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"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

26 de junho de 2010

Sobre CAIM


Saramago redime Caim em seu romance

Escritor ataca o catolicismo ao apontar Deus 'como autor intelectual do crime' cometido por Caim

O escritor português José Saramago volta a atacar a religião em Caim, seu novo romance, que será publicado em outubro e no qual redime o protagonista do assassinato de Abel e aponta Deus "como o autor intelectual do crime, ao desprezar o sacrifício que Caim Lhe havia oferecido".

Quase 20 anos depois de seu discutido livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo, que foi vetado pelo governo português para competir pelo Prêmio Europeu de Literatura, o Nobel português faz uma irreverente, irônica e mordaz leitura por diversas passagens da Bíblia, mas não teme que voltem a crucificá-lo.

"Alguns talvez o façam - afirma Saramago - mas o espetáculo será menos interessante. O Deus dos cristãos não é esse Jeová. E mais, os católicos não leem o Antigo Testamento. Se os judeus reagirem não me surpreenderei. Já estou habituado."

No entanto, acrescentou: "Mas é difícil para mim compreender como o povo judeu fez do Antigo Testamento seu livro sagrado. Isso é uma enxurrada de absurdos que um homem só seria incapaz de inventar. Foram necessárias gerações e gerações para produzir esse texto".

José Saramago não considera esse romance seu particular e definitivo ajuste de contas com Deus, porque "as contas com Deus não são definitivas, mas sim com os homens que O inventaram", disse. "Deus, o demônio, o bem, o mal, tudo isso está em nossa cabeça, não no céu ou no inferno, que também inventamos. Não nos damos conta de que, tendo inventado Deus, imediatamente nos tornamos Seus escravos", assinalou o autor.

O escritor nega que o fato de ter chegado perto da morte há um ano, quando foi hospitalizado por conta de uma pneumonia, o tenha feito pensar mais em Deus. "Tenho assumido que Deus não existe, portanto não tive de chamá-Lo em uma situação gravíssima na qual me encontrava. Mas se eu o chamasse, e ele aparecesse, que poderia dizer ou pedir a Ele, que prolongasse minha vida?" Saramago diz ainda que "morreremos quando tivermos que morrer. E diz que quem o salvou foram os médicos, Pilar (sua esposa e tradutora) e o excelente coração que tenho, apesar da idade. O resto é literatura, da pior espécie".

Há um ano o escritor surpreendeu seus leitores pela ironia e humor que destilam as páginas de Viagem do Elefante, e agora volta com Caim. Para Saramago é um mistério. "Não foi deliberada nem premeditada, a ironia e o humor que aparecem nas primeiras linhas de ambos os livros. Poderia ter usado uma narrativa solene, mas seria uma estupidez rechaçar o que está sendo me oferecido numa bandeja de prata.

O escritor começou a pensar em Caim há muitos anos, mas começou a escrever o romance em dezembro de 2008, concluindo o texto em menos de quatro meses. "Estava em uma espécie de transe. Nunca havia me sucedido tal coisa, pelo menos com essa intensidade, com essa força", lembra.

Saramago, que uma vez escreveu que "somos contos de contos contando contos, nada" e assim continua. Escreve mais e mais rápido do que nunca (três livros em um ano), talvez a melhor maneira de continuar vivo.

"É verdade. Talvez a analogia perfeita seja a da vela que lança uma chama mais alta no momento em que vai se apagar. De toda maneira, não se preocupem, não penso em me apagar tão rapidamente", conclui.




24 de junho de 2010

Sobre SARAMAGO



José Saramago, o maior escritor da língua portuguesa ainda vivo, há 14 anos vive num auto-imposto isolamento num arquipélago diante da costa da África -- de onde lança sua voz crítica a sociedades, governos e governantes.

Saramago também foi o primeiro - e, até agora, único - escritor da língua portuguesa a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998.

Conhecido pelo seu ateísmo, é membro do Partido Comunista Português e foi diretor do Diário de Notícias. Casado com a espanhola Pilar del Río, Saramago vive atualmente em Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

Esta é a primeira parte da reportagem especial feita pelo repórter Edney Silvestre, no Jornal da Globo, onde Saramago fala não só de política, mas também de sua vida, sua infância e sua literatura.

23 de junho de 2010

O ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Ensaio sobre a cegueira é um romance do escritor português José Saramago, publicado em 1995 e traduzido para diversas línguas. A obra se tornou uma das mais famosas de seu autor, juntamente com Todos os nomes, Memorial do Convento e O Evangelho segundo Jesus Cristo.

Versão teatral

Em 26 de Fevereiro de 2008 estreou nos palcos da Casa de Cultura Laura Alvim a versão teatral de Ensaio sobre a Cegueira. A direção é de Patrícia Zampiroli, conhecida pelas montagens de Roda Viva e Os Sete Gatinhos.

No Elenco estão doze atores - três da Andantes Cia. Teatral e nove escolhidos por teste - que se revezam na interpretação dos personagens, até mesmo os principais, utilizando adereços característicos para identificação. O cenário é predominantemente branco: uma opção de manter a idéia monocromática da cegueira que acomete os personagens. A adaptação consumiu três meses de trabalho e resultou em um espetáculo dividido em três etapas, assim como a narração do livro. Um outro componente importante é a trilha sonora de Dida Mello.[2]

Além do Teatro Laura Alvim, a peça passou também pelo Teatro da UNIRIO, pelo Teatro Municipal de Macaé e também pelo Teatro da UFF, em Niterói.

Aos olhos de Saramago (autor)

"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso."

Resumo/contexto da obra literária

Esta obra, de José Saramago, faz uma intensa crítica aos valores da sociedade, e ao que acontece quando um dos sentidos vitais falta à população.

A cegueira começa num único homem, durante a sua rotina habitual. Quando está sentado no semáforo, este homem tem um ataque de cegueira, e é aí, com as pessoas que correm em seu socorro que uma cadeia sucessiva de cegueira se forma… Uma cegueira, branca, como um mar de leite e jamais conhecida, alastra-se rapidamente em forma de epidemia. O governo decide agir, e as pessoas infectadas são colocadas em uma quarentena com recursos limitados que irá desvendar aos poucos as características primitivas do ser humano. A força da epidemia não diminui com as atitudes tomadas pelo governo e depressa o mundo se torna cego, onde apenas uma mulher, misteriosa e secretamente manterá a sua visão, enfrentando todos os horrores que serão causados, presenciando visualmente todos os sentimentos que se desenrolam na obra: poder, obediencia, ganância, carinho, desejo, vergonha; dominadores, dominados, subjugadores e subjulgados. Nesta quarentena esses sentimentos se irão desenvolver sob diversas formas: lutas entre grupos pela pouca comida disponibilizada, compaixão pelos doentes e os mais necessitados, como idosos ou crianças, embaraço por atitudes que antes nunca seriam cometidas, atos de violência e abuso sexual, mortes,…

Ao conseguir finalmente sair (devido a um fogo posto na camarata de uma grupo dominante, que instalara ainda mais o desespero controlando a comida a troco de todos os bens dos restantes e serviços sexuais) do antigo hospício onde o governo os pusera em quarentena, a mulher que vê depara-se com a ausência de guarda: “a cidade estava toda infectada”; cadáveres, lixo, detritos, todo o tipo de sujidade e imundice se instalara pela cidade. Os cegos passaram a seguir os seus instintos animais, e sobreviviam como nômades, instalando-se em lojas ou casas desconhecidas.

Saramago mostra, através desta obra intensiva e sofrida, as reacções do ser humano às necessidades, à incapacidade, à impotência, ao desprezo e ao abandono. Leva-nos também a refletir sobre a moral, costumes, ética e preconceito através dos olhos da personagem principal, a mulher do médico, que se depara ao longo da narrativa com situações inadmissíveis; mata para se preservar e aos demais, depara-se com a morte de maneiras bizarras, como cadáveres espalhados pelas ruas e incêndios; após a saída do hospício, ao entrar numa igreja, presencia um cenário em que todos os santos se encontram vendados: “se os céus não vêem, que ninguém veja”…

A obra acaba quando subitamente, exatamente pela ordem de contágio, o mundo cego dá lugar ao mundo imundo e bárbaro. No entanto, as memórias e rastros não se desvanecem.

Personagens

José Saramago não faz a distinção de personagens pelos seus nomes, mas sim pelas suas características e particularidades. Entre os personagens principais, temos o primeiro cego, a mulher do primeiro cego, o médico, a mulher do médico (que vê), a rapariga dos óculos escuros, o velho com a venda no olho e o rapazinho estrábico. Vão aparecendo ao longo do livro outros personagens secundárias, como o cego da pistola, o cego que escreve em braile, o ladrão, os soldados, a velha do primeiro andar,o cão de lágrimas…

A rapariga dos oculos escuros – “Mãezinha, paizinho…Não está ninguém, disse a rapariga dos óculos escuros, e desatou-se a chorar encostada à porta…, não tivéssemos nós aprendido o suficiente do complicado que é o espírito humano, e estranharíamos que queira tanto a seus pais, ao ponto destas demonstrações de dor, uma rapariga de costumes tão livres,…”

EXCERTOS

“Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem”

“O medo cega, disse a rapariga dos óculos escuros, São palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos, Quem está a falar, perguntou o médico, Um cego, respondeu a voz, só um cego, é o que temos aqui.”

“Lutar foi sempre, mais ou menos, uma forma de cegueira, Isto é diferente, Farás o que melhor te parecer, mas não te esqueças daquilo que nós somos aqui, cegos, simplesmente cegos, cegos sem retóricas nem comiserações, o mundo caridoso e pitoresco dos ceguinhos acabou, agora é o reino duro, cruel e implacável dos cegos, Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego, Acredito, mas não preciso, cego já estou, Perdoa-me, meu querido, se tu soubesses, Sei, sei, levei a minha vida a olhar para dentro dos olhos das pessoas, é o único lugar do corpo onde talvez ainda exista uma alma, e se eles se perderam” .

Referências
1. Jornal do Brasil, Caderno B: Cegueira no palco e no cinema. 30 de Janeiro de 2008.
2. Jornal do Commercio. Saramago e o mundo invisível. 15 de Fevereiro de 2008.

22 de junho de 2010

Poema à boca fechada / José Saramago


Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.


(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)

Última mensagem no blog de Saramago lamenta a falta de filosofia na sociedade


A TARDE On Line

A última mensagem deixada no blog de José Saramago, nesta sexta-feira, dia 18, que nos últimos tempos vinha sendo atualizado tanto pelo escritor quanto pela equipe da Fundação José Saramago, criada e mantida por sua esposa Pilar para preservar o legado do autor, refresca nossa memória sobre como a ausência de filosofia na sociedade traz como consequência a falta de poder reflexivo e, consequentemente, das ideias que diferenciam o homem dos outros animais .

“Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma”.

Coincidência ou não, no final da última semana, um outro post mostrava de modo primoroso como é preciso aproveitar a vida até que o fim da nossa existência chegue de fato.

“Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro”.

Na página da Fundação José Saramago, uma mensagem sóbria, em fundo preto , anuncia a morte do escritor, ocorrida por volta das 13h (8h no Brasil), em Lanzarote, onde o autor vivia com Pilar.

Nos trend topics do twitter, a tag Ilhas Canárias, localização geográfica de Lanzarote, já ocupa o topo entre os mais acessados do dia.

21 de junho de 2010

OS POEMAS POSSÍVEIS - José Saramago


Retrato do poeta quando jovem


Há na memória um rio onde navegam
Os barcos da infância, em arcadas
De ramos inquietos que despregam
Sobre as águas as folhas recurvadas.

Há um bater de remos compassado
No silêncio da lisa madrugada,
Ondas brancas se afastam para o lado
Com o rumor da seda amarrotada.

Há um nascer do sol no sítio exacto,
À hora que mais conta duma vida,
Um acordar dos olhos e do tacto,
Um ansiar de sede inextinguida.

Há um retrato de água e de quebranto
Que do fundo rompeu desta memória,
E tudo quanto é rio abre no canto
Que conta do retrato a velha história.


(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)

Biografia de JOSÉ SARAMAGO: Três amores na vida


O grande amor nos tempos de glória de José Saramago foi a jornalista e tradutora espanhola Pilar del Río, que conheceu em 1986, quando ela se deslocou expressamente a Lisboa para o conhecer. O interesse de Pilar despertara numa visita a uma livraria em Sevilha. Deparou com ‘Memorial do Convento’ numa estante. O título cativou-a. Comprou e “devorou-o”.

Após essa primeira abordagem, Pilar, que então trabalhava para a TVE na Andaluzia, leu tudo o que estava traduzido de Saramago. Ao terminar ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis', a jornalista, que afirmou ter sentido "uma comoção muito forte", decidiu deslocar-se a Lisboa.

Saramago reconhece o papel então desempenhado por essa obra junto de Pilar ao dizer em 2002, numa entrevista: "Pelo menos dessa vez toquei no tecto (...) e toquei algo mais (...). Refiro-me a Pilar, claro está..."

O primeiro contacto entre ambos, ocorrido no Hotel Mundial, onde ela se hospedou, aguardando a visita de um homem que imaginara de baixa estatura, deu origem ao intercâmbio de livros e ideias, domínios em que detecteram a existência de grandes afinidades, designadamente de natureza política.

Saramago também a visitou em Espanha. Em 1997 passaram a viver em conjunto e no ano seguinte casaram em Portugal, cerimónia que repetiram em Espanha em 2007, na terra natal de Pilar, Castril.

Esta relação atenuou a estrita reserva mantida até então pelo escritor no que respeita à sua intimidade. A sua filha, Violante, reconheceu em 1999 que Pilar del Río o tornou "mais acessível, mais aberto, mais capaz de derramar os sentimentos." No entanto, o papel que a jornalista espanhola exerceu na vida do escritor ultrapassou em muito esse domínio. O editor brasileiro Luiz Schwarcz sugeriu-o numa frase muito aplaudida que proferiu em 12 de Maio de 2003, perante o casal e numeroso público: "É quase certo que Saramago não seria o que é sem a ajuda de Pilar del Río."

O ano em que Saramago conheceu a jornalista espanhola foi aquele em que se extinguiu a sua precedente relação amorosa, mantida desde 1966 com a escritora Isabel da Nóbrega. Curiosamente, tinha sido precisamente em 1966 que Saramago retomara a carreira literária, depois de uma paragem de 19 anos. E fê-lo não em prosa, mas com poesia - ‘Os Poemas Possíveis'.

A solidez e durabilidade da ligação então encetada transparece nas dedicatórias "a Isabel" que figuram em obras publicadas nesse período, designadamente os êxitos editoriais ‘Levantado do Chão' e ‘Memorial do Convento'. Foi uma "intensa paixão", segundo disse em 1999 Zeferino Coelho, editor e amigo de Saramago.


Isabel da Nóbrega era, como disse o crítico de arte e historiador José Augusto França, "filha das chamadas boas famílias". Provinha, assim, de um meio social estranho à vivência e convicções de Saramago. No passar dos anos a relação degradou-se "com o convívio do dia-a-dia", reconheceu Zeferino Coelho. As reedições de obras ocorridas depois do termo da longa ligação amorosa deixaram de incluir as dedicatórias a Isabel.

Mais raras ou inexistentes são as menções feitas pelo próprio e por terceiros à ligação de Saramago com Ilda Reis. Casaram-se em 1944, tinha o futuro escritor 22 anos de idade. Ilda Reis era natural de Lisboa e trabalhava como dactilógrafa da CP, tendo mais tarde tornado-se conhecida como pintora. Divorciaram-se em 1970. A filha de ambos, Violante, único descendente de Saramago, nasceu em 1947 e licenciou-se em Biologia.

Por:José Luís Feronha

10 de junho de 2010

Exposição Pinacoteca 2009



previewprodu — 5 de março de 2010 — Vídeo que fez parte da exposição de Maria Bonomi na Pinacoteca em 2009
direção:Walter Silveira
edição e produção : Bel Leopoldo e Silva

6 de junho de 2010

"Da gravura à arte pública"



Livro "Da gravura à arte pública" enfoca obra de Maria Bonomi

O trabalho da gravadora e cenógrafa ítalo-brasileira Maria Bonomi é tema do livro "Da Gravura à arte pública", lançado nesta quarta-feira (20) pela Imprensa Oficial, junto a Edusp.

Organizado pela pesquisadora Mayra Laudanna, o livro traz gravuras, desenhos, pinturas, croquis e fotografias. Dividido em três partes, aborda o pensamento de Bonomi sobre o conceito de arte pública, traz entrevistas e um ensaio escrito pelo crítico Leon Kossovitch.

"Maria Bonomi - Da gravura à arte pública"
Organizadora: Mayra Laudanna
Editora:Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Edusp
Preço: R$ 140
420 páginas

4 de junho de 2010

Vídeo Experimental



3 de fevereiro de 2010 — VIDEO EXPERIMENTAL COM A ARTISTA MARIA BONOMI GRAVADO EM 1994 NO SEU ATELIER EM SÃO PAULO TENDO COMO BASE SONORA POEMA DE HAROLDO DE CAMPOS NAS VOZES DO PRÓPRIO, DE BETE COELHO E ARNALDO ANTUNES. A FOTOGRAFIA E CAMERA É DE GRIMA GRIMALDI E A DIREÇÃO DE WALTER SILVEIRA. EDIÇÃO DE GRIMA GRIMALDI, KIKO GOIFMAN E WALTER SILVEIRA. MÚSICA DE CID CAMPOS

INFECÇÃO DA MEMÓRIA - TRANSGRESSÕES ESTÉTICAS DE MARIA BONOMI


Para Geraldo Ferraz, um dos mais importantes críticos de todos os tempos da arte brasileira, as obras de Maria Bonomi “falam sozinhas, marcam seu aparecimento, sua fulgurante presença e seu valor por si sós. (...) Não obstante, não serão gravuras simples. São as mais complexas que já se produziram no quadro de nossa última geração de gravadores, e seu mérito está nos índices de possibilidade que elas atingem, nas dificuldades que superam e nessa vitalidade perene que nelas palpita”.

Maria Bonomi é uma artista que está o tempo todo à procura de novas possibilidades de se pensar a arte. Independente, livre de modismos epocais, constantemente redimensiona o já estabelecido, cristalizado da gravura convencional. Atenta às transformações tecnológicas e sociais, sem saudosismo, incorpora cores, técnicas e materiais contemporâneos que reforçam ainda mais a necessidade de se idealizar uma nova gráfica.

De maneira geral, a xilogravura representou, para um número significativo de gravadores brasileiros, apenas uma experiência inicial, limitada. No entanto, Maria Bonomi, ao adequar a xilo à contemporaneidade, transformou-a em experiência permanente, um ensaio ilimitado, possível somente aos verdadeiros criadores. Um grande desafio, vencido pela artista, considerada, internacionalmente, uma renovadora dessa secular expressão plástica.

Nas últimas décadas, as transformações técnicas desenvolvidas pela gravadora são marcantes: das pequenas matrizes (do princípio de sua iniciação à xilogravura pelas mãos atentas, afetivas e firmes de Lívio Abramo, seu grande incentivador e amigo) para as gravuras de grandes formatos – do intimismo das obras iniciais, destinadas a uma leitura individual, de distanciamento limitado, para os painéis urbanos de arte pública, de grandes formatos e de ampla fruição estética, proporcionada democraticamente à população em geral. Com ousadia desmitifica todos os conceitos preestabelecidos sobre a natureza da xilogravura.

Depois de receber, com grande destaque, o Prêmio Melhor Gravador Nacional, outorgado pela 8ª Bienal Internacional de São Paulo, Maria Bonomi foi convidada, em 1967, para participar da 5ª Bienal dos Jovens (em Paris), mas, na hora de instalar suas obras, a artista ficou perplexa, pois os organizadores daquela conceituada exposição (na época a mais importante mostra de arte contemporânea da Europa) haviam reservado vitrines e mesinhas para todos os gravadores selecionados exporem suas obras. Indignada protestou: “Se a pintura saíra do cavalete, a escultura saíra do pedestal, queria que explicassem por que a gravura tinha de ficar ainda nas tais mesinhas? Foi um incidente terrível.” Apoiada pelo pintor brasileiro Antonio Bandeira, que residia em Paris, Maria Bonomi arranjou um martelo e pendurou suas gravuras de grandes formatos (incomuns até então) nas paredes da Bienal de Paris, um grande impacto para o público e para a crítica especializada. No dia seguinte, a artista ganhou o principal prêmio de gravura da mostra.

As rupturas e os desafios acompanham toda a carreira dessa audaciosa artista. Não olvidar o passado, acompanhar o presente e vislumbrar o futuro são os principais mandamentos de Maria Bonomi. Esteticamente, nada a intimida. O que a incomoda são os desgovernos, todo e qualquer tipo de censura e a permanente injustiça social.

O prêmio alcançado na Bienal de Paris lhe abriu as portas para participar como convidada de significativas mostras no Brasil e no Exterior. Até hoje, Bonomi é a gravadora brasileira que recebe o maior número de convites e homenagens internacionais.

No entanto, o aplauso da crítica, do público e o sucesso comercial de suas obras não a impediram de enfrentar novos desafios estéticos. Assim, contrariando todo e qualquer tipo de padronização e hieratismo, imprime suas xilogravuras em dimensões próximas à escala humana, num diálogo direto com a arquitetura. Rompimento definitivo às convenções ultrapassadas, que conferiam à gravura mera função anexa, posterior. Um divisor de águas na história da xilogravura brasileira: o antes e o depois de Maria Bonomi.

Nos difíceis anos de 1970, em oposição à opressão da ditadura militar brasileira, emblematicamente incorpora os caracteres sígnicos em suas obras: sentimento social/gravuras manifestos. Em 1971, sua xilogravura A Balada do Terror, apresentada em Munique – onde a artista realizava uma exposição individual, pelo simbolismo e repúdio à tirania –, foi destaque internacional.

Além das gravuras de grandes formatos, a partir de 1964, Maria Bonomi descortina uma nova maneira de se utilizar a matriz de uma gravura, transformando-a em módulo, que durante a impressão se repete, se fraciona e se movimenta em várias direções. Numa entrevista, a autora explicou como chegou a este procedimento. Curiosamente, isso aconteceu de uma experiência com o som e, ao ver uma sonoplasta cortar e editar fitas magnéticas, a artista pensou: “Se um som pode ser assim elaborado, transformado, ‘retransposto’, por que não uma matriz? E já que podia se movimentar, resolvi alterar a dinâmica dessas linhas, a vibração daqueles fundos, de modo a conseguir a maior eloqüência da linguagem.” Uma nova violação às regras preestabelecidas da composição xilográfica, que redimensiona, mais uma vez, sua produção plástica.

Nesta exposição organizada pela Bolsa de Mercadorias & Futuros, a artista apresenta as gravuras emblemáticas dos anos de 1970 e 1980 em contraponto a sua obra atual: Frottages Verticais auferidas das matrizes do painel Epopéia Paulista, instalado na Estação da Luz, em São Paulo: site specific art relevo, de 73 metros de comprimento e 3 metros de altura, em que o sulco primordial da xilogravura, concretado, se projeta na cidade que o abraça e o integra como mais um elemento documental, insubstituível, inseparável da memória paulistana – historicidade e magia formal.

Forma e conteúdo, infectados pela memória do local, induzem o usufruidor daquele painel, num descontínuo movimento, a se apropriar de sua autoria, já compartilhada pela artista, com todos os participantes, que, durante três meses, a seu lado, no Museu de Arte Contemporânea da USP, infectaram, com seus gestos gráficos e com sua memória, a finalização do grande projeto idealizado para celebrar os 450 anos de fundação da cidade de São Paulo.

Composto de dois polípticos integrados às imagens e aos sons de dois vídeos simultâneos, o site specific art Infecção da Memória, independente de uma única autoria ou contaminado por inúmeras autorias, repercute diretamente – por seus aspectos estéticos, vivenciais, históricos, cotidianos e, em especial, por suas múltiplas possibilidades de leituras – no imaginário das pessoas, potencializando intelecções “das contradições contemporâneas no âmbito ético, estético, territorial, político, cultural, filosófico etc. etc.”

Uma exposição aberta, provocativa, um convite à participação do público (que poderá inclusive levar para casa fragmentos impressos do painel).

Infectada pelo painel Epopéia Paulista, a instalação Infecção da Memória refaz, indiretamente, em sua gênese, o processo criativo da própria artista: o que era matriz transforma-se em painel/relevo. O relevo converte-se em uma nova matriz primicial para as gravuras/frottages desta exposição. Um ciclo estético, mágico, alcançado pelas transgressões estético-formais de uma artista que não rejeita os desafios e as provocações plásticas da nova gráfica contemporânea.

João J. Spinelli
Curador

2 de junho de 2010

OBRAS de Maria Bonomi - XILOGRAVURA





Maria Bonomi trabalha com a xilogravura como quem trabalha com o mais delicado dos processos. Faz sobreposições e combinações, reinventando a maneira de usar as matrizes.


E mescla o duro processo da xilo com a leveza do papel japonês, no qual grava a maioria de suas obras.


Se a xilo pode ser vista como algo duro, a gravurista destrói esta idéia com suas series cheias de movimento, cores e emoções, construídas em painéis hora mais concretistas, hora extremamente poéticos, mas sempre cheios de emoção. Impossível não pensar em suas mãos esculpindo os sulcos para depois transferi-los ao papel de forma magistral.


Para ir além do papel e atingir um maior número de pessoas, Bonomi leva suas sobreposições para o espaço público, com seus relevos em concreto ou metal, dispostos em vários espaços públicos de São Paulo como na Igreja Mãe do Salvador, no Palácio dos Bandeirantes e na estação de metrô Jardim São Paulo. Nestes murais, a gravadora explora o resultado gráfico trazido pelas matrizes das xilogravuras.


"Vitalidade, veemência, paixão, ousadia formal são as características da obra gráfica desta artista que soube transmitir às suas gravuras a paixão de seus sentimentos e a densa expressividade da síntese formal". Livio Abramo


por Luana Azeredo – consultoria de tendências


http://nextnow.wordpress.com

1 de junho de 2010

Maria Bonomi no Estadão

LINK:
http://3.bp.blogspot.com/_0nMUHaMj6IA/TAVg_6lUF4I/AAAAAAAABFI/-TaS6_hvfj8/s1600/mariab


Entrevista 50 anos de carreira

A gravurista Maria Bonomi comemora 50 anos de carreira com uma retrospectiva com 150 obras na Pinacoteca do Estado de São Paulo.Programa Metrópolis.


Biografia, trabalhos e parceria

Maria Anna Olga Luiza Bonomi (Meina, Itália 1935). Gravadora, escultora, pintora, muralista, curadora, figurinista, cenógrafa, professora. Maria Bonomi vem para o Brasil em 1946, fixando-se em São Paulo. Estuda pintura e desenho com Yolanda Mohalyi (1909 - 1978), em 1951, e com Karl Plattner (1919 - 1989), em 1953. No ano seguinte, inicia-se em gravura com Lívio Abramo (1903 - 1992). Realiza a sua primeira individual em São Paulo, em 1956, formando-se em desenho na Universidade de Columbia, Nova York,tornando-se artista plástica.

Seu primeiro trabalho como cenógrafa é em As Feiticeiras de Salém, de Arthur Miller, em 1960, para o Pequeno Teatro de Comédia. No ano seguinte, para essa mesma companhia, faz Sem Entrada e Sem Mais Nada, de Roberto Freire (1927 - 2008), ambos espetáculos de Antunes Filho, seu futuro marido.

Em 1962, no Teatro Brasileiro de Comédia - TBC, está em Yerma, de Federico García Lorca, outra encenação de Antunes, levando o Prêmio Associação Paulista de Críticos de Teatro, APCT, de melhor figurino. Logo a seguir, faz A Morte do Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, uma direção de Flávio Rangel para a casa. Para o Teatro da Esquina, empreendimento de Antunes e Ademar Guerra, Maria faz dois trabalhos de grande relevo: A Megera Domada, de William Shakespeare, em 1965, premiada com o Saci, Molière e APCT de melhor cenógrafa, e A Cozinha, de Arnold Wesker, 1968, em que ganha melhor cenografia pelo Prêmio Governador do Estado, ambos conduzidos por Antunes.

Para o mesmo diretor, em 1967, cenografa Black-Out, de Frederick Knott, reproduzindo um autêntico apartamento nova-iorquino para ambientar a ação.

Para o mesmo encenador cria, em 1970, os figurinos de Peer Gynt, de Henrik Ibsen, sendo novamente premiada. Em 1971, cria o apartamento do publicitário de Corpo a Corpo, de Oduvaldo Vianna Filho, sua última colaboração com Antunes Filho, de quem se separa em 1972. Com Ademar Guerra, no Paraná, faz dois trabalhos bem-sucedidos: A Colônia Cecília, de Renata Palottini, em 1984, e Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo (1831 - 1852), 1989, duas superproduções envolvendo elencos numerosos.

Sobre a importância da parceria artística entre Maria e Antunes, comenta o diretor Ademar Guerra: "Depois de Doce Pássaro, Antunes Filho volta da Europa e dirige no Pequeno Teatro de Comédia As Feiticeiras de Salém, de Arthur Miller, e Sem Entrada e Sem Mais Nada, de Roberto Freire. Nessa época, Maria Bonomi entra na vida do Antunes. Ela o faz mudar. Maria foi a ponte para Antunes dar seu grande salto qualitativo. A sua influência na carreira dele é muito grande. Eles se conheceram em As Feiticeiras de Salém - ela fazia cenário e figurino. Ali Maria começa a ampliar a visão de Antunes. Ela percebe o gênio e o estimula a se abrir para as coisas que ele poderia entender e fazer. Sem Maria, não sei o que seria do Antunes. Ela o ajuda a queimar etapas, de uma forma positiva. O que me impressionou na Maria Bonomi, desde que a conheci, é que está sempre muitos anos à frente. Ela intui as coisas antes que aconteçam. Devia abrir uma tenda, dessas que lêem o futuro, tamanha a sua capacidade de se antecipar aos fatos, às tendências... ".

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