Filha de Persephone

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"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

6 de abril de 2010

OVELHA NEGRA - 1975





OVELHA NEGRA

Levava uma vida sossegada

Gostava de sombra e água fresca

Meus Deus, quanto tempo

Eu passei sem saber?



Foi quando meu pai me disse: "Filha

Você é a ovelha negra da família

Agora é hora de você assumir

E sumir!"


Babe, babe, não adianta chamar

Quando alguém está perdido

Procurando se encontrar

Babe, babe

Não vale a pena esperar

Tire isso da cabeça

Ponha o resto no lugar



Ovelha negra da família

Não vais mais voltar

Não!

Vai sumir!


Referência:RITA LEE
Autoria:Rita Lee
Gravada por:RITA LEE
Disco de origem:FRUTO PROIBIDO
Tipo de disco: LP
Lado:B
Faixa:4
Nº de Referência (Catálogo):410.6006
Ano de lançamento:1975
Gravadora:Som Livre (Sigla)



Texto de RITA LEE - DEZEMBRO de 1979

1980 ME TENTA...

Com uma década novinha em folha pela frente, eu quero mais é saúde pra gozá-la! No fundo, sou otimista, mas sempre imagino o pior. Por isso, vou abrir os olhos, limpar as orelhas e ficar atenta nos oitenta. Os oitenta me tentam! Dez anos depois e... ói nóis aqui traveis! A divagação ainda é a mesma: "não sei se estou pirando ou se as coisas estão melhorando". Mas tudo indica que estamos todos ficando velhos. Quanto mais idosa, mais saborosa. E quanto mais purpurina, melhor. Sei lá, nos oitenta tudo pode acontecer e não é preciso ser profeta pra sacar que a Dona MPB agora está botando as asinhas de fora. E já não era para menos, pois nunca houve tanta gente boa como nesse fim de década. Uma pá de músicos, compositores, cantores, artistas em geral, que não se contentam com pouco. Chega de complexos! Tudo influencia tudo, principalmente a música. Portanto, é tolice os ditadores da MPB condenarem o Brasil à prisão perpétua do pandeiro e violão. E viva a liberdade, porque Deus é mais. Aliás, falando em ditaduras, mais perseguido e torturado do que já foi o nosso tal de roquenroll, é difícil. Roqueiro brasileiro sempre teve cara de bandido. E o mais gozado disso tudo é que roque e futebol são irmãos naturais, da terra dos gringos. Mas o roque está se naturalizando a duras penas. Preconceito? Sei lá. Parece que foi praga, porque tudo que o roque não vingou durante a década de 70, a prima rica discothèque veio descontar, barbarizando e boicotando o já tão desprotegido mercado modelo brasileiro. E eu assisti tudo de camarote, chegando mesmo a presenciar verdadeiros ataques de pelanca daqueles mesmos ditadores da MPB. Seria aquilo um golpe ou não passava de mais uma moda multinacional? Sei lá, mas de repente começou um jogo alto, que promete entrar de sola nos oitenta. E já que o negócio é invasão, vai ser nessas que a MPB vai se projetar em termos de MPP, isto é, Música Popular do Planeta. E sai da frente porque é proibido proibir e a criançada está solta. Nesse finzinho de década a fofoca cósmica reinou por toda a Terra. O Skylab iscailebando na cabeça da gente; o Jim Jones jinjoneando os crentes; o Ayatollah ai-atolando; um disco de ouro para o Papa e seua mais recente "Hot Vaticano"; e o milagre de Frank Sinatra no Brasil. O Presidente mais engraçadinho ganha. Doca pegando a mesma pena que eu há quatro anos (que, engraçado, assassinato por "amor" é menos condenável do que prenderem uma cantora grávida por porte de maconha). Aaaahhh! Tudo isso já era. Agora é a nova era, e 1980 me tenta. Se o passado me condena, o futuro me absolve e eu quero mais é contatos imediatos... PS ? A Liga Feminista Fútil vem por meio desta solicitar a presença nas bancas de revistas especializadas em homens nus, pois entra década e sai década e até agora nada! C''''''''est pas possible rester comme ça, e realmente estamos cansadas de olhar para nossos corpos expostos por aí a três por quatro. Vejam bem, não queremos acabar com nada e, sim, estamos torcendo para que nossa futilidade seja beneficiada. Sem mais, nos despedimos com o lema do Esquadrão Secreto: "I can''''''''t get no satisfaction!"
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Fonte: Revista Homem - ed. nº 16
Autor (a): Rita Lee

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