Filha de Persephone

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Brasília, DF, Brazil
"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

31 de dezembro de 2011

Último dia do ano, fui feliz se não me engano...Persê vai a Itapoã








Feliz Ano Novo

(Rubem Fonseca)

Vi na televisão que as lojas
bacanas estavam vendendo adoidado roupas ricas para as madames vestirem no
reveillon. Vi também que as casas de artigos finos para comer e beber tinham
vendido todo o estoque.Pereba, vou ter que esperar o dia raiar e apanhar
cachaça, galinha morta e farofa dos macumbeiros. Pereba entrou no
banheiro e disse, que fedor.Vai mijar noutro lugar, tô sem
água.Pereba saiu e foi mijar na escada.Onde você afanou a TV,
Pereba perguntou.Afanei, porra nenhuma. Comprei. O recibo está bem em
cima dela. Ô Pereba! você pensa que eu sou algum babaquara para ter coisa
estarrada no meu cafofo?Tô morrendo de fome, disse Pereba.De
manhã a gente enche a barriga com os despachos dos babalaôs, eu disse, só de
sacanagem.Não conte comigo, disse Pereba. Lembra-se do Crispim? Deu um
bico numa macumba aqui na Borges de Medeiros, a perna ficou preta, cortaram no
Miguel Couto e tá ele aí, fudidão, andando de muleta.Pereba sempre foi
supersticioso. Eu não. Tenho ginásio, sei ler, escrever e fazer raiz quadrada.
Chuto a macumba que quiser.Acendemos uns baseados e ficamos vendo a
novela. Merda. Mudamos de canal, prum bang-bang, Outra bosta.As madames
granfas tão todas de roupa nova, vão entrar o ano novo dançando com os braços
pro alto, já viu como as branquelas dançam? Levantam os braços pro alto, acho
que é pra mostrar o sovaco, elas querem mesmo é mostrar a boceta mas não têm
culhão e mostram o sovaco. Todas corneiam os maridos. Você sabia que a vida
delas é dar a xoxota por aí?Pena que não tão dando pra gente, disse
Pereba. Ele falava devagar, gozador, cansado, doente.Pereba, você não
tem dentes, é vesgo, preto e pobre, você acha que as madames vão dar pra você? Ô
Pereba, o máximo que você pode fazer é tocar uma punheta. Fecha os olhos e manda
brasa.Eu queria ser rico, sair da merda em que estava metido! Tanta
gente rica e eu fudido.Zequinha entrou na sala, viu Pereba tocando
punheta e disse, que é isso Pereba?Michou, michou, assim não é possível,
disse Pereba.Por que você não foi para o banheiro descascar sua bronha?,
disse Zequinha.No banheiro tá um fedor danado, disse Pereba. Tô sem
água.As mulheres aqui do conjunto não estão mais dando?, perguntou
Zequinha. Ele tava homenageando uma loura bacana, de vestido de baile e
cheia de jóias.Ela tava nua, disse Pereba.Já vi que vocês tão na
merda, disse Zequinha.Ele tá querendo comer restos de Iemanjá, disse
Pereba.Brincadeira, eu disse. Afinal, eu e Zequinha tínhamos assaltado
um supermercado no Leblon, não tinha dado muita grana, mas passamos um tempão em
São Paulo na boca do lixo, bebendo e comendo as mulheres. A gente se
respeitava.Pra falar a verdade a maré também não tá boa pro meu lado,
disse Zequinha. A barra tá pesada. Os homens não tão brincando, viu o que
fizeram com o Bom Crioulo? Dezesseis tiros no quengo. Pegaram o Vevé e
estrangularam. O Minhoca, porra! O Minhoca! crescemos juntos em Caxias, o cara
era tão míope que não enxergava daqui até ali, e também era meio gago - pegaram
ele e jogaram dentro do Guandu, todo arrebentado.Pior foi com o Tripé.
Tacaram fogo nele. Virou torresmo. Os homens não tão dando sopa, disse Pereba. E
frango de macumba eu não como.Depois de amanhã vocês vão ver. Vão ver o
que?, perguntou Zequinha.Só tô esperando o Lambreta chegar de São
Paulo.Porra, tu tá transando com o Lambreta?, disse Zequinha.As
ferramentas dele tão todas aqui.Aqui!?, disse Zequinha. Você tá
louco.Eu ri.Quais são os ferros que você tem?, perguntou
Zequinha. Uma Thompson lata de goiabada, uma carabina doze, de cano serrado, e
duas magnum.Puta que pariu, disse Zequinha. E vocês montados nessa baba
tão aqui tocando punheta?Esperando o dia raiar para comer farofa de
macumba, disse Pereba. Ele faria sucesso falando daquele jeito na TV, ia matar
as pessoas de rir.Fumamos. Esvaziamos uma pitu.Posso ver o
material?, disse Zequinha.Descemos pelas escadas, o elevador não
funcionava e fomos no apartamento de Dona Candinha. Batemos. A velha abriu a
porta.Dona Candinha, boa noite, vim apanhar aquele pacote.O
Lambreta já chegou?, disse a preta velha.Já, eu disse, está lá em
cima.A velha trouxe o pacote, caminhando com esforço. O peso era demais
para ela. Cuidado, meus filhos, ela disse.Subimos pelas escadas e
voltamos para o meu apartamento. Abri o pacote. Armei primeiro a lata de
goiabada e dei pro Zequinha segurar. Me amarro nessa máquina, tarratátátátá!,
disse Zequinha.É antiga mas não falha, eu disse. Zequinha pegou
a magnum. Jóia, jóia, ele disse. Depois segurou a doze, colocou a culatra no
ombro e disse: ainda dou um tiro com esta belezinha nos peitos de um tira, bem
de perto, sabe como é, pra jogar o puto de costas na parede e deixar ele pregado
lá.Botamos tudo em cima da mesa e ficamos olhando. Fumamos mais um
pouco.Quando é que vocês vão usar o material?, disse
Zequinha.Dia 2. Vamos estourar um banco na Penha. O Lambreta quer fazer
o primeiro gol do ano. Ele é um cara vaidoso, disse Zequinha.É
vaidoso mas merece. Já trabalhou em São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto
Alegre, Vitória, Niterói, pra não falar aqui no Rio. Mais de trinta
bancos.É, mas dizem que ele dá o bozó, disse Zequinha.Não sei se
dá, nem tenho peito de perguntar. Pra cima de mim nunca veio com
frescuras.Você já viu ele com mulher?, disse Zequinha.Não, nunca
vi. Sei lá, pode ser verdade, mas que importa?Homem não deve dar o cu.
Ainda mais um cara importante como o Lambreta, disse Zequinha.Cara
importante faz o que quer, eu disse.É verdade, disse
Zequinha.Ficamos calados, fumando.Os ferros na mão e a gente
nada, disse Zequinha.O material é do Lambreta. E aonde é que a gente ia
usar ele numa hora destas?Zequinha chupou ar fingindo que tinha coisas
entre os dentes. Acho que ele também estava com fome.Eu tava pensando a
gente invadir uma casa bacana que tá dando festa. O mulherio tá cheio de jóia e
eu tenho um cara que compra tudo que eu levar. E os barbados tão cheios de grana
na carteira. Você sabe que tem anel que vale cinco milhas e colar de quinze,
nesse intruja que eu conheço? Ele paga na hora.O fumo acabou. A cachaça
também. Começou a chover. Lá se foi a tua farofa, disse Pereba.Que casa?
Você tem alguma em vista?Não, mas tá cheio de casa de rico por aí. A
gente puxa um carro e sai procurando. Coloquei a lata de goiabada numa
saca ele feira, junto com a munição. Dei uma magnum pro Pereba, outra pro
Zequinha. Prendi a carabina no cinto, o cano para baixo e vesti uma capa.
Apanhei três meias de mulher e uma tesoura. Vamos, eu disse.Puxamos um
Opala. Seguimos para os lados de São Conrado. Passamos várias casas que não
davam pé, ou tavam muito perto da rua ou tinham gente demais. Até que achamos o
lugar perfeito. Tinha na frente um jardim grande e a casa ficava lá no fundo,
isolada. A gente ouvia barulho de música de carnaval, mas poucas vozes cantando.
Botamos as meias na cara. Cortei com a tesoura os buracos dos olhos. Entramos
pela porta principal. Eles estavam bebendo e dançando num salão quando
viram a gente.É um assalto, gritei bem alto, para abafar o som da
vitrola. Se vocês ficarem quietos ninguém se machuca. Você aí, apaga essa porra
dessa vitrola!Pereba e Zequinha foram procurar os empregados e vieram
com três garções e duas cozinheiras. Deita todo mundo, eu disse.Contei.
Eram vinte e cinco pessoas. Todos deitados em silêncio, quietos, como se não
estivessem sendo vistos nem vendo nada.Tem mais alguém em casa?, eu
perguntei.Minha mãe. Ela está lá em cima no quarto. É uma senhora
doente, disse uma mulher toda enfeitada, de vestido longo vermelho. Devia ser a
dona da casa.Crianças?Estão em Cabo Frio, com os
tios.Gonçalves, vai lá em cima com a gordinha e traz a mãe
dela.Gonçalves?, disse Pereba.É você mesmo. Tu não sabe mais o
teu nome, ô burro? Pereba pegou a mulher e subiu as escadas.Inocêncio,
amarra os barbados.Zequinha amarrou os caras usando cintos, fios de
cortinas, fios de telefones, tudo que encontrou.Revistamos os sujeitos.
Muito pouca grana. Os putos estavam cheios de cartões de crédito e talões de
cheques. Os relógios eram bons, de ouro e platina. Arrancamos as jóias das
mulheres. Um bocado de ouro e brilhante. Botamos tudo na saca.Pereba
desceu as escadas sozinho.Cadê as mulheres?, eu
disse.Engrossaram e eu tive que botar respeito.Subi. A gordinha
estava na cama, as roupas rasgadas, a língua de fora. Mortinha. Pra que ficou de
flozô e não deu logo? O Pereba tava atrasado. Além de fudida, mal paga. Limpei
as jóias. A velha tava no corredor, caída no chão. Também tinha batido as botas.
Toda penteada, aquele cabelão armado, pintado de louro, de roupa nova, rosto
encarquilhado, esperando o ano novo, mas já tava mais pra lá do que pra cá. Acho
que morreu de susto. Arranquei os colares, broches e anéis. Tinha um anel que
não saía. Com nojo, molhei de saliva o dedo da velha, mas mesmo assim o anel não
saía. Fiquei puto e dei uma dentada, arrancando o dedo dela. Enfiei tudo dentro
de uma fronha. O quarto da gordinha tinha as paredes forradas de couro. A
banheira era um buraco quadrado grande de mármore branco, enfiado no chão. A
parede toda de espelhos. Tudo perfumado. Voltei para o quarto, empurrei a
gordinha para o chão, arrumei a colcha de cetim da cama com cuidado, ela ficou
lisinha, brilhando. Tirei as calças e caguei em cima da colcha. Foi um alívio,
muito legal. Depois limpei o cu na colcha, botei as calças e desci.Vamos
comer, eu disse, botando a fronha dentro da saca. Os homens e mulheres no chão
estavam todos quietos e encagaçados, como carneirinhos. Para assustar ainda mais
eu disse, o puto que se mexer eu estouro os miolos.Então, de repente, um
deles disse, calmamente, não se irritem, levem o que quiserem não faremos
nada.Fiquei olhando para ele. Usava um lenço de seda colorida em volta
do pescoço.Podem também comer e beber à vontade, ele disse.Filha
da puta. As bebidas, as comidas, as jóias, o dinheiro, tudo aquilo para eles era
migalha. Tinham muito mais no banco. Para eles, nós não passávamos de três
moscas no açucareiro.Como é seu nome?Maurício, ele
disse.Seu Maurício, o senhor quer se levantar, por favor?Ele se
levantou. Desamarrei os braços dele.Muito obrigado, ele disse. Vê-se que
o senhor é um homem educado, instruído. Os senhores podem ir embora, que não
daremos queixa à polícia. Ele disse isso olhando para os outros, que estavam
quietos apavorados no chão, e fazendo um gesto com as mãos abertas, como quem
diz, calma minha gente, já levei este bunda suja no papo. Inocêncio, você já
acabou de comer? Me traz uma perna de peru dessas aí. Em cima de uma mesa tinha
comida que dava para alimentar o presídio inteiro. Comi a perna de peru. Apanhei
a carabina doze e carreguei os dois canos.Seu Maurício, quer fazer o
favor de chegar perto da parede? Ele se encostou na parede. Encostado não, não,
uns dois metros de distância. Mais um pouquinho para cá. Aí. Muito
obrigado.Atirei bem no meio do peito dele, esvaziando os dois canos,
aquele tremendo trovão. O impacto jogou o cara com força contra a parede. Ele
foi escorregando lentamente e ficou sentado no chão. No peito dele tinha um
buraco que dava para colocar um panetone.Viu, não grudou o cara na
parede, porra nenhuma.Tem que ser na madeira, numa porta. Parede não dá,
Zequinha disse.Os caras deitados no chão estavam de olhos fechados, nem
se mexiam. Não se ouvia nada, a não ser os arrotos do Pereba.Você aí,
levante-se, disse Zequinha. O sacana tinha escolhido um cara magrinho, de
cabelos compridos.Por favor, o sujeito disse, bem baixinho. Fica de
costas para a parede, disse Zequinha. Carreguei os dois canos da doze. Atira
você, o coice dela machucou o meu ombro. Apóia bem a culatra senão ela te quebra
a clavícula.Vê como esse vai grudar. Zequinha atirou. O cara voou, os
pés saíram do chão, foi bonito, como se ele tivesse dado um salto para trás.
Bateu com estrondo na porta e ficou ali grudado. Foi pouco tempo, mas o corpo do
cara ficou preso pelo chumbo grosso na madeira. Eu não disse? Zequinha
esfregou ó ombro dolorido. Esse canhão é foda.Não vais comer uma bacana
destas?, perguntou Pereba.Não estou a fim. Tenho nojo dessas mulheres.
Tô cagando pra elas. Só como mulher que eu gosto.E você...
Inocêncio?Acho que vou papar aquela moreninha.A garota tentou
atrapalhar, mas Zequinha deu uns murros nos cornos dela, ela sossegou e ficou
quieta, de olhos abertos, olhando para o teto, enquanto era executada no
sofá.Vamos embora, eu disse. Enchemos toalhas e fronhas com comidas e
objetos.Muito obrigado pela cooperação de todos, eu disse. Ninguém
respondeu.Saímos. Entramos no Opala e voltamos para casa.Disse
para o Pereba, larga o rodante numa rua deserta de Botafogo, pega um táxi e
volta. Eu e Zequinha saltamos.Este edifício está mesmo fudido, disse
Zequinha, enquanto subíamos, com o material, pelas escadas imundas e
arrebentadas.Fudido mas é Zona Sul, perto da praia. Tás querendo que eu
vá morar em Vilópolis? Chegamos lá em cima cansados. Botei as
ferramentas no pacote, as jóias e o dinheiro na saca e levei para o apartamento
da preta velha.Dona Candinha, eu disse, mostrando a saca, é coisa
quente.Pode deixar, meus filhos. Os homens aqui não vêm.
Subimos. Coloquei as garrafas e as comidas em cima de uma toalha no
chão. Zequinha quis beber e eu não deixei. Vamos esperar o Pereba.Quando
o Pereba chegou, eu enchi os copos e disse, que o próximo ano seja melhor.
Feliz Ano Novo !

30 de dezembro de 2011

O PELOURINHO - Salvador - BA




O Pelourinho é o nome de um bairro de Salvador, a capital do estado brasileiro da Bahia. Se localiza no Centro Histórico da cidade, o qual possui um conjunto arquitetônico colonial barroco português preservado e integrante do Patrimônio Histórico da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
A palavra pelourinho se refere a uma coluna de pedra, localizada normalmente ao centro de uma praça, onde criminosos eram expostos e castigados. No Brasil Colônia, era, principalmente, usado para castigar escravos.
A história do bairro soteropolitano está, intimamente, ligada à história da própria cidade, fundada em 1549 por Tomé de Sousa, primeiro governador-geral do Brasil, que escolheu o lugar onde se localiza o Pelourinho por sua localização estratégica - no alto, próximo ao porto e com uma barreira natural constituída por uma elevação abrupta do terreno, verdadeira muralha de até noventa metros de altura por quinze quilômetros de extensão, facilitando a defesa da cidade.Era um bairro eminentemente residencial, onde se concentravam as melhores moradias até o início do século XX.A partir dos anos 1960, o Pelourinho sofreu um forte processo de degradação, com a modernização da cidade e a transferência de atividades econômicas para outras regiões da capital baiana, o que transformou a região do Centro Histórico em um antro de prostituição e marginalidade.Somente a partir dos anos 1980 (com o reconhecimento do casario como patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e dos anos 1990 (com a revitalização da região) é que o Pelourinho transformou-se no que é hoje: um centro de efervescência cultural.Nas últimas décadas, o Pelourinho passou a atrair artistas de todos os gêneros: cinema, música, pintura, tornando-o um importante centro cultural de Salvador.

Limitando-se ao norte com Pilar, Santo Antônio e Barbalho, ao sul com a e Saúde, a leste com o Comércio e a oeste com Sete Portas, o Pelourinho compõe-se de ruas estreitas, enladeiradas e com calçamento em paralelepípedos.

A partir do início dos anos 1990 a área foi o cerne do processo de revitalização do Centro Histórico, com a desapropriação dos moradores, recuperação de fachadas e prédios.Atualmente, no Pelourinho, estão as sedes de várias organizações, tais como:Casa de Jorge Amado;Grupo Gay da Bahia;Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC).

28 de dezembro de 2011

VOCÊ JÁ COMEU ACARAJÉ ?

ACARAJÉ
Acarajé é uma especialidade gastronômica da culinária afro-brasileira feita de massa de feijão-fradinho, cebola e sal, frita em azeite-de-dendê. O acarajé pode ser servido com pimenta, camarão seco, vatapá, caruru ou salada, quase todos componentes e pratos típicos da cozinha do extremo sul da Bahia.
HISTÓRIA
A arte culinária na Bahia, de 1916, conta, na primeira descrição etnográfica do acarajé, que "no início, o feijão-fradinho era ralado na pedra, de 50 cm de comprimento por 23 de largura, tendo cerca de 10 cm de altura. A face plana, em vez de lisa, era ligeiramente picada por canteiro, de modo a torná-la porosa ou crespa. Um rolo de forma cilíndrica, impelido para frente e para trás, sobre a pedra, na atitude de quem mói, triturava facilmente o milho, o feijão, o arroz".O acarajé dos Iorubás da África ocidental (Togo, Benim, Nigéria, Camarões) que deu origem ao brasileiro é por sua vez semelhante ao Falafel árabe inventado no Oriente Médio. Os árabes levaram essa iguaria para a África nas diversas incursões durante os séculos VII a XIX. As Favas secas e Grão de bico do Falafel foram altealternados pelo feijão-fradinho na África.
COMO FAZER ACARAJÉ
O acarajé é um prato típico da culinária baiana e um dos principais produtos vendidos no tabuleiro da baiana (nome dado ao recipiente usado pela baiana do acarajé para expor os alimentos), que são mais carregados no tempero e mais saborosos, diferentes de quando feitos para o orixá.A forma de preparo é praticamente a mesma, a diferença está no modo de ser servido: ele pode ser cortado ao meio e recheado com vatapá, caruru, camarão refogado, pimenta e salada de tomates verde e vermelho com coentro.O acarajé tem similaridade com o abará, difere-se apenas na maneira de cozer. O acarajé é frito, ao passo que o abará é cozido no vapor.Os ingredientes do acarajé são meio quilograma de feijão-fradinho descascado e moído, 150 g de cebola ralada, uma colher de sobremesa de sal ou a gosto e um litro de azeite-de-dendê para fritar. O recheio de camarão é feito com 4/6 xícara de azeite-de-dendê, 3 cebolas picadas, alho a gosto, 700 g de camarão defumado sem casca e cheiro-verde refogados por 10 a 15 minutos. É possível acrescentar tomate e coentro, e como dito anteriormente, caruru, vatapá e molho de pimenta.
(MAS O BOM MESMO É COMER O ACARAJÉ DO TABULEIRO DAS BAIANAS)
Tempero à moda baiana, o DENDÊ
O dendê vindo da África empresta seu sabor peculiar ao azeite que dá gosto às moquecas, mariscadas, caruru, acarajé e abará. Acompanhados da tradicional caipirinha ou da refrescante água de coco, os pratos presenteiam os olhos, seduzem o olfato e se desmancham ao paladar. É de dar “água na boca”. O sertão reserva novas misturas, aguça novos sabores e endossa o tempero da culinária baiana. Carne seca, pirão, mingau, cuscuz, bolos e doces variados de todas as frutas dão o tom da mesa farta do sertanejo. A Bahia é uma festa de cores e sabores. Às receitas milenares de tribos indígenas e à rusticidade improvisada nas senzalas dos escravos africanos, somou-se a fineza e o requinte da cozinha real portuguesa. É satisfação para todos os gostos. E bom apetite!
ASPECTOS GEOGRÁFICOS
A Bahia ocupa 6,64% do território nacional. Da área de 564.692,67 km², cerca de 68,7% encontram-se na região do semiárido, enquanto o litoral mede 1.183 km, o maior litoral dentre todos os estados brasileiros. Seu vasto território abriga muitos tipos de ecossistemas. O clima tropical predomina em todo o estado, apresentando distinções apenas quanto aos índices de precipitação em cada uma das diferentes regiões. Na faixa litorânea, encontramos clima ameno e floresta tropical úmida, com áreas remanescentes de Mata Atlântica. No semiárido, na região do sertão, a temperatura é quente e a vegetação predominante é a caatinga, enquanto no oeste o clima é seco e a vegetação é típica do cerrado.
O clima tropical predomina em toda a Bahia, apresentando distinções apenas quanto aos índices de precipitação em cada uma das diferentes regiões. Em regiões como o sertão, há predominância do clima semi-árido. No litoral e na região de Ilhéus a umidade é maior e os índices de chuva podem ultrapassar os 1.500 mm anuais.
O POVO BAIANO
O povo da Bahia é fruto da miscigenação do índio nativo, do europeu e do africano. Somos um povo mestiço de características singulares expressas na cultura e na religiosidade. O baiano é, por natureza e excelência, hospitaleiro, acolhedor, simpático e festeiro.O processo de miscigenação teve início ainda na época do Descobrimento, quando os portugueses aqui fincaram raízes e com as índias nativas formaram suas famílias. O ciclo prosseguiu com a vinda dos escravos africanos de várias etnias.
CULTURA
Pátria da diversidade cultural, a Bahia apresenta o seu tabuleiro de roteiros turísticos e viagens por dentro da História do Brasil. De igrejas seculares ao artesanato típico das cidades do interior, da crença diversificada de seu povo mestiço aos mitos e ritos do folclore local, o estado se abre em um verdadeiro mosaico de atrativos para quem deseja desvendar a Bahia em toda a sua graça e poesia.Terra dos orixás, patuás e babalorixás; Terra de culto a Todos os Santos; a Bahia é também a Terra de todos os ritos e mitos. As diversas expressões folclóricas ostentam a riqueza do imaginário popular. Rodas de samba, Puxadas de Mastro, Capoeira, Terno de Reis, Bumba-meu-boi, Afoxé e tantas outras colorem, animam e exibem a fé inabalável do baiano por toda a capital e interior. Um mosaico de festejos e celebrações às crenças de origem africana, indígena e portuguesa, ao tempero singular da baianidade.
FESTAS POPULARES
A Bahia é uma festa o ano todo. Os festejos populares se sucedem, concentrados no Verão, mas se estendendo por todo o ano, incluindo as festas juninas. As manifestações folclóricas, de diversas origens se proliferam com exibições ao ar livre de capoeira, maculelê e samba-de-roda. Milhares de pessoas vão às ruas celebrar os santos padroeiros. Além de popular, essas festas se caracterizam pelo sincretismo religioso e pela mistura de elementos sagrados e profanos.Toda a fé do baiano se manifesta no ciclo de festas populares, desde as comemorações dos orixás do candomblé, quando todos os terreiros da cidade batem seus tambores para seus filhos-de-santo dançarem, até as festas da religião católica, que ganham um cunho profano com muito samba-de-roda e barracas padronizadas que servem bebidas e comidas variadas.Esse clima de festa impregna toda a cidade, desde a manhã até a noite, mas no início de dezembro, a programação se intensifica. O ciclo tem início no dia 4 de dezembro, com a Festa de Santa Bárbara, e tem seu ápice da Lavagem do Bonfim, na Festa de Iemanjá e no Carnaval. Atualmente, as mais tradicionais são: Bom Jesus dos Navegantes, Lavagem do Bonfim e Iemanjá. Veja a seguir o calendário festivo:
Calendário de Festas
Bom Jesus dos Navegantes........ 1º de Janeiro
Lavagem do Bonfim................... 2ª quinta-feira de janeiro (móvel)
Ribeira........................................ segunda-feira após a Lavagem do Bonfim (móvel)
Festa de Iemanjá........................ 2 de fevereiro
Lavagem de Itapuã..................... uma semana antes do Carnaval (móvel)
Santa Bárbara............................. 4 de dezembro
N. S. da Conceição da Praia........ 8 de dezembro

A história da BAHIA


A história da Bahia se confunde com a própria história do país. Em Porto Seguro, no Extremo Sul da Bahia, no ano de 1500, o Brasil foi descoberto com a chegada dos portugueses e a celebração da primeira missa, em Coroa Vermelha, por frei Henrique Soares de Coimbra. Nesses cinco séculos de muitas histórias, a Bahia foi palco de invasões, como a Holandesa, das guerras pela Independência, e de conflitos e revoltas, como a Sabinada e a dos Malês.No século XVI, a Bahia foi movida pela economia do pau-brasil e da cana-de-açúcar, seguida pelo ciclo do ouro e do diamante. A fase áurea da cana-de-açúcar, inclusive, proporcionou o surgimento da nobreza colonial, provocando um aumento populacional e também financeiro, principalmente na capital, o que pode ser comprovado pelas construções das principais igrejas da cidade, como a de São Francisco, a igreja de ouro, a venerável Ordem Terceira de São Francisco, com fachada em barroco espanhol, e a Catedral Basílica, onde está o túmulo de Mem de Sá, o terceiro governador-geral do Brasil, e a cela onde morreu o padre Antônio Vieira.

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