Filha de Persephone

Minha foto
Brasília, DF, Brazil
"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

8 de setembro de 2010

O VERBO ORIGINAL DE CECÍLIA MEIRELES/ MODERNISMO NO BRASIL-POESIA



Cecília Meireles: em livro de sua juventude,
a poetisa se valeu de imagens e versículos bíblicos

6/9/2010


Em "Cecília Meireles: Lirismo e Religiosidade",
a crítica literária Graça Roriz Fonteles investiga as referências bíblicas
em obra da primeira fase da escritora carioca

Onde hoje está o mistério da palavra, que poetas ora descrevem, ora problematizam, havia outro mistério: o sagrado. A poesia parece mesmo ter nascido imbricada com a religião. Não faltam livros sagrados escritos em versos. O francês Arthur Rimbaud (1854 - 1891), referência para os laicos modernistas, já identificava o poeta ao profeta.

É na intersecção do poético e do sagrado que se concentra a cearense Graça Roriz Fonteles, poetisa e crítica literária, mestre em Teologia e doutora em Letras (ambas as formações pela Universidade Presbiteriana Mackenzie - SP). Nesse território vivo, e estranhamente ignorado, ela encontra Cecília Meireles (1901 - 1964), uma das grandes poetas brasileiros do século XX, famosa por seu lirismo, pela justeza das palavras em contextos por vezes abstratos e de uma reconfiguração do simbolismo. Para registrar a passagem de Cecília por esse território, Fonteles escreveu "Cecília Meireles - Lirismo e Religiosidade".

A dimensão mística da poesia de Cecília Meireles é estudada a partir dos versos de "Poema dos poemas", lançado quando a poetisa contava apenas 21 anos (em volume que abrigava outra coleção de poemas: "Nunca mais..."). Obra ainda pouco comentada, o livro chegou a ser excluído pela própria autora quando da organização de suas obras completas (e reinserido nas edições posteriores à sua morte). Nele, se encontra uma escritora ainda em formação, marcada por referências do simbolismo, mas já deixando entrever temas e tratamentos de sua obra madura.

(Re)encontros

"Cecília Meireles - lirismo e religiosidade" é dividido em três partes. Na primeira, Graça Roriz Fonteles faz um estudo minucioso do "Poema da dúvida", identificado como uma espécie de síntese do projeto poético do livro em questão. Nele, a autora identifica as referências bíblicas que atravessam todo o "Poema dos poemas", esclarecendo a respeito das formas com que Cecília Meireles se apropria do texto bíblico - da citação direta e literal a recriações de imagens encontradas em versículos. Citações não faltam, a começar pelo título dado à coleção de poemas, que evoca do "Cântico dos Cânticos" de Salomão.

No segundo capítulo, ela inverte o procedimento. O ponto de partida é o "Salmo", o segmento bíblico mais evocado pela poeta em seus procedimentos intertextuais. A autora mapeia e analisa essas aparições de uma obra na outra. Na terceira parte, analisa a aparição e a conjunção do sagrado e do feminino em "Poema dos poemas".

Nessa parte, identifica-se uma entrega especial da pesquisadora, afinal, é nela que Graça Roriz Fonteles melhor conjuga paixão e interesses acadêmicos - como se a poesia, que também pratica, encontrasse com a curiosidade intelectual a respeito do feminino e do divino, temas de estudos anteriores.

CRÍTICA
"Cecília Meireles - Lirismo e Religiosidade"
Graça Roriz Fonteles
R$ 32,00
208 PÁGINAS
2010
SCORTECCI EDITORA/ REBRA

DELLANO RIOS
REPÓRTER


MODERNISMO NO BRASIL – POESIA

A fase corresponde ao período de amadurecimento e consolidação das conquistas da fase anterior - da geração de 22. Os autores não apresentavam mais o caráter destruidor e irreverente de antes. Devido à grande produção, didaticamente, costuma-se dividir essa fase em produções em prosa e produções em poesia. Hoje falaremos sobre apoesia da segunda geração do Modernismo.
Dentre os principais poetas desse período estão Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Vinícius de Moraes e Murilo Mendes.

É importante deixar claro que os autores da primeira geração (Mário, Oswald e Bandeira) continuaram escrevendo, mas novos autores surgiram. A temática dessa fase é bem variada: Drummond e Murilo Mendes voltaram se mais para os aspectos da sociedade capitalista e para as questões universais do homem. Já Cecília Meireles e Vinícius de Moraes, embora também apresentando aspectos universais, voltaram-se para uma poesia mais espiritualista. Em Cecília e em Murilo Mendes também encontramos fortes marcas religiosas e místicas.

Cecília Meireles tornou-se conhecida no meio literário a partir da sua participação na corrente espiritualista da geração de 22. Aos poucos, afasta-se dessa corrente, mas conserva as características introspectivas e intimistas do grupo.
Seus versos, geralmente curtos e cheios de musicalidade, refletem sobre a brevidade da vida, as razões da existência, a solidão e a morte, imprimindo um caráter intimista em toda sua produção poética.


O que Cecília dizia a respeito de sua obra:




“ Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal
intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno(...). Em toda minha vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade”. Cecília Meireles Esses motivos são responsáveis pelo pessimismo e desencanto que perpassam vários momentos de sua obra.




Motivo



Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.



Cecília Meireles

quem visita Persephone

______________________________________________________________________________________

______________________________________________________________________________________

______________________________________________________________________________________

Link-me !

Link- Me

Link- Me

Persephone faz TRADUÇÕES !

Persephone faz TRADUÇÕES !
camposdejaque@gmail.com

Siga PERSEPHONE ! Follow ME !