Filha de Persephone

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"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

29 de maio de 2010

AFRODITE

“…o único afrodisíaco verdadeiramente infalível é o amor. Nada consegue deter a paixão acesa de duas pessoas apaixonadas. Neste caso não importam os achaques da existência, o furor dos anos, o envelhecimento físico ou a mesquinhez das oportunidades; os amantes dão um jeito de se amarem porque, por definição, esse é o seu destino.” (Isabel Allende)




A leitura de Afrodite?, de Isabel Allende, é um passeio deslumbrante por receitas, histórias, e dissertações que aliam gastronomia e sensualidade, onde os pratos, assim como o preparo dos mesmos adquirem todo um contexto afrodisíaco.
Isabel, renomada romancista, tida como uma das mais importantes na literatura contemporânea da América Latina, sobrinha do ex-presidente chileno, Salvador Allende, obrigada a exilar-se na Venezuela em decorrência do golpe militar, e assim, a abandonar a carreira de jornalista, tornando-se a autora de livros maravilhosos que, mais do que narrarem com extrema maestria a história da realidade social chilena, onde sublinha enfaticamente a mágica capacidade da mulher em assumir o poder, sem contudo o evidenciar, fizeram história literária, iniciados em sua trilogia com o famoso ?Casa dos Espíritos?
Com uma trajetória de lutas e glórias, nascida acidentalmente no Peru, mas tendo escolhido o Chile como sua pátria, e vivendo atualmente nos Estados Unidos, no cumprimento do luto por sua filha que parte em 1992, no fatal desfecho de um longo período doente, Isabel se embrenha de corpo e alma no projeto de um novo livro que tem a sensualidade como espinha dorsal, e o lança em 1998.
Independente do embasamento concreto na crença da existência de alimentos afrodisíacos, não há como negar o prazer que tangencia o êxtase, no saborear de um prato bem preparado, assim como o sexo no deleite de sua efetuação. Basta-nos resgatarmos histórias que foram agregadas à nossa cultura, para encontramos nelas a presença do alimento aliada à sedução, entre as quais temos: a maçã que expulsou Adão e Eva do Paraíso, e que em outro momento foi oferecida sedutoramente a Branca de Neve; os banquetes que Cleópatra servia aos homens alvo de suas conquistas; a barra de chocolate saboreada pelo inveterável conquistador Casanova que antecedia seus encontros amorosos, e as 50 ostras ingeridas por este, todas as manhãs, na companhia da mulher desejada.
Em ?Afrodite?, Isabel Allende presenteia-nos com receitas que primam em sua excelência pela leveza e pelo equilíbrio entre aromas, sabores e texturas, como prefácio incisivo e determinante de um ritual de sedução. Mas mais do que isso, ou numa sintonia paralela, a autora nos conta histórias, nos mostra poemas, faz citações, compilando tudo num relato poético e bem-humorado, que nos contagia e nos desperta para a consciência da capacidade que possuímos em exacerbar toda a sensualidade que nos é latente, bastando para isso que, em nome do amor, saibamos recorrer às ferramentas que a conduzem.
Como a própria Isabel propõe:
?apetite e sexo são os grandes motores da história, preservam e propagam a espécie, provocam guerras e canções, influenciam religiões, lei e arte. (...) Gula e luxúria, que tantas loucuras nos fazem cometer, têm a mesma origem: o instinto de sobrevivência?.

Cris da Silva

http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_3587.html

28 de maio de 2010

sobre A CASA DOS ESPÍRITOS



A Casa Dos Espíritos
(Isabel Allende)


Realismo fantástico atrelado à mais dura realidade chilena, a história é uma saga que se estende por três gerações de uma mesma família, marcada pela magia, pelo amor e pela tragédia.Quando o jovem Esteban Trueba resolve casar-se com a bela Rosa, de cabelos verdes, não imaginava a trajetória que sua vida tomaria a partir dessa decisão. Com um golpe do destino, acaba tornando-se um bem-sucedido produtor rural, casando-se com Clara, claríssima, clarividente, irmã de Rosa e seu único amor por toda a vida.Com Clara, formou uma família composta por seus três filhos: Blanca, Jaime e Nicolas. Eram personalidades em tudo opostas, emaranhando-se em nós que talvez nunca se desatassem.Clara não foi uma dona-de-casa exemplar; estava sempre às voltas com seus espíritos, suas levitações, suas premonições, seus hóspedes e suas reformas. Vivia num mundo à parte, ajudava os necessitados, abrigava os desconhecidos, e conversava com os espíritos, estando sempre ausente, mas sempre presente naquela família.Esteban nunca poderia imaginar que seus excessos da juventude, seu mau gênio e suas idéias arcaicas refletiriam com tanta contundência no futuro de sua família.Blanca viveu um amor de uma vida inteira com Pedro Tercero, filho e neto de colonos de Las Tres Marias, a fazenda-modelo de Esteban Trueba. Conheceram-se crianças e se amaram desde o primeiro instante. Com o passar do tempo, Pedro tornou-se um socialista, indignado com as condições do povo do campo, pregando suas idéias e de seus companheiros por toda parte, por meio das músicas que compunha sobre galinhas que derrotavam a raposa. Tais idéias eram abomináveis para Estaban Trueba, que passou a abominar também Pedro, sendo que o cúmulo de seu ódio aconteceu quando Blanca engravidou de Pedro Tercero.Nesta época, em meio a muitos outros acontecimentos, Esteban Trueba entrou para a vida política, tornando-se ardoroso defensor dos conservadores, e elegendo-se senador, cargo que exerceu durante vinte anos.Para seu sofrimento e indignação, apesar de Pedro Tercero estar distante de sua vida, seu filho Jaime cultivava idéias socialistas e dedicava-se, como médico, a atender os mais pobres e mais necessitados, nos bairros dos subúrbios da cidade. Seu filho Nicolas, passou a vida tentando encontrar um sentido para a vida, tornando-se faquir na Índia, fundando seitas, dando aulas de Yôga entre tantas outras coisas consideradas infames pelo Senador Trueba, enquanto sua filha Blanca dava aulas de cerâmica para crianças especiais e meninas desocupadas.Pedro Tercero continuou sua pregação esquerdista, tornando-se famoso, apresentando-se nas rádios e caindo na boca do povo, de modo que Trueba proibiu que o ouvissem pelo rádio em sua casa.Após a morte de Clara, o senador Trueba vê seu mundo desmoronar. A única destinatária de seus carinhos era a neta Alba, que se tornou tão casmurra quanto ele, sendo a única capaz de desafiá-lo e por esta razão estudava violoncelo e entrou para a faculdade de Filosofia.Lá, Alba conheceu Miguel, um militante socialista que defendia que apenas a luta armada poderia modificar o país. Suas vidas já se haviam encontrado no passado, porém não se recordavam. Logo, vieram as eleições presidenciais e Jaime comunicou ao pai que desta vez ganharia o Candidato. O Candidato concorria pela esquerda ao cargo de Presidente havia muitos anos, sem se cansar ou desistir. E assim foi o início da decadência final da família Trueba. Às eleições seguiram-se intrigas, racionamentos, golpe militar. Ao golpe militar seguiram-se sangue, dor, fuga, desgraça, envolvendo todos os remanescentes membros dessa família, bem como todos os cidadãos chilenos. Mas de certa forma, tudo isso operou um renascimento em Esteban Trueba.Numa narrativa rica em descrições, a autora nos conta histórias de vida em poesia, levando-nos para dentro do livro, vivendo todas as emoções dessas personagens únicas. Nunca o realismo fantástico foi tão real.


FILME - A Casa dos Espíritos – The House of the Spirits
Direção: Billie August

Gênero: Drama

EUA – 1993

A Casa dos Espíritos nem de longe se refere a fantasmas de outro mundo que morreram e ficaram presos na mansão assombrada… Boooooooooooooooooooo! Entendo “Espírito” num sentido Filosófico do termo. Para a Filosofia Hegeliana, o Espírito é o retorno da idéia (princípio inteligível da realidade) para si mesma. Assim que vejo essa obra: um filme magnífico que retrata a história Política do Chile sob o olhar da família Trueba na narrativa consciente da filha Blanca (Winona Ryder).

Com um elenco fenomenal, que reuniu Meryl Streep, Jeremy Irons, Winona Ryder, Glenn Close, Antonio Banderas, Vanessa Redgrave e Maria Conchita Alonso, a trama se desenrola do macro para o microssocial; aquilo que se externa na sociedade e influencia o interior de uma família e vice-versa.

Seria uma família bastante comum praquela época se não fosse o poder e a personalidade da mãe Clara (Meryl Streep): infinitamente tranquila e de um semblante tão sereno que em certas cenas parece Maria (mãe de Jesus) ou o que pintam dela. Clara consegue unir aqueles que estão pra sempre separados, consegue acalmar e dar paz para a agitação política de seu marido e suas controversas atitudes. Seu nome foi bem escolhido, dá um tom de transparência, sinceridade, leveza. O mesmo ocorre com Blanca, sua filha?

Enquanto Clara está viva, existe uma organização familiar aparentemente Patriarcal mas que é maestrada pelo silêncio e voz calma da Matriarca. Quando ela morre, seu espírito (as recordações das pessoas que a cercaram) ronda aquela família que se desestrutura passo-a-passo.

Percebe-se que aquela mãe era o verdadeiro pilar de tudo, mesmo considerada erroneamente como frágil e fraca.

As pessoas tendem a considerar como fraqueza aquilo que é sereno e tranquilo. Ao contrário, pessoas assim são de uma força interior gigantesca. Meryl Streep está deslumbrante nesse papel, uma mãe IDEAL, uma esposa IDEAL, uma cunhada IDEAL, uma amiga IDEAL, uma patroa também IDEAL. Todos os papéis sociais de uma mulher ela o representa como aquilo que é idealizado pela maioria. Longe de ser passiva, age com passividade e amor. Amarra com fios de cobre toda a trama.

Um filme pra ser visto e revisto.

http://guerradepipoca.wordpress.com/2009/05/09/a-casa-dos-espiritos/

27 de maio de 2010

Isabel Allende OBRA



Romances

1982 - La casa de los espíritus (A casa dos espíritos)
1984 - De amor y de sombra (De amor e de sombra)
1987 - Eva Luna (Eva Luna)
1991 - El plan infinito (O plano infinito)
1995 - Paula (Cartas a Paula)
1998 - Afrodita (Afrodite)
1999 - Hija de la fortuna (Filha da fortuna)
2000 - Retrato en sepia (Retrato a sépia)
2002 - La ciudad de las bestias (A cidade das feras)
2003 - El reino del dragón de oro (O reino do dragão de ouro)
2004 - El bosque de los pigmeos (O bosque dos Pigmeus)
2005 - El Zorro (Zorro, começa a lenda)
2006 - Inés del alma mía (Inés da minha alma)
2007 - La suma de los días (A soma dos dias)
2009 - La isla bajo el mar (A ilha debaixo do mar)

Memórias

Mi país inventado (O meu país inventado)

Contos

1998 - Cuentos de Eva Luna (Contos de Eva Luna)
1984 - La porda de porcelana
- O pequeno Heidelberg

Teatro

El embajador (representada no Chile em 1971)
La balada del medio pelo (1973)
Los siete espejos (1974)
Los Tomates Del Fábio Cagón (2004)

Ligações externas

Site pessoal de Isabel Allende
http://www.clubcultura.com/clubliteratura/clubescritores/allende/

Interview Isabel Allende, The Ledge
http://www.the-ledge.com/flash/ledge.php?conversation=41&lan=UK

PINOCHET, A CASA DOS ESPÍRITOS E A CATARSE

ISABEL ALLENDE

Se não fosse o golpe militar de Pinochet, talvez Isabel Allende continuasse a ser uma jornalista que gostava da sua profissão, não se tornando assim na mais famosa romancista contemporânea da América Latina. A morte de seu tio, presidente socialista democraticamente eleito, e o clima de terror que se seguiu ao atentado, obrigaram-na a abandonar o Chile, com a família, para buscar refúgio na Venuzuela. Na pátria ficou um velho avô, patriarca que havia assombrado na sua infância. Do exílio, para manter vivos os laços afetivos, a neta começa a escrever-lhe uma longa carta. Essa carta foi o ponto de partida da A Casa dos Espíritos (1980), um romance vigoroso que narra a história de uma família, parecida com a sua, desde o início do século, espelho das vicissitudes que o país entretanto atravessou. Formalmente inspirado no realismo mágico de Garcia Márques, mas sem perder de vista a realidade social chilena, o romance dá especial relevo a retratos de mulheres, que, sem terem o poder, possuem, contudo, poderes secretos, capazes de tomar a vida, no dia-a-dia, mais humana, de modo a contrabalançar a autoridade inquestionada dos tiranos domésticos. Com o correr do tempo, o livro, que em breve se transformou num êxito de vendas e foi adaptado ao cinema, acabou por intregar-se, naturalmente, numa trilogia de que fazem parte Filha da Fortuna (1999) e o recente Retrato a Sépia : no conjunto, uma saga familiar onde ecoam, mas vivências de sucessivas gerações, os problemas de um Chile conturbado que a escritora escolheu como pátria, apesar de ter nascido, acidentalmente, no Peru e de viver, actualmente nos Estados Unidos da América. De caminho, forma surgindo novas obras assinadas por Isabel Allende: entre outras, De Amor e de Sombra (1984), Eva Luna (1987), O Plano Infinito (1991), Afrodite (1994) e Paula (1995), onde a autora cumpre o luto por uma filha que acaba por morrer no termo de uma filha que acaba por morrer no termo de uma longa doença de que o seu amor não conseguiu salvá-la. Uma vez mais, a literatura como catarse, com resultados esteticamente brilhantes e existentes comoventes.

in Mulheres nas Letras, Mulheres dos Livros

23 de maio de 2010

VIDINHA MAIS OU MENOS ... Jaqueline Campos


Aquela vida que não vai nem vem, e que se por acaso for,
dá uma volta tão grande que se perde no caminho.É uma coisa morna,
que se esquentar muito queima , e quando esfria congela e paralisa tudo.
É um bolo de fubá quando desanda a massa, aqueles ovos nevados que não nevaram.


É quando tem nuvem, mas tem sol e chove, tudo junto.
Você não está feliz, mas também não está triste,
porque a felicidade corre atras da tristeza, e vice-versa,
e quando uma alcança a outra, vira o jogo,
e a tristeza vem doida pegar a felicidade ,
um jogo de pique-pega sem fim...
Elas fizeram um pacto de sangue, sem sangue.


É quando nada se cria e muito menos se transforma.
Não tem pilha nem bateria nem para uma coisa e muito menos para outra.


Eita vidinha mais ou menos...


22 de maio de 2010

a vida cansa ? (ahhhh...cansa sim)



Canção do dia de sempre




Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos.Como estas nuvens no céu…
E só ganhar, toda a vida,Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventosPresa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho Nas tuas mãos distraídas…

(Mario Quintana)

20 de maio de 2010

VIDA Bandida - Lobão



Chu..tou
A cara do cara caído, traiu
Traiu seu melhor, seu melhor amigo
Bateu, corrente, soco inglês e canivete

E o jornal nào para de mandar

Elogios na primeira página
Sangue, porrada na madrugada
Sangue, porrada na madrugada

Vida! Vida, vida, vida
vida bandida
Vida! Vida, vida, vida vida bandida
Vida! Vida, vida, vida vida bandida
Vida!

É preciso viver malandro assim
Não dá pra se segurar, não

a cana tá brava

E a vida tá dura

Mas um tiro só não vai me derrubar não

É preciso viver malandro
assim

Não dá pra se segurar, não

a cana tá brava

E a vida tá dura

Mas um tiro sá não vai me derrubar não

Vida! Vida, vida, vida
vida bandida
Vida! Vida, vida, vida vida bandida
Vida! Vida, vida, vida vida bandida
Vida!

Correr, com lágrima
com lágrima
Com lágrima nos olhos
Não é definitivamente pra qualquer um
Mas o riso corre fácil
Quando a grana corre solta
Vida! Vida, vida, vida vida bandida
Vida! Vida, vida, vida vida bandida
É preciso ver o sorriso

da mina

Pra subida da barra
Aí é só, é só, é só
de brincadeira
Ainda não inventaram
Dinheiro

Que eu não pudesse ganhar

ainda não inventaram
Dinheiro

Que eu não pudesse ganhar

Vida! Vida, vida, vida
vida bandida
Vida! Vida, vida, vida vida bandida
Vida! Vida, vida, vida vida bandida




19 de maio de 2010

FRASE DO DIA ...

¨ VIVER não é esperar a tempestade passar ...
é aprender a dançar na chuva.¨

A VIDA DOS OUTROS...(Das Leben der Anderen) - Filme

Sinopse

Considerado um dos melhore filmes lançados nos cinemas nos últimos anos, aplaudido pelos críticos e pelo espectador, A Vida dos Outros narra uma história real do dramático (e às vezes hilário) sistema de espionagem existente na Alemanha Oriental durante o período da Guerra Fria. Nos anos 80, o Ministro da Cultura se interessa por Christa, atriz popular que namora com Georg, o mais conhecido dramaturgo do país e um dos poucos que consegue enviar textos para o outro lado da fronteira. Com a suspeita dos dois serem infiéis às idéias comunistas, eles passam a ser observados pelo frio e calculista Capitão Gerd, temido agente do serviço secreto, que fica fascinado pelas suas vidas e personalidades. Ganhador do OSCAR de Melhor Filme Estrangeiro e uma das produções mais premiadas dos últimos tempos.


VIDA(S) PASSADA(S)...você acredita ?




A melhor maneira para entender nossa vida atual é recordando nossas Vidas Passadas.

A reencarnação para alguns é uma crença, para outros uma teoria e para muitos uma superstição, mas para aqueles que se lembram de suas Vidas Passadas ela é um fato.


RVP - RECORDAÇÂO DE VIDAS PASSADAS
As chaves para recordar as vidas (existências passadas) são sumamente simples, devemos lembrar de tudo o que já foi ditoem diversos textos deste site referentes ao Despertar da Consciência. A Chave suprema é esta: Despertar para conhecermos Quem Somos, De Onde Viemos, Para Onde Iremos e Qual É Nossa Missão Neste Mundo! Mas existem exercícios que nos ajudam a "puxar" os dados referentes aos fatos de nossas vidas anteriores, para que possamos nos autoconhecer mais e melhor. Não é delito ou perigoso mexermos nos "Arquivos Mortos" de nossas existências anteriores. Pois existem inúmeros dados que podemos rever para descobrirmos quem realmente somos, por que estamos tendo uma determinada forma de vida hoje, e o que podemos fazer para "transcender" nossos Karmas, nossos Processos de Vida. Os estudos e práticas gnósticos nos ajudam nesta Caminhada rumo à Transcendência de nossas vidas, caso queiramos e tenhamos Forças suficientes para tal.

Devemos, em primeiro lugar, recordar a famosa Lei de Retorno e Recorrência: Segundo a Gnose, nós repetimos sempre a mesma vida, a mesma mecânica, ou seja, os mesmos hábitos, desejos, projetos, dramas, tragédias e comédias. O Ego retorna de existência em existência, o que muda é somente o cenário onde é representada a nossa tragicomédia, os atores (os eus psicológicos) continuam sempre os mesmos.

Todos os que receberam o Conhecimento esoterico agora provavelmente já o receberam em outras existências, pois somos muito velhos, somos a humanidade que anda errando e tropeçando infelizmente há séculos, seguindo sempre os mesmos erros e defeitos.

Existem três chaves para recordar as existências passadas. A primeira são os Exercícios de Retrospecção, a segunda são os Mantras para a RVP e a terceira é o que já mencionamos acima, o Despertar da Consciência.

Com o exercício retrospectivo iremos regressando com nossa memória até nossas origens e, ao adormecermos, nossa Consciência será levada a relembrar o passado. O Exercício de Retrospecção é nada menos que uma "repassada" , uma "recordada" de tudo o que fizemos, por exemplo, durante o dia de hoje. Ao final da noite, acostados na cama ou sentados nela (para não pegarmos no sono facilmente), iremos rememorando os principais fatos de dia de hoje. Assim faremos todos os dias, até nos acostumarmos à Retrospecção Diária. Depois de alguns dias de Prática, faremos o mesmo exercício, só que agora semanalmente. Ou seja, faremos a Retrospectiva Semanal, relembrando e "tomando consciência" da semana que passou. Depois de algumas semanas de prática, faremos a Retrospecção Mensal. Enfim, poderemos nos arriscar valorosamente e realizar essa Retrospecção até a data mais distante que pudermos nos recordar.

Com este exercício, chegaremos a nos lembrar dos fatos ocorridos nos primeiros anos de nossa vida. Normalmente o estudante gnóstico tem muitas dificuldades ao tentar recordar fatos ocorridos de dois anos para trás, até o nascimento propriamente. Neste momento, depois de se tentar "forçar" a memória, iremos pedir auxílio a uma Força Poderosa dentro de nós, que é nosso SER DIVINO, nossa Mãe Divina, que é nosso próprio Espírito Divino porém desdobrado como se fosse Nossa Senhora Interna, Íntima. Todas as noites, depois desses exercícios retrospectivos, iremos nos deitar e com muita fé e devoção, pedimos e suplicamos intensamente à nossa Mãe Divina que reside em nosso coração para que nos ajude a penetrar nos mais profundos setores de nosso Subconsciente, onde estão as lembranças mais profundas de nossa infância, até o momento, se possível de nosso parto, de nosso nascimento.

Antes de fecharmos os olhos, deve-se usar a segunda arma para a RVP, que são os mantras de recordação. O mais poderoso deles é a sílaba "AN". Isso mesmo, você deve vocalizar este mantra diversas vezes, até adormecer. Tenha certeza que mais cedo ou mais tarde em seus sonhos, em meditação, em reflexão serena noturna irão surgir imagens estranhas, que irão mostrando a você, devagarinho, paulatinamente, fatos ocorridos em suas vidas passadas. Este mantra AN vocaliza-se prolongando-se cada letra ao máximo possível, num tom de voz nem alto nem baixo: AAAAAAANNNNNNN...

Com o uso da terceira chave, o Despertar da Consciência, conhecemos diretamente todos os milhares de existências que tivemos, seja neste planeta Terra ou em outros onde já vivemos...

Prática

O estudante deverá colocar-se numa posição confortável, realizando todas as etapas necessárias a qualquer prática: postura relaxada, mentalização de um círculo mágico de proteção ao nosso redor e relaxamento profundo meditativo.

Após tudo isso, o estudante recordará todos os feitos ocorridos em sua vida atual, partindo do presente para o passado. Assim, lembrará primeiramente a sua preparação para prática, e o que fez antes, assim até o começo do atual dia. Depois, em flash-back irá retornando: o que me ocorreu esta semana, na passada, no mês passado, no início do ano, no fim do ano passado, há dois anosm há 5, há 10 anos, há 20, 25, 30 etc.

Assim fará o estudante até chegar aos primeiros atos da infância, quando sua memória não lembrar mais, deverá imaginar, pois imaginar é ver, imaginar o que fazia com dois anos de idade, com um ano de idade, os primeiros atos de sua vida.

Se praticarmos intensamente, as lembranças de nossa infância podem ser recordadas, devemos praticar este exercício no momento em que vamos adormecer, pois para esta prática o sono é muito importante.

Enquanto vamos adormecendo, imaginamos o nosso nascimento e o período em que estávamos dentro de nossa mãe. Chegando a esse ponto inicial, vem a pergunta: O que veio antes? Nesse ponto devemos adormecer, depois de vocalizar o mantra sagrado AN...

Ao dormimos, teremos visões nos sonhos de outras épocas, que nos mostrarão quem fomos e o que nos ocorreu. Muitas vezes veremos imagens nítidas de outros tempos e sentiremos tudo como se fosse de carne e osso. Em outros momentos, tudo será uma grande confusão mental, sem lógica alguma. De qualquer forma, sugerimos que pela manhã, logo após acordar, você deve anotar absolutamente tudo o que você puder recordar de seus sonhos em uma caderneta ou agenda.

Existe dentro dos Ensinamentos Gnósticos um mantra de apoio, que nos ajuda a "fixarmos" nossas recordações pela manhã. É certo que todos nós perdemos boa parte de nossas experiências oníricas (sonhos) logo depois que acordamos, nos mexemos e abrimos os olhos. Isso se deve a que perdemos conexões entre o nosso cérebro físico e o cérebro astral. Para que possamos "fixar" os sonhos em nosso cérebro físico, em nossos "bancos de memória física", sugere-se de se vocalizar os dois mantras RAOM-GAOM (Raaaaaaaaaooooommmmmmm... Gaaaaaooooommmmmm...) por algumas vezes, enquanto se mantém com o corpo imóvel, de olhos fechados e concentrado na tentativa de se lembrar do que se sonhou.

É claro que para ter plena consciência de que nos ocorreu de fato tudo o que vimos em sonhos, devemos Despertar a Consciência, só assim saberemos quem somos e teremos certeza de quem fomos e o que fizemos. Resulta interessante ver os erros que cometemos em existências passadas, ou que continuamos a repetir no dia-a-dia na atual existência, para eliminarmos esses defeitos e evitarmos a terrível Recorrência, com seus conseqüentes processos kármicos. Com o Despertar da Consciência saberemos o que o destino nos reserva, e poderemos, através do Sacrifício e do Trabalho desinteressado por Deus e pelos seres humanos, pagar nosso Karma e viver uma vida muito melhor e em consonância com as Leis Divinas do Amor e as Leis Cósmicas da verdadeira Prosperidade.

FONTE:
http://www.gnosisonline.org/Psicologia_Gnostica/Recordacao_de_Vidas_Passadas.shtml

18 de maio de 2010

VIDA LOUCA, VIDA...


Vida louca vida, vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida, vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa
Se ninguém olha quando você passa
Você logo acha
Eu tô carente, eu sou manchete popular
Tô cansado de tanta babaquice, tanta caretice
Dessa eterna falta do que falar
Se ninguém olha quando você passa
Você logo acha
Que a vida voltou ao normal
Aquela vida sem sentido, volta sem perigo
É a mesma vida sempre igual
Se ninguém olha quando você passa
Você logo diz: "Palhaço!"
Você acha que não está legal
Corre todos os perigos, perde os sentidos
Você passa mal
Vida louca vida, vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida, vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa
Não compensa, não
Se ninguém olha quando você passa
Você logo acha
Eu tô carente, eu sou manchete popular
Tô cansado de tanta caretice,tanta babaquice
Dessa eterna falta do que falar
Vida louca vida, vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida, vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa
não compensa
Vida louca vida, vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa
Vida louca vida, vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
leve,leve,leve,leve,leve,leve...


Cazuza

VIDA que PULSA , PULSA...



Vida
Chico Buarque


Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Deixei a fatia
Mais doce da vida
Na mesa dos homens
De vida vazia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz

Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Verti minha vida
Nos cantos, na pia
Na casa dos homens
De vida vadia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz

Luz, quero luz,
Sei que além das cortinas
São palcos azuis
E infinitas cortinas
Com palcos atrás
Arranca, vida
Estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa,
Pulsa, pulsa mais
Mais, quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
Que os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca, vida
Estufa, vela
Me leva, leva longe
Longe, leva mais

Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Toquei na ferida
Nos nervos, nos fios
Nos olhos dos homens
De olhos sombrios
Mas, vida, ali
Eu sei que fui feliz

VIDA DURA e VIDA DE ARTISTA


VIDA DURA
Composição: Arnaldo Antunes / Taciana Barros

Se você se mata ou morre
Dá na mesma se você
Sara mas não crê
Em cura
Ou se você não sara mas segura
Dá na mesma se você
Dá na mesma se você
Dura
Dura
Dura

Se você é morto ou se te matam
Com um tiro ou uma bala
Da na mesma se você
Se cala
Ou não fala
Nada numa sala
Nada numa sala escura
Se você dura
Dura
Dura



VIDA DE ARTISTA

Oswaldo Montenegro


Lobisomen de cor, deusa da coragem
Iansã da loucura manda a tempestade pra beira do mar
Zé Limeira falou pra seguir viagem
Essa vida de artista, essa vida de artista, essa vida
Feiticeira do amor, preta da estalagem
Perguntava pra ver se o saci tem metade das pernas pro ar
Clementina falou que era sacanagem
Essa vida de artista, essa vida de artista, essa vida
Govinda, Govinda, Iansã
Govinda, Govinda, Iansã
Govinda, Govinda, Iansã
Govinda, Govinda, Iansã


17 de maio de 2010

VIDA curta ou LONGA ?!



“ Não sei se a vida é curta ou longa para nós,



mas sei que nada do que vivemos tem sentido,






se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser: colo que acolhe,






braço que envolve,






palavra que conforta,






silencio que respeita,






alegria que contagia,






lágrima que corre,






olhar que acaricia,






desejo que sacia,






amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,






é o que dá sentido à vida.






É o que faz com que ela não seja nem curta,






nem longa demais, mas que seja intensa,






verdadeira, pura enquanto durar.



Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”

Cora Coralina

16 de maio de 2010

O ROMANCE DA DESILUSÃO - Ernest Hemingway

Por Bruno Garschagen

"A ambulância celeste arrastada por uma constelação de chagas/ aguarda o tinir da espada na gaiola./ Oh retirai seus ossos desse veículo banal,/ A manhã está voando com as asas de sua idade/ E uma centena de cegonhas pousa na mão direita do sol". Dylan Thomas.

Frederick Henry, o protagonista de "Adeus às armas", de Ernest Hemingway se esquiva do perfil de herói e está longe de ser um anti-herói. Não impressiona pela coragem na angustiante atmosfera da Primeira Grande Guerra; não irrita com nenhuma soberba; não incomoda com cinismo; não perturba com frases cunhadas a bala. Nada de gestos marcantes. Um simples motorista de ambulância que desacredita do amor.

Henry detesta a guerra com o mesmo impulso com que os padres evitam as mulheres. Rejeita contatos íntimos que avancem além do sexo. Satisfaz-se com prostitutas. Até encontrar abrigo no colo afável de uma enfermeira inglesa. Temendo qualquer envolvimento que lhe traga sofrimento maior que estar numa grande batalha, evita até a última gota de conhaque se apaixonar. Desse personagem menor Hemingway abre flancos para colocar sob holofotes Catherine Barkley, a mulher que tira o romance da banalidade de sentimentalismo inóspito à beira do front.

A bela Catherine é amável e hiperbólica. Age devagar à maneira dos felinos: mia delicadamente para atrair atenção, se enrosca na parte do corpo que estiver mais próxima e lambe asperamente as mãos. Impressiona o jeito submisso com que ela conduz a relação para deixar vergões no coração de Henry. Em pouco tempo ele teve que rasgar palavras ao vento que agrediam o amor nos tempos de guerra. Dessa paixão a conduzir a obra, desencontro, deserção, encontro e tragédia.

"Adeus às armas" é o segundo livro de Hemingway, o escritor norte-americano, nascido em Oak Park, Illinois, em 1899, que fez fama de sedutor, apaixonado por armas, batalhas de qualquer ordem e que se matou da forma grave que tanto admirava. Ao lado de William Faulkner, alterou a forma de escrever literatura. Nada de rebuscamentos barrocos ou parnasianos. O estilo passou a ser seco como uma rolha sem uso. O mais importante passou a ser a história, o enredo, as personagens, algumas tiradas. Ao feno rompantes estilísticos. Edmund Wilson achava o romance comovente. "Talvez nenhum outro livro tenha fixado tão bem a estranheza da vida militar para um americano durante a guerra".

Lançado em 1929 e considerado o melhor sobre a Primeira Grande Guerra, o livro traz a marca que Hemingway carregaria pelas outras obras - de maior quilate como, por exemplo, "O Velho e o Mar", "Por quem os sinos dobram" e "O sol também se levanta". Os diálogos entre Henry e o militar italiano Rinaldi, a tentativa de ajudar um soldado com hérnia de disco que não queria retornar à batalha, a descrição da explosão de uma granada que o feriu na perna e a deserção após a morte de seu tenente no campo de batalha, parecem ter sido forjadas pelos anjos da guarda do front - que abriam os peitos para abrigarem seus protegidos -, pelo realismo.

O escritor escreveu o que viu - também foi ferido em combate, em 1918: o texto é belíssimo e raros são aqueles que se valem das analogias certas. "Comi o meu último pedaço de queijo e bebi mais um gole de vinho. Ouvi de novo aquela tossida e depois chuh- chuh- chuh- chuh - e depois um clarão, como se fosse uma fornalha de alto-forno aberta, e um estrondo, e um branco que logo passou a vermelho e rolou como levado pelo vento. Procurei respirar, mas a respiração não me vinha e me senti arrancado de mim mesmo e distante, muito, muito distante, e todo o tempo um corpo solto ao vento. Saí de mim mesmo completamente e sabia que estava morto, mas que era um equívoco pensar que teria morrido de vez, completamente. Depois flutuei, e, em vez de sumir, senti que voltava a mim. Respirei e voltei a mim, de fato".

Não muito afeito ao bom-humor, mesmo assim Hemingway coloca Henry (reparem que o sobrenome do protagonista parece ser uma abreviação do seu próprio nome) numa situação engraçada, daquelas que quase valem a vida. Internado num hospital para se recuperar do ferimento na perna, pede ao porteiro que lhe traga um barbeiro. Na esperança de obter algumas informações sobre a guerra tenta dialogar com o profissional nascido na Itália. Cada pergunta é rebatida com uma resposta quase monossílaba em tom agressivo. Sem entender, Henry indaga que diabo havia de errado ao que o barbeiro, indignado, vocifera que não conversaria com o inimigo. "Cuidado! A navalha pode cortá-lo", ameaça o barbeiro que pensou estar executando seu serviço num soldado austríaco. Chamado para explicar se se tratava de um maluco, o porteiro caiu na gargalhada e contou a história para ele, que não achou a mínima graça em ter passado segundos sendo alvo tão fácil.

Catherine é uma mulher hiperbólica. Exagera no amor; na sinceridade de suas convicções; no desconforto por estar grávida. "Quer dizer que nada a aflige", pergunta Henry. "Só a idéia de nos separarem. Minha religião é você. - Está bem. Mas eu me caso com você no dia em que você quiser. - Querido, não fale como se precisasse me devolver a condição de moça honesta. Sou uma mulher honesta. Não me envergonho de algo que só me dá felicidade e orgulho".

Estrangeira num ambiente inóspito, Catherine amava com a irresponsabilidade que a guerra exigia. Qualquer ponto de partida era somente um ponto de partida. Todos estavam sujeitos às interrupções de um gole de vinho, de uma mordida no queijo ou de um beijo apaixonado. Qualquer prazer era extraído a fogo de um segundo de felicidade espremido num canto da alma. O terror das explosões, os ferimentos, as mortes se tornavam fatos corriqueiros de um dia que poderia não descerrar. "Não me toque", murmurou Catherine para Henry logo após um parto complicado que a levaria à morte. "Pobre querido. Toque-me o quanto quiser", completou ela com um sorriso. A despedida da esposa e do filho não é comovente. É morbidamente densa, sem pieguismo. "Era como se eu estivesse me despedindo de uma estátua", refletiu ao sair do hospital.

"Adeus às armas" é o romance da desilusão: a história de um casal que descobre com os estilhaços das granadas que nenhuma paixão de guerra resta impune sob um campo de batalha.

15 de maio de 2010

Solteira convicta: por OPÇÃO ou DESILUSÃO ?

Chegamos e deixamos sozinhos este mundo. Ainda assim, acreditamos que a vida deve ser aproveitada em parceria. Já na infância surge o interesse pelo sexo oposto. Na adolescência, esse sentimento aumenta e lutamos para ter alguém especial do nosso lado, dividindo carinhos, atenção e boas experiências.

Com o passar dos anos, nos envolvemos em relações platônicas, breves, fulminantes. Seguimos nesse caminho até encontrarmos o que chamam de "verdadeiro amor". No meio do percurso, é normal sofrermos desilusões e, mesmo que momentaneamente, perdermos o interesse de nos envolver com outra pessoa. Para alguns, esse "tempo" pode significar o resto da vida, pois eles decidiram desistir da "busca" para ficarem sozinhos.

A solidão, portanto, pode ser entendida como uma opção, porque não há o interesse de encontrar um parceiro estável, e essas pessoas preferem privilegiar outros aspectos da vida. Outros solitários, por sua vez, pensam que o amor não lhes serve e daí aplica-se o ditado "antes só que mal acompanhado".

Vanessa tem 33 anos e um trabalho estável, que lhe permite atender a maioria de suas vontades. Há dois anos está solteira e diz que prefere seguir assim. "Tenho meu esquema de vida armado, não posso depender do que outra pessoa me diz. Não creio que volte a ter um relacionamento estável. A menos que seja da porta para fora, pois me acostumei com a minha independência", explicou.

A única coisa que lhe incomoda é o fato de suas amigas estarem sempre em busca de uma companhia para ela. "Prefiro amores ocasionais. Não gosto de viver dependente, prefiro a liberdade de não ter a necessidade de dar explicações a quem quer que seja", completa.

Solteirões estão em moda
A psicóloga Thamar Álvarez Vega ressalta que todas as opções que levam a felicidade são válidas e que viver sem uma companhia é aceitável sempre e quando for feito uma análise das vantagens e desvantagens da solteirice.

"Antes, o matrimônio era quase que uma obrigação. Por isso, aqueles que não se casavam eram perseguidos. Isso implicava em uma classificação de que tal pessoa tinha má sorte na vida. Hoje em dia, essa visão mudou radicalmente e se considera simplesmente como uma pessoa que quer permanecer solteira", explica Thamar.

Em geral, alguns solteiros têm ciúme de sua privacidade. "A solteirice é uma boa opção para quem é ativo, independente, gosta de viajar, enfim, que atua com completa liberdade de ação. Ou ainda para quem se considera infiel e prefere ser solteiro para ter múltiplos parceiros sexuais", opina a psicóloga.

Desilusões do amor
Diferente é o caso em que se opta pela solteirice, pois não foi encontrado alguém que corresponda às expectativas. Esse é o caso de María José, 30 anos, que está resignada a ficar sozinha. "A pergunta que me faço é onde estão os homens, já que me encontro sempre com muitos gays e tipos que não valem a pena", diz María.

A psicóloga Thamar Álvarez convida a todos que acreditam ter má sorte para que se auto-examinem. "A aproximação deve ser sempre uma ação motivada por uma atração real, pela compatibilidade de interesses e não apenas pela busca de uma companhia por medo da solidão", explica.

A especialista acrescenta que é preciso ter paciência, não se desesperar e continuar exigente. "Encontrar a pessoa ideal não é fácil e, quando isso ocorre, é preciso ter em mente que esse ser não é perfeito, é de carne e osso e possui virtudes e defeitos".

Por isso, se você tomou a decisão de permanecer solteira, e está convicta de que isso é o melhor, deve seguir adiante. Só com o tempo poderá saber se a decisão foi ou não equivocada. E, como tudo na vida, esta situação também não precisa ser necessariamente definitiva. O amor pode lhe surpreende e fazer com que todas suas crenças sejam esquecidas.

http://mulher.terra.com.br/interna/0,,OI3196186-EI4788,00-Solteira+convicta+por+opcao+ou+desilusao.html

14 de maio de 2010

COMO SOBREVIVER A UM TOCO (fora)...


Desilusão amorosa, dói mesmo, mas .... como diz a frase de Vinicius de Moraes : "É melhor ser alegre que ser triste".

O que se deve fazer é cuidar de si mesma, a rejeição dói mas não mata!

Mesmo que a tentação de ir atrás seja grande, essa não é a saída!

É importante termos a consciência de que, quando nos relacionamos, estamos correndo o risco da outra pessoa ir embora a qualquer momento.

Os relacionamentos são instáveis, passamos por momentos bons e ruins, muitas vezes um relacionamento morno, sem brigas, nos pareça seguro, quando de uma hora pra outra acontece da relação acabar sem motivo aparente.

O mesmo acontece com relacionamentos muito quentes, onde as brigas e o sexo são a base que prevalece na relação, permitindo que tanto um quanto o outro se tornem solitários, mesmo estando juntos.

A compreensão e a amizade, além do amor, são componentes importantes para se ter uma relação duradoura, e muitas vezes um relacionamento equilibrado assim, é muito difícil, por que nós seres humanos, somos instáveis, não devemos portanto, buscar segurança no amor.


Por esse motivo, é preciso que aprendamos que não dá pra ser feliz por causa de alguém, mas sim, com alguém!

Assimilados os princípios básicos, para que se estabeleça um pensamento mais confiante, passamos a algumas dicas práticas:

- Corte canais de comunicação.(Orkut, MSN, telefones...)
- Tente fugir da dor, sempre que pensar no EX, saia com uma amiga.
- Escreva num pedaço de papel todos os defeitos dele (a), e sempre que pensar em ligar, ou arranjar um meio de se encontrarem, leia a lista.
- Renove o seu visual, gaste tempo cuidando de si mesma.

A professora de psicologia da PUC, Noeli Montes de Moraes, escreveu um livro sobre relacionamentos para mulheres entre 20 e 30 anos, o livro chama - se "Fica comigo para o café da manhã", uma boa dica.

13 de maio de 2010

sobre a DESILUSÃO AMOROSA ...

Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.
Adriana Falcão

O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o príncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.

Fernando Pessoa

O QUASE

Ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.Quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu ainda está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, ás vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto.A resposta eu sei de cor, está estampada na distancia e frieza dos sorrisos na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom Dia” quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia á duvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque embora quem quase morre está vivo, quem quase vive já morreu.

Sarah Westphal






Desilusão!

Sabe aqueles momentos em que sentimos uma dor fina, lá dentro do peito, dor essa que nem sabe-se como é, como vem, e tira a impressão de que tava tudo bem.
Dá vontade de gritar aos quatro ventos numa voz bem alta, como se fosse sair um monstro de dentro de nós, a sensação de alguma coisa sem precendentes.
Como se viesse um desejo de chorar e chorar, e nem saber a hora de parar, somente induzir para dentro de sí, o que pra fora nem veio se mostrar.
Como mudança de rumo, e rumando para o deserto quente e seco da minha sensação de estar perto do nada, mas longe de você, um amor renegado, pensamento elevado.
Sentimento com sonhos desmoronados e castelos de areia engolidos pelas ondas, sentimento de perda e dor, sabor do castigo, sentido sem amor.
Seria como se expremesse o peito e lançasse longe a alegria, sentido de vida vazia, sorriso sem graça, sabor de rejeição, coração na contra mão.
Não!... mesmo que se tenha idéia do que é sofrer, mas ferida que se abre sem ferir dói, mas sem o sangue a sair.
Sofrer assim não é justo, se foi um susto, nem custo da dor ou esperança do amor, dor essa que é fina no peito e desafina o embalo do coração e da emoção.
Pois, como perfume de amor e flor, e despedida sem odor, se faz sofrido o rosto, com a expressão que dispensa conoção.
Sim, com amor é fácil lidar, mas os sentimentos á parte que sem recentimentos, se faz uma parte dessa dor, que á outra se veio juntar, selando a desculpa da lágrima rolar.
Como saber que é hora de parar, sanar uma coisa dessas só com alguem que viveu tal sentimento, e sobreviveu pra contar, ou correu o risco e saiu da beira abismo.
Juro que se for para sentir essa dor, sem ter o que sentir, não fico mais em cima desse muro, me cede tua luz, e me tira desse escuro.
Os vestígios da esperança que molha o meu olhar, se faz forte, e não sei como vai-me a sorte sair assim, sem os riscos da morte á me rodear.
Sei que dor fina e vazia faz sofrer, mas sem entender o que a dor te traria é sofrer duas vezes, uma por sofrer e outra sem saber.
Seria um troca justa, a troca da discórdia pela vaga soma da tua misericórdia, se me decifrasse essa dor.
E chegando sempre pela metade e tomando o lugar da felicidade, essa dor me pega sem piedade, como é triste sofrer e ver padecer num sentido sem fim.
Não tem como dizer não, essa dor que seca o coração, faz viver um momento sem razão, leva consigo uma paz que seria a única emoção, essa dor se chama, Desilusão!

Paulo Master

11 de maio de 2010

A Desilusão de Dawkins

A Desilusão de Dawkins – por Don Guakito e Timótio Pinto
Publicado por adi em janeiro 23, 2010
1.ou A CIÊNCIA PROVOU A NÃO EXISTÊNCIA DOS DEUSES?)
por Timotio Pinto -papa coletivo metamorfo onipresente oniciente sempre contente e sorridente com pineal ardente, texto final escrito sobre rascunho deixado por Don Guakito antes de suicídio cátaro simbólico dentro da mente de seu hospedeiro e Papa Erisiano .G, em 22 de janeiro de 2010. amém, neném.
(agora, sejamos sérios, imaginem aquele que escreve de terno, gravata, e calcinha cor d rosa).

PARTE UM

DAWKINS DELIROU AO CARCAR NA FÉ DOS OUTROS EM NOME DE SUA FÉ?
Dawkins já recebeu prêmios por apresentar de forma concisa e acessível o conhecimento científico para o público geral. Oh! Parabéns, mas creio que ele fez o contrário. O retrato que ele traça da ciência é uma caricatura que muito é similar ao universo dogmático religioso que ele e seus groupies criticam enquanto espumam arrogância e intolerância.

Em seu livro Dawkins “explica” que deus não existe. Que religiosos são, veja bem, se você é um religioso de uma forma ou outra, no universo simplista, binário e maniqueista de Dawkins, você automaticamente “descrê” em Darwin, logo, como o próprio Dawkins diz, e usando a mesma lógica de botequim que ele utiliza em seu livro supostamente polêmico e de valor intelectual (! ) , se você é religioso ou místico, automaticamente você não crê na teoria da evolução e automaticamente vc é, por não acreditar na evolução, um ser ignorante, estúpido e/ou insano. Isso, é o que ele acha que explica, sendo ele um cientista, um homem “isento” e “racional”, mas esse fervor racionalista me leva a pensar então sobre o que estão a fazer os cientistas ao explicarem alguma coisa. O que é explicar algo do ponto de vista da ciência?

Explicar algo, oras, é encontrar sua causa. Se Deus é a causa de tudo e não pode ser explicado, ele, obviamente, não existe para a ciência. Como a ciência é o mapa do real, e criadora das tecnologias que nos definem, é seguro afirmar que deus, na realidade, não existe. Simples assim. Parabéns ao Dawkins. Certo?

Não é tão simples assim. Talvez a explicação científica tenha seus limites também. E talvez Deus esteja além de seus limites. Comecemos por lembrar que segundo Bertrand Russell causa era uma palavra perigosa, enganosa, que deveria des-existir. Deixando a causa de lado, então a ciência ao explicar estaria apenas a descrever algo? Lembrando Wittgenstein quando pegou o megafone e cantou que “na base de toda visão moderna do mundo está a ilusão de que as chamadas leis da natureza são as explicações de fenômenos naturais”, Sobra-nos somente a teleologia e a mágica e mental separação entre descrição e explicação. Pronto. Tudo filosoficamente complexo e confuso. Vou enfiar meu empirismo no cu de quem esta a tecer este texto… e ainda assim não provamos Deus, não nesse parágrafo. Mas continuemos a pensar qual é o e se há limite para a explicação científica, pois se a lei é descrição, ela também é uma explicação?

veja mais no ... http://anoitan.wordpress.com/2010/01/23/a-desilusao-de-dawkins-por-don-guakito-e-timoteo-pinto/

dança da solidão ... Paulinho da Viola




Solidão é lava
Que cobre tudo
Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo...

Solidão, palavra
Cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão...

Viu!
Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão...(2x)

Camélia ficou viúva,
Joana se apaixonou,
Maria tentou a morte,
Por causa do seu amor...

Meu pai sempre me dizia:
Meu filho tome cuidado,
Quando eu penso no futuro,
Não esqueço o meu passado
Oh!...

Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão
Viu!
Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão...

Quando vem a madrugada
Meu pensamento vagueia
Corro os dedos na viola
Contemplando a lua cheia...

Apesar de tudo existe
Uma fonte de água pura
Quem beber daquela água
Não terá mais amargura
Oh!...

Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão
Viu!
Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão...

Danço eu, dança você
Na dança da solidão...(2x)

Desilusão! Oh! Oh! Oh!..

10 de maio de 2010

PENSAMENTOS SOBRE A DESILUSÃO

por Tania Paupitz de Souza - tania.paupitz@gmail.com

A desilusão é um fenômeno exclusivamente humano e pressupõe que nos enganamos a respeito de algo ou alguém que num determinado momento de nossas vidas, imaginávamos ser completamente diferente, do que havíamos idealizado. Quase sempre estamos criando fantasias em nossa mente, dessa forma, bloqueando a nossa consciência, recusando-nos a aceitar a verdade como ela se apresenta. Há um pensamento de “Alexander Pope”, que traduz bem o sentido de uma desilusão: “Feliz do homem que não espera nada, pois nunca terá desilusões”.

Sabemos que vivenciar uma desilusão é passar por uma experiência bastante desagradável, pois denota algo que está sob nossa responsabilidade, que nós mesmos criamos baseado em fatos e expectativas irreais. Quando a fantasia não corresponde ao que esperávamos, sentimos a dor de uma “desilusão” que, no fundo, é a perda do nosso entusiasmo - como se fossemos, literalmente, “cortados” em nossos anseios e expectativas.

Recentemente encontrava-me “encantada” por uma pessoa, pela qual nutria imenso carinho e que no fundo, talvez, ela me recordasse à figura de alguém muito especial que, infelizmente, havia partido desse mundo. Quem sabe, uma “projeção inconsciente”, não saberia definir. Após a desilusão, veio à tona a realidade, ou seja, a pessoa acabou mostrando quem realmente era, ocasionando-me, grande decepção. Lembro-me que foi um processo bastante doloroso, principalmente, o de aceitar que se havia algum culpado, esse culpado era eu mesma e não a pessoa, que provavelmente dentro da sua “imaturidade”, não havia percebido que algo já havia se "quebrado" dentro do relacionamento.

Retrocedendo a fita mental de toda situação, revendo minuciosamente os detalhes de cada coisa por mim investida , percebi tudo o que havia apostado e colocado dentro desse relacionamento amigável: afeto, carinho, compreensão, sinceridade, abertura, disponibilidade , cumplicidade. Mas será que poderia esperar a mesma coisa do outro lado? Hoje tenho absoluta certeza que não e percebo o quanto iludi a mim mesma.

O ponto culminante de toda essa investigação acabou me propiciando grande paz interna, pois havia então compreendido o porquê de toda aquela sensação desagradável, gerada por uma auto-ilusão. Concluo que quando nos conscientizamos de alguma situação desagradável, o resultado acaba tornando-se produtivo, principalmente, quando temos como objetivo o aprendizado, evitando-se dessa forma, a não repetição dos mesmos erros.

Após o ocorrido, veio-me as mãos o seguinte comentário de um livro que abri aleatoriamente: não leve seus pensamentos muito a sério”. Pude então constatar que precisamos aprender a ir alem dos nossos pensamentos, percebendo que ao interpretar a nossa vida e a vida das outras pessoas, ou ainda , ao julgarmos qualquer situação, estamos expressando apenas um ponto de vista entre muitos possíveis.

Finalmente, com isso pude aprender que:

- Não há culpados. A pessoa que se sente desiludida ou enganada é quem acaba atraindo para si mesma esse tipo de situação, como uma forma de aprender algo a respeito.

- Não é salutar imaginar ou fantasiar algo que desconhecemos a respeito de situação ou pessoa.

- Se já é um processo difícil a busca do autoconhecimento, imagine querermos conhecer profundamente a figura do outro.

- Torna-se fundamental praticarmos a arte da observação, antes de nos envolvermos emocionalmente em qualquer situação.

- Não criar expectativas é imprescindível para vivermos no aqui e agora.

As ilusões que acabamos criando servem-nos, de certa maneira, de defesas contra nossas realidades amargas. De um lado podem nos poupar das dores momentâneas, de outro nos tornam prisioneiras da irrealidade. Do livro – “ As dores da Alma” – pelo espírito Hammed, do Autor: Francisco do Espírito Santa Neto - extrai o seguinte comentário sobre desilusão: “ Não será fácil renunciarmos as nossas ilusões, se não nos conscientizarmos de que a alegria e o sofrimento não estão nos fatos e nas coisas da vida, mas, sim, na forma como a mente os percebe”.

“Mário Quintana”, com sua sabedoria infinita nos diz: “ Amor não é se envolver com a pessoa perfeita, aquela dos nossos sonhos. Não existem príncipes nem princesas. Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também dos seus defeitos. O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser”.

5 de maio de 2010

QUANDO FUI OUTRO Fernando Pessoa






... É um livro em que os heterônimos se escondem para que nos aproximemos de Fernando Pessoa, o outro que se multiplicava em identidades diferentes para se compreender, para decifrar o mundo e, também, provalmente para se ocultar...


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo...


... Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro...


... Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Não, não creio em mim. Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?...

"Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para
mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas.
Talvez, porque a sensualidade real não tem para mim interesse de
nenhuma espécie – nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o
desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de
outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de
Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias,
fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou
tendo. Tal pagina, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia
sintática, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de
coisa movida.
Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim,
em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas
vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que
as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases
sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida,
esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem,
tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as idéias, as
imagens, trêmulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de
sedas esbatidas, onde um luar de idéia bruxuleia, malhado e confuso.
Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa
que me têm feito chorar."


Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ai campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que eu sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a historia não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem me em mim...
Em quantas mansardas* e não-mansardas no mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas –
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas –
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem sabe conquistas
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo.
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma
parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.

4 de maio de 2010

O EU PROFUNDO E OS OUTROS EUS

Eternal Moment, Awaken Flower
Miyuki Hasekura


NA FLORESTA DO ALHEAMENTO Fernando Pessoa

SEI QUE DESPERTEI e que ainda durmo. O meu corpo antigo, moído de eu viver, diz-me que é muito cedo ainda. . . Sinto-me febril de longe. Peso-me não sei por quê. ..

Num torpor lúcido, pesadamente incorpóreo, estagno, entre um sono e a vigília, num sonho que é uma sombra de sonhar.

Minha atenção bóia entre dois mundos e vê cegamente a profundeza de um mar e a profundeza de um céu; e estas profundezas interpenetram-me, misturam-se, e eu não sei onde estou nem o que sonho.

Um vento de sombras sopra cinzas de propósitos mortos sobre o que eu sou de desperto. Cai de um firmamento desconhecido um orvalho morno de tédio. Uma grande angústia inerte manuseia- me a alma por dentro, c incerta, altera-me como a brisa aos perfis das copas.

Na alcova mórbida e morna a antemanhã de lá fora é apenas um hálito de penumbra. Sou todo confusão quieta. . . Para que há de um dia raiar?. . . Custa-me o saber que ele raiará, como se fosse um esforço meu que houvesse de o fazer aparecer.

Com uma lentidão confusa acalmo. Entorpeço-me. Bóio no ar, entre velar e dormir, e uma outra espécie de realidade surge, e eu em meio dela, não sei de que onde que não é esse. ..

Surge mas não apaga esta, esta alcova tépida, essa de uma floresta estranha. Coexistem na minha atenção algemada as duas realidades, como dois fumos que se misturam.

Que nítida de outra e de ela essa trêmula paisagem transparente! . . .

E quem é esta mulher que comigo veste de observada essa floresta alheia? Para que é que tenho um momento de mo perguntar? . . . Eu nem sei querê-lo saber. . .

A alcova vaga é um vidro escuro através do qual, consciente dele, vejo essa paisagem. . . e essa paisagem conheço-a há muito, e há muito que com essa mulher que desconheço erro, outra realidade, através da irrealidade dela. Sinto em mim séculos de conhecer aquelas árvores, e aquelas flores e aquelas vias em desvios c aquele ser meu que ali vagueia, antigo e ostensivo ao meu olhar, que o saber que estou nesta alcova veste de penumbras de ver. . .

De vez em quando pela floresta onde de longe me vejo e sinto, um vento lento varre um fumo, e esse fumo é a visão nítida e escura da alcova em que sou atual destes vagos móveis e reposteiros e do seu torpor de noturna. Depois esse vento passa e torna a ser toda só-ela a paisagem daquele outro mundo.

..

Outras vezes este quarto estreito é apenas uma cinza de bruma, no horizonte d'essa terra diversa... E há momentos em que o chão que ali pisamos é esta alcova visível...

Sonho e perco-me, duplo de ser eu e essa mulher. . . Um grande cansaço é um fogo negro que me consome. . . Uma grande ânsia passiva é a vida que me estreita. . .

Ó felicidade baça... O eterno estar no bifurcar dos caminhos! . . . Eu sonho e por detrás da minha atenção sonha comigo alguém. . . E talvez eu não seja senão um sonho desse Alguém que não existe. . .

Lá fora a antemanhã tão longínqua! a floresta tão aqui ante outros olhos meus! E eu, que longe desta paisagem quase a esqueço, é ao tê-la que tenho saudades d'ela. e é ao percorrê-la que a choro e a ela aspiro. ..

As árvores! as flores! o esconder-se copado dos caminhos!. . .

Passeávamos às vezes, de braço dado, sob os cedros e as olaias, nenhum de nós pensava em viver. A nossa carne era-nos um perfume vago e a nossa vida um eco de som de fonte.

Dávamo-nos as mãos e os nossos olhos perguntavam-se o que seria o ser sensual e o querer realizar em carne a ilusão do amor. ..

No nosso jardim havia flores de todas as belezas. . . rosas de contornos enrolados, lírios de um branco amarelecendo-se, papoulas que seriam ocultas se o seu rubro lhes não espreitasse presença, violetas pouco na margem tufada dos canteiros miosótis mínimos, camélias estéreis de perfume. . . E, pasmados por cima de ervas altas, olhos, os girassóis isolados fitavam-nos grandemente.

Nós roçávamos a alma toda vista pelo frescor visível dos musgos e tínhamos, ao passar pelas palmeiras, a intuição esguia de outras terras. . . E subia-nos o choro à lembrança, porque nem aqui, ao sermos felizes o éramos. . .

Carvalhos cheios de séculos nodosos faziam tropeçar os nossos pés nos tentáculos mortos das suas raízes. . . Plátanos estacavam...

E ao longe, entre árvore e árvore de perto, pendiam no silêncio das latadas os cachos negrejantes de uvas.

. .

O nosso sonho de viver ia adiante de nós, alado, e nós tínhamos para ele um sorriso igual e alheio, combinado nas almas sem nos olharmos, sem sabermos um do outro mais do que a presença apoiada de um braço contra a atenção entregue do outro braço que o sentia.

A nossa vida não tinha dentro. Éramos fora e outros. Desconhecíamo- nos. como se houvéssemos aparecido às nossas almas depois de uma viagem através de sonhos. . .

Tínhamo-nos esquecido do tempo, e o espaço imenso empequenara- se-nos na atenção. Fora daquelas árvores próximas, daquelas latadas afastadas, daqueles montes últimos no horizonte haveria alguma cousa de real, de merecedor do olhar aberto que se dá às cousas que existem?. . .

Na clepsidra da nossa imperfeição gotas regulares de sonho marcavam horas irreais. . . Nada vale a pena, ó meu amor longínquo, senão o saber como é suave saber que nada vale a pena. . .

O movimento parado das árvores; o sossego inquieto das fontes; o hálito indefinido do ritmo íntimo das seivas; o entardecer lento das coisas, que parece vir-lhes de dentro e dar mãos de concordância espiritual ao entristecer longínquo, e próximo à alma do alto silêncio do céu; o cair das folhas, compassado e inútil, pingos de alheamento, em que a paisagem se nos torna toda para os ouvidos e se entristece em nós como uma pátria recordada — tudo isto, como um cinto a desatar-se, cingia-nos, incertamente.

Ali vivemos um tempo que não sabia decorrer, um espaço para que não havia pensar em poder-se medi-lo. Um decorrer fora do tempo, uma extensão que desconhecia os hábitos da realidade no espaço. . . Que horas, ó companheira inútil do meu tédio, que horas de desassossego feliz se fingiram ali. . . Horas de cinza de espírito, dias de saudade espacial, séculos interiores de paisagem externa. . . E nós não nos perguntávamos para que era aquilo que não era para nada.

Nós sabíamos ali. por uma intuição que por certo não tínhamos.

que este dolorido mundo onde seríamos dois, se existia, era para além da linha externa onde as montanhas são hábitos de formas, e para além dessa não havia nada. E era por causa da contradição de saber isto que a nossa hora de ali era escura como uma caverna em terra de supersticiosos, e o nosso senti-la era estranho como um perfil de cidade mourisca contra um céu de crepúsculo outonal.

Orlas de marés desconhecidas tocavam, no horizonte de ouvirmos, praias que nunca poderíamos ver, e era-nos a felicidade escutar, até vê-lo em nós, esse mar onde sem dúvida singravam caravelas com outros fins em percorrê-lo que não os fins úteis e comandados da Terra.

Reparávamos de repente, como quem repara que vive, que o ar estava cheio de cantos de ave, e que, como perfumes antigos em cetins, o marulho esfregado das folhas estava mais entranhado em nós de que a consciência de o ouvirmos.

E assim o murmúrio das aves, o sussurro dos arvoredos e o fundo monótono esquecido do mar eterno punham à nossa vida abandonada uma auréola de não a conhecermos. Dormimos ali acordados dias, contentes de não ser nada, de não ter desejos nem esperanças, de nos termos esquecido da cor dos amores e do sabor dos ódios. Julgávamo-nos imortais. . .

Ali vivemos horas cheias de um outro sentirmo-las, horas de uma imperfeição vazia e tão perfeitas por isso, tão diagonais à certeza retângula da vida. . . Horas imperiais depostas, horas vestidas de púrpura gasta, horas caídas nesse mundo de outro mundo mais cheio de orgulho de ter mais desmanteladas angústias . . .

E doía-nos gozar aquilo, doía-nos. . . Porque apesar do que tinha de exílio calmo, toda essa paisagem nos sabia a sermos deste mundo, toda ela era úmida de um vago tédio, triste e enorme e perverso como a decadência de um império ignoto.. .

Nas cortinas da nossa alcova a manhã é uma sombra de luz.

Meus lábios, que eu sei que estão pálidos, sabem um ao outro a não quererem ter vida.

O ar do nosso quarto neutro é pesado como um reposteiro.

A nossa atenção sonolente ao mistério de tudo isto é mole como uma cauda de vestido arrastada num cerimonial no crepúsculo.

Nenhuma ânsia nossa tem razão de ser. Nossa atenção é um absurdo consentido pela nossa inércia alada.

Não sei que óleos de penumbra ungem a nossa idéia do nosso corpo. O cansaço que temos é a sombra de um cansaço. Vemnos de muito longe, como a nossa idéia de haver a nossa vida. . .

Nenhum de nós tem nome ou existência plausível. Se pudéssemos ser ruidosos ao ponto de nos imaginarmos rindo, riríamos sem dúvida de nos imaginarmos vivos. O frescor aquecido dos lenços acaricia-nos (a ti como a mim decerto) os pés que se sentem, um ao outro nus.

Desengunemo-nos, meu amor, da vida e dos seus modos. Fujamos a sermos nós. . . Não tiremos do dedo o anel mágico que chama, mexendo-se-lhe, pelas fadas do silêncio e pelos elfos da sombra e pelos gnomos do esquecimento. . .

E ei-la que, ao irmos a sonhar falar nela, surge ante nós, outra vez, a floresta muita, mas agora mais perturbada da nossa perturbação e mais triste da nossa tristeza. Foge diante dela, como um nevoeiro que se esfolha, a nossa idéia do mundo real, e eu possuo-me outra vez no meu sonho errante, que esta floresta misteriosa esquadra. . .

As flores, as flores que ali vivi! Flores que a vista traduzia para seus nomes, conhecendo-as, e cujo perfume a alma colhia.

não nelas mas na melodia de seus nomes.. . Flores cujos nomes eram repetidos em seqüência, orquestras de perfumes sonoros.

Árvores cuja volúpia verde punha sombra e frescor no como eram chamadas. . . Frutos cujo nome era um cravar de dentes na alma da sua polpa. . . Sombras que eram relíquias de outroras felizes. . . Clareiras, clareiras claras, que eram sorrisos mais francos da paisagem que se boceja em próxima. . . ó horas multicolores!. . . Instantes-flores, minutos-árvores, ó tempo estagnado em espaço, tempo morto de espaço coberto de flores, e do perfume de flores, e do perfume de nomes de flores!. . .

Loucura de sonho naquele silêncio alheio!...

A nossa vida era toda a vida... O nosso amor era o perfume do amor. . . Vivíamos horas impossíveis, cheias de sermos nós. . . E isto porque sabíamos, com toda a carne da nossa carne, que não éramos uma realidade. . .

Éramos impessoais, ocos de nós, outra coisa qualquer. . . Éramos aquela paisagem esfumada em consciência de si própria. . .

E assim como ela era duas — de realidade que era, e ilusão — assim éramos nós obscuramente dois, nenhum de nós sabendo bem se o outro não era ele-próprio, se o incerto outro vivera.

. .

Quando emergimos de repente ante o estagnar dos lagos sentíamo- nos a querer soluçar. . . Ali aquela paisagem tinha os olhos rasos de água, olhos parados cheios de tédio inúmero de ser. . . Cheios, sim, do tédio de ser qualquer coisa, realidade ou ilusão — e esse tédio tinha a sua pátria e a sua voz na mudez e no exílio dos lagos... E nós, caminhando sempre e sem o saber ou querer, parecia ainda assim que nos demorávamos à beira daqueles lagos, tanto de nós com eles ficava e morava, simbolizado e absorto. . .

E que fresco e feliz horror o de não haver ali ninguém! Nem nós, que por ali íamos, ali estávamos. . . Porque nós não éramos ninguém. Nem mesmo éramos coisa alguma.. . Não tínhamos vida que a morte precisasse para matar. Éramos tão tênues e rasteirinhos que o vento do decorrer nos deixara inúteis e a hora passava por nós acariciando-nos como uma brisa pelo cimo de uma palmeira.

Não tínhamos época nem propósito. Toda a finalidade das coisas e dos seres ficara-nos à porta daquele paraíso de ausência.

Imobilizar-se, para nos sentir senti-la, a alma rugosa dos troncos, a alma estendida das folhas, a alma núbil das flores, a alma vergada dos frutos. . .

E assim nós morremos a nossa vida, tão atentos separadamente a morrê-la que não reparamos que éramos um só, que cada um de nós era uma ilusão do outro, e cada um, dentro de si, o mero eco do seu próprio ser. . .

Zumbe uma mosca, incerta e mínima. . .

Raiam na minha atenção vagos ruídos, nítidos e dispersos, que enchem de ser já dia a minha consciência do nosso quarto...

Nosso quarto? Nosso de que dois, se eu estou sozinho? Não sei.

Tudo se funde e só fica, fingindo, uma realidade-bruma em que a minha incerteza soçobra e o meu compreender-me, embalado de ópios, adormece. . .

A manhã rompeu, como uma queda, do cimo pálido da Hora.

. . Acabaram de arder, meu amor, na lareira da nossa vida, as achas dos nossos sonhos.. .

Desenganemo-nos da esperança, porque trai, do amor, porque cansa, da vida, porque farta, e não sacia, e até da morte, porque traz mais do que se quer e menos do que se espera.

Desenganemo-nos, ó Velada, do nosso próprio tédio, porque se envelhece de si próprio e não ousa ser toda a angústia que é.

Não choremos, não odiemos, não desejemos. . .

Cubramos, ó silenciosa, com um lençol de linho fino o perfil hirto da nossa Imperfeição. . .

3 de maio de 2010

Do livro do Desassossego


Fragmento 6
"Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como sempre serei. E penso se a minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não encarna a substância de milhares de vozes, a fome de dizerem-se de milhares de vidas, a paciência de milhões de almas submissas como a minha ao destino quotidiano, ao sonho inútil, à esperança sem vestígios. Nestes momentos meu coração pulsa mais alto por minha consciência dele. Vivo mais porque vivo maior."

Fragmento 36

"São as pessoas que habitualmente me cercam, são as almas que, desconhecendo-me, todos os dias me conhecem com o convívio e a fala, que me põem na garganta do espírito o nó salivar do desgosto físico. É a sordidez monótona da sua vida, paralela à exterioridade da minha, é a sua consciência íntima de serem meus semelhantes, que me veste o traje de forçado, me dá a cela de penitenciário, me faz apócrifo e mendigo."


Fragmento 107

Sou daquelas almas que as mulheres dizem que amam, e nunca reconhecem quando encontram, daquelas que, se elas as reconhecessem, mesmo assim não as reconheceriam. Sofro a delicadeza dos meus sentimentos com uma atenção desdenhosa. Tenho todas as qualidades, pelas quais são admirados os poeta românticos, mesmo aquela falta dessas qualidades, pela qual se é realmente poeta romântico. Encontro-me descrito (em parte) em vários romances como protagonista de vários enredos; mas o essencial da minha vida, como da minha alma, é não ser nunca protagonista.

O cais, a tarde, a maresia entram todos, e entram juntos, na composição da minha angústia. As flautas dos pastores impossíveis não são mais suaves que o não haver aqui flautas e isso lembrar-mas.




Fragmento 213


Tudo se me evapora. A minha vida inteira, as minhas recordações, a minha imaginação e o que contém, a minha personalidade, tudo se me evapora. Continuamente sinto que fui outro, que senti outro, que pensei outro. Aquilo a que assisto é um espectáculo com outro cenário. E aquilo a que assisto sou eu.

Encontro às vezes, na confusão vulgar das minhas gavetas literárias, papéis escritos por mim há dez anos, há quinze anos, há mais anos talvez. E muitos deles me parecem de um estranho; desreconheço-me neles. Houve quem os escrevesse, e fui eu. Senti-os eu, mas foi como em outra vida, de que houvesse agora despertado como de um sono alheio.

É frequente eu encontrar coisas escritas por mim quando ainda muito jovem - trechos dos dezassete anos, trechos dos vinte anos. E alguns têm um poder de expressão que me não lembro de poder ter tido nessa altura da vida. Há em certas frases, em vários períodos, de coisas escritas a poucos passos da minha adolescência, que me parecem produto de tal qual sou agora, educado por anos e por coisas. Reconheço que sou o mesmo que era. E, tendo sentido que estou hoje num progresso grande do que fui, pergunto onde está o progresso se então era o mesmo que hoje sou.

Há nisto um mistério que me desvirtua e me oprime.

Ainda há dias sofri uma impressão espantosa com um breve escerto do meu passado. Lembro-me perfeitamente de que o meu escrúpulo, pelo menos relativo, pela linguagem data de há poucos anos. Encontrei numa gaveta um escrito meu, muito mais antigo, em que esse mesmo escrúpulo estava fortemente acentuado. Não me compreendi no passado positivamente. Como avancei para o que já era? Como me conheci hoje o que me desconheci ontem? E tudo se me confunde num labirinto onde, comigo, me extravio de mim.

Devaneio com o pensamento, e estou certo que isto que escrevo já o escrevi. Recordo. E pergunto ao que em mim presume de ser se não haverá no platonismo das sensações outra anamnese mais inclinada, outra recordação de uma vida anterior que seja apenas desta vida...

Meu Deus, meu Deus, a quem assisto? Quantos sou? Quem é eu? O que é este intervalo que há entre mim e mim?


Fernando Pessoa

2 de maio de 2010

EROS E PSIQUE


Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.


Fernando Pessoa

"um barco abandonado... de léguas ..."


A minha vida é um barco abandonado

A minha vida é um barco abandonado
Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado ?
Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas; peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.

Morto corpo da ação sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.

Os limos esverdeiam tua quilha,
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.



Andei léguas de sombra

Andei léguas de sombra
Dentro em meu pensamento.
Floresceu às avessas
Meu ócio com sem-nexo,
E apagaram-se as lâmpadas
Na alcova cambaleante.
Tudo prestes se volve
Um deserto macio
Visto pelo meu tato
Dos veludos da alcova,
Não pela minha vista.
Há um oásis no Incerto
E, como uma suspeita
De luz por não-há-frinchas,
Passa uma caravana.

Esquece-me de súbito
Como é o espaço, e o tempo
Em vez de horizontal
É vertical. A alcova
Desce não se por onde
Até não me encontrar.
Ascende um leve fumo
Das minhas sensações.
Deixo de me incluir
Dentro de mim. Não há
Cá-dentro nem lá-fora.

E o deserto está agora
Virado para baixo.

A noção de mover-me
Esqueceu-se do meu nome.
Na alma meu corpo pesa-me.
Sinto-me um reposteiro
Pendurado na sala
Onde jaz alguém morto.

Qualquer coisa caiu
E tiniu no infinito.

Fernando Pessoa

1 de maio de 2010

"Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio..."





Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlaçemos as mãos).

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente.
E sem desassossegos grandes.

..............................................................

Acordo de noite subitamente.
E o meu relógio ocupa a noite toda.
Não sinto a Natureza lá fora,
O meu quarto é uma coisa escura com paredes vagamente brancas.
Lá fora há um sossego como se nada existisse.
Só o relógio prossegue o seu ruído.
E esta pequena coisa de engrenagens que está em cima da minha mesa
Abafa toda a existência da terra e do céu...
Quase que me perco a pensar o que isto significa,
Mas estaco, e sinto-me sorrir na noite com os cantos da boca,
Porque a única coisa que o meu relógio simboliza ou significa
É a curiosa sensação de encher a noite enorme
Com a sua pequenez...

.....................................................................

Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.

Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.

Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,

Se cada ano com a Primavera
As folhas aparecem
E com o Outono cessam?
E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.

.................................................................
Fernando Pessoa

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