Filha de Persephone

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"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" (Florbela Espanca, Carta no. 147)

Sobre ALICE RUIZ

"Que importa o sentido se tudo vibra"

ALICE RUIZ

tradutor

18 de julho de 2012

sobre OS VAGABUNDOS DO DHARMA, de Jack Kerouac

Os Vagabundos do Dharma


Os Vagabundos do Dharma é um romance de 1958 pela Geração beat do autor Jack Kerouac .
As contas semi-ficcional na novela são baseados em eventos que ocorreram anos depois dos eventos de On the Road . Os personagens principais são o narrador Ray Smith, baseado em Kerouac, e Japhy Ryder, com base no poeta e ensaísta Gary Snyder , que foi fundamental na introdução de Kerouac ao Budismo em meados dos anos 1950. O livro em grande parte diz respeito a dualidade na vida de Kerouac e ideais, examinando a relação que o ar livre, ciclismo, montanhismo, caminhadas e carona com o Ocidente teve com a sua "vida de cidade" de clubes de jazz, leituras de poesia e festas embriagados.
Um episódio do livro mostra Smith, Ryder e Henry Morley (baseado no amigo da vida real John Montgomery) escalada Matterhorn Pico na Califórnia . Conta a história da primeira introdução de Kerouac a este tipo de montanhismo e serviria como inspiração para ele passar o verão a seguir como um vigia de incêndio para o Serviço Florestal dos Estados Unidos em Desolation Peak , em Washington . A novela também dá conta do lendário 1955 leitura Galeria Six , onde Allen Ginsberg fez uma apresentação de estréia de seu poema " Howl "(alterado para" Wail "no livro), e outros autores, como Snyder, Kenneth Rexroth , Michael McClure , e Philip Whalen executada.

História

      Ray Smith é impulsionado por Japhy, cuja propensão para a vida simples e Zen Budismo influenciou grandemente Kerouac na véspera do sucesso repentino e imprevisível de On the Road . A ação se desloca entre os eventos de Smith e "vida urbana", Ryder, tais como três dias de festas e decretos dos budistas " Yab-Yum "rituais, à imagem sublime e pacífica, onde Kerouac procura um tipo de transcendência . O romance termina com uma mudança no estilo de narrativa, com Kerouac trabalhando sozinho como vigia de incêndio no Pico Desolation (adjacente ao Hozomeen Mountain), de que logo seria declarada North Cascades National Park (ver também Desolation Angels ). Estes elementos colocam Os Dharma Bums numa encruzilhada crítica prenunciando as obras consciência de sondagem de diversos autores na década de 1960, como Timothy Leary e Ken Kesey .




«Saltando para um comboio de mercadorias vindo de Los Angeles, no começo da tarde de um dia de finais de Setembro de 1955, meti-me num vagão aberto e deitei-me com o meu saco de campismo debaixo da cabeça e as pernas cruzadas e contemplei as nuvens enquanto rodávamos para norte em direcção a Santa Bárbara nessa noite e apanhar outro regional para San Luis Obispo na manhã seguinte ou então o expresso de mercadorias de primeira classe directo para São Francisco às sete da tarde. Algures nas imediações de Camarillo onde Charlie Parker estivera louco e repousara até se restabelecer, um vagabundo velhote, magro e baixo, subiu para o meu vagão quando metíamos por uma linha desviada para darmos prioridade a outro comboio e pareceu espantado por me encontrar ali. Instalou-se no outro extremo do vagão e deitou-se voltado para mim com a cabeça sobre a mísera trouxa dos seus pertences e não disse nada. Instantes depois soaram o apito de partida após o comboio para leste ter passado vertiginosamente na linha principal e arrancamos com o ar a arrefecer e a névoa soprando do mar sobre os mornos vales do litoral. Após tentativas fracassadas de nos acomodarmos enroscados no aço frio, tanto eu como o pequeno vagabundo nos levantámos e começámos a andar para trás e para a frente e pulámos e agitámos os braços cada um no seu canto do vagão.»
(…)
Os Vagabundos do Dharma, Jack Kerouac (Tradução de Margarida Vale de Gato, Ed. Relógio D’Água)
 

16 de julho de 2012

E o livro virou filme...ON THE ROAD ou NA ESTRADA

On the Road - Official Trailer 2012 [HD] Kristen Stewart Movie Genre: Adventure | Drama Director: Walter Salles Writers: Jack Kerouac (book), Jose Rivera (screenplay) Stars: Garrett Hedlund, Sam Riley and Kristen Stewart

NA ESTRADA

Sinopse e detalhes Nova York, Estados Unidos. Sal Paradise (Sam Riley) é um aspirante a escritor que acaba de perder o pai. Ao conhecer Dean Moriarty (Garrett Hedlund) ele é apresentado a um mundo até então desconhecido, onde há bastante liberdade no sexo e no uso de drogas. Logo Sal e Dean se tornam grandes amigos, dividindo a parceria com a jovem Marylou (Kristen Stewart), que é apaixonada por Dean. Os três viajam pelas estradas do interior do país, sempre dispostos a fugir de uma vida monótona e cheia de regras.


CRÍTICA

De Francisco Russo

O diretor Walter Salles tem por regra mesclar produções brasileiras e internacionais, por considerar que um cineasta precisa, de tempos em tempos, retornar ao seu local de origem para recuperar as forças. Na Estrada é seu projeto estrangeiro, aquele em que precisa compreender a realidade alheia para retratá-la através das câmeras. No caso em questão, foi um trabalho árduo. Salles e equipe percorreram milhares de quilômetros pelo interior dos Estados Unidos, no intuito de compreender o estado de espírito dos personagens principais do livro "Pé na Estrada", de Jack Kerouac. O que a princípio aparenta ser um mero detalhe perfeccionista fica bastante explícito ao assistir o filme. Afinal de contas, o grande mérito de Salles em Na Estrada foi justamente compreender a realidade daqueles jovens que estavam em busca de algo, sem saber direito o quê. A história gira em torno de Sal Paradise (Sam Riley , correto). Vindo de família burguesa e tendo perdido o pai há poucos meses, ele conhece e se aproxima de Dean Moriarty (Garrett Hedlund). Logo é apresentado a um mundo onde álcool, drogas e especialmente o sexo são liberados. De cara, Sal fica extasiado. "Os loucos prestam atenção em mim", vibra, ao mesmo tempo em que analisa quem está à sua volta tendo por base sua vida até então. Neste universo onde o mais importante são as experiências vividas ele também conhece Marylou (Kristen Stewart), a jovem esposa de Dean, de apenas 16 anos. Juntos, os três vivem diversas aventuras, na cama e fora dela. A maior qualidade de Na Estrada é retratar o momento de vida de seu trio protagonista sem jamais julgá-lo. Trata-se de um filme quase sensorial, já que muito sobre os personagens é apresentado não através de explicações mas pelas experiências vividas e sua reação diante delas. Neste ponto o grande acerto de Salles foi não podar o filme, visando uma censura mais branda que o tornasse mais comercial. Desta forma há sim cenas de nudez, assim como de uso de drogas e de sexo a três e homossexual. Nada gratuito nem explícito, é importante ressaltar, mas necessário para ambientar este universo muito próprio onde reina a liberalidade. Outro ponto crucial para o filme é a imersão do elenco neste ambiente. Garrett Hedlund tem a melhor atuação da carreira ao viver um Dean extremamente sedutor, não apenas no sentido da conquista propriamente dita mas também no campo das ideias sobre viver a vida. O mesmo acontece com Kristen Stewart, que surpreende ao fazer de sua Marylou um vulcão permanente de sensualidade. A dança dos dois, completamente soltos, é uma das cenas mais belas e sensuais do filme, mais até do que as várias de nudez parcial da atriz. Mérito, mais uma vez, de Walter Salles, pelo belo trabalho de caracterização feito com a dupla. Na Estrada é um belo filme por ter conseguido captar a essência do que representa o livro de Jack Kerouac, no sentido de se arriscar na vida. Não importa se as atitudes são certas ou erradas, mas sim o que elas representam para aquele grupo de pessoas. O filme apenas peca por ser um pouco longo demais, em parte devido ao excesso de cenas soltas que, por outro lado, são necessárias justamente para representar a vida sem rumo definido que o trio protagonista toma a todo instante. Destaque também para a breve participação de Viggo Mortensen e Amy Adams, ambos muito bem.

14 de julho de 2012

O QUE É GERAÇÃO BEAT ?

Geração Beat

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Geração beat (Beat Generation em inglês) ou "Movimento beat" é um termo usado tanto para descrever a um grupo de artistas norte-americanos, principalmente escritores e poetas, que vieram a se tornar conhecidos no final da década de 1950 e no começo da década de 1960, quanto ao fenômeno cultural que eles inspiraram (posteriormente chamados ou confundidos aos beatniks, nome este de origem controversa, considerado por muitos um termo pejorativo). Estes artistas, levavam vida nômade ou fundavam comunidades. Foram, desta forma, o embrião do movimento hippie, se confundindo com este movimento, posteriormente. Muitos remanescentes hippies se auto-intitulam beatniks e um dos principais porta-vozes pop do movimento hippie, John Lennon, se inspirou na palavra beat para batizar o seu grupo musical, The Beatles. Na verdade, a "Beat generation", tal como os Beatles, o movimento hippie e, antes de todos estes, o Existencialismo, fizeram parte de um movimento maior, hoje chamado de "contracultura".
As obras mais conhecidas da Geração beat na literatura são Howl (1956) de Allen Ginsberg, Naked Lunch (1959) de William S. Burroughs e On the Road (1957) de Jack Kerouac. Tanto Howl quanto Naked lunch foram o foco da prova de obscenidade que ajudaram a libertar o que poderia ser publicado nos Estados Unidos. Seus principais autores eram publicados pela City Lights Books, editora de San Francisco, pertencente ao poeta beat Lawrence Ferllinghetti.
On the Road transformou o amigo de Kerouac, Neal Cassady, em um herói dos jovens. Os membros da Geração beat rapidamente desenvolveram uma reputação como os novos boêmios hedonistas que celebravam a não-conformidade e a criatividade espontânea. É interessante observar que a geração beat representou a única voz nos EUA a levantar-se contra o macartismo, política de intolerância que promoveu a chamada "caça às bruxas", resultando em um período de intensa patrulha anticomunista, perseguição política e desrespeito aos direitos civis nos Estados Unidos, o qual durou do fim da década de 1940 até meados da década de 1950. Vale observar que muitos dos chamados "beats" eram comunistas ou de esquerda, sendo, no geral, de tendência anarquista, se os analisarmos de um ponto de vista político. Ainda assim, nunca foram aceitos como verdadeiros esquerdistas pelos comunistas ortodoxos, como Fidel Castro, por exemplo. Formalmente, a poesia beat de Ginsberg, Gregory Corso e Lawrence Ferllinghetti se aproxima bastante da poesia surrealista, bem como ocorre com a prosa um tanto caótica de Burroughs. Já a prosa de "On the road", de Kerouac, é simples e espontânea, politicamente corajosa, mostrando que muitos poderiam demonstrar sua inconformidade e expressar seu próprio eu sem serem propriamente eruditos através da arte, e que o "kitsch" pode elevar-se ao sublime.
O adjetivo beat, do inglês, tinha as conotações de "cansado" ou "baixo e fora", mas quando usado por Kerouac esse também incluía as paradoxais conotações de "upbeat", "beatific", e a associação musical de ser "na batida".
Os escritores Beat davam enfâse a um engajamento visceral em experiências com as palavras combinadas com a busca a um entendimento espiritual mais profundo, e muitos deles desenvolveram interesse no Budismo). Como o poeta francês Rimbaud, acreditaram que poderiam alcançar um "grau maior de elevação da consciência" através do desregramento dos sentidos, e por isso não dispensavam o uso das drogas, em seus primórdios. Ecos da Geração beat podem ser vistas em muitas outras subculturas além da cultura hippie,como na dos punks, etc.

GERAÇÃO BEAT NO BRASIL

A vida como obra de arte

Por: Pedro Kalil


Tradução de "On the road", de Kerouac, em 1984, abriu as portas à literatura beat no Brasil.

A geração beat demorou quase 30 anos para chegar ao Brasil. A primeira edição de On the road, que Jack Kerouac havia publicado em setembro de 1957 nos Estados Unidos, só saiu aqui em 1984. Seu tradutor, Eduardo Bueno, hoje mais conhecido. Pela autoria da série da Objetiva sobre a história do Brasil, lembra exatamente o dia: 4 de fevereiro de 1984. Editado pela Brasiliense, o livro permaneceu 22 semanas em 2º lugar da lista dos mais vendidos da revista Veja, só perdendo para O nome da rosa, de Umberto Eco.
Até chegar a vender mais de 100 mil exemplares, On the road - Pé na estrada foi recusado por uma dezena de editoras. "No verão de 1975, o li em espanhol (com o título de En el camino) pela primeira vez. A tradução era de 1959 e se alguém quisesse lê-lo em português, teria que recorrer ao lusitano, que se chamava Pela estrada afora e tinha frases como 'Fui-me de boléia ao Orégão num carro descapotável'", conta Bueno.

Obsecado pelo universo de Kerouac, Bueno, em 1977, decidiu refazer a viagem de Sal Paradise e Dean Moriarty. Ele cruzou os Estados Unidos como os personagens de On the road, mas foi além. Perambulou durante um ano e meio pelo mundo, saindo da Argentina, chegando à Europa, de lá ao Oriente, daí aos Estados Unidos e chegando ao Brasil depois de percorrer a América Latina. Me convenci de que a minha tarefa devocional seria traduzi-lo para o português. Quando chagava nas editoras oferecendo, me diziam que o livro já era, tinha quase 30 anos e que maconheiro não lia."

Convenceu a Brasiliense a fazê-lo, assim como a chamar Antônio Bivar para fazer a revisão, já que ele tinha 21 anos e havia traduzido a obra por conta própria. Pouco depois, Bueno se desentendeu com a editora. De volta a Porto Alegre, foi procurar a gaúcha L&PM (uma das que haviam recusado a bíblia beat). Contratado como editor, acabou criando a coleção Alma beat, que publicou, em 12 volumes, livros de Allen Ginsberg, Lawrence Ferlinghetti, William Burroughs, Gary Snyder. Bueno também coordenou a coletânea de ensaios - com textos de Roberto Muggiatti, Bivar, Cláudio Willer e Pepe Escobar, entre outros - que levava o nome da coleção.

Tudo isso em meados dos anos 80. "Foi uma explosão. No início, a imprensa tratou muito bem; depois os mesmos veículos passaram a tratar muito mal, dizendo que era uma sub-literatura, coisa de maconheiro. Até o Paulo Leminski falou mal dos beats, num artigo que dizia para parar de gastar papel com porcaria", afirma Bueno.

Passada a febre, On the road foi reeditado pela Ediouro quando completou 40 anos. Bueno foi chamado para retraduzi-lo mas, envolvido com a série sobre o descobrimento do Brasil, admite tê-lo feito "nas coxas". Somente no ano passado, pela L&PM Pocket, reviu todo o trabalho "linha por linha", fazendo inclusive uma apresentação e um posfácio, onde conta o que passou graças a On the road. Também em versão de bolso podem ser encontrados, pela mesma editora, obras como Livro dos sonhos e Os vagabundos iluminados, de Kerouac, O primeiro terço, de Neal Cassidy e Uivo, de Ginsberg. Outra edição recente é a de Junky, de Burroughts, que faz parte da coleção Intoxicações, da Ediouro.

Geração Beat - Por João Eduardo Colosalle



Radiorreportagem sobre a Geração Beat, feita para o radiojornal Jovem PUC Especial, parte da disciplina de Radiojornalismo B.
Trilha:
"K.C. Blues" - Charlie Parker
"Back Home Blues" - Charlie Parker
"Corrina, Corrina" - Bob Dylan

Narração e produção: João Eduardo Colosalle
Edição de áudio: Bruno Marques
Orientação: Prof. Cyntia Andretta
Faculdade de Jornalismo
PUC-Campinas

13 de julho de 2012

"ON THE ROAD"

Sucesso e crítica

O sucesso e o prestígio conquistados após a publicação de “On the Road”, em 1957, deixaram Jack atormentado. Apesar de eventuais críticas positivas que realçavam o caráter inovador da obra, muitos o tacharam de subliterato e imoral. A primeira resenha escrita por Gilbert Millstein no jornal The New York Times foi satisfatória. Ele recorda no documentário “O Rei dos Beats” qual foi sua sensação ao ler o livro: “Eu li o livro e fiquei simplesmente estupefato. Eu disse ali que acreditava naquilo como a expressão perfeita de uma geração, assim como Hemingway em ‘The Sun Also Rises’ também foi uma expressão da sua geração naquela época”.
O efeito imediato da fama causou apreensão e relutância em Jack. Joyce Johnson, a jovem namorada com quem o escritor morava na época, relembra a reação dele diante da celebração instantânea: “Ele estava agitado e com medo. Ele também sentia que teria de viver para sua imagem pública, pois todos esperariam que ele fosse como Dean Moriarty ou Neal Cassady, mas ele era só Jack Kerouac. Era bastante tímido, preferia ficar num canto olhando, refletindo.”
Logo após a publicação, Jack trabalhou intensamente em outros projetos. “The Dharma Bums”, lançado em 1958, foi a tentativa do escritor de estabelecer afinidades com o Budismo. É o relato de uma escalada com o amigo poeta Gary Snyder em busca de realizações espirituais.

 Isolamento

Nesta mesma época, Jack resolveu se isolar do convívio humano. Subiu até o alto de uma colina e passou longos dias sozinho confinado em uma cabana sem eletricidade e sem vidros nas janelas. Tomava quase uma garrafa de bebida por dia e sofreu com alucinações e paranóias. A experiência foi registrada no livro “Big Sur”, de 1962.
O problema do alcoolismo piorou com o tempo. Derrotado e solitário, vai morar com a sua mãe em Long Island. Seus últimos trabalhos exibiam uma alma desconectada de um ser humano perdido em ilusões. Apesar do estereótipo de beat - ou "beatnik", alcunha que Kerouac detestava e rejeitava - o escritor era um conservador, especialmente sob a influência de sua mãe católica. O vigor deu lugar ao cansaço, e o escritor resignou-se a uma vida ordinária.
Frequentemente apaixonado, ele chegou a casar duas vezes ao longo da vida, mas ambos os matrimônios acabaram em poucos meses. Na metade dos anos 60, Jack casa novamente, agora com uma velha conhecida de infância. Ele, a esposa e a mãe se mudam para St. Petersburg, na Flórida


Em 21 de outubro de 1969, Jack Kerouac morreu de hemorragia, consequência de uma cirrose, com 47 anos, num hospital em St. Petesburg, na Flórida. O amigo e agente literário Allen Ginsberg reverencia seu talento: “Eu não conheço outro escritor que teve influência tão produtiva quanto Kerouac, que abriu o coração como escritor para contar o máximo dos segredos da sua própria mente”.

Jack Kerouac, um moço sensível da geração beat

Infância e juventude

Kerouac, de origem franco-canadense, teve uma infância séria, onde era muito dedicado à mãe. Frequentou um colégio jesuíta e ajudou o pai numa fábrica de impressão. Um de seus traumas mais trágicos, que voltaria relatado nos seus romances, foi a morte do seu irmão Gerard quando ele tinha apenas nove anos.
Devido às dificuldades económicas por que passava a família, Jack resolveu fazer parte da equipa de futebol americano do colégio para tentar uma bolsa de estudo na faculdade. Conseguiu entrar na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, para onde se mudou com a família. Devido a um acidente que o impossibilitou de jogar por alguns meses, Kerouac começou a passar mais tempo frequentando a biblioteca da universidade, tendo assim seu primeiro contacto com autores que influenciaram muito da sua obra, entre os quais cita : Louis-Ferdinand Céline, Tom Wolfe, Jack London
Não se ajustando à Marinha de guerra, acabou na Marinha mercante, onde ficou algum tempo. Quando não estava em viagem, Jack andava por Nova Iorque acompanhado pelos seus amigos "delinquentes" da Universidade de Columbia, entre eles Allen Ginsberg e William Burroughs, chamado de Bill pelos camaradas, além do seu maior companheiro de viagens, Neal Cassady.Este,recém chegado em Nova York,com sua esposa de 16 anos.Neal Cassady era um verdadeiro produto das ruas,passou sua infância e parte da juventude em reformatórios . Foi a época em que Jack conheceu os grandes amigos que formariam, alguns anos mais tarde, o "pelotão de frente" da geração beat, para desgosto da mãe.

As grandes viagens e escritos

Kerouac "começou" escrevendo um romance, The Town and The City, sobre os tormentos sofridos na tentativa de equilibrar a vida selvagem da cidade com os seus valores do velho mundo. Segundo relatado em seus diários, publicados em 2004, Kerouac tentou dar ao livro excessivo planejamento e regularização, o que tornou sua composição cansativa e desgastante. The Town and The City foi o seu primeiro romance publicado, porém não chegou a lhe trazer fama. Devido também à má experiência, passaria muito tempo sem publicar novamente. Durante o período que se sucedeu, criou os rascunhos de outras grandes obras suas - Doctor Sax e On the Road. Na tentativa de escrever sobre as surpreendentes viagens que vinha fazendo com o amigo de Columbia, Neal Cassady, Kerouac experimentou formas mais livres e espontâneas de escrever, contando as suas viagens exatamente como elas tinham acontecido, sem parar para pensar ou formular frases. O manuscrito resultante sofreria 7 anos de rejeição até ser publicado. Jack escrevia vários romances, que ia guardando em sua mochila, enquanto vagava de um lado a outro do país.
Escreveu Tristessa, obra sobre uma viciada em morfina que vive na Cidade do Mexico… É um romance triste, cheio de ensinamentos budistas, repleto de compaixão pelo sofrimento humano.
 
A relação do escritor com Neal foi determinante para despertar em Jack sua vontade reprimida de botar o pé na estrada e desfrutar de uma liberdade ainda não experimentada. Os dois viajaram por sete anos percorrendo a rota 66, que cruza os EUA na direção leste-oeste, com descidas freqüentes ao México. Saíram de Nova York e cruzaram o país em direção a São Francisco. Nessa jornada baseou-se a obra On the Road, cujos protagonistas, Dean Moriarty e Sal Paradise, aludem a Cassady e ao próprio Kerouac.
No verão de 1953 Jack Kerouac envolveu-se com uma moça negra, experiência que usou para escrever em 1958 "Os Subterrâneos". Escrito em três dias e três noites, Os Subterrâneos foi gerado a partir do mesmo tipo de rompante inspiracional que produziu o grande clássico de Kerouac, On the Road (traduzido no Brasil em 1987 como Pé na Estrada, por Eduardo Bueno). Em 1955 Kerouac apaixonou-se por uma prostituta indígena chamada Esperanza.
Foi publicado pela primeira vez em 1960 e baseado em fatos biográficos.

O método de escrever inovador

Jack Kerouac escreveu sua obra-prima “On The Road”, livro que seria consagrado mais tarde como a “Bíblia Hippie”, em apenas três semanas. O fôlego narrativo alucinante do escritor impressionou bastante seus editores. Jack usava uma máquina de escrever e uma série de grandes folhas de papel manteiga, que cortou para servirem na máquina e juntou com fita para não ter de trocar de folha a todo momento. Redigia de forma ininterrupta, invariavelmente sem a preocupação de cadenciar o fluxo de palavras com parágrafos.
O material bruto que chegou às mãos de Malcom Cowley, da editora Viking Press, em 1957, deu trabalho. Os rolos quilométricos de texto tiveram de ser revisados, foram inseridos pontos e vírgulas e praticamente 120 páginas do original foram eliminadas. O estilo-avalanche de Jack tinha ainda um elemento intensificador. Ao contrário às idéias correntes, segundo as quais trabalhou em cima do livro sob o efeito de benzedrina, uma droga estimulante; Kerouac, em admissão própria, abasteceu seu trabalho com nada mais que café.

 Drogas

O uso de drogas era comum entre Jack Kerouac e seus amigos. Sobre o assunto, o amigo Allen Ginsberg comentou que “Começamos a experimentar benzedrina e anestésicos. Eu pensava que não poderia escrever porque minha mente ficava confusa, mas Jack sentia que podia escrever romances usando isso. E acho que alguns dos seus romances do início dos anos 50 foram escritos sob efeito desses e outros tóxicos. Jack praticamente se sentava e datilografava por várias semanas, fazia correções, escrevia continuamente 5, 6 ou 7 horas por dia, às vezes até o dia inteiro”.

“Jack sempre foi muito tímido, ainda que parecesse durão, era doce, sensível, passional. Neal era mais espontâneo, machão sem fazer esforço, mas também se interessava muito pelas palavras. Ele esperava Jack ensiná-lo a ser do seu jeito. Eles eram opostos e muita gente pensava que se pareciam. Neal era rude, Jack era mais introvertido e gostaria de ter a mesma iniciativa com as mulheres. Ele gostava de ver Neal fazer isso”, diz a novelista e mulher de Neal, Carolyn Cassady.

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