Filha de Persephone

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"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

31 de julho de 2010

O filme "A casa do lago" e Jane Austen



O filme "A casa do lago" não atrai à primeira vista. O nome nos lembra aqueles filmes repetitivos de terror ou suspense. E a dupla Keanu Reeves e Sandra Bullock já é velha conhecida de filmes populares. No entanto, a produção norte-americana (dirigida pelo cineasta argentino Alejandro Agresti) traz algumas surpresas. Nem sempre boas, claro.

A história é um romance estranho entre Kate (Sandra Bullock) e Alex (Keanu Reeves). Ela é uma médica solitária que vivia em uma casa à beira de um lago. Ao mudar da casa, passa a trocar cartas com o novo morador da residência, um arquiteto frustrado, Alex. Essa troca de cartas, entretanto, tem uma aura de mistério, afinal eles descobrem que estão em tempos diferentes (um período de diferença de 2 anos). Parece um conto de fadas modernos, afinal eles descobrem que são bastante parecidos mas a concretização desse amor é mais difícil do que eles imaginam.

O expectador é envolvido pela boa direção, pela química do casal e os momentos interessantes da história. Mas o enredo nos parece truncado, cheio de buracos. No meio da história, o livro "Persuasão" de Jane Austen aparece. Kate o esquece numa estação de trem e Alex guarda-o para ela. Sabemos, como leitores e expectadores atentos, que nenhum autor ou obra é citado dentro de outra de forma aleatória ou "sem querer". O livro não foi escolhido por acaso e deve conter alguma "leitura" do próprio filme. Não precisamos ir longe, o próprio filme conta-nos o enredo do livro: é uma história de amor impossível, pois os personagens não conseguem se acertar no tempo certo. É uma síntese da própria história do filme. Alex e Kate precisam estar no mesmo "tempo" (literalmente) para se encontrar e viver o grande amor.

O livro "Persuasão" (de 1818) é uma obra póstuma da grande escritora inglesa Jane Austen. Ela é famosa pelos livros "Razão e Sensibilidade" (obra já filmada), "Ema" e "Orgulho e preconceito" (este também filmado recentemente numa belíssima produção). Jane Austen é considerada a segunda figura mais importante da literatura inglesa (ficando atrás apenas de Shakespeare). Viveu em relativo isolamento e nunca se casou. "Persuasão" não é achado facilmente em edição brasileira (achei-o apenas em uma edição portuguesa) e foi o último romance escrito por Jane em que encontramos a heroína "Anne Elliot" (considerada a mais notável). É considerada sua obra mais madura e se afasta do tom predominantemente satírico de seus romances anteriores.

Até que ponto a história do livro nos ajuda a perceber e reler o filme e seu enredo meio "esburacado"? Ou mesmo quem sabe o livro não nos mostre um outro lado do filme que não percebemos? São perguntas instigantes que nos motiva a ler mais esse livro de Jane Austen. Estudos e novas leituras do filme são bem vindos...

Por Valéria de Oliveira Alves

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