não mudo
O mundo, bola tão pequena
Me dá pena mais um filho eu esperar
E o jeito que eu conduzo a vida
Não é tido como a forma popular
Mesmo sabendo que é abuso

18 de abril de 2010

PARADO com o Gato no espelho?


UM GATO NO ESPELHO

Maria Hilda de J. Alão.


Um gato, parado diante do espelho do quarto de sua dona, discutia com sua imagem refletida.

- Quem é você? Pensa que vai tomar o meu lugar nesta casa? Miauuurur! Aqui não vai ficar. Dormir no meu cestinho nem pensar. Também não terá os carinhos da menina Lili. Pode sair! Já! Olha, eu já mandei! Sai daí valentão imitador! Miauuurur! Estou ficando nervoso. Olha só o meu pêlo todo arrepiado.

O bichano, todo eriçado e com o corpo curvado, partiu para cima da imagem dando uma testada no espelho que doeu bastante. Como o outro bichano não saiu nem se abalou, ele resolveu desafiá-lo para um duelo.

- Não adianta ficar me imitando o tempo todo. Vamos duelar, briga de gato pra valer! Pode ser aqui ou no telhado. O vencedor fica na casa. Miauuurrur!

Uma aranha, que morava atrás da cortina do quarto, cansada de ouvir o falatório do gato, saiu e pendurada num fio de sua teia se pôs a apreciar o teatro que o gato fazia com sua imagem refletida no espelho. Estava engraçado. O gato pulava, arrepiava-se, miava, arreganhava os dentes para a imagem como se estivesse diante de um inimigo.

A princípio a aranha se divertiu. Um tempo depois ela já estava sentindo a agulhada de sua consciência que dizia: “não ria da ignorância alheia”. É. O gato não sabia que aquele outro gato era ele mesmo. Foi aí que ela tomou uma atitude correta.

- Olá amigo bichano! Por que está tão bravo assim?

- É que apareceu este gato estranho para tomar o meu lugar. – disse ele sacudindo o rabo com força fazendo uma careta para a imagem.

- Amigo, amigo! Este que você vê aí é você mesmo. O amigo está diante de um espelho. Veja, se eu esticar o meu fio mais um pouco eu vejo outra aranha que sou eu mesma.

- Dona aranha, mas que confusão é esta? – perguntou o bichano.

- Não tem confusão nenhuma. Veja! – e esticando o fio de sua teia, aranha apareceu no espelho gritando para o gato:

- Olha eu aí! Tá vendo? É a minha imagem. Eu não vou brigar com ela pensando que ela quer a minha casa. É isso amigo. É o seu reflexo no espelho.

- Então este sou eu...eu? Meu Deus! Não sabia que eu era assim! – perguntava de boca aberta o bichano.

- Claro! É você mesmo. – respondeu a aranha contente.

- Todos os gatos são iguais a mim...? – quis saber.

- Não. Todos os animais são diferentes uns dos outros. Para dar um exemplo: tem gato todo branco, malhado, preto e branco, grande, pequeno e assim por diante. Isso vale para todos os seres existentes na natureza. Se tudo fosse igual, já imaginou o quanto monótono seria o mundo? – respondeu a aranha.

Então o gato, já mais calmo, começou a olhar mais atento para o espelho. Levantou a pata da frente, a imagem repetiu o gesto. Abriu a boca imitando um tigre, a imagem fez o mesmo. Ele gostou do viu e disse para a aranha.

- Obrigado amiga aranha por ter me esclarecido. Eu nunca havia me visto num espelho, daí a minha ignorância.

- Adeus amigo bichano! Não fique muito tempo diante do espelho... – disse ela rindo e escalando, lentamente, o fio da teia para voltar a sua casa atrás da cortina do quarto.

Faça como a aranha. Não ria, esclareça.

10/10/07.

17 de abril de 2010

PARADO com o hipopótamo ?


Andamento nº1 – Parado
Escritor: E.U Atmard


Hipopótamo parado. Mundo parado. Tempo parado. Tudo parado. Tudo parado. Nada parado. Frases mui curtas. Mas parado. E se não há personagem. Pois não há personagem. Mas parado. Tudo parado. E assim acabou. Tudo parado. Como um poema. Fragmentado. Mas parado. E parado. Hipopótamo Popadopalus. Parado. Hipopótamo. Parado. Mas morto. Parado. Tempo andante. E logo volta a estar parado. Frases mais fluidas que já dão para ler. Paradas. Morto. Parado. Impossível de descrever a beleza. Parado. Parada alguém. Perdido. Morto. Parado. Entre frases. Ocorre parado. Uma história de encantar, uma vida despertar, nada disso importa, pois ela está toda torta. Parado. Tudo parado. Parado. Parágrafo.

Universo parado. Mundo parado. Tempo parado. Tudo parado. Nada parado. Brilhando com su força. Parado. Como um drama destroçado. Frases nuas, céu estrelado. Parado. Gelado. Está frio lá fora, na demora. Parado. Avança. E assim acabou. Parado. Avante, pra assim terminou. Tudo parado. Tudo parado. Universo. Fala, Hipopótamo. Popadopalus. Parado. Mas morto. Levanta-se, levanta-te. Parado. Doce hegemonia, atrofia. Parado. Meta-ficção, falta razão. Parado. Dor, Amor, fraqueza de carácter. Lixo Parado. Morto. Levanta-se e o Universo, disperso. Parado. Descendo a rua, ele continua. Parado. Crítica construtiva, mal expressiva, ambígua, caligúla. Parado. Morto matado. Universo fala, nunca se cala. Universo fala, mas ninguém ouve. Parado. Muito parado. Tudo parado. Parágrafo.

Tempo parado. Tempo em movimento, marcha-atrás Hipopótamo e amiga. Mais Lixo parado. Amor parado. Separação. Falta tino, falta razão, à Meta-ficção. Computador. Limpa o Amor. Parado. Núbia. Noiva. Morto. Parado. Parágrafo. Erro. Continuação. Não sou computador, e nada de má interpretação, razão, eu não qué amor. Parado. Continua e insistentemente. Hipopótamo, procura Universo. Tempo em andamento, marcha-atrás. Parado. Parado. Parado. Parado. Popadopalus. Invoca luz. Luz seduz. Sedução, razão. Parado. Hula. Hula. Hula hula. Hula hula. Hula hula hula hula hula hula hula. Não Parado. Tudo o que disse. Foi dito. Por hula. E hula. Parado. Popadopalus. Hipopotamus. São, não, as flores bonitas tão, como o sol não, mas como a lua? Livre associação. Fim. Final. Parado. Pensamento. De. Parado. Viveu. Morto. Purgatório. Parado. Parágrafo correcto

Hoje parado. Amanhã parado. Sempre parado. Eternamente parado. Morte parada. Hipopótamo Popadopalus. Mau. Parado. Vau. Parado. Rau. Parado. Candeeiro. Subir. Subir. Cair. Parado. Morrer, não. Tiro. Extraviado. Parado. Parado. Hipo. Hiper. Hiper parado. Mundo parado. E pois parado. Pois a morte parada. E o mundo parado. Dão que pensar. Este foi com muito prazer uma história escrita pelo Dr.Valord. Sejam bem vindos ao mundo onde eu vivo.


16 de abril de 2010

PARADO no sinal fechado?


Sinal Fechado
Chico Buarque
Composição: Paulinho da Viola

– Olá! Como vai?
– Eu vou indo. E você, tudo bem?
– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro... E
você?
– Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranqüilo...
Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é, quanto tempo!
– Me perdoe a pressa - é a alma dos nossos negócios!
– Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
– Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!
– Pra semana, prometo, talvez nos vejamos...Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é...quanto tempo!
– Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das
ruas...
– Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança!
– Por favor, telefone - Eu preciso beber alguma coisa,
rapidamente...
– Pra semana...
– O sinal...
– Eu procuro você...
– Vai abrir, vai abrir...
– Eu prometo, não esqueço, não esqueço...
– Por favor, não esqueça, não esqueça...
– Adeus!
– Adeus!
– Adeus!

PARADO no trânsito ?


Trânsito Parado (Bruno e Marrone)

Dentro do meu carro, trânsito parado
Ela veio do meu lado e também parou
Parecia um sonho, ver aquele anjo
Coisa de cinema, fenomenal
Abaixei o vidro, perguntei seu nome
Ela sorriu, quando ia me dizer
O sinal abriu, então quase entrei na contramão
Eu fiquei, não alcancei, agora eu não sei

Eu não sei seu nome, nem seu telefone
Feito cena de cinema, foi um sonho e acabou
Estou na avenida, sonhando acordado
Ainda estou parado, onde a gente se encontrou

Dentro do meu carro, trânsito parado
Ela veio do meu lado e também parou
Parecia um sonho, ver aquele anjo
Coisa de cinema, fenomenal
Abaixei o vidro, perguntei seu nome
Ela sorriu, quando ia me dizer
O sinal abriu, então quase entrei na contramão
Eu fiquei, não alcancei, agora eu não sei

Eu não sei seu nome, nem seu telefone
Feito cena de cinema, foi um sonho e acabou
Estou na avenida, sonhando acordado
Ainda estou parado, onde a gente se encontrou

Eu não sei seu nome, nem seu telefone
Feito cena de cinema, foi um sonho e acabou
Estou na avenida, sonhando acordado
Ainda estou parado, onde a gente se encontrou

Eu não sei seu nome, nem seu telefone
Feito cena de cinema, foi um sonho e acabou
Estou na avenida, sonhando acordado
Ainda estou parado, onde a gente se encontrou



COMO NÃO FICAR PARADO NO TRÂNSITO ? GOOGLE MAPS BRASIL

Poucas coisas são piores do que ficar parado no trânsito.Você pode ver informações da situação do trânsito nas principais vias do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, no google maps brasil.

Se você está em uma destas cidades, simplesmente clique no botão "Trânsito" para ver a situação das vias diretamente no mapa.

E se estiver longe do seu computador, experimente o Maps para celulares: vá em m.google.com.br do browser do seu celular e faça o download do Maps. Se a rota aparecer em vermelho, o trânsito está parado; amarelo significa tráfego pesado; verde indica caminho livre.

Além disso, disponibilizamos também a "situação típica" do trânsito para qualquer dia e horário. Com isso você pode também planejar seus itinerários com antecedência.

Planejando uma viagem na sexta feira? Quer saber como o trâsito geralmente se comporta no horário que você vai viajar? Clique no botão de "Trânsito" no canto superior direito do mapa. Você pode ver as condições de trânsito no momento da consulta ou clique em "alterar" para verificar a situação do tráfego no dia e horário que você desejar.

Mas lembre-se: o "tráfego previsto" é baseado em condições de dias e semanas anteriores -- como o seu analista da bolsa de valores lhe diria, desempenho passado não é garantia de resultados futuros!

Com essa iniciativa o Google espera contribuir para que você tenha menos transtornos por conta do trânsito das cidades.

Publicado por: Marcelo Quintella, Gerente de Produto do Google

PARADO no Ar ?


Um Grito Parado No Ar (Toquinho)

Quem souber de alguma coisa
Venha logo me avisar.
Sei que há um céu sobre essa chuva
E um grito parado no ar.


15 de abril de 2010

PARADO no Tédio ?

Além-tédio

Nada me expira já, nada me vive ---
Nem a tristeza nem as horas belas.
De as não ter e de nunca vir a tê-las,
Fartam-me até as coisas que não tive.

Como eu quisera, enfim de alma esquecida,
Dormir em paz num leito de hospital...
Cansei dentro de mim, cansei a vida
De tanto a divagar em luz irreal.

Outrora imaginei escalar os céus
À força de ambição e nostalgia,
E doente-de-Novo, fui-me Deus
No grande rastro fulvo que me ardia.

Parti. Mas logo regressei à dor,
Pois tudo me ruiu... Tudo era igual:
A quimera, cingida, era real,
A própria maravilha tinha cor!

Ecoando-me em silêncio, a noite escura
Baixou-me assim na queda sem remédio;
Eu próprio me traguei na profundura,
Me sequei todo, endureci de tédio.

E só me resta hoje uma alegria:
É que, de tão iguais e tão vazios,
Os instantes me esvoam dia a dia
Cada vez mais velozes, mais esguios...

Mário de Sá-Carneiro

PARADO !? Como assim? Parado no tempo ? ... pode ser !


Prosas Poéticas : Parado no tempo

No alto daquela serra, o clima era diverso do resto do mundo. Havia sempre sol, chuva, neblina, calor, frio. Tudo na certa medida. Nem mais, nem menos. As pessoas tinham uma aparência pitoresca, como se tivessem brotado do chão desse lugar, como as próprias pedras e os arbustos de lá... onde quer que eu esteja, se encontrar alguém daquele lugar saberei só de olhar. Nada era frívolo. Tudo era frívolo! As árvores de groselha na praça eram atacadas por sandálias para ver cair o seu cacho de frutos azedos e deliciosos. As músicas das cantigas de roda sempre rodam em minha mente, como um disco que nunca saiu da vitrola. Tudo, ainda me é real. O povo é o mesmo... Envernizados. Nada mudou. Ou mudou? Os pés de groselhas foram derrubados em prol de uma praça moderna. Só. Pois as portas das casinhas são as mesmas, mudaram apenas as cores, que, no entanto são as mesmas! Fortes e vibrantes. A porta amarela ficou vermelha e a porta vermelha agora é amarela... Nunca mais voltei lá. Mas sei que é assim! Apenas aperfeiçôo a minha lembrança com músicas e cores, saias e brincos de argolas douradas, girando e rodando ao som de um tempo que parou naquela cidade.



PARADO



Significado de Parado:
adj. Quieto, sem movimento.
Fito, fixo.
Desocupado, sem trabalho.
Suspenso, interrompido.
Inexpressivo, desanimado.
Abobalhado, apático.

Sinônimos de Parado
Parado: imoto, imóvel, quedo e quieto

Definição de Parado
Classe gramatical de parado: Adjetivo
Separação das sílabas de parado: pa-ra-do
Possui 6 letras
Possui as vogais: a o
Possui as consoantes: d p r
Parado escrita ao contrário: odarap

Citação com parado
Não existe nada de completamente errado no mundo, mesmo um relógio parado, consegue estar certo duas vezes por dia.
-- Paulo Coelho

Rimas com parado
amuado
enfado
andado
aguado
agrado
eirado
oleado
tocado
puxado
recado
afiado
nevado
tapado
armado
achado
rosado
vagado
notado


Anagramas de parado
padrão
rapado
apodar
arpado
pardão
proada

10 de abril de 2010

QUERO SER RITA LEE - João Luiz Bernardo

Quero ser rita Lee !!!!!!

Estar no palco entre pai e filho e não ser um espírito santo. Fazer de um marido um homem de verdade. E 27 anos depois, adolescer ao falar publicamente dele. Ser a desconstrução e símbolo de família feliz. Tomar tudo por muito tempo e ao final experimentar a loucura da "limpeza" da alma. Ter ao mesmo tempo um leãozinho tocando baixo pra mim e o ritmo da cor (negra) do som um backing vocal loiro e outro mudo

Quero ser Rita Lee !!! A dama e a vagabunda do rock Brasil. Ter 56 e gostar disso. Uma má companhia e um belo exemplo . Gritar pra pedir silêncio e fazer barulho com sua própria voz . Pedir netos e usar rock´n roll para niná-los. Apostar no amor na política e nela trocar o horror por humor. Ter um compadre comparsa ministro casar guitarra e flauta, balada e metal

Quero ser Rita Lee !!!!! O útero de onde tantas outras fulanas partiram . Ser passado e futuro simultaneamente. Rir de mim mesma, cantora e atriz revolucionária, sobretudo. Nascer em São Paulo e mesmo assim ter a mente arejada pela brisa do mar. Esculhambar minha cidade e rir de seus 450 anos . Perceber a beleza dos outros e fazer da falta de personalidade dos meus uma característica de incontestável valor. Apostar no país que vivo e estar certo de que os novos rumos darão em algum lugar. Ser impiedoso com a hipocrisia, mentira, infelicidade e afins fazer da minha arte um belo jeito de chacoalhar o mundo.

Que John Malkovitch que nada, eu quero mesmo é ser Rita Lee !!!!!!


9 de abril de 2010

Jardins da Babilônia - Rita Lee - Lee Marcucci



Suspenderam os Jardins da Babilônia
E eu pra não ficar por baixo
Resolvi botar as asas pra fora
Porque quem não chora dali
Não mama daqui
Diz o ditado
Quem pode, pode, deixa os acomodados
Que se incomodem

Minha saúde não é de ferro, não
Mas meus nervos são de aço
Pra pedir silêncio eu berro
Pra fazer barulho eu mesma faço
Ou não!

Mas pegar fogo
Nunca foi atração de circo
Mas de qualquer maneira
Pode ser um caloroso espetáculo
Então o palhaço ri dali
O povo chora daqui
E o show não pára
E apesar dos pesares do mundo
Vou segurar essa barra

Minha saúde não é de ferro, não
Mas meus nervos são de aço
Pra pedir silêncio eu berro
Pra fazer barulho eu mesma faço
Ou não!

Eu e meu gato...RITA LEE /1978

EU E MEU GATO

Mas um dia desses
Eu vou fugir de casa
E não volto, e não volto

Vou bater as asas
Só levar comigo
O retrato... do meu gato

Companheiro
Dessa minha melancolia

E você me pede
Pra ter paciência
E juízo, e juízo
Mas o que eu gosto

É de andar na beira
Do abismo, do abismo
Arriscando minha vida
Por um pouco de emoção

Eu e meu gato
Ele na cama
Eu no telhado
Ele sem as botas
E eu sem grana

8 de abril de 2010

menino bonito

O passarinho e o peixinho - Rita Lee


Era uma vez um peixinho que queria voar e um passarinho que queria nadar. Um dia se encontraram na beira do lago e ficaram comentando sobre suas vidas.

- "Chuva pra você não é problema, eu tenho que correr para um abrigo e proteger minhas asas dos pingos d´água senão ficam pesadas demais para voar".

- "Quando chove fica tudo embaçado aqui embaixo, não enxergo um palmo além do nariz e quando faz sol você pode voar até os mais altos prédios para ver o mundo lá das nuvens, enquanto eu fico aqui nadando entre os lixos que são jogados na minha casa"

- "Você ainda tem uma casa, e eu que durmo cada dia num galho de árvore! E por falar em lixo, você nem imagina o castigo que é respirar o monóxido de carbono dos automóveis. Aqui fora a vida é muito mais poluída e perigosa"

- "Mas você sempre pode voar para o campo onde o ar é puro, já eu não posso fugir para um rio limpinho. Ser passarinho tem suas vantagens, meu caro amigo"

- "Que nada, no campo sou alvo dos estilingues da molecada, se eu fosse um peixinho bastava dar um mergulho para fugir deles"

- "Os moleques me perseguem com outros truques. Um dia pensei que uma minhoca estava dando sopa mas era um anzol pontudo, consegui fugir mas fiquei com uma baita cicatriz na boca"

- "Certa vez também estava na cola de uma minhoca e fui abocanhado por um gato que me arrancou várias penas e com muito custo consegui escapar"

- "É verdade, isto nós dois temos em comum: gostamos de comer minhocas e os gatos gostam de nos comer, eu daria tudo para poder voar deles como você"

- "E eu daria tudo para poder nadar como você, gatos tem pavor de água"

Neste exato momento o passarinho e o peixinho viram uma minhoca apetitosa passeando tranquila na beiradinha do lago e a conversa deles mudou de enfoque diante de tamanha guloseima.

- "Olha só, porque você não dá um mergulho agora lá no fundo pra eu ficar obsevando cheio de inveja" sugeriu o passarinho.

- "Só se antes você voar bem alto para que eu poder apreciar seu magnífico vôo daqui" respondeu espertamente o peixinho.

Nesse vai e vem a minhoca foi parar pertinho de um gato malandro que estava ouvindo a conversta toda na moita. O susto foi tão grande que o peixinho e o passarinho fugiram da cena num segundo. Moral da história: Minhoca não nada nem voa, em compensação gato não come!

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Esta fábula foi escrita por Rita para seus filhos, quando eram crianças.


11/12/2001

7 de abril de 2010

entradas e bandeiras - 1975



Coisas da vida
Rita Lee

Quando a lua apareceu
Ninguém sonhava mais do que eu
Já era tarde
Mas a noite é uma criança distraída

Depois que eu envelhecer
Ninguém precisa mais me dizer
Como é estranho ser humano
Nessas horas de partida

É o fim da picada
Depois da estrada começa
Uma grande avenida
No fim da avenida
Existe uma chance, uma sorte,
Uma nova saída
São coisas da vida
E a gente se olha, e não sabe
Se vai ou se fica

Qual é a moral?
Qual vai ser o final
Dessa história?
Eu não tenho nada pra dizer
Por isso digo
Que eu não tenho muito o que perder
Por isso jogo
Eu não tenho hora pra morrer
Por isso sonho

Aaah... são coisas da vida
E a gente se olha,
E não sabe se vai ou se fica

Rita Lee para Leila Diniz


Leila e seu sorriso de coelhinha me fez sentir a própria Alice no País das Maravilhas. A primeira vez que nos cruzamos foi nos corredores da antiga Globo, ela gravava cenas internas da novela O Sheik de Agadir e eu ensaiava Ando Meio Desligado com os Mutantes para FIC, Festival Internacional da Canção. Passou por mim vestida de noiva dando uma piscada marota, dei meia volta no ato e segui a apressada coelhinha até o estúdio onde descolei um canto para assistir a gravação. Era uma cena dramática: a noiva infeliz estava prestes a se casar com um homem que não amava pois seu coração pertencia ao Sheik. Leila foi brilhante e sua performance recebeu aplausos gerais. Quando todos já haviam saído do estúdio ela fez um sinal para me aproximar. Estava com o rosto sério, ainda carregando a tristeza de sua personagem. De repente puxou o vestido até a canela e com uma gargalhada gostosa me mostrou um par de tênis vagabundo por baixo do figurino luxuoso. A coelhinha era mesmo sapeca e aquela sua demonstração de cumplicidade me deu confiança para enfrentar o abaixo-assinado que rolava nos bastidores do festival para expulsar os Mutantes. Augusto Marzagão, o diretor do festival, sabia que a presença irreverente do grupo só iria enriquecer o espetáculo mas por outro lado o descontentamento dos indignados de plantão era real, mesmo assim empurrou a crise com a barriga me dando carta branca para explorar o guarda roupa da casa e escolher as fantasias que quisesse para nós três. A última vez que cruzei com Leila foi na sala de maquiagem, éramos então "velhas amigas", volta e meia eu fugia dos ensaios e ia bicar as cenas dela para depois darmos umas risadas juntas. Enquanto aprendia a manusear o delineador aluguei os ouvidos dela e contei sobre o barraco que estava rolando, da minha insegurança, o desprezo de alguns participantes, o clima tenso, etc. No fim perguntei na maior cara de pau se eu poderia usar o tal vestido de noiva no palco do Maracanãzinho, com tênis e tudo. "Claro que sim, e garanto que vai lhe dar a maior sorte!...além do que a novela já está no finzinho, não tenho mais cenas com aquele vestido, provavelmente vão desmontá-lo para aproveitar os tecidos e bordados...mas peraí! seu pé é bem maior do que o meu, melhor trazer seu tênis, né?...tenho certeza de que vai ser genial, vou estar torcendo por você!" Para Arnaldo escolhi uma fantasia de cavaleiro medieval, para Sergio uma de toureiro e para mim, é claro, o vestido de Leila. Os Mutantes arrasaram e se classificaram para a finalíssima. Tornei a vestir a noiva mas desta vez adicionei uma baita barriga de grávida, o que gerou ainda mais protestos internos. Fiquei de devolver os figurinos para a Globo no final da apresentação mas dei uma de migué e entreguei só as fantasias dos meninos. Dia seguinte eu já estava em Sampa e o vestido de noiva passou a morar definitivamente no meu guarda roupa. Quando soube que o avião de Leila explodiu no ar pensei: Diniz rima com feliz, pena que aquela coelhinha passou tão apressada pela vida da minha Alice....pensando bem, a moral da história de todas as grandes artistas não poderia ser outra: Lugar de estrela, é no céu!


27/12/2001

6 de abril de 2010

OVELHA NEGRA - 1975





OVELHA NEGRA

Levava uma vida sossegada

Gostava de sombra e água fresca

Meus Deus, quanto tempo

Eu passei sem saber?



Foi quando meu pai me disse: "Filha

Você é a ovelha negra da família

Agora é hora de você assumir

E sumir!"


Babe, babe, não adianta chamar

Quando alguém está perdido

Procurando se encontrar

Babe, babe

Não vale a pena esperar

Tire isso da cabeça

Ponha o resto no lugar



Ovelha negra da família

Não vais mais voltar

Não!

Vai sumir!


Referência:RITA LEE
Autoria:Rita Lee
Gravada por:RITA LEE
Disco de origem:FRUTO PROIBIDO
Tipo de disco: LP
Lado:B
Faixa:4
Nº de Referência (Catálogo):410.6006
Ano de lançamento:1975
Gravadora:Som Livre (Sigla)



Texto de RITA LEE - DEZEMBRO de 1979

1980 ME TENTA...

Com uma década novinha em folha pela frente, eu quero mais é saúde pra gozá-la! No fundo, sou otimista, mas sempre imagino o pior. Por isso, vou abrir os olhos, limpar as orelhas e ficar atenta nos oitenta. Os oitenta me tentam! Dez anos depois e... ói nóis aqui traveis! A divagação ainda é a mesma: "não sei se estou pirando ou se as coisas estão melhorando". Mas tudo indica que estamos todos ficando velhos. Quanto mais idosa, mais saborosa. E quanto mais purpurina, melhor. Sei lá, nos oitenta tudo pode acontecer e não é preciso ser profeta pra sacar que a Dona MPB agora está botando as asinhas de fora. E já não era para menos, pois nunca houve tanta gente boa como nesse fim de década. Uma pá de músicos, compositores, cantores, artistas em geral, que não se contentam com pouco. Chega de complexos! Tudo influencia tudo, principalmente a música. Portanto, é tolice os ditadores da MPB condenarem o Brasil à prisão perpétua do pandeiro e violão. E viva a liberdade, porque Deus é mais. Aliás, falando em ditaduras, mais perseguido e torturado do que já foi o nosso tal de roquenroll, é difícil. Roqueiro brasileiro sempre teve cara de bandido. E o mais gozado disso tudo é que roque e futebol são irmãos naturais, da terra dos gringos. Mas o roque está se naturalizando a duras penas. Preconceito? Sei lá. Parece que foi praga, porque tudo que o roque não vingou durante a década de 70, a prima rica discothèque veio descontar, barbarizando e boicotando o já tão desprotegido mercado modelo brasileiro. E eu assisti tudo de camarote, chegando mesmo a presenciar verdadeiros ataques de pelanca daqueles mesmos ditadores da MPB. Seria aquilo um golpe ou não passava de mais uma moda multinacional? Sei lá, mas de repente começou um jogo alto, que promete entrar de sola nos oitenta. E já que o negócio é invasão, vai ser nessas que a MPB vai se projetar em termos de MPP, isto é, Música Popular do Planeta. E sai da frente porque é proibido proibir e a criançada está solta. Nesse finzinho de década a fofoca cósmica reinou por toda a Terra. O Skylab iscailebando na cabeça da gente; o Jim Jones jinjoneando os crentes; o Ayatollah ai-atolando; um disco de ouro para o Papa e seua mais recente "Hot Vaticano"; e o milagre de Frank Sinatra no Brasil. O Presidente mais engraçadinho ganha. Doca pegando a mesma pena que eu há quatro anos (que, engraçado, assassinato por "amor" é menos condenável do que prenderem uma cantora grávida por porte de maconha). Aaaahhh! Tudo isso já era. Agora é a nova era, e 1980 me tenta. Se o passado me condena, o futuro me absolve e eu quero mais é contatos imediatos... PS ? A Liga Feminista Fútil vem por meio desta solicitar a presença nas bancas de revistas especializadas em homens nus, pois entra década e sai década e até agora nada! C''''''''est pas possible rester comme ça, e realmente estamos cansadas de olhar para nossos corpos expostos por aí a três por quatro. Vejam bem, não queremos acabar com nada e, sim, estamos torcendo para que nossa futilidade seja beneficiada. Sem mais, nos despedimos com o lema do Esquadrão Secreto: "I can''''''''t get no satisfaction!"
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Fonte: Revista Homem - ed. nº 16
Autor (a): Rita Lee

5 de abril de 2010

MANIFESTO SILÊNCIO para uma segunda-feira sem sol



"Uma carne cozinha na panela. Uma garrafa de vinho está aberta sobre a bancada da cozinha. A louça está lavada e a torneira pinga em intervalos regulares de tempo. Não sei se ficarei sozinho na casa.

Sim. Eu ficarei sozinho. Comerei sozinho. Dançarei sozinho e fumarei sozinho olhando para a cidade do outro lado da janela. Agora eu ligo para você.

É que basta simplesmente se acabar num sábado à noite para que a semana inteira encontre algum sentido para continuar existindo. Hoje fui dormir às sete da manhã. O nariz intacto e o estômago livre de destilados. O vinho veio da serra onde fomos felizes. O vinho da menina da boca bonita e todas as meninas aqui descritas são exatamente o oposto daquilo que elas representam.

Estava tenso, agora não estou mais. Despejei verdades sobre meu MSN. Lide com elas agora que estamos longe. Agora que não existem estradas que liguem nossas portas. Estamos separados por fusos horários. Nada pode ser mais cruel.

Penso nos lugares com os quais não posso me comunicar agora. Na esquina da agencia do Banco do Brasil de Arroio do Meio. Quem estará lá? Nosso tempo estará para sempre aprisionado em calçadas limpas. Ou em ervas daninhas que crescem entre os paralelepípedos da rua onde ousamos crescer. (acordo e encontro o arquivo aberto) Penso nos adolescentes das cidades paulistanas onde agora existe toque de recolher. O juiz de trinta anos usando a bíblia para justificar proibições. O livro das castrações. Proibições. O livro do não fazer. Penso em Lajeado. Nos envolvidos em crimes neo-nazistas. Nas escolas que derrubam arvores centenárias. Nos adolescentes fumando craque no parque dos Dick. Às vezes é só segunda-feira e talvez eu deveria ter ficado mais tempo na cama.

Os vizinhos falam alto e, para eles, o mundo ainda tem alguma importância. Ligo o som para ouvir cantoras de voz suave (Anya Marina, Carla Bruni, Au Revoir Simone). Cat Power não. Apesar de suave, sua voz escorre sangue de pulsos prestes a serem cortados. Agora é Gal. Sempre repetindo “Dê Um Rolê”. E é assim que vai ser. Daqui a pouco vou pegar a rua com o computador pendurado nas costas e com a cabeça vazia para a correção das primeiras trinta paginas do novo livro. Todas as correções aumentam os significados e um gesto descrito quase sem por quê pode assumir importâncias surpreendentes. Como tudo em nosso próprio cotidiano. Se isolado. Se analisada a sua função para que a história avance, cada gesto do nosso próprio cotidiano contem dentro dele uma infinidade de significados. Há todo um código genético escondido em tudo o que nos contem. Perigo é agir por inércia. O resto a gente agüenta.
Começou “The Kinks”. Sunny Afternoon. Do outro lado da janela ele brilha e mais um texto chega ao fim com uma bonita trilha sonora."



geheimnis

http://manifestosilencio.blogspot.com/2009/05/para-uma-segunda-feira-sem-sol.html
segunda-feira, 4 de maio de 2009

4 de abril de 2010

O Profundo silêncio das Manhãs de Domingo (LIVRO)

O Profundo Silêncio das Manhãs de Domingode Manuel Jorge Marmelo
Edição/reimpressão: 2007
Páginas: 160
Editor: Quasi Edições


SinopseDomingo é um dia silencioso, já o sabíamos. Na serenidade dessas manhãs, porém, podem escutar-se melhor as histórias que o autor conta - a vida das pessoas quase iguais a nós, personagens desses profundos Domingos


Manuel Jorge Marmelo
Nasceu em 1971, na cidade do Porto. É jornalista desde 1989. Em 1994 ganhou o prémio de jornalismo da Lufthansa e em 1996 a menção honrosa dos Prémios Gazeta de Jornalismo do Clube de Jornalismo/ Press Club. O seu primeiro livro, "O Homem que Julgou Morrer de Amor" (novela e teatro), inaugurou, em 1996, a colecção Campo de Estreia, da Campo das Letras. Publicou, depois, "Portugués, Guapo y Matador" (romance, 1997), "Nome de Tango" (romance, 1998), "As Mulheres Deviam Vir Com Livro de Instruções" (romance, 1999), "O Amor é para os Parvos" (romance, 2000), "Palácio de Cristal, Jardim-Paraíso" (álbum, 2000), "Sertão Dourado" (romance, 2001), "Paixões & Embirrações" (crónicas, 2002), "Oito Cidades e Uma Carta de Amor" (contos e fotos, 2003), "A Menina Gigante" (infantil, 2003) e "Os Fantasmas de Pessoa" (romance, 2004). Tem publicado regularmente textos e contos em diversas antologias e publicações, em Portugal, no Brasil e em França. Alguns destes textos figuram neste livro. Desde Julho de 2001, o seu nome consta do "Dicionário de Personalidades Portuenses do Século XX", da Porto Editora, sendo o mais jovem dos nomes biografados. Em Junho de 2005, com o livro "O Silêncio de Um Homem Só", é-lhe atribuído o Grande Prémio do Conto "Camilo Castelo Branco", da Associação Portuguesa de Escritores em colaboração com a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão.


"Dir-se-ia que o autor só pode ser do Porto. Fica-lhe bem.
Como Cesário, escreve a cores, contrariando o preto e branco com que borraram a sua cidade, invariavelmente presente na sua escrita. Talvez abuse da sépia, mas é um estilo, estão lá os azuis e amarelos escondidos entre sorrisos e gestos que deixam o estaticismo fotográfico e ganham cinética enquanto as palavras são cuspidas por ondas frias que não entram no Douro.
Manuel Jorge Marmelo não transpõe a profissão de jornalista para a sua prosa. Fica-lhe bem. Resiste imunologicamente a uma infecção literária que lhe tiraria a liberdade mental. É mais um escritor que contraria a ideia que só se deve publicar depois dos quarenta. Fica-lhe bem.
É impressionante a vastidão da obra e os prémios já alcançados.
Ficam-lhe bem."

por:LewisGreen

2 de abril de 2010

O Silêncio dos bons...

O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.

Martin Luther King

Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio - e eis que a verdade se me revela.

Albert Einstein

O silêncio é um amigo que nunca trai.

Confúcio

Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.

Khalil Gibran

A palavra é prata, o silêncio é ouro.

Provérbio chinês

No final, não nos lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos.

Martin King

Não há arauto mais perfeito da alegria do que o silêncio. Eu sentir-me-ia muito pouco feliz se me fosse possível dizer a que ponto o sou.

William Shakespeare

Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música.

Aldous Huxley

Há momentos infelizes em que a solidão e o silêncio se tornam meios de liberdade.

Paul Valéry

O silêncio é a mais perfeita expressão do desprezo.

George Bernard Shaw

Da árvore do silêncio pende seu fruto, a paz.

Arthur Schopenhauer

Os bons vi sempre passar/ No mundo graves tormentos;/ E para mais me espantar/ Os maus vi sempre nadar/ Em mar de contentamentos.

Luís de Camões

O silêncio é a virtude dos loucos.

Francis Bacon

O silêncio é de ouro e muitas vezes é resposta.

Sabedoria popular

Diz-se da melhor companhia: a sua conversa é instrutiva, o seu silêncio, formativo.

Johann Goethe

Não é bom que toda a verdade revele tranquilamente a sua essência; e muitas vezes o silêncio é para o homem a melhor decisão.

Píndaro

Por vezes a palavra representa um modo mais acertado de se calar do que o silêncio.

Simone de Beauvoir

1 de abril de 2010

A Voz do Silêncio - Martha Medeiros





Pior do que a voz que cala,
é um silêncio que fala.


Simples, rápido! E quanta força!

Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.

Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"

É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.

Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.

E fala alto.

É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem

Martha Medeiros

quem visita Persephone

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