Filha de Persephone

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"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

31 de julho de 2010

O filme "A casa do lago" e Jane Austen



O filme "A casa do lago" não atrai à primeira vista. O nome nos lembra aqueles filmes repetitivos de terror ou suspense. E a dupla Keanu Reeves e Sandra Bullock já é velha conhecida de filmes populares. No entanto, a produção norte-americana (dirigida pelo cineasta argentino Alejandro Agresti) traz algumas surpresas. Nem sempre boas, claro.

A história é um romance estranho entre Kate (Sandra Bullock) e Alex (Keanu Reeves). Ela é uma médica solitária que vivia em uma casa à beira de um lago. Ao mudar da casa, passa a trocar cartas com o novo morador da residência, um arquiteto frustrado, Alex. Essa troca de cartas, entretanto, tem uma aura de mistério, afinal eles descobrem que estão em tempos diferentes (um período de diferença de 2 anos). Parece um conto de fadas modernos, afinal eles descobrem que são bastante parecidos mas a concretização desse amor é mais difícil do que eles imaginam.

O expectador é envolvido pela boa direção, pela química do casal e os momentos interessantes da história. Mas o enredo nos parece truncado, cheio de buracos. No meio da história, o livro "Persuasão" de Jane Austen aparece. Kate o esquece numa estação de trem e Alex guarda-o para ela. Sabemos, como leitores e expectadores atentos, que nenhum autor ou obra é citado dentro de outra de forma aleatória ou "sem querer". O livro não foi escolhido por acaso e deve conter alguma "leitura" do próprio filme. Não precisamos ir longe, o próprio filme conta-nos o enredo do livro: é uma história de amor impossível, pois os personagens não conseguem se acertar no tempo certo. É uma síntese da própria história do filme. Alex e Kate precisam estar no mesmo "tempo" (literalmente) para se encontrar e viver o grande amor.

O livro "Persuasão" (de 1818) é uma obra póstuma da grande escritora inglesa Jane Austen. Ela é famosa pelos livros "Razão e Sensibilidade" (obra já filmada), "Ema" e "Orgulho e preconceito" (este também filmado recentemente numa belíssima produção). Jane Austen é considerada a segunda figura mais importante da literatura inglesa (ficando atrás apenas de Shakespeare). Viveu em relativo isolamento e nunca se casou. "Persuasão" não é achado facilmente em edição brasileira (achei-o apenas em uma edição portuguesa) e foi o último romance escrito por Jane em que encontramos a heroína "Anne Elliot" (considerada a mais notável). É considerada sua obra mais madura e se afasta do tom predominantemente satírico de seus romances anteriores.

Até que ponto a história do livro nos ajuda a perceber e reler o filme e seu enredo meio "esburacado"? Ou mesmo quem sabe o livro não nos mostre um outro lado do filme que não percebemos? São perguntas instigantes que nos motiva a ler mais esse livro de Jane Austen. Estudos e novas leituras do filme são bem vindos...

Por Valéria de Oliveira Alves

30 de julho de 2010

TODOS AMAM JANE.ATÉ OS MORTOS-VIVOS (revista Veja)


Orgulho e Preconceito e Zumbis, que mistura o texto original
de Jane Austen a uma praga de criaturas hediondas, é uma prova
de que a modernidade não afeta os artistas verdadeiramente imortais

Isabela Boscov

"... mas o Sr. Darcy, o amigo, logo chamou sobre si as atenções do salão pela sua alta e elegante estatura, os traços formosos e o porte desenvolto, correndo célere, cinco minutos após a sua entrada, o rumor de que ele possuia rendimentos no valor de dez mil libras anuais. Os cavalheiros classificaram-no como um belo tipo de homem, as senhoras declararam ser ele bem mais formoso que o Sr. Bingley, e ele foi longamente admirado, até os seus modos deixarem transparecer um enfado que muito afetou a sua popularidade. A partir desse momento consideraram-no um orgulhoso e pedante, longe de se mostrar divertido, e nem as suas extensas prosperidades no Derbyshire o impediram de ter uma expressão sinistra e desagradável e ser indigno de comparação com o amigo.
O Sr. Bingley em breve tinha feito conversa a todas as principais pessoas na sala. Alegre e animado, dançou todas as danças, lamentou o baile terminar tão cedo e falou em ele próprio realizar um em Netherfield. Tais qualidades, só por si, falavam. E que contraste entre ele e o seu amigo! O Sr. Darcy dançou apenas uma vez com a Sra. Hurst e outra com a Menina Bingley, recusou ser apresentado a qualquer outra jovem e passou o resto da noite passeando pelo salão, conversando ocasionalmente com um ou outro do seu grupo. O seu caráter estava definido. Era o homem mais orgulhoso e desagradável do mundo, e todos esperavam que ele não mais voltasse ao seu convívio. Entre as pessoas mais inflamadas contra ele contava-se a Sra. Bennet, cuja antipatia pelo seu comportamento geral se avivara num ressentimento particular por ele ter desdenhado uma das suas filhas."

(trecho do livro Orgulho e Preconceito, de Jane Austen)

Jane Austen morreu em 1817, aos 41 anos. Logo antes de expirar, disse que nada mais necessitava da vida que não a morte. Talvez fosse resignação, talvez fosse vaidade. Em uma célebre carta a um sobrinho, anos antes, a escritora descrevera seu trabalho como o de alguém que pinta "com um pincel finíssimo sobre um pedacinho de marfim, produzindo quase nenhum efeito depois de muita labuta". Era, enfim, uma autora de perfeccionismo intransigente – e, sendo também dona de um senso crítico implacável, é quase certo que estivesse segura da marca que, não obstante a morte precoce, deixaria na literatura: um livro incompleto, por causa da saúde em declínio; cinco romances perfeitos; e um romance sublime, Orgulho e Preconceito. Em seu breve período produtivo, Jane fora já muito festejada. Nos quase 200 anos desde sua morte, alcançou uma envergadura só um pouco menor que a de William Shakespeare: é a escritora obrigatória para todo autor de língua inglesa com alguma ambição estilística (e deveria ser para os de todas as outras línguas também, com lucros consideráveis para o leitor). Quem não conhece a fundo como Jane Austen manejou o idioma não pode aspirar a domá-lo completamente. Das inovações na pontuação à doutrina da precisão despótica no uso do vocabulário, ela estabeleceu o padrão-ouro. Em outro aspecto, ainda não surgiu quem se iguale a ela: no poder misterioso de emitir julgamentos vastos sobre seus personagens com um mero turn of phrase, como se diz: aquele volteio malicioso que se dá a uma frase para que, embora aparente inocência, ela transpire zombaria, ironia ou cinismo (a desaprovação era uma especialidade sua). O melhor romance dessa autora maravilhosa ganhou uma versão um tanto heterodoxa: o absurdamente divertido Orgulho e Preconceito e Zumbis (tradução de Luiz Antonio Aguiar; Intrínseca; 320 páginas; 29,90 reais).

No livro do americano Seth Grahame-Smith (que assina como "coautor", com Jane), o vilarejo de Meryton é o mesmo do texto original, cheio de intrigas, fofocas e demonstrações desavergonhadas de oportunismo social. Mas a Inglaterra convive também com outra praga: os mortos-vivos que se propagam com particular rapidez durante a primavera, quando as chuvas amolecem o solo e lhes tornam mais fácil emergir de seus túmulos. Elizabeth Bennett, a protagonista, conserva a língua afiada – assim como suas espadas e adagas. Treinada por um mestre de shaolin, ela é uma emérita matadora de zumbis e de quem mais a ofenda. Tanto que, quando conhece o arrogante Mr. Darcy e ele a esnoba num baile, cogita decapitá-lo. Acaba esquecendo a ideia porque os convivas são atacados por uma horda repelente e ela tem de ir à luta. "Planejar como inserir os zumbis na história foi um trabalho penoso. Já escrever as cenas foi a coisa mais deliciosa que fiz", disse a VEJA Grahame-Smith. Não deve ser força de expressão: algumas passagens, como aquela em que a feiosa Mrs. Collins, em plena metamorfose, tenta acertar a direção das colheradas de sopa enquanto sonha em mastigar cérebros, são uma mescla tão bem urdida do linguajar de Jane Austen com o humor pop contemporâneo que dá vontade, a qualquer um, de tê-las escrito. E de lê-las: em uma acolhida que não poderia ser calculada, Orgulho e Preconceito e Zumbis chegou ao terceiro posto na lista de livros mais vendidos do jornal The New York Times.

Jane Austen é hoje uma marca extremamente rentável. Além de um sem-número de filmes declaradamente ou não adaptados de seus romances, há centenas de títulos que se aproveitam de seus personagens e histórias. Orgulho e Preconceito e Zumbis, porém, inaugurou uma nova tendência: o mash-up classic, ou "clássico mistureba", em tradução livre. A mesma editora americana, a Quirk Books, lançou Razão e Sensibilidade e Monstros Marinhos; outras empresas embarcaram na onda com títulos que combinam, sobretudo, Jane a vampiros. Como o filão vem rendendo ouro, muitos outros clássicos devem ganhar versões assim dadaístas. Jane talvez se sentisse insultada com essa carinhosa bagunça com seu trabalho tão laboriosamente escrito e reescrito. Ou talvez não. A imitação (e eventual mutilação) é a maior homenagem que se pode prestar a um artista – e nem orgulho nem senso de humor lhe faltavam. Ao contrário do preconceito, que ela só alimentava para com pessoas aborrecidas, mesquinhas ou, que gafe, sem imaginação.

29 de julho de 2010

Mansfield Park (1814)


Mansfield Park é uma novela por Jane Austen, Escrito em Chawton Casa entre 1812 e 1814. Foi publicado em julho de 1814, por Thomas Egerton , que publicou dois romances de Jane Austen antes, Sense and Sensibility e Pride and Prejudice. Quando o romance chegou a uma segunda edição , a publicação foi retomada por John Murray, Que também publicou o seu sucessor, Emma.

Enredo

O personagem principal, Fanny Price, É um jovem de uma família relativamente pobre , criado por seu tio rico e tia, Sir Thomas e Lady Bertram, em Mansfield Park. Ela cresce com seus quatro primos, Tom Bertram, Edmund Bertram, Maria Bertram e Julia, mas é sempre tratado como inferior a eles , só Edmund mostra sua bondade real. Ele também é o mais virtuoso dos irmãos : Maria Julia e é vaidoso e mimado , enquanto Tom é um jogador irresponsável. Ao longo do tempo , a gratidão pela bondade de Fanny Edmund secretamente cresce em amor romântico.

Quando os filhos cresceram , a popa patriarca Sir Thomas folhas de um ano para que ele possa lidar com problemas em sua fazenda em Antígua. O elegante e mundana Henry Crawford e sua irmã Mary Crawford chegar na aldeia, e ficar com sua irmã , a esposa do Parson's . A chegada do Crawfords interrompe o mundo sério de Mansfield e desencadeia uma série de relacionamentos amorosos . Maria e Edmund começar a formar uma ligação , embora muitas vezes Edmundo teme que suas maneiras são elegantes e conversa dela muitas vezes cínico , mascarando a falta de princípios firmes. No entanto, ela é envolvente, belo e encantador, e sai do seu caminho para a amizade com Fanny. Fanny medos que Maria tem encantado Edmund e amor o cegou para suas falhas . Henry joga com o afeto de ambos e Maria Júlia, Maria , apesar de ser já contratado para o maçante, mas muito rico, Mr. Rushworth . Maria acredita que Henry é realmente apaixonado por ela , e trata com frieza Rushworth Senhor , invocando o seu ciúme. Fanny é tão pouco observado no círculo familiar e sua presença é muitas vezes esquecido e que muitas vezes as testemunhas Maria e Henry em situações comprometedoras.

Encorajado por Tom e seu amigo Sr. Yates, os jovens decidem pôr em Elizabeth Inchbald'S play Lovers ' Votos; Edmund e Fanny tanto inicialmente se opõem ao plano , acreditando Sir Thomas desaprovaria ea sensação de que o assunto da peça não é apropriado. Edmund é eventualmente seduzidos , oferecendo a desempenhar o papel de Anhalt, o amante da personagem interpretada por Mary Crawford. Bem como dar Maria e Edmund um veículo para falar sobre amor e casamento , o jogo fornece um pretexto para Henry e Maria de flertar em público. Sir Thomas chega inesperadamente no meio de um ensaio , que termina o plano. Henry folhas, e Maria é esmagado ; percebendo que Henry não a ama , ela se casa com Mr. Rushworth e partem para Brighton, Tendo Julia com eles. Enquanto isso, parece melhor Fanny e temperamento agradável agradou a Sir Thomas , que dá mais atenção aos seus cuidados .

Henry volta para Mansfield Park e decide se divertir fazendo Fanny queda no amor com ele. Entretanto, sua verdadeira gentileza e simpatia com que ele se apaixonar por sua vez . Quando ele propõe casamento , nojo Fanny em seu flerte imprópria com seus primos , bem como o seu amor por Edmund, causar-lhe a rejeitá-lo. O Bertrams estão desanimados , pois é um jogo extremamente vantajoso para uma menina pobre como Fanny. Sir Thomas repreende -la por ingratidão. Henry decide que ele vai continuar a exercer a Fanny , esperando que com o tempo ela vai mudar de idéia , vindo a acreditar que ele é constante. Sir Thomas oferece suporte a um plano de Fanny para visitar a sua família relativamente pobre em Portsmouth, Esperando que, como Fanny sofre com a falta de conforto ali, ela vai perceber a utilidade de um bom rendimento. Henry Fanny paga uma visita a Portsmouth, para convencê-la que ele mudou e é digno de seu afeto. Fanny atitude começa a amolecer , mas ela ainda afirma que ela não vai casar com ele.

Henry vai para Londres e logo depois , Fanny tem conhecimento de um escândalo envolvendo Henry e Maria. Os dois se encontraram novamente e reacendeu suas flerte , que rapidamente se desenvolveu em um caso. O caso é descoberto e sugerida em um jornal nacional , Maria deixa a casa do marido e foge com Henry. O escândalo é terrível e os resultados em caso de divórcio de Maria , mas Henry se recusa a casar com ela. Para piorar , o Tom devassa ficou doente , e Julia tem fugido com o Sr. Yates. Fanny retorna para Mansfield Park para o conforto de sua tia e tio e ajudar a cuidar do Tom .

Embora Edmundo sabe que o casamento com Mary agora é impossível por causa do escândalo entre os seus parentes, ele vai para vê-la uma última vez. Durante a entrevista , fica claro que Maria não condena o adultério Henry e Maria , só que foi pego. Sua principal preocupação é cobri-la e ela implica que se Fanny aceitou Henry, ele teria sido muito ocupado e feliz por ter um caso, e teria ficado satisfeita com apenas um flerte . Isso revela a verdadeira natureza de Maria para Edmundo, que percebe que ele tinha idealizado como alguém que não é. Ele diz a ela para e volta a Mansfield e sua vida como um Parson em Thornton Lacey. "No exato momento em que deveria ser assim, e não uma semana mais cedo. " Edmund percebe o quão importante é para ele Fanny , declara o seu amor por ela e eles são casados. Tom recupera de sua doença , um homem firme e melhor para ele, e fuga de Julia torna-se não um negócio tão desesperado depois de tudo. Austen aponta que se Crawford tinha apenas persistiu em ser fiel a Fanny, e não sucumbiu à affair com Maria , Fanny , eventualmente, teria aceito a sua proposta de união , especialmente depois de Edmund havia se casado com Maria.

28 de julho de 2010

EMMA

Emma, Por Jane Austen, É um romance sobre os perigos do romance mal interpretado. O romance foi publicado pela primeira vez em Dezembro 1815. Como em suas novelas outros Austen explora as preocupações e dificuldades das mulheres que vivem em genteel Georgiano-Regência Inglaterra , ela também cria uma animada "comédia de costumes'Entre seus personagens.

Antes que ela começou o romance, Jane Austen escreveu, "eu estou indo tomar uma heroína que ninguém além de mim será muito semelhante . "Na primeira frase que introduz o personagem-título como " Emma Woodhouse, bonita, inteligente e rico. " Emma, no entanto, também é bastante mimada , ela muito superestima suas habilidades matchmaking própria , e ela é cega para os perigos de se intrometer nas vidas de outras pessoas e muitas vezes é confundido sobre os significados das ações dos outros .

ENREDO

Embora convencido de que ela mesma nunca vai se casar , Emma Woodhouse , uma moradora precoce vinte anos, da aldeia de Highbury, imagina -se ser naturalmente dotado de prestidigitação amor encontrados. Após a auto-declarada entre o sucesso no matchmaking sua governanta e Mr. Weston , um viúvo da aldeia, Emma toma a seu cargo a encontrar uma correspondência elegíveis para seu novo amigo , Harriet Smith. Embora a filiação Harriet é desconhecida, Emma está convencida de que Harriet merece ser esposa de um cavalheiro e de olhos da amiga contra o Sr. Elton, o vigário da aldeia. Enquanto isso , Emma convence Harriet rejeitar a proposta de Robert Martin , um bem -fazer fazendeiro para quem Harriet claramente tem sentimentos.

Harriet se apaixona com o Sr. Elton sob o incentivo de Emma, mas os planos de Emma dar errado quando Elton deixa claro que sua afeição não é para Emma , Harriet . Emma percebe que sua obsessão em fazer um jogo para Harriet cegou -lhe que a verdadeira natureza da situação. Mr. Knightley, irmão de Emma -de-lei e estimado amigo , relógios esforços Emma matchmaking com um olho crítico . Ele acredita que o Sr. Martin é um homem digno jovem Harriet quem seria a sorte de se casar. Ele e Emma discussão sobre a intromissão de Emma, e, como de costume, Mr. Knightley revela-se o mais sábio do par. Elton, repelido por Emma e ofendido por sua insinuação de que Harriet é seu igual , as folhas para a cidade de Bath e se casar com uma mulher há quase imediatamente.

Emma é deixada para o conforto e Harriet se perguntar sobre o caráter de um novo visitante esperado em Highbury - Mr. filho Weston , Frank Churchill . Frank está definido para visitar seu pai em Highbury , depois de ter sido criado por seu tio e tia em Londres, que também o adotou como seu herdeiro. Emma não sabe nada sobre Frank , que tem sido impedido de visitar seu pai, sua tia doenças e queixas. Mr. Knightley é imediatamente suspeitas do jovem , principalmente depois que Frank corre de volta a Londres apenas para ter seu cabelo cortado . Emma , no entanto , encontra Frank delicioso e percebe que seus encantos são direcionados principalmente para ela. Apesar de ter planos para desencorajar esses encantos, ela encontra-se lisonjeado e inicia um flerte com o jovem. Emma cumprimenta Jane Fairfax, uma outra adição ao conjunto Highbury , com menos entusiasmo. Jane é bonito e feito , mas Emma não gosta dela por causa de sua reserva e, insinua o narrador, porque ela tem ciúmes de Jane.

Suspeição , intriga e enganos seguem. Mr. Knightley defende Jane, dizendo que ela merece compaixão, porque , ao contrário de Emma , ela não tem fortuna independente e deve logo sair de casa para trabalhar como governanta . A Sra. Weston suspeita que o calor da defesa do Sr. Knightley vem de sentimentos românticos , uma implicação resiste Emma. Todo mundo assume que Frank e Emma estão formando um anexo, embora Emma logo descarta Frank como um pretendente em potencial e imagina -lo como um jogo para Harriet. Em um baile de aldeia , Knightley ganha aprovação de Emma oferecendo-se para dançar com Harriet, que acaba de ser humilhado pelo Sr. Elton e sua nova esposa . No dia seguinte, Harriet Frank salva de mendigos cigano. Quando Harriet Emma diz que ela caiu no amor com um homem acima de sua estação social , Emma acredita que ela significa Frank. Knightley começa a suspeitar que Frank e Jane têm um acordo secreto , e ele tenta avisar Emma. Emma ri sugestão Knightley e perde a aprovação da atriz quando ela flerta com Frank e insultos Miss Bates, uma solteirona kindhearted e tia Jane, em um piquenique . Quando Knightley reprimendas Emma, ela chora.

Notícias que vem tia Frank morreu, e este evento abre o caminho para uma inesperada revelação que lentamente resolve os mistérios. Frank e Jane foram secretamente contratados; suas atenções para a Emma tem sido uma tela para esconder a sua preferência é verdade. Com a morte de sua tia e aprovação de seu tio , Frank já pode casar Jane, a mulher que ele ama. Emma se preocupa que Harriet será esmagado , mas ela logo descobre que é Knightley não , Frank , que é o objeto de afeição de Harriet . Harriet acredita que as ações Knightley seus sentimentos. Emma encontra-se perturbado pela revelação Harriet , e sua angústia forças a ela para perceber que ela está apaixonada por Knightley. Emma Knightley espera para lhe dizer que ele ama Harriet , mas, para seu deleite , Knightley declara seu amor por Emma. Harriet é logo confortado por uma segunda proposta de Robert Martin , que ela aceita. O romance termina com o casamento de Harriet e Mr. Martin e de Emma e Mr. Knightley , resolvendo a questão de quem ama quem depois de tudo.

EMMA, o filme

Emma é um filme anglo-estadunidense de 1996, do gênero comédia romântica, dirigido por Douglas McGrath e com roteiro baseado em obra homônima de Jane Austen, publicada em 1815.

Direção: Douglas McGrath
Roteiro: Douglas McGrath
Elenco original:
Gwyneth Paltrow
James Cosmo
Greta Scacchi
Alan Cumming
Toni Collette
Ewan McGregor
Género:comédia romântica
Idioma original:inglês

SINOPSE
Emma Woodhouse é uma mulher bonita, inteligente e rica, que vive confortavelmente ao lado do pai viúvo na pequena cidade de Higbury, no interior da Inglaterra. Quando a sua governanta, Miss Taylor, se casa com o vizinho, Mr. Weston, Emma sente um vazio em sua vida e decide ajudar as pessoas a terem uma vida tão perfeita quanto a sua. Torna-se, então, uma casamenteira e passa a dar conselhos na vida sentimental das amigas, apoiando, aprovando ou desaprovando os romances conforme seu juízo de valores. Mas, apesar de aparentar autoridade no assunto, ela se revela uma mulher que nunca se apaixonou.

27 de julho de 2010

Orgulho e Preconceito



Pride and Prejudice (br/pt: Orgulho e Preconceito) é um romance da escritora britânica Jane Austen. Publicado pela primeira vez em 1813, na verdade havia sido terminado em 1797,antes de ela completar 21 anos, em Steventon, Hampshire, onde Jane morava com os pais. Originalmente denominado First Impressions, nunca foi publicado sob aquele título; ao fazer a revisão dos escritos, Jane intitulou a obra e a publicou como Pride and Prejudice.Austen pode ter tido em mente o capítulo final do romance de Fanny Burney, Cecilia, chamado "Pride and Prejudice".

A história mostra a maneira com que a personagem Elizabeth Bennet lida com os problemas relacionados à educação, cultura, moral e casamento na sociedade aristocrática do início do século XIX, na Inglaterra. Elizabeth é a segunda de 5 filhas de um proprietário rural na cidade fictícia de Meryton, em Hertfordshire, não muito longe de Londres.

Apesar de a história se ambientar no século XIX, tem exercido fascínio mesmo nos leitores modernos, continuando no topo da lista dos livros preferidos e sob a consideração da crítica literária. O interesse atual é resultado de um grande número de adaptações e até de pretensas imitações dos temas e personagens abordados por Austen.

Atualmente, acredita-se que o livro tenha cerca de 20 milhões de cópias ao redor do mundo.

ENREDO

No início do romance, Mr. Bingley, um jovem e saudável cavalheiro, aluga uma propriedade no campo chamada Netherfield, perto dos Bennet. Ele chega à cidade acompanhado de sua irmã, Caroline Bingley, e de um amigo, Mr. Darcy. Enquanto Bingley é bem recebido pela comunidade, Darcy mantém uma postura mais distante e desconfiada com relação às pessoas do campo. Bingley e Jane Bennet iniciam um relacionamento, a despeito das interferências inadequadas e embaraçosas de Mrs. Bennet e da oposição das irmãs de Bingley, que consideram Jane socialmente inferior. Enquanto isso, Elizabeth é “ferida” pela rejeição de Darcy durante uma dança local, e decide rebater a indiferença dele com sua perspicácia e espirituosidade.

Elizabeth começa, por sua vez, uma amizade com Mr. Wickham, um oficial que tem animosidades com Darcy. Wickham conta a ela que foi maltratado pelo mesmo, e Elizabeth imediatamente soma tais informações entre os motivos de seu ódio a Darcy. Ironicamente, mas sem o conhecimento dela, Darcy começa a se interessar, aos poucos, por Elizabeth.

Quando Bingley parece resolvido a propor casamento a Jane, ele deixa repentinamente Netherfield, deixando Jane confusa e desapontada. Elizabeth se convence de que as irmãs de Bingley e Darcy conspiraram para separar os dois apaixonados.

Após a partida de Bingley, Mr. Collins, o primo das Bennet que herdará Longbourn, chega e fica um tempo com os Bennets; ele é um clérigo apadrinhado de Lady Catherine de Bourgh, tia de Darcy, e além de ter vindo visitar sua patronesse, vem escolher, entre as irmãs Bennet, uma esposa. Mr. Bennet e Elizabeth não aprovam o seu comportamento egoísta e pedante; Collins se interessa por Jane, mas quando sabe de suas pretensões por Bingley, se volta para Elizabeth, a quem propõe casamento. Elizabeth o rejeita, para desgosto da inadequada Mrs. Bennet. Collins, então, propõe casamento para a amiga íntima de Elizabeth, Charlotte Lucas, que aceita.


Na primavera, Elizabeth acompanha Charlotte e seu primo à paróquia de Kent, que é vizinha de Rosings Park, a grande mansão da tia de Mr. Darcy, Lady Catherine de Bourgh. Ao visitar Lady Catherine, Mr. Darcy encontra Elizabeth, e ela acaba descobrindo que ele foi a causa da separação de Bingley e Jane. Depois, Darcy admite seu amor por Elizabeth e se declara, mas essa o recusa, sob a alegação de ele ter separado sua irmã de Bingley.

Mediante a veemência das acusações de Elizabeth, Darcy lhe escreve uma carta, justificando suas ações. A carta revela, também, que Wickham dissipara seus bens, os quais o pai de Darcy concedera, e depois o acusara. Para se vingar da família de Darcy, Wickham seduzira sua jovem irmã Georgiana—para ganhar sua mão e a fortuna, persuadindo-a a fugir com ele—e depois a abandonara. Sobre Bingley e Jane, Darcy justifica suas ações sob a alegação de que Jane não parecia demonstrar reciprocidade no relacionamento com Bingley.

Darcy admite antevir desvantagens na ligação com a família de Elizabeth, especialmente com sua embaraçosa mãe e suas jovens irmãs. Após ler a carta, Elizabeth admite não depositar muita credibilidade nas ações de Wickham, e que suas primeiras impressões sobre Darcy podem não estar certas, e retorna para casa.

Alguns meses mais tarde, durante um passeio por Derbyshire com seus tios, Elizabeth visita Pemberley, a casa de Darcy. A caseira de Darcy, uma velha senhora que o criou desde a infância, presenteia Elizabeth e seus parentes com uma impressão benevolente e correta do caráter de Darcy. Inesperadamente, ele chega e trata Elizabeth e seus parentes com cordialidade, apresentando sua irmã Georgiana.

As relações entre Elizabeth e Darcy são interrompidas quando Lydia, a jovem irmã de Elizabeth, foge com Wickham que, na verdade, não tem planos de casar com ela. Tal fato pode significar a ruína da família dos Bennet. Sob a intervenção do tio de Elizabeth, porém, Lydia e Wickham se casam, e após o casamento, visitam Longbourn. Enquanto conversa com Elizabeth, Lydia comenta a presença de Darcy em seu casamento e, surpresa, Elizabeth acaba descobrindo que o verdadeiro responsável pelo casamento e pela salvação da honra de sua família foi Darcy.

Algum tempo depois, Bingley e Darcy retornam, Bingley propõe casamento a Jane, e há rumores de que Darcy proporá casamento a Elizabeth. Lady Catherine vai até Longbourn e confronta Elizabeth, ameaçando-a para que não aceite a proposta de Darcy. Elizabeth recusa obedecê-la e, quando Darcy a visita e lhe propõe casamento, ela aceita.

No capítulo final, o livro estabelece Elizabeth e Darcy em Pemberley, e Jane e Bingley em Netherfield. Elizabeth e Jane ajudam e incentivam Kitty a adquirir graça social e ensinam Mary a aceitar a diferença entre ela e suas irmãs, que são mais belas, ocupando-se de outras atividades. Em Pemberley, Elizabeth e Georgiana se tornam amigas. Lady Catherine fica irritada com o casamento do sobrinho Darcy, mas acaba, finalmente, aceitando.

PRIDE and PREJUDICE (FILME)
Orgulho e Preconceito
(Pride & Prejudice, França, Inglaterra, 2005)

Títulos Alternativos: Orgueil et préjugés
Gênero: Romance
Duração: 127 min.
Tipo: Longa-metragem / Colorido

SINOPSE

Na Inglaterra do século 18, as vidas de cinco irmãs Jane (Elizabeth, Mary, Kitty e Lydia) vão virar de cabeça para baixo quando um homem muito rico e belo chega ao local acompanhado de um amigo, o solteirão Mark Darcy. Baseado no romance de Jane Austen

26 de julho de 2010

Sense and Sensibility - Jane Austen - RESUMO

A história tem inicio com o falecimento do senhor Dashwood, que morava nas terras de seu tio que já era idoso e não tinha herdeiros. Assim sendo o senhor Dashwood e sua família herdou as terras após o falecimento do proprietário. Um ano após o ocorrido o senhor Dashwood também veio a falecer, herdando as terras, seu filho John, do primeiro matrimônio, contudo antes de falecer pediu a seu filho que em tempo algum desamparasse sua madrasta e suas irmãs, o que com o apoio de sua esposa, a senhora Fanny, não ocorreu. Obrigando a senhora Dashwood e suas filhas a procurarem uma nova moradia, a esse tempo sua filha mais velha, Elinor estava apaixonada por Edward Ferrars, irmão de sua cunhada, a senhora Fanny.
A senhora Dashwood mudou-se com suas filhas para Devonshire, foram morar nas terras de um parente distante, que as acolheu muito bem. Todas sentiram a mudança de ambiente, mas logo se familiarizaram com a nova vida. Tanto que Marianne, irmã de Elinor, logo provoca interesse no Coronel Brandon, um homem vivido, muito reservado, elegante e de gestos educados, de aproximadamente 35 anos. Porem Marianne o rejeita e, se apaixona por Willoughby de Allenham. O compromisso entre os dois é dado como certo até que Willoughby anuncia sua partida atendendo a uma ordem de sua tia, o que provoca em Marianne profunda tristeza e desilusão.
Coube ás irmãs Elinor e Margaret, consolar Marianne, que durante um passeio acabaram por encontrar-se com Edward Ferrars, Marianne por um instante esqueceu sua tristeza e se alegrou com a felicidade de sua irmã Elinor. Marianne notou um anel com uma mecha de cabelo trançado a ele, e logo supôs que a mecha pertencia a sua irmã Elinor, Edward permaneceu na companhia da família Dashwood por uma semana e, partiu em seguida. Elinor procurou ocupar seu tempo para evitar o sofrimento que lhe afligia com a falta de Edward.
Em um baile, por convite de Lady Middleton, as irmãs Dashwood encontram ? se com Willoughby, que ignorou a presença de Marianne, provocando constrangimento e sofrimento, Marianne, nada explicou. Elinor pediu a senhora Jennnings que parasse de espalhar boato de que sua irmã estava noiva de Willoughby, pois isso a estava prejudicando. Marianne recebeu uma carta onde Willoughby lhe pedia desculpas pelo seu comportamento no baile e desfez toda e qualquer ilusão de Marianne não sentido de que ele não tinha compromisso algum com ela, e lhe pediu desculpas se assim a fez pensar.
Elinor considerou a atitude da irmã como imprópria e inaceitável. Marianne havia fantasiado um relacionamento que somente existia em sua cabeça sonhadora. O Coronel Brandon revelou a Elinor que Willoughby era um canalha e havia engravidado e abandonado sua filha de criação, Elinor ficou indignada, e contou tudo a Marianne, que ficou chocada, a partir daí, Marianne não mais evitou a presença do Coronel Brandon. As irmãs Steele chegaram a Londres e Lucy foi hostil com Elinor, ao encontra-la ainda em Londres.
O Coronel Brandon se propôs a ajudar Edward e pediu a Elinor para transmitir a oferta. O que foi feito. Viajaram para Cleveland, e lá Marianne ficou enferma, o Coronel ficou muito apreensivo com a saúde de Marianne, e permaneceu com ela até que melhorasse. Com a noticia da eminente morte de Marianne, Willoughby, foi ao encontro desta para se explicar e pedir perdão por todo o sofrimento que lhe causara, foi recebido rispidamente por Elinor, que lhe ouviu pedir perdão pelo sofrimento causado a Marianne, Elinor disse que transmitiria, oportunamente o recado, mas frisou bem que nada do que foi dito justificava sua atitude.
Por fim, Marianne se afeiçoa ao Coronel Brandon, casaram-se e eram o retrato da felicidade. Lucy Steele fugiu com Robert Ferrars, logo depois que ele tomou posse da propriedade que sua mãe lhe deu, quando da deserção de Edward.
Edward pediu Elinor em casamento, o que foi prontamente aceito e comemorado; posteriormente fez as pazes com sua mãe, a senhora Ferrars, e tomou posse de sua parte na herança, o queproporcionou uma vida confortável a sua nova família.

http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_2806.html

Razão e Sensibildade / Sense and Sensibility




Sense and Sensibility (no Brasil, Razão e Sensibilidade ou Razão e Sentimento,em Portugal Sensibilidade e Bom-senso) é um romance da escritora Jane Austen. Foi o 1º livro de Austen a ser publicado, em 1811, e foi escrito sob o pseudônimo "A Lady".

A história relata os relacionamentos de Elinor e Marianne Dashwood, duas filhas do segundo casamento de Mr. Dashwood. Elas têm uma jovem irmã, Margaret, e um meio-irmão mais velho, John. Quando seu pai morre, a propriedade da família passa para John, o único filho homem, e as mulheres Dashwood se vêem em circunstâncias adversas. O romance relata a mudança das irmãs Dashwood para uma nova casa, mais simples e distante, e seus relacionamentos. O contraste entre as irmãs, mostrando Elinor mais racional e Mariane mais emotiva e passional, é resolvido quando cada uma encontra, à sua maneira, a felicidade. Ao longo da história, Elinor e Marianne buscam o equilíbrio entre a razão (ou pura lógica) e a sensibilidade (ou pura emoção) na vida e no amor.

O livro foi adaptado para o cinema e a televisão diversas vezes, incluindo o seriado Sense and Sensibility, de 1981, dirigido por Rodney Bennett; o filme Sense and Sensibility de 1995, adaptado e interpretado por Emma Thompson e dirigido por Ang Lee; uma versão indiana intitulada Kandukondain Kandukondain, realizada em 2000; e Sense and Sensibility de 2008, da BBC, adaptado por Andrew Davies e dirigido por John Alexander.


O FILME
ficha técnica:
título original:Sense and Sensibility
gênero:Drama
duração:02 hs 15 min
ano de lançamento:1995
site oficial:estúdio:Columbia Pictures Corporation / Mirage
distribuidora:Columbia Pictures
direção: Ang Lee
roteiro:Emma Thompson, baseado em livro de Jane Austen
produção:Lindsay Doran
música:Patrick Doyle
fotografia:Michael Coulter
direção de arte:Philip Elton e Andrew Sanders
figurino:Jenny Beavan e John Bright
edição:Tim Squyres
efeitos especiais:Effects Associate Ltd

sinopse:
Em virtude da morte do marido, uma viúva e as três filhas passam a enfrentar dificuldades financeiras, pois praticamente toda a herança foi para um filho do primeiro casamento, que ignora a promessa feita no leito de morte de seu pai que ampararia as meias-irmãs. Neste contexto, enquanto uma irmã prática (Emma Thompson), usando a razão como principal forma de conduzir as situações, a outra (Kate Winslet) se mostra emotiva, sem se reprimir nunca com uma sensibilidade flor da pele.

25 de julho de 2010

Persuasão: romance, paraíso perdido ou os dois ?

"You pierce my soul. I am half agony, half hope. Tell me not that I am too late, that such precious feelings are gone for ever. I offer myself to you again with a heart even more your own, than when you almost broke it eight years and a half ago". (Persuasion, Penguin Classics, p.222)

"Anne transpassa-me a alma. Sinto-me entre a agonia e a esperança. Não me diga que é demasiado tarde, que sentimentos tão preciosos morreram para sempre. Declaro-me novamente a si com um coração que é ainda mais seu do que quando o despedaçou há oito anos e meio".

"Você me dilacera a alma. Sou metade esperança, metade desespero. Diga-me que não é tarde demais, que tais sentimentos preciosos não desapareceram completamente. Ofereço-me a você mais uma vez com um coração que lhe pertence ainda mais do que há oito anos e meio, quando você quase o despedaçou".

Qual leitora ou leitor nunca leu esse início da carta de Frederick Wentworth para Anne sem se emocionar profundamente? Entretanto, analisando bem, há algo de estranho nela, de fora do normal austeano. A sensação que dá é que, de tanto fazer a pobre da Anne Elliot sofrer, Jane Austen resolveu se permitir uma "indulgência romântica".

A arte de persuadir está inserida na tradição da retórica e se relaciona a uma habilidade de certo modo ambígüa. Aquele que persuade não necessariamente convoca a razão ou busca imprimir a preponderância do bem, mas também - ao fazer uso destas justificativas - termina por estabelecer (ou sublinhar) um tipo de poder que exerce sobre os outros. Basta lembrar a história bíblica da serpente que persuade Eva a provar do fruto proibido que, por sua vez, persuade Adão. Em última instância, Eva e Adão foram expulsos do paraíso como conseqüência de haverem sido persuadidos. Como lembra Gillian Beer, professora de Inglês na Universidade de Cambridge e autora da introdução das edições Penguin Classics, o "escritor de ficção é, antes de mais nada, um grande persuasivo".


Daí talvez a grande carga emocional que este romance tem, em lugar da ironia típica de Jane Austen. É preciso ter uma certa sintonia íntima com alguém a quem a opinião é submetida. A medida da influência de Anne Elliot sobre os outros, por exemplo, nos é dada logo de início, quando vai morar na casa da irmã, Mary, e ela precisa ouvir do cunhado:

"I wish you could persuade Mary not to be always fancying herself ill".

"Gostava que convencesses Mary a não se imaginar sempre doente". (trad. Isabel Sequeira, Scrib.)

E Mary, por sua vez, pedia à Anne:

"If you would, you might persuade him that I really am very ill - a great deal worse than I ever own".

"Tenho a certeza, Anne, de que, se quisesses, podias convencê-lo de que estou realmente doente...muito pior do que eu própria estou disposta a admitir".

E de uma das cunhadas:

"I wish any body could give Mary a hint that it would be a great deal better if she were not so very tenacious; especially, if she would not be always putting herself forward to take place of mamma."

"Gostava que alguém dissesse a Mary que seria muito melhor que ela não fosse tão obstinada, especialmente que não quisesse ir sempre à frente da mamãe".

(todas acima, Penguin Classics, pp. 42-44, tradução Isabel Sequeira, Scrib, pp.55-58)

Curiosamente, Anne é totalmente determinada no trecho logo a seguir, quando o sobrinho se acidenta:

"[...]He (Charles) had no farther scruples as to her being left do dine alone, though he still wanted her to join them in the evening, when the child might be at rest for the night, and kindly urged her to let him come and fetch her; but she was quite unpersuadable". (Penguin Classics, p.54)

"[...]Ele (Charles) perdeu a relutância em deixá-la jantar sozinha, embora ainda pretendesse que ela fosse ter com eles, mais tarde, quando o garoto estivesse a dormir, e insistiu com ela para que o deixasse mandar buscá-la, mas ela não se deixou persuadir". (trad. Isabel Sequeira, Scrib, p. 74)
Harold Bloom, no capítulo dedicado à Jane Austen e Persuasão, do seu the Western Canon, entitulado "Canonical Memory" (Memória Canônica), afirma:

"No one has suggested that Jane Austen becomes a High Romantic in Persuasion [...]. But her severe distrust of imagination and of 'romantic love', so prevalent in the earlier novels, is not a factor in Persuasion. Anne and Wentworth maintain their affection for each other throughout eight years of hopeless separation, and each has the power of imagination to conceive of a triumphant reconciliation. This is material for a romance, not for an ironical novel". (p.241)

"Ninguém sugeriu que Jane Austen tenha se tornado uma Grande Romântica em Persuasão. {...} Mas o profundo descrédito do 'amor romântico', mais incisivo nos romances anteriores, não é um fator em Persuasão. Anne e Wentworth mantêm o afeto um pelo outro por oito anos de irremediável separação e ambos têm o poder da imaginação de conceber uma reconciliação triunfante. Isto é material para uma novela, não para um romance irônico". (241)

Aquela agonia lenta, a que Anne Elliot é submetida - junto com o leitor, diga-se de passagem - é o que torna tão preciosa a carta final de Wentworth. Por isso tantas vezes se diz que Persuasão é um romance sobre uma espera. Eu diria que o romance é dividido em duas parte. Na primeira, sim, pode-se dizer que se trata de esperar o tempo todo. O ritmo é quase interno, é nessa parte que o leitor se familiariza com os sentimentos e o caráter de Anne Elliot. Anne espera que Wentworth chegue à Kellynch estate, depois aguarda um encontro inevitável, depois espera que Louise Musgrove se recupere, depois espera pelo anúncio de um noivado. E aí, já em Bath, acabam-se as esperas. Começa a segunda parte que não tem nada de espera. É como se Anne - junto com o leitor - estive só se alimentando dos acontecimentos que ocorrem à sua revelia. Mas na segunda parte, não. Ela é quem age e ela é quem determina a partir daí o desenrolar dos acontecimentos. Nesse sentido, Anne é parecida com Fanny Price apenas no que diz respeito à primeira parte. Na segunda, ela não podia ser mais distante de Fanny. Talvez, por essa razão - e apenas por essa - poderia-se comparar Anne Elliot com Elizabeth Bennet. Ela afirma em alto em bom som suas idéias sempre que surge uma oportunidade, ela age conforme seu íntimo lhe indica e, dessa vez, sem admitir ser persuadida do contrário.


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PERSUASÃO

"Nunca houve dois corações mais abertos,
Nem gostos mais semelhantes,
Ou Sentimentos mais em sintonia!!!"
Jane Austen (Persuasion) (1818)



"Persuasão" foi o último romance completo de Jane Austen (1775-1817).
Ela o escreveu após terminar "Emma", concluindo-o em 1816. No entanto, ele só foi publicado postumamente em 1818 e serviu como base do roteiro sobre o romance dos personagens interpretados por Sandra Bullock e Keanu Reeves, no filme "A Casa do Lago".

O livro costuma ser associado a outro de seus romances, "A Abadia de Northanger", pois além dos dois livros terem sido originalmente publicados em um único volume, ambas as histórias são situadas na cidade de Bath, um balneário termal onde Jane Austen viveu de1801 a 1805.

O enredo gira em torno dos amores de Anne Elliot que se apaixonara pelo pobre, mas ambicioso jovem oficial da marinha, capitão Frederick Wentworth. A família de Anne não concorda com essa relação e a convence romper seu relacionamento amoroso. Anos após Anne reencontra Frederick, agora cortejando sua amiga e vizinha, Louisa Musgrove. Persuasão, é amplamente apreciada, pois tem uma simpática história de amor, de trama simples e bem elaborada, e mostra o estilo de narrativa irônica de Jane Austen. Além disto, é original, pelo fato, entre outros motivos, de ser uma das poucas histórias da escritora que não apresenta a heroína em plena juventude. O romance também é um apanágio ao homem de iniciativa, através do personagem do capitão Frederick Wentworth que parte de uma origem humilde e que alcança influência e status pela força de seus méritos e não através de herança.

15 de julho de 2010

Poetisa Portuguesa - ISAURA MATIAS ANDRADE

A ventura de escrever-te
.
Escrever-te é falar a sós contigo.
Ter entre as tuas mãos a minha mão;
Dar largas ao meu pobre coração
Encostada ao teu peito, doce Amigo.
.
Escrever-te – quimera que eu bendigo,
Lenitivo fictício da paixão –
E ir a Deus, humilde, em confissão
Chegar ao Céu e ver-te lá comigo.
.
Escrever-te é sentir-me nos teus braços
Confiada na pureza dos abraços.
Num arroubo de beijos virginais!...
.
Escrever-te … Afinal o meu enlevo
E a ânsia de esquecer que não te escrevo,
Que a mim própria me ilude e nada mais.


Melopeia diabólica
.
Por Deus, ó Vento, serena:
Causam-me dó as ramadas;
só tu não sabes ter pena
das pobres folhas, coitadas!
.
E roubas aos passarinhos
casa e sombra, o abrigo amado,
não lhes respeitas os ninhos!...
Estragas tudo, malvado!
.
Já namoraste essa rama,
folhas que arrancas sem dó
para lançá-las na lama,
para arrastá-las no pó!...
.
Curvam-se os caules novinhos
tremendo de encontro ao chão...
Deixa-os ficar, coitadinhos,
deixa-os viver, furacão.
.
Os velhos troncos, lascados,
não tremem ao teu soprar:
Dizem, caindo aos bocados;
"Antes assim que vergar..."
.
Às casas de telha vã,
fazes voar os telhados,
para a chuva, tua irmã,
ir ao lar dos desgraçados!...
.
Quem te viu tão brando e doce,
quando eras brisa somente!
Tinhas tu o que quer que fosse
que afagava toda a gente.
.
Nas tardes quentes de Agosto
- nunca tal bem me esqueceu -
lembravas, dando em meu rosto,
hálitos de anjos do Céu!
.
Agoras brames iroso,
devastas tudo a correr;
és um doido furioso
que ninguém pode prender!...
.
Chamas a ti as procelas
e atacas qualquer abrigo:
Atiras portas, janelas...
Não pára nada contigo.
.
Cessa a louca galopada,
não me açoites mais a vida;
deixa a minha alma, coitada,
por tanta dor sacudida!...
.
Isaura Matias de Andrade
(Do livro "Sinfonia da Terra", publicado em 1943, numa edição da Livraria Editora EDUCAÇÃO NACIONAL - Porto)
.

LOUCURA



Que importa que venhas, que passes agora?

Não quero saber…

E os olhos procuram, há mais de uma hora,

o bem de te ver!...



Os olhos tão tristes, famintos, coitados!...

– Porque é que não vens?

Também que interessa? Dos dias passados,

lembranças não tens!...



– Nem eu, estou certa. Se é só fantasia

que tudo isto encerra…

Jurei: Hás de ver-me mais dura e mais fria

que as pedras da serra:



Desprezo, verás, teu olhar perturbante.

Deixo de ser eu,

se em tua presença não fôr mais distante

que a estrêla do Céu!...



Ver-te! Para quê? Se saudades não tenho,

nem vens por aqui.

Mas lá porque eu venho, e não sei porque venho,

não fôra por ti.



Lembrar que me lembras, meu Deus, que pavor!

– Mas isso que tem?

Não tenho, não tens, se não temos amor,

está muito bem:



Não se perde nada, nem, dor, és cabida;

mentiras não contam.

Verdades são luzes e as luzes dão vida

assim que despontam.



O mundo prossegue na vida galharda;

o Sol está certo.

Há música, há risos, há homens em barda,

e eu… vejo um deserto!



Pensar que te esqueço tornou-se mania,

pareço uma louca!

Se trago, coitada, de noite e de dia

teu nome na bôca!...



In “Sinfonia da Terra” – 1943

Livraria Editora Educação Nacional – Porto


"AMOR" (Do seu livro: "O Meu Desejo")


Disseram-me hoje, Amigo, que te viram;

Que viesses para ver-me, era de crer...

O que eu ouvi!... Fizeram-me sofrer

Por suspeitas, ciúmes que sentiram.


Se soubesses! choraram e sorriram

Os meus olhos na ânsia de te ver:

Mas tu não sabes - podes lá saber!...

As minhas forças nunca me iludiram!



Olha, amor, fui sublime em paciência:

Pura, inocente, ouvindo sem desdém,

Os insultos cruéis que recebi!...



Não devia doer-me a consciência...

- Nunca a ti o direi nem a ninguém,

Mas foi por te não ver que mais sofri! -



13 de julho de 2010

Poetisa Portuguesa - MARIA TERESA HORTA


Joelho

Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho

Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo

Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo

E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento

Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas

Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas.


Poema sobre a recusa

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.


Recusa

Não terás para
meDarQuotidiano contigoAbrigoCorpo despidoNem
terás para meDarA segurança do
perigoMais do que o gestoOcupadoO afagoO
desmentidoNão terás para me DarO espanto de estar
contigo.


Desperta-me de noite


Desperta-me de noite
o teu desejo
na vaga dos teus dedos
com que vergas
o sono em que me deito

É rede a tua língua
em sua teia
é vício as palavras
com que falas

A trégua
a entrega
o disfarce

E lembras os meus ombros
docemente
na dobra do lençol que desfazes

Desperta-me de noite
com o teu corpo
tiras-me do sono
onde resvalo

E eu pouco a pouco
vou repelindo a noite
e tu dentro de mim
vai descobrindo vales.



Segredo

Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa

Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço

Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar

nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar


As nossas madrugadas

Desperta-me de noite
o teu desejo
na vaga dos teus dedos
com que vergas
o sono em que me deito

pois suspeitas

que com ele me visto e me
defendo

É raiva
então ciume
a tua boca

é dor e não
queixume
a tua espada

é rede a tua língua
em sua teia

é vício as palavras
com que falas

E tomas-me de foça
não o sendo
e deixo que o meu ventre
se trespasse

E queres-me de amor
e dás-me o tempo

a trégua
a entrega
e o disfarce

E lembras os meus ombros
docemente
na dobra do lenços que desfazes
na pressa de teres o que só sentes
e possuires de mim o que não sabes

Despertas-me de noite
com o teu corpo

tiras-me do sono
onde resvalo

e eu pouco a pouco
vou repelindo a noite

e tu dentro de mim
vais descobrindo vales.




11 de julho de 2010

BILHETE


O teu vulto ficou na lembrança guardado,
vivo, por muitas horas!... e em meus olhos baços
Fitei-te – como alguém que ansioso e torturado
Tentasse inutilmente reavivar teus traços...

Num relance te vi – depois, quase irritado
Fugi, - e reparei que ao marcar os meus passos
ia a dizer teu nome e a ver por todo lado
o teu vulto... o teu rosto... e o clarão dos teus braços!

Talvez eu faça mal em querer ser sincero,
censurarás – quem sabe? Essa minha ousadia,
e pensarás até que minto, e que exagero...

Ou dirás, que eu falar-te nesse tom, não devo,
que o que escrevo é infantil e absurdo, é fantasia,
e afinal tens razão... nem sei por que te escrevo!


(Poema de J.G. de Araujo Jorge, extraído do livro
"Meu Céu Interior", 1ª edição, setembro,1934.)

10 de julho de 2010

E O RESTO É SILÊNCIO ... J.G.de Araújo Jorge

(by Jean-Yves Leloup)

E então ficamos os dois em silêncio, tão quietos
como dois pássaros na sombra, recolhidos
ao mesmo ninho,
como dois caminhos na noite, dois caminhos
que se juntam
num mesmo caminho...
.
Já não ouso... já não coras...
E o silêncio é tão nosso, e a quietude tamanha
que qualquer palavra bateria estranha
como um viajante, altas horas...

Nada há mais a dizer, depois que as próprias mãos
silenciaram seus carinhos...

Estamos um no outro
como se estivéssemos sózinhos...

ENTREVISTA COMIGO MESMO - J.G.de Araújo Jorge

Compilado do livro "No Mundo da Poesia" - edição do autor-
página 229, 1969.


- Que Pensa da arte?

Insopitável necessidade de emergir. Todos nós que vivemos soterrados em tantos "eus, sentimos ânsias de ar, de sol, de revelação, de comunicação. A arte ajuda o homem a se aceitar, a compreender o mundo que o cerca, a se aproximar de Deus. A alma humana, como as baleias, vive mas precisa vir à tona para respirar.


- E do poeta ?

É um tradutor de realidades subjetivas. UM transfigurador. Um mergulhador dos mares do espírito. É através de mensagem, que o homem comum consegue atingir "o outro lado" das coisas! Seu trabalho enriquece a todos. Já o poeta é um prestidigitador - faz mágicas com a Vida - transforma água em vinho, para a embriagues da beleza.
Mas há o reverso da medalha: quantos poetas tenho encontrado que apenas não fazem versos!


E da poesia ?

É a ciência do coração. Os poetas são os sábios do sentimento. E quantas coisas revelam sem se aperceberem de suas descobertas. Tenho dito muitas vezes: são seres que pensam, sentindo ou, pensam, porque sentem. Constróem seu mundo com emoções.
Quando pretendem filosofar, falam de amor. E falar de amor já é fazer poesia.
A poesia é criada pelo pensamento, mas seu material é o sentimento. Cobaias de si mesmos, os poetas, em experiências e pesquisas constantes, revelam a vida, são apenas homens que nasceram poetas.


- Então, o poeta não é um ser diferente?

É um ser diferente num homem comum. Sou um homem comum, apenas dispondo de recursos para realizar uma tarefa que não está ao alcance de todos. O poeta é como um alpinista, que já nascesse trazendo em si mesmo os instrumentos e apetrechos para poder realisar escaladas.
Sou um homem comum que anda na rua, canta no banheiro, vai ao futebol, toma porre, diz palavrão, faz versos para ela; que ama, briga, sonha, desespera, como qualquer um. Há um velho adágio latino: "primeiro viver, depois filosofar". Bem se poderia parafrasear: primeiro viver, depois poetar.


- E por que acha que faz poesia?

Talvez porque a única coisa que sei, e sei mal, sou eu mesmo. Se ninguém gostasse de minha poesia ainda assim a faria. Pois nasci para isso. Não é tanto que eu goste de minha poesia, mas porque preciso dela, o que talvez venha a ser a mesma coisa.
Mas, o fato é que, sem minha poesia., ficaria doente, como um índio confinado numa cela, sem sua selva, seus rios, seus pássaros, sua liberdade. Me encontro nela como peixe no mar. Ela me dá a impressão de que não é só do meu espírito, mas do corpo também. Eu a sinto, quase fisicamente. Os artistas são como as cigarras: estas, morrem de tanto cantar; nós, se não contarmos, morreremos.


- É fácil ou difícil fazer versos?

Fácil, ou impossível. Impossível, no sentido de ser. Você pode se tornar um pianista, nunca um "virtuoso". Você pode aprender a fazer versos, nunca a ser poeta. Poesia não é só construção. Se não, poderíamos abrir uma escola para poetas, como há uma escola de Engenharia ou de Direito. E é preciso que se diga isto, quando há uns poetas por aí negando-se a si mesmos.
Quanto a mim, já respondi: Eu faço versos assim,/ como quem respira ou canta / a poesia nasce em mim,/ como do chão nasce a planta.


- Gosta do que faz?

É como se me perguntasse se gosto de rir, ou de chorar. Gosto de cantar, de mataborrar minha alegria ou minha dor em versos. Poderia até responder numa quadrinha: Eu faço versos assim/ como quem ri, ou quem chora,/ e ao arrancá-los de mim/ fico nú e vou-me embora. .


- Que acha de sua obra?

Seria difícil responder, de dentro dela, onde me encontro. Faltam-me isenção e perspectiva. Mas sou um velho fazedor de versos, que em suas releituras muita vez não se reconhece em sua própria obra. Somos tantos afinal, em nós mesmos, em mortes e renascimentos que nos acabam e nos multiplicam. Mas seria um pai desnaturado se não gostasse do que nasce de mim, com todas as qualidades e defeitos que são os meus.


- Julga-se um poeta moderno?

Um poeta moderno é o que se comunica com o seu tempo, e lhe traduz as esperanças, anseios, desesperos. Se os moços lêem os meus versos e os sabem de cor, e os escrevem em seus cadernos, e compram meus livros, então não sou apenas um poeta moderno, de hoje, mas um contemporâneo do futuro, porque já estou me dirigindo ao amanhã.


- Que acha do amor, como tema poético?

O mais importante. Veio explorado, mas inesgotável, só os verdadeiros poetas conseguem, encontrar-lhe novos "filões". Confessei em "Eterno Motivo": Não me envergonho nunca de falar de amor. E repeti, em "O Poder da Flor". Acima de tudo cantarei o amor./ O de Cristo e Confúcio, o de Romeu e D. Juan, / o de Che Guevara,/ acima de todo cantarei o amor.


- Então, o amor é o grande tema ?

Sim, o amor, a vida. Está no meu "Cantiga do Só" poesia sem vida, é como flor de papel, de matéria-plástica Falta-Ihe seiva, viço, perfume. Não será mel nem fruto. Não conhecerá pássaros nem abelhas. É uma imitação triste.
E a poesia tem que ser múltipla pelas próprias contingências da vida. Sem falar de minha poesia social e política (sou talvez o único poeta brasileiro com livros de poesia política: "Estrela da Terra", "Mensagem", a segunda parte de "O Poder da Flor), minha obra lírica evoluiu, como é natural, a cada livro. Hoje, nos meus últimos livros, meu lirismo é um canto dramático, em que o lírico é mais um fio melódico, à distância.


- Há lugar para a poesia em nossos tempos?

Em todos os tempos. E quanto mais árido o chão, mais sede de beleza sentirão os homens. Nas bicas, nos cantis, nas mãos, no coração, nas pedras, a poesia é água fresca sem a qual a vida morre. Por isso já escrevi: Alegria / é apanhar no chão,/ a água da minha poesia / a correr, / e dar a quem tem sede no coração / para beber.
Isto me dá a sensação também da constante utilidade da minha poesia, pois percebo que muitos precisam dela, como de um pedaço de pão, ou de um gole d'água.
A poesia é, além do mais, companhia e confidente. E quanta solidão anda por aí desarvorada, sem uma porta que se abra, um coração que a receba !


- Que acha da criação?

Não sei defini-Ia. Sei que após ela, nos sentimos leves e felizes, como devem se sentir as mulheres após a maternidade, as crianças depois das aulas, a terra depois da chuva. Proust a definiu: decolar. . .


- Há inspiração?

Sim, é um toque de Deus no artista. Uma espécie de "mediunidade". Um transe, um "estado de graça" tão natural, como a manifestação do amor. O poeta não é apenas "o arquiteto, o engenheiro, o construtor, o operário" como diz Vinícius, mas o próprio morador do edifício, e sem sua presença, a sua construção é menos que uma ruína, será um edifício vazio, sem alma, sem sentido. Com o pensamento, o homem faz prosa, faz Filosofia, Direito, Teatro, Romance. Sem o sentimento, não há poesia, ou o que há de poesia, será àquela vaga emoção que o pensamento conseguiu perturbar ou despertar. Alguns, raros, poetas, pensando, se emocionam. O processo da criação poética é, entretanto, outro; sem trocadilho, inverso: porque se emocionam, os poetas pensam, e então criam.
E o ato de criar verdadeiro é imprevisível. O poeta, não diz: bem, vou fazer um poema. O poema é que vem, e diz: estou aqui, escreve-me. Tentei explicar todo um livro, "Harpa Submersa": sua linguagem escorreu como lava de vulcão, fixando todas as emoções e angústias interiores. Cristalizou-se muitas vezes, como os minerais que constroem ângulos e arestas sem conhecer as leis das cristalografia.


Assim é a poesia.

9 de julho de 2010

Entrevista concedida por J.G.de Araujo Jorge a Carlos Camargo,

Sucursal e "Manchete" , em Porto Alegre, 1969.

Ele nasceu na vila de Tarauacá, antigo Território do Acre num dia 20 de maio de 1915, há vários anos passados. " Os anos passados, são aulas aprendidas" diz o poeta, que é professor , no Colégio Pedro II. Suas fãs, milhares e milhares, se contradizem: umas acham-no com um "que" atraente; outras afirmam, "beleza não é tudo" E são estas que dizem: "O que ele tem de belo no exterior, esconde (olhos azuis atrás de óculos escuros). " Mas todas são unânimes e agradecidas a ele pois, tudo o que de belo tem, no interior, exterioriza através de suas poesias.

Ele é J.G. de Araujo Jorge, o único poeta brasileiro que já vendeu mais de um milhão de livros. E talvez, o menos divulgado de todos. Seus leitores se encarregam disso e também da parte de relações públicas, e elas (as obras de JG pertencem, com um egoísmo impressionante, às fãs) são excelentes, nesse trabalho.

E à elas, dedicamos este questionário, que foi respondido pelo "poeta do amor eterno", e preenchido em nossa sucursal de Porto alegre onde ele veio para o lançamento dos "Jogos Florais" gaúchos:



Quinze respostas de JG
P- Que acha da poesia em si?

R- A poesia é a vida acontecendo no poeta. Afinal o que é o poético senão o poeta? A vida é apenas barro. Tu serás ou não, Deus.


P- O que acha do amor?

R- É a capacidade de "ser". O homem ama amplamente, e de modo multiforme. Sem amor não se " é ". Ama-se ao próximo como preconizava Cristo há quase dois mil anos: para se somar o mundo. Ama-se " a próxima ..." para a multiplicação...


P- Onde busca sua inspiração? Escreve sempre?

R- Não busco. Ela me encontra. Está na vida. Passo meses, anos, sem escrever uma linha. Escrevo um livro, em poucos dias. Acontece.


P- Qual seu meio preferido de distração?

R- Olhar. Há muita gente que tem apenas olhos para ver. A capacidade de se ter, "olhos de olhar" a vida, recolhendo dela tudo o que nos pode oferecer é mais empolgante.... e o mais barato de todos os divertimentos.


P- Qual o maior poeta nacional.

R- Os poetas são como instrumentos. Não posso dizer entre um violinista, um pianista, um saxofonista, qual o maior. Cada um é grande no seu instrumento. Citarei poetas de minha predileção: Moacyr de Almeida, Raul de Leoni, Augusto dos anjos, para falar dos que já partiram, mas continuam com a gente, apenas com a sua poesia.


P- Qual a melhor poesia que já escreveu?

R- Difícil. As poesias vão marcando "momentos" de minha vida, como os luvros fixam "etapas". Cada uma delas representa, portanto, algo de particular. Mas dá-se o fato curioso: às vezes as poesias de que mais gosto não são as de que gostam mais meus leitores. Eles, ou elas, por exemplo, preferem as minhas poesias líricas: eu prefiro as sociais, e até as políticas.


P- Qual o tipo de mulher eu mais lhe agrada?

R- A que me compreende. Só a compreensão liga realmente um homem a uma mulher. O resto é efêmero. Mas como me pergunta a maior qualidade na mulher para me atrair, eu responderia: a sua feminilidade, a sua ternura, a sua capacidade de dar-se.


P- Qual a diferença do romantismo do passado e o da atualidade?

R- Costumo dizer que o romantismo não foi apenas uma escola literária, mas um estudo de espírito que independe de escolas. Os modernos são também românticos, apenas o romantismo do nosso tempo se apresenta com características diversas do romantismo do Século XIX, o chamado " mal do século". O romantismo do homem de nossos dias é um romantismo sensorial, que tem raízes profundas na realidade.


P- A conquista do espaço fez decair o valor dos termos poéticos referentes à Lua, estrelas, etc?

R- Ainda não. Quem sabe lá daqui a alguns anos? Escrevi certa vez que a minha poesia " era como aquela face da Lua que ninguém vê, voltada sempre para o infinito." E hoje, russos e americanos já conseguiram fotografar a outra face da Lua... Evidentemente terei de mudar a minha poesia para outro planeta, ou satélite, mais inacessível...


P- Existe amor platônico?

R- Deve haver: o dos idealistas, o dos frustrados ou doentes. Mas o amor é como a poesia, ou como a flor, - por mais belo que seja, ou por isso mesmo, precisa da seiva que vem do chão, do trabalho das raízes.

P- Acredita no amor à primeira vista?

R- Não. Acredito em simpatia. O amor exige tempo para definir-se, plasmar-se. O amor não nasce amor, como da semente não nasce a flor.


P- Com que idade escreveu suas primeiras poesias?

R- Com 12 anos mais ou menos. Meu primeiro livro (Meu Céu Interior ,1934) é uma coletânea de poemas escritos entre 14 e 17 anos. Escrevi minha primeira poesia na mesma época em que era o capitão do "time" campeão de futebol do Colégio Pedro II, onde estudei.


P- O que mais lhe agrada na vida?

R- A vida. Nada há de mais extraordinário. Veja o que disse, neste final de soneto:

"Podes tudo pensar, tudo criares
em histórias e cantos singulares,
o que o sonho não pode, a alma não deve,

e ainda assim hás de ver que não és louco,
que tudo que pensaste é nada e é pouco,
ante o que a própria vida ensina e escreve!"


P- Que escrito dedicaria à Valentina a astronauta russa, primeira mulher a devassar os espaços?

R- "Tu que não cres em Deus
mas que O olhaste de perto, em teus olhos
traze para os homens a sua muda mensagem
ainda incompreendida."

8 de julho de 2010

Sobre J.G.DE ARAÚJO JORGE por Regina Azenha

Falar de J. G. de Araújo Jorge é dizer de alguém que escrevia com a alma. Na minha concepção, um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos. Escrita de linguagem clara, mas povoada de sentimentos. Não foi à toa, que em 1932, no Externato Colégio Pedro II, Rio de Janeiro, em memorável certame, foi escolhido o ” Príncipe dos Poetas”, sendo saudado na festa por Coelho Neto, “Príncipe dos prosadores brasileiros”. Ficou conhecido como o Poeta do Povo e da Mocidade, pela sua mensagem social e política, sua obra impregnada de romantismo moderno, mas às vezes, dramático. Foi e continua sendo um dos poetas mais lidos, e talvez por isto mesmo, o mais combatido do Brasil.

José Guilherme de Araújo Jorge nasceu em 20 de maio de 1914, na Vila de Tarauacá, estado do Acre e faleceu em 27 de Janeiro de 1987

Índice de obras do autor

01 – 1934 Meu Céu Interior
02 – 1935 Bazar De Ritmos
03 – 1938 Amo!
04 – 1934 Cântico Do Homem Prisioneiro!
05 – 1943 Eterno Motivo
06 – 1945 O Canto Da Terra
07 – 1947 Estrela Da Terra
08 – 1948 Festa de Imagens
09 – 1949 A Outra Face
10 – 1952 Harpa Submersa
11 – 1959 Concerto A 4 Mãos
12 – 1958 A Sós. . .
13 – 1960 Espera.. .
14 – 1961 De Mãos Dadas
15 – 1961 Canto A Friburgo
16 – 1964 Cantiga Do Só.
17 – 1965 Quatro Damas.
18 – 1966 Mensagem 19 -1960 Coleção Trovadores Brasileiros
20 – 1964 Cantigas De Menino Grande. 100 Trovas,
21 – 1964 Trevos De Quatro Versos . Trovas
22 – 1969 O Poder Da Flor
23 – 1942 Um Besouro Contra A Vidraça PROSA
24 – 1961 Brasil, Com Letra Minúscula- PROSA
25 – 1939 Poesias – Coletâneas
26 – 1947 Poemas De Amor-Coletâneas.
27 – 1948 Antologia Da Nova Poesia Brasileira
28 – 1961 Meus Sonetos De Amor Coletâneas
29 – 1961 Poemas Do Amor Ardente Coletâneas
30 – 1963 Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou
31 – 1964 Amor Vário Antologia Lírica.
32 – 1966 Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou
33 – 1969 No Mundo Da Poesia Crônicas
34 – 1970 Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou
35 – 1981 O Poeta Na Praça – Coletâneas
36 – 1986 Tempo Será – Coletânea
DOIS POEMAS DELE:

Os versos que te dou

Ouve estes versos que te dou, eu
os fiz hoje que sinto o coração contente
enquanto teu amor for meu somente,
eu farei versos… e serei feliz… E hei de fazê-los pela vida afora,
versos de sonho e de amor, e hei depois
relembrar o passado de nós dois…
esse passado que começa agora… Estes versos repletos de ternura são
versos meus, mas que são teus, também…
Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que
possa perturbar vossa ventura… Quando o tempo branquear os teus cabelos
hás de um dia mais tarde, revive-los nas
lembranças que a vida não desfez… E ao lê-los… com saudade em tua dor…
hás de rever, chorando, o nosso amor,
hás de lembrar, também, de quem os fez… Se nesse tempo eu já tiver partido e
outros versos quiseres, teu pedido deixa
ao lado da cruz para onde eu vou… Quando lá novamente, então tu fores,
pode colher do chão todas as flores, pois
são os versos de amor que ainda te dou

(Poema de JG de Araújo Jorge
do livro “Meu Céu Interior” – 1934)

Bilhete

O teu vulto ficou na lembrança guardado,
vivo, por muitas horas!… e em meus olhos baços
Fitei-te – como alguém que ansioso e torturado
Tentasse inutilmente reavivar teus traços….
Num relance te vi – depois, quase irritado
Fugi, – e reparei que ao marcar os meus passos
ia a dizer teu nome e a ver por todo lado
o teu vulto… o teu rosto… e o clarão dos teus braços!
Talvez eu faça mal em querer ser sincero,
censurarás – quem sabe? Essa minha ousadia,
e pensarás até que minto, e que exagero…
Ou dirás, que eu falar-te nesse tom, não devo,
que o que escrevo é infantil e absurdo, é fantasia,
e afinal tens razão… nem sei por que te escrevo!

(Poema de J.G. de Araujo Jorge, extraído do livro
“Meu Céu Interior”, 1ª edição, setembro,1934.)

7 de julho de 2010

CARTA À UM AMOR IMPOSSÍVEL - J.G.de Araujo Jorge


Recebi tua carta, - e ainda sob o peso
da emoção que me trouxe, eu te escrevo, surpreso,
reavivando na minha lembrança esquecida
certos traços sem cor de uma história perdida:
- falo dos poucos dias que passamos juntos...

Tão longe agora estas Quantos belos assuntos,
a que eu não quis, nem soube mesmo dar valor,
relembras com um estranho e desvelado amor...
Tua carta é tão doce, e tão cheia de cores
que, dir-se-ia a escreveste com o mel que há nas flores,
sobre o azul de um papel tão azul, que o papel
faz a gente pensar num pedaço de céu!
Impregnado nas folhas chegou até mim,
um perfume sutil e agreste de jasmim
e um pouco do ar sadio e puro de montanha!

Estranha a tua carta, inesperada e estranha!

Deixas nas minhas mãos a tua alma confiante,
ante a revelação desse amor deslumbrante
e abres teu coração, num gesto de ansiedade,
sob a opressão cruel de uma imensa saudade.
Dizes que só por mim tu vives, - que a tristeza
é a companheira fiel que tens por toda parte,
e me falas assim com tamanha franqueza
que eu nem sei que dizer receando magoar-te!
Não compreendo esse amor que revelas por mim
nem mereço a ternura e o enlevo sem fim
de um só trecho sequer de tudo o que escreveste,
- por exemplo, - de um trecho belo e bom, como este:


"Teu olhar é o meu sol! Vivo da sua luz!
- e mesmo que esse amor seja como uma cruz
eu o levarei comigo em meu itinerário!
e o bendirei na dor ascendendo ao Calvário!
Sem ele não existo; e sem ti, meu destino
será vazio, assim como o bronze de um sino
que ficou mutilado e emudeceu seus sons
na orquestra matinal dos outros carrilhões!
Quero ser tua sombra até, - e quando tudo
te abandonar na vida, e o frio, e quedo, e mudo,
encerrarem teu corpo em paz sob um lajedo,
eu ficarei contigo ao teu lado, sem medo,
e sozinha e sem medo eu descerei contigo
oh! meu único amor! oh! meu querido amigo!
- para que os nossos corpos juntos, abraçados,
fiquem na mesma terra em terra transformados!"


Escreves tudo assim, - e eu nem sei que te diga
nesta amarga resposta, oh! minha pobre amiga!


Tarde, tarde demais... Bem me arrependo agora
do amor que te inspirei, daquele amor de outrora
que eu julgava um brinquedo a mais em minha vida
e a quem davas tua alma inteira e irrefletida...
Releio a tua carta, e confesso que sinto
o ter-te que falar sobre esse amor extinto,
um prelúdio de amor que ficou sem enredo
e que só tu tocaste em surdina, em segredo...


Dizes que o que eu mandar, farás... e que és tão minha
que mesmo que não te ame e que fiques sozinha
bastará para ti a lembrança feliz
dos dias de ilusão em que nunca te quis!
E escreves, continuando essa carta que eu leio
com uma vontade louca de parar no meio:


"Minha vontade é a tua! E meu destino enredo
no teu!... És o meu Deus! Teu desejo é o meu credo!
Creio na tua força e no teu pensamento,
e nem um só segundo e nem um só momento
deixarei de seguir-te aonde quer que tu fores,
seja a estrada coberta de espinhos ou flores,
te aureole a fronte a glória e te sirva a riqueza
ou vivas no abandono e sofras na pobreza!
Serei outra Eleonora Duse, e te amarei
com um amor infinito, sem razão nem lei.
Tu serás o meu Poeta imortal, - meu Senhor,
a quem entregarei minha alma e o meu amor!

Creio na tua força e no teu pensamento!
- faço dela um arrimo, e tenho nele o alento
da única razão que dirige meus atos;
- é a lógica fatal das cousas e dos fatos!
Orgulho-me de ser a matéria plasmável
onde o teu gênio inquieto, e nervoso, e insaciável,

há de esculpir uma obra à tua semelhanças!
Junto a ti sou feliz e me sinto criança
curiosa de te ouvir, fascinada e atraída
pela tua palavra alegre e colorida!
E se falas da vida ou se o mundo desvendas
os assuntos ressoam na alma como lendas
e tudo é novo e é belo, e tudo prende e atrai,
de um simples botão que se abre a um pingo d'água que caí.

Há em tudo uma alma nova! Há em tudo um novo encanto!
Tantas vezes te ouvi! E sempre o mesmo espanto
quando tu me dizias, que era tarde, era a hora
em que eu ia dormir em que te ias embora...
Muitas vezes, deitada, - eu rezava baixinho
uma prece que fiz só para o meu carinho:


com meus beijos de amor matarei tua sede,
com os meus cabelos tecerei a rede
onde adormecerás feliz, imaginado
que é a noite que te envolve e te embala cantando;
formarei com os meus braços o ninho amoroso
onde terás na volta o almejado repouso;

minhas mãos te darão o mais terno carinho
e julgarás que é o vento a soprar de mansinho
sussurrando canções e desfeito em desvelos
a desmanchar de leve os teus claros cabelos!
No meu seio, - que a uma onda talvez se pareça,
recostarei feliz, enfim, tua cabeça,
e nada, nenhum ruído há de te perturbar!
- meu próprio coração mais baixo há de pulsar...
Quando o sol castigar as frondes e as raízes
com o meu corpo farei a sombra que precises,
e se o inverno chegar, ou se sentires frio,
em mim hás de achar todo o calor do estio!

Não te rias, - bem sei que te digo tolices,
mas ah! se compreendesses tudo, ou se sentisses
a alegria que sinto ao te falar assim,
talvez que não te risses, meu amor, de mim...
Isto tudo, - é obra apenas da fatalidade,
- quando o amor é uma doença e é uma febre a saudade."

Tua carta é uma frase inteira de ternura,
como uma renda fina, cuja tessitura
trai a mão delicada e a alma de quem a fez
Ela é bem a expressão da mulher, que uma vez...
(mas não, não recordemos estas cousas mais,
- para o teu bem, deixemos o passado em paz
se o não posso trazer num augúrio feliz
para a prolongação de um sonho que eu desfiz...)

Tua carta é o reflexo da tua beleza,
e há no seu ofertório a singela pureza
desse amor que te empolga e te invade e domina!
(Uma alma de mulher num corpo de menina!)
Reli-a muito, a sós... - Mais adiante tu dizes,
com esse místico dom das criaturas felizes:


"Amo, para a alegria suprema e indizível
de humilhar-me aos teus pés tanto quanto possível,
e viverei feliz, como a poeira da estrada
se erguer-me ao teu passar, numa nuvem dourada
cheia de sol e luz, - nessa glória fugaz
de acompanhar-te os passos aonde quer que vás!
Não importa que eu role depois no caminho,
não importa que eu fique abandonada e só,
- quem nasceu para espinho há de ser sempre espinho!...
- quem nasceu para pó, há de sempre ser pó!"


Faz-me mal tua carta, muito mal... Receio
pelo amor infeliz que abrigaste em teu seio,
e uma angústia mortal me oprime e me castiga,
deixa que te confesse, oh! minha pobre amiga!


Não pensei... Não pensei que te afeiçoasses tanto,
nem desejava ver a tristeza do pranto
ensombrecer teus olhos... Quando tu partiste,
não compreendia bem por que ficaste triste
nem quis acreditar no que estavas sentindo...
Hoje, - hoje eu descubro que o teu sonho lindo
era mais do que um sonho, - era mesmo, em verdade
uma grande esperança de felicidade!

Me perdoarás no entanto... ah! não fosses tão boa!
E eu insisto de joelhos a teus pés: - perdoa!
Se eu soubesse, ou se ao menos eu adivinhasse
o que não pude ver além de tua face
e o que não soube ler velado em teu olhar,
não teria deixado esse amor te empolgar...

Perdoa o involuntário mal que te causei!
A carta que escreveste, e há bem pouco guardei,
um grande mal também causou-me sem querer:
- é bem rude e bem triste a gente perceber
que encontrou seu ideal, - o seu ideal mais belo,
- e o destruir, tal como eu, que agora o desmantelo!
É doloroso a gente em mil anos sonhá-lo
e inesperadamente ter que abandoná-lo!

Se algum amor eu quis, esse era igual ao teu
que tudo me ofertou e nada recebeu;
ingênuo e puro amor, simples, sem artifícios,
capaz como bem dizes "de mil sacrifícios,
e de mil concessões, chorando muito embora,
só para ver feliz o ente que quer e adora!"

E pensar que isso tudo que tu me ofereces:
-teu raro e imenso amor, teus beijos tuas preces,
a tua alma de criança ainda em primeiro anseio;
e o teu corpo, onde a forma ondulante do seio
não atingiu sequer seu máximo esplendor;
tua boca, ainda pura aos contatos do amor;
- e dizer que isso tudo, isso tudo afinal
que era o meu velho sonho e o meu maior ideal,
abandono, desprezo, renuncio e largo
com um gesto vil como este, indiferente e amargo!

Enfim, já estás vingada... E porque ainda és criança
há de este falso amor te ficar na lembrança
como uma experiência... (a primeira vencida
das muitas que talvez ainda encontres na vida... )

E um dia então... - quem sabe se não será breve?
- descobrirás na vida aquele amor que deve
transformar teu destino e realizar teu sonho...
Antevendo esse dia de festa, risonho,
comporei, como um véu de noiva, para as bodas,
a mais bela poesia, a mais bela de todas...
(... Recebendo-a, dirás, esquecida e contente:
- "quem teria enviado este estranho presente?")

Sé feliz, minha amiga ... eu me despeço aqui...
Lamento o meu destino, porque te perdi
e maldigo esta carta pelo que ela diz...
Não chores, - porque eu sei que ainda serás feliz...

E que as lágrimas de hoje, - enxuguem-se ao calor
de um verdadeiro, eterno e imorredouro amor!

P. S. - Sê feliz. Amanhã tudo isto será lenda ...
E pede a Deus, por mim, - que eu nunca me arrependa...


( Poema de J.G . de Araujo Jorge
do livro " Eterno Motivo " - 1943)

6 de julho de 2010

sobre seios




TEUS SEIOS
J.G.de Araujo Jorge

Teus seios... quando os sinto, quando os beijo
na ânsia febril de amante incontentado,
são pólos recebendo o meu desejo,
nos momentos sublimes de pecado...

E às manhãs... quando acaso, entre lençóis
das roupagens do leito, saltam nus,
lembram, não sei, dois lindos girassóis
fugindo à sombra e procurando a luz!...

Florações róseas de uma carne em flor
que se ostenta a tremer em dois botões
na primavera ardente de um amor
que vive para as nossas sensações...

Túmidos... cheios... palpitantes, como
dois bagos do teu corpo de sereia,
tem um rubro botão em cada pomo
como duas cerejas sobre a areia...

Quando os tenho nas mãos... Quantas delícias!...
Arrepiam-se, trêmulos , sensuais,
e ao contato nervoso das carícias
tocam-me o peito como dois punhais!...

Meu lúbrico prazer sempre consolo
na carne destas ondas revoltadas,
que são como taças emborcadas
no moreno inebriante do teu colo...

Poemas de J. G. de Araujo Jorge, extraídos do livro
Poemas do Amor Ardente - 1961

5 de julho de 2010

O LADO BOM - J.G.de Araujo Jorge


Quero ser uma ilha,
um pouco de paisagem,
uma janela aberta,
uma montanha ao longe,
um aceno de mar.
Quando precisares de sonho,
de um canto de beleza,
de um pouco de silêncio,
ou simplesmente
de sol... e de ar...

Quero ser o lado bom
em que pensas,
isto que intimamente
a gente deseja
mas nem sempre diz
- quero ser, naquela hora,
o que sentes falta
para seres feliz...

Que quando pensares
em fugir de todos
ou de ti mesma, enfim,
penses em mim...


quem visita Persephone

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