Filha de Persephone

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"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

15 de julho de 2010

Poetisa Portuguesa - ISAURA MATIAS ANDRADE

A ventura de escrever-te
.
Escrever-te é falar a sós contigo.
Ter entre as tuas mãos a minha mão;
Dar largas ao meu pobre coração
Encostada ao teu peito, doce Amigo.
.
Escrever-te – quimera que eu bendigo,
Lenitivo fictício da paixão –
E ir a Deus, humilde, em confissão
Chegar ao Céu e ver-te lá comigo.
.
Escrever-te é sentir-me nos teus braços
Confiada na pureza dos abraços.
Num arroubo de beijos virginais!...
.
Escrever-te … Afinal o meu enlevo
E a ânsia de esquecer que não te escrevo,
Que a mim própria me ilude e nada mais.


Melopeia diabólica
.
Por Deus, ó Vento, serena:
Causam-me dó as ramadas;
só tu não sabes ter pena
das pobres folhas, coitadas!
.
E roubas aos passarinhos
casa e sombra, o abrigo amado,
não lhes respeitas os ninhos!...
Estragas tudo, malvado!
.
Já namoraste essa rama,
folhas que arrancas sem dó
para lançá-las na lama,
para arrastá-las no pó!...
.
Curvam-se os caules novinhos
tremendo de encontro ao chão...
Deixa-os ficar, coitadinhos,
deixa-os viver, furacão.
.
Os velhos troncos, lascados,
não tremem ao teu soprar:
Dizem, caindo aos bocados;
"Antes assim que vergar..."
.
Às casas de telha vã,
fazes voar os telhados,
para a chuva, tua irmã,
ir ao lar dos desgraçados!...
.
Quem te viu tão brando e doce,
quando eras brisa somente!
Tinhas tu o que quer que fosse
que afagava toda a gente.
.
Nas tardes quentes de Agosto
- nunca tal bem me esqueceu -
lembravas, dando em meu rosto,
hálitos de anjos do Céu!
.
Agoras brames iroso,
devastas tudo a correr;
és um doido furioso
que ninguém pode prender!...
.
Chamas a ti as procelas
e atacas qualquer abrigo:
Atiras portas, janelas...
Não pára nada contigo.
.
Cessa a louca galopada,
não me açoites mais a vida;
deixa a minha alma, coitada,
por tanta dor sacudida!...
.
Isaura Matias de Andrade
(Do livro "Sinfonia da Terra", publicado em 1943, numa edição da Livraria Editora EDUCAÇÃO NACIONAL - Porto)
.

LOUCURA



Que importa que venhas, que passes agora?

Não quero saber…

E os olhos procuram, há mais de uma hora,

o bem de te ver!...



Os olhos tão tristes, famintos, coitados!...

– Porque é que não vens?

Também que interessa? Dos dias passados,

lembranças não tens!...



– Nem eu, estou certa. Se é só fantasia

que tudo isto encerra…

Jurei: Hás de ver-me mais dura e mais fria

que as pedras da serra:



Desprezo, verás, teu olhar perturbante.

Deixo de ser eu,

se em tua presença não fôr mais distante

que a estrêla do Céu!...



Ver-te! Para quê? Se saudades não tenho,

nem vens por aqui.

Mas lá porque eu venho, e não sei porque venho,

não fôra por ti.



Lembrar que me lembras, meu Deus, que pavor!

– Mas isso que tem?

Não tenho, não tens, se não temos amor,

está muito bem:



Não se perde nada, nem, dor, és cabida;

mentiras não contam.

Verdades são luzes e as luzes dão vida

assim que despontam.



O mundo prossegue na vida galharda;

o Sol está certo.

Há música, há risos, há homens em barda,

e eu… vejo um deserto!



Pensar que te esqueço tornou-se mania,

pareço uma louca!

Se trago, coitada, de noite e de dia

teu nome na bôca!...



In “Sinfonia da Terra” – 1943

Livraria Editora Educação Nacional – Porto


"AMOR" (Do seu livro: "O Meu Desejo")


Disseram-me hoje, Amigo, que te viram;

Que viesses para ver-me, era de crer...

O que eu ouvi!... Fizeram-me sofrer

Por suspeitas, ciúmes que sentiram.


Se soubesses! choraram e sorriram

Os meus olhos na ânsia de te ver:

Mas tu não sabes - podes lá saber!...

As minhas forças nunca me iludiram!



Olha, amor, fui sublime em paciência:

Pura, inocente, ouvindo sem desdém,

Os insultos cruéis que recebi!...



Não devia doer-me a consciência...

- Nunca a ti o direi nem a ninguém,

Mas foi por te não ver que mais sofri! -



quem visita Persephone

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