Filha de Persephone

Minha foto
Brasília, DF, Brazil
"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

7 de abril de 2010

entradas e bandeiras - 1975



Coisas da vida
Rita Lee

Quando a lua apareceu
Ninguém sonhava mais do que eu
Já era tarde
Mas a noite é uma criança distraída

Depois que eu envelhecer
Ninguém precisa mais me dizer
Como é estranho ser humano
Nessas horas de partida

É o fim da picada
Depois da estrada começa
Uma grande avenida
No fim da avenida
Existe uma chance, uma sorte,
Uma nova saída
São coisas da vida
E a gente se olha, e não sabe
Se vai ou se fica

Qual é a moral?
Qual vai ser o final
Dessa história?
Eu não tenho nada pra dizer
Por isso digo
Que eu não tenho muito o que perder
Por isso jogo
Eu não tenho hora pra morrer
Por isso sonho

Aaah... são coisas da vida
E a gente se olha,
E não sabe se vai ou se fica

Rita Lee para Leila Diniz


Leila e seu sorriso de coelhinha me fez sentir a própria Alice no País das Maravilhas. A primeira vez que nos cruzamos foi nos corredores da antiga Globo, ela gravava cenas internas da novela O Sheik de Agadir e eu ensaiava Ando Meio Desligado com os Mutantes para FIC, Festival Internacional da Canção. Passou por mim vestida de noiva dando uma piscada marota, dei meia volta no ato e segui a apressada coelhinha até o estúdio onde descolei um canto para assistir a gravação. Era uma cena dramática: a noiva infeliz estava prestes a se casar com um homem que não amava pois seu coração pertencia ao Sheik. Leila foi brilhante e sua performance recebeu aplausos gerais. Quando todos já haviam saído do estúdio ela fez um sinal para me aproximar. Estava com o rosto sério, ainda carregando a tristeza de sua personagem. De repente puxou o vestido até a canela e com uma gargalhada gostosa me mostrou um par de tênis vagabundo por baixo do figurino luxuoso. A coelhinha era mesmo sapeca e aquela sua demonstração de cumplicidade me deu confiança para enfrentar o abaixo-assinado que rolava nos bastidores do festival para expulsar os Mutantes. Augusto Marzagão, o diretor do festival, sabia que a presença irreverente do grupo só iria enriquecer o espetáculo mas por outro lado o descontentamento dos indignados de plantão era real, mesmo assim empurrou a crise com a barriga me dando carta branca para explorar o guarda roupa da casa e escolher as fantasias que quisesse para nós três. A última vez que cruzei com Leila foi na sala de maquiagem, éramos então "velhas amigas", volta e meia eu fugia dos ensaios e ia bicar as cenas dela para depois darmos umas risadas juntas. Enquanto aprendia a manusear o delineador aluguei os ouvidos dela e contei sobre o barraco que estava rolando, da minha insegurança, o desprezo de alguns participantes, o clima tenso, etc. No fim perguntei na maior cara de pau se eu poderia usar o tal vestido de noiva no palco do Maracanãzinho, com tênis e tudo. "Claro que sim, e garanto que vai lhe dar a maior sorte!...além do que a novela já está no finzinho, não tenho mais cenas com aquele vestido, provavelmente vão desmontá-lo para aproveitar os tecidos e bordados...mas peraí! seu pé é bem maior do que o meu, melhor trazer seu tênis, né?...tenho certeza de que vai ser genial, vou estar torcendo por você!" Para Arnaldo escolhi uma fantasia de cavaleiro medieval, para Sergio uma de toureiro e para mim, é claro, o vestido de Leila. Os Mutantes arrasaram e se classificaram para a finalíssima. Tornei a vestir a noiva mas desta vez adicionei uma baita barriga de grávida, o que gerou ainda mais protestos internos. Fiquei de devolver os figurinos para a Globo no final da apresentação mas dei uma de migué e entreguei só as fantasias dos meninos. Dia seguinte eu já estava em Sampa e o vestido de noiva passou a morar definitivamente no meu guarda roupa. Quando soube que o avião de Leila explodiu no ar pensei: Diniz rima com feliz, pena que aquela coelhinha passou tão apressada pela vida da minha Alice....pensando bem, a moral da história de todas as grandes artistas não poderia ser outra: Lugar de estrela, é no céu!


27/12/2001

quem visita Persephone

______________________________________________________________________________________

______________________________________________________________________________________

______________________________________________________________________________________

Link-me !

Link- Me

Link- Me

Persephone faz TRADUÇÕES !

Persephone faz TRADUÇÕES !
camposdejaque@gmail.com

Siga PERSEPHONE ! Follow ME !